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Uma chance para as magrelas – artigo Correio Braziliense

LEONARDO MEIRELES

[email protected]

publicado em 3 de agosto de 2015

A questão de o viaduto do Sudoeste não contemplar uma ciclovia tornou-se uma discussão ampla sobre a mobilidade no Distrito Federal. Afinal, não considerar a existência da faixa exclusiva em uma obra que será tão importante par ao trânsito da cidade – levando em conta a grandeza do Corredor Oeste – é ignorar a força que o meio de transporte tem hoje no globo. Não apenas do ponto de vista ambiental, mas econômico e humano, uma vez que se abre a oportunidade para o crescimento da indústria ciclística e afins e para a fuga de hospitais e doenças da ociosidade (desde que o exercício físico seja realizado com bom-senso e orientação). O resultado de dar mais espaço para carros nas ruas já é conhecido por todos nós.

Não sou contra a construção do Corredor Oeste e duvido muito que algum defensor das ciclovias seja. O problema é o pensamento tacanho de integrantes do poder público, cegos a ponto de não ver que a aparição de faixas exclusivas nos últimos anos diminuiu o número de mortes nas vias do DF. Em nove anos, despencou de 66 para 22 o número de óbitos envolvendo ciclistas. Com seus 420km, a malha cicloviária da capital já é a terceira maior do mundo, atrás apenas de Berlim e Nova York. Se não é tão importnte, por que despender tanto dinheiro?

Júlio César Peres, secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF, afirmou, em entrevista ao Correio, que passagens subterrâneas podem servir para os ciclistas atravessares do Sudoeste ao Parque da Cidade e vice-versa, como se bicicletas e pedestres pudessem dividir espaços sem sobrar para o mais fraco. Disse também que “a ciclovia não é feita para grandes distâncias”, sem ter o cuidado de pesquisar que existem pistas contínuas no Rio de Janeiro e em São Paulo que chegam a 42km.  E todas bem utilizadas.

Pois bem, a ONG Rodas da Paz organizou uma contagem de ciclistas em 8 de julho, no horário das 6 às 20h, no trecho da EPTG entre o Guará e o SIA. Passaram por ali 226 usuários, sendo que 77% utilizavam o meio como transporte e 23%, como treinamento. O estudo, coordenado pelo engenheiro Rafael Stucchi, apontou também pontos interessantes para a segurança do próprio ciclista, como o uso do capacete e as pedaladas realizadas na contramão.

Repito o número: 226 usuários em um trecho sem ciclovias. Como seria com elas? Melhor se bikes e carros pudessem conviver de forma saudável. Perfeito se existissem mais corredores exclusivos para ônibus (que carregam muita gente). Um sonho imaginar o metrô com mais vagões e atingindo pontos mais distntes no DF. Mas a mentalidade dos motoristas pode nunca mudar; as empresas de coletivos sofreram um grande pente-fino e continuaram oferecendo um serviço de péssima qualidade; e o metrô tende a ser extremamente caro. Por isso, que tal dar uma chance para as magrelas? Que tal ao menos pensar que elas existem e são utilizadas no mundo inteiro como uma das soluções para o trânsito?

 

VISÃO DO CORREIO »Pedalar sem risco é direito do cidadão

Editorial do Correio Brasiliense
OPINIÃO
VISÃO DO CORREIO »Pedalar sem risco é direito do cidadão
Publicação: 28/07/2015
A imagem impressiona. No domingo ensolarado, milhares de ciclistas pedalam pela Esplanada dos Ministérios rumo à Ponte JK. Entre eles, gerações da mesma família. Avós, pais, filhos e netos participaram do 13º Passeio Ciclístico Rodas da Paz movidos por sentimento de cidadania. Querem a cidade com trânsito civilizado e democrático. A mobilidade urbana, vale lembrar, é uma das questões mais desafiadoras e urgentes impostas aos governantes.
Não se devem ao acaso as reivindicações dos manifestantes que ocuparam as ruas de norte a sul do país em junho de 2013. Entre as exigências de melhor educação, melhor saúde, melhor governo, melhor Congresso, sobressaía o direito de ir e vir com qualidade, segurança e diversidade. Nas passeatas de 2015, a reivindicação permanece. E, a depender do ritmo observado na capital da República, permanecerá sabe-se lá por quanto tempo.
Editada em 2005, a Lei Distrital n° 3.639 aguarda regulamentação. Ela prevê a construção de ciclovias nas rodovias que cortam o Distrito Federal, vitais para a ligação do Plano Piloto e o entorno. Mas, 10 anos depois, comprova-se a distância abissal entre as palavras e os atos. O papel aceita tudo. No momento do agir, de concretizar o disposto no texto, porém, conjuga-se o verbo procrastinar. Deixa-se para amanhã o que se pode fazer hoje. Se possível, para depois de amanhã. Com sorte, para o Dia de São Nunca.
A negligência tem preço. São vidas que se perdem. Produtividade que se reduz. Saúde que se vai no congestionamento de trânsito, nas longas filas, nos ônibus lotados, na falta de compromisso com a frequência e a qualidade. A violência do asfalto matou nos cinco primeiros meses de 2015 mais do que nos 12 de 2014. Só nas vias urbanas, excluídas as distritais e federais, o DF assassinou 10 ciclistas até maio. Em todo o ano passado, foram nove.
É inaceitável o atraso na implantação de sistema de transporte democrático no Distrito Federal. Nele devem conviver com harmonia as diferentes formas de mobilidade. Bicicletas, motos, carros, trens, metrôs, ônibus precisam se interligar e circular com segurança a fim de atender às diferentes necessidades da população. O mundo mostrou que não se trata de sonho. Ao contrário. Amsterdã, Viena, Londres, Nova York servem de prova de que grandes centros podem criar sistemas includentes, em que se abre a possibilidade de escolha para o cidadão.
Esse é o recado que os milhares de brasilienses que ocuparam as ruas no domingo deram ao governo. Embora nenhuma autoridade governamental estivesse presente à manifestação, impõe-se ouvir a mensagem. A Lei n° 3.639 tem de sair do papel. A demonstração pública da adesão da presidente da República ao ciclismo pode servir de inspiração e desafio. Se Dilma Rousseff decidir ir do Palácio da Alvorada ao Palácio do Planalto de bicicleta, como morador comum da capital, com certeza correrá sério risco de não chegar ao destino. Os 4 mil metros que separam os dois palácios podem significar a distância que separa a vida da morte.

Um projeto de tarifa zero para o DF

» PAULO CESAR MARQUES DA SILVA
Professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), doutor em estudos de transportes pela University College London (Inglaterra) e fundador da ONG Rodas da Paz

Publicado no Correio Braziliense, 30/01/2015

Em 23 de janeiro, o Movimento Passe Livre do Distrito Federal protocolou no Palácio do Buriti e na Câmara Legislativa uma proposta de projeto de lei que institui a Tarifa Zero para o transporte coletivo local. Pelo menos foi assim que deram a notícia os poucos veículos de comunicação que se dignaram a fazê-lo. A realidade, no entanto, é que a proposta vai bem além da eliminação do pagamento do serviço pelo usuário.

A Tarifa Zero entrou na agenda do GDF a partir das jornadas de rua de 2013. O ex-governador Agnelo Queiroz e os ex-secretários de transportes, José Walter Vásquez, e de governo, Gustavo Ponce de Leon, comprometeram-se com o debate e a análise da proposta, eventos foram realizados, um grupo de trabalho foi constituído no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, mas nada de concreto evoluiu.

Sabe-se que existiam posições favoráveis e contrárias dentro do governo que terminou em dezembro, mas nenhum estudo veio a público. O imobilismo de governantes, parlamentares e outros setores, por falta de outra explicação mais convincente, sempre se escorou em alegações de insustentabilidade econômica, formuladas dentro da mesma lógica de prestação dos serviços de transporte que preserva os atuais modelos de concessão e remuneração aos operadores.

As reivindicações das pessoas nas ruas em 2013 estavam muito longe da ideia de perpetuação dos modelos vigentes de prestação dos serviços públicos (pelo menos na definição legal). Ainda que de forma um tanto difusa, o “padrão Fifa” de qualidade assemelhava-se muito mais à reformulação completa da estrutura de oferta desses serviços do que a mero aprimoramento da gestão, como a grande imprensa e os representantes dos partidos da ordem trataram de interpretar.

Um dos maiores méritos da proposta com que o MPL respondeu a tamanha inapetência institucional é o que reformula todo o sistema, resgatando a natureza essencial de serviço público. Público, não estatal. O sistema de transporte seria gerido em todas as dimensões por conselhos constituídos de representantes da sociedade, dos trabalhadores nos serviços e dos gestores e operadores, mas estes últimos não estariam em maioria nem teriam direito a voto, só a voz. Os papéis seriam de servidores públicos, no conceito original do termo.

É evidente que tais aspectos significariam uma profunda mudança paradigmática, com reflexos na gestão das cidades como um todo — não só as do DF, nem apenas no que diz respeito a mobilidade. Esse é um debate absolutamente necessário e urgente. A legislação federal (Lei nº 12.587/2012) estipula um prazo, que se esgota em 90 dias, para a implantação do controle social e aparticipação popular na formulação de políticas e gestão da mobilidade nas cidades. Os modelos de gestão urbana hoje praticados deram provas mais do que suficientes de falência.

Um segundo mérito da proposta, que a diferencia de o tudo o que já se fez por aqui até hoje, é levar o DF a assumir responsabilidade de protagonista em área metropolitana. É um tema com que todo mundo concorda, mas do qual ninguém assume cuidar. O MPL apresenta toda uma concepção de serviço abrangendo não apenas o quadrilátero do DF, mas toda a Região Integrada de Desenvolvimento Econômico (Ride). Portanto, não bastaria aprovar o projeto na Câmara Legislativa. Longe de representar um impedimento, tal condição só acentua a necessidade de se estabelecer um debate amplo e participativo com toda a população que vive, não importa de que lado de cada limite, no espaço municipal, estadual ou distrital.

O caminho é longo, mas foi dado o primeiro passo. O MPL, seguindo a trajetória, certamente intensificará a mobilização em torno da proposta, na esteira da resistência ao prenunciado reajuste tarifário. Ao governador Rollemberg e a pelo menos cinco dos atuais deputados distritais convém lembrar que, durante a campanha eleitoral do ano passado, assinaram Carta Compromisso com a Mobilidade Sustentável, cujo texto inclui “desonerar gradativamente o usuário do transporte coletivo do custeio do sistema de transporte, por meio da integração universal e irrestrita com financiamento não tarifário do sistema, visando a futura implementação da tarifa zero”.

A campanha eleitoral está na rua. Que diferença isso faz para a Rodas da Paz?

A atuação da Rodas da Paz nessas eleições se dará de maneira propositiva, dialogando com a consciência e as expectativas da população, tratando todos os candidatos igualmente, sem privilegiar nenhuma coligação. A nossa aliança é e sempre será com a cidade, independente dos candidatos.

Em conjunto com o Movimento Nossa Brasília, organizamos no dia 19 de julho uma oficina aberta a cidadãos e movimentos, para conversar sobre os problemas atuais e apontar as propostas prioritárias que deverão ser assumidas como compromissos pelos candidatos que pretendam se posicionar verdadeiramente a favor da mobilidade sustentável.

Já é sabido, como apontado pelo próprio Plano Diretor de Transporte Urbano do DF de 2011, que se continuarmos reféns do investimento no modelo rodoviarista de cidade, o DF irá parar de vez em 2020. Esse modelo, baseado na construção de túneis, viadutos e ampliações viárias, resulta no uso excessivo de automóvel, estimulado ainda mais pelo transporte público precário do DF.

Apresentamos aqui a Carta Compromisso que foi escrita com a participação de diversos movimentos, entidades e cidadãos, como uma contribuição para qualificar o debate eleitoral. Se há um momento propício ao debate aberto, deveria ser a eleição.

No texto há 3 propostas prioritárias para os candidatos ao Palácio do Buriti, e há também propostas endereçadas aos candidatos ao Legislativo Federal (Senado e Câmara dos Deputados) e para os candidatos a Deputados Distritais. Se você for candidato ou estiver trabalhando na campanha de alguém que queira assinar a carta, entre em contato no e-mail [email protected]

Para a atividade de assinatura da Carta, nossa sugestão é fazer uma cerimônia para cada uma das coligações, reunindo todos seus respectivos candidatos que assinarão o compromisso. Essa atividade de assinatura foi pensada como uma atividade de rua, onde o candidato majoritário da coligação, acompanhado dos proporcionais, realizará um percurso de transporte coletivo ou de bicicleta, acordado com a coordenação de campanha.

Para mudar o cenário da mobilidade no DF é preciso um esforço conjunto de todos esses atores e também da sociedade. Nossa parte está sendo feita, esperamos que os futuros governantes façam a sua também.

Acesse aqui a Carta de Compromisso

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Crédito: Wesley Moura

Crédito: Wesley Moura

Avaliação da política cicloviária do Governo Agnelo (2011-2014)

A Rodas da Paz apresenta avaliação da política cicloviária do Governo Agnelo (2011-2014). A boa gestão pública deve sempre ver nas informações uma possibilidade de aprimorar ou reorientar seus investimentos, e é com esse espírito colaborativo que apresentamos a compilação de dados e sugestões que foram feitas pela ONG Rodas da Paz nos últimos anos, sempre de maneira transparente, crítica e independente.

Começa nesta quarta feira (19/12/2014) Seminário de Avaliação proposto pelo GDF, que lamentavelmente ocorre em horário de expediente comum, prejudicando a participação dos usuários comuns de bicicleta como meio de transporte e com restrição à participação da sociedade no número de vagas. Essas medidas refletem a pouca preocupação da atual gestão em incorporar a participação social como um elemento essencial no ciclo de políticas públicas, o que se foi demonstrado em diversas oportunidades ao longo dos últimos anos.

Como exemplo, a reivindicação de construção de ciclovias prioritariamente nas vias de alta velocidade e com registros de mortes de ciclistas segue sem encaminhamento. Uma das justificativas para se implementar ciclovias era de que “ciclovias salvam vidas”. No entanto, as obras foram feitas, prioritariamente, onde ocorrem menos mortes, revelando ausência de critério técnico para a definição de implantação das mesmas, como se vê no gráfico abaixo.

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Para colaborar com uma avaliação qualificada da política recente relacionada a mobilidade por bicicleta, publicamos o levantamento de pontos relacionados à (i) Infraestrutura, (ii) Educação e comportamento, (iii) Humanização e desenho do espaço urbano com foco na segurança e (iv) Planejamento das ações e articulação entre órgãos responsáveis.

As informações estão sistematizadas identificando o Assunto, Avaliação e sugestões, Resposta do GDF, Órgão responsável e Amparo do pedido, como no exemplo a seguir:
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Acesse aqui o relatório completo e abaixo o texto de apresentação:

Balanço Governo Agnelo 2011-14

Política Cicloviária

Quando o governador Agnelo Queiroz assumiu o Governo do DF em 2011, havia pouco mais de 40km de ciclovias. Atualmente, ao final de 2014, cerca de 400km foram adicionados a malha cicloviária do DF. No Plano Diretor de Transporte Urbano de 2011, é informado que 2,3% das viagens diárias são feitas por bicicleta, sendo a economia de recursos financeiros o principal motivo da escolha da bicicleta como meio de transporte. Dessas viagens de bicicleta, 96,2% ocorrem para fins de mobilidade (trabalho e estudo).

Dados do DETRAN-DF apontam que a chance de fatalidade de um acidente envolvendo ciclistas em rodovias é maior do que em acidentes em vias urbanas. No entanto, dos cerca de 440km de ciclovias construídas, grande parte se concentra no Plano Piloto, em vias de baixa velocidade e com baixos índices de acidentes. Por decisão do governo, não se priorizou implantação de estrutura cicloviária nas rodovias de alta velocidade, com elevados índices de fatalidade e com maior tráfego de ciclistas, que fazem conexão entre as cidades satélites e destas com o Plano Piloto, região que concentra 47,7% dos empregos do DF e onde mora apenas 8% da população. Verifica-se que esta região central, onde ocorreram 4% das mortes no DF entre 2003 e 2013, foi contemplada com mais de 40% das ciclovias construídas ou projetadas (ver gráfico abaixo).

O DF possui mais de 11 mil km de malha viária, de modo que a quilometragem de ciclovias representa cerca de 3,6% deste total. Isso significa que o ciclista, para ter direito de se deslocar pela cidade, precisará, em grande parte do tempo, continuar utilizando as ruas, o que requer políticas educativas intensas, além de medidas de moderação de tráfico, redução de limites de velocidade e fiscalização.

Entre 2011 e 2013 o DETRAN empenhou apenas 11,8% do orçamento autorizado para ser gasto com campanhas educativas, e as poucas peças que tratavam da presença na bicicleta no trânsito não foram incisivas o suficiente em seu conteúdo de que as ruas podem e devem ser compartilhadas com os ciclistas e que é de responsabilidade do maior veículo a segurança do menor, como garante o Código de Trânsito. Além disso, as propagandas do DETRAN davam a entender que os ciclistas deveriam utilizar apenas as ciclovias.

Em 2010, foram 35 mortes envolvendo ciclistas no DF, e em 2013 foram registrados 27 óbitos. Desde 2005, as mortes de ciclistas vem seguindo tendência de queda, embora lentamente. Para que as fatalidades no trânsito envolvendo ciclistas fossem reduzidas em 50%, levou-se 6 anos (2006-2012). Para efeito de comparação, as mortes envolvendo pedestres foram reduzidas em 50% na metade no tempo, 3 anos (1995-1998), fruto de campanhas educativas de massa feitas à época em relação a uso da faixa de pedestre. O investimento adequado de estrutura cicloviária nas vias de maior velocidade e com mais registros de fatalidade, aliado ao emprego de recursos na promoção de campanhas educativas permitiria a redução planejada de mortes no trânsito como resultado efetivo de uma política pública.

Este documento apresenta uma avaliação da política cicloviária do Governo Agnelo (2011-2014). A boa gestão pública deve sempre ver nas informações uma possibilidade de aprimorar ou reorientar seus investimentos, e é com esse espírito colaborativo que apresentamos a compilação de dados e sugestões que foram feitas pela ONG Rodas da Paz nos últimos anos, sempre de maneira transparente, crítica e independente..

Transporte na contra-mão da mobilidade

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Por Iran Magno

O planejamento de transportes é um grande passo em um país que tem por hábito se planejar pouco. Mas, infelizmente, nem sempre isso se traduz em melhorias à qualidade de vida da população.

Isso fica bem claro no perfil de municípios brasileiros de 2012 (MUNIC 2012), publicado em 03/07/2013 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O documento investigou a organização interna e os serviços de transporte de todos os 5.565 municípios brasileiros e destaca que a forma tradicional de ação da maior parte das prefeituras não é integrada à gestão de trânsito, circulação viária e participação popular na formulação de políticas.

Quando se fala de participação popular, por exemplo, o MUNIC aponta que apenas 6,4% dos municípios têm conselhos municipais de transporte – organismos de representação da sociedade civil.

Já em relação a um plano estruturado de transporte, o total é ainda menor, com apenas 3,8% das nossas cidades na conta final. O texto ainda menciona a importância de se estabelecer diretrizes integradas quando se pensa em priorizar o transporte coletivo e de pedestres.

Desde 2012, foi estabelecida a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Ela define que todas as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes devem apresentar um plano de mobilidade urbana, que priorize o transporte não motorizado (bicicletas e ciclovias, calçadas etc) e coletivo. Tudo isso com a devida participação da população.
Está na hora de pensar a mobilidade além das soluções tradicionais, que normalmente privilegiam o automóvel. Para isso, precisamos de soluções que promovam a diversificação e integração dos meios de transporte, assegurem a todos o direito de ir e vir e ofereçam mecanismos de controle de poluição e emissões de gases de efeito estufa.

*Iran Magno é da campanha de Clima e Energia.

Fonte: Greenpeace

Ciclovia e ciclofaixa da discórdia!

A denúncia pública que todos nós já sabíamos…

Revista Bicicleta por Wesley Moura – Colaboração: Jonas Bertucci; Renato Zerbinato

Foto: Wesley Moura

Foto: Wesley Moura

Como dizia minha vozinha: “meu fío, não precisa ter três orelhas pra saber que isso vai dar errado!”. Traduzindo o que a já falecida dona Alzira dizia, não precisamos ser anormais ou diferentes dos demais para saber que uma coisa vai dar zebra.

ciclovia-revistabicicleta2No processo de implantação do sistema cicloviário do Distrito Federal, observamos diversos aspectos que a princípio ferem a nossa noção de lógica. Não é de hoje que as ciclovias têm sido alvo de discussões a fim de adequar o projeto cicloviário ao interesse político e ao da sociedade civil, não necessariamente nessa ordem. Essa “queda de braço” entre governo e sociedade civil tem gerado muitas críticas e muitos aplausos, partindo para denúncias no MP- Ministério Público, chegando a embargos das obras e manifestações na capital federal.

Ongs, organizações civis, grupos de ciclistas, sociedade geral e governo divergem em suas opiniões, que na maioria das vezes são desenvolvidas nas redes sociais ou nos tímidos 40 segundos veiculados pelas tevês locais geralmente no encerramento dos telejornais vez ou outra, sem oferecer base para argumentação.

A sociedade “comum” – claro, refiro-me àquela que pouco se importa se há ou não ciclovia, que quase reside no carro, gasta mais horas dirigindo do que dormindo à noite; literalmente depende do carro para ir até a padaria, que pensa muitas vezes que um ciclista na via é o mesmo que uma lata de refrigerante vazia rolando aleatoriamente -, na maioria das vezes nem fique sabendo das internas desse processo. Parte por desinteresse, parte por pensar que não há condições de ciclistas dividirem espaço com carros, e as razões e motivos são diversos.

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) aponta uma extensa lista de falhas nas obras de construção das ciclovias no Plano Piloto. Os “graves” problemas encontrados vão desde a falta de licenças para as obras às falhas nas pistas exclusivas já feitas. Técnicos do TCDF encontraram fissuras e rachaduras no concreto, danos às redes de água e de telefonia, além do prejuízo causado às arvores plantadas ainda na construção de Brasília.

Não é nenhuma surpresa que se apresente problemas dessa natureza, pois na pressa esses problemas são inevitáveis. Afinal de contas, 2014 está aí. Eleições e Copa do Mundo de futebol sempre é prioridade quando se fala de desenvolvimento em nosso país, Brasília não pode ficar fora dessa, pois é palco e alvo de denúncias e serviços mal feitos o tempo todo.

A auditoria apontou ainda danos às calçadas já existentes, uso da própria calçada de pedestres como pista exclusiva para os ciclistas, além da falta de previsão da instalação de iluminação pública ao longo da ciclovia. As falhas encontradas sustentam a apuração, ferem o tombamento histórico do Plano Piloto e grande parte do projeto foi feito sem a anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e da própria comunidade.

Diante de todas as irregularidades encontradas, a Corte de Contas pediu que a Secretaria de Obras desse explicações sobre o andamento das obras e a forma como tem sido implantadas. O Governo do Distrito Federal (GDF) promete realizar essas adequações assim que as obras forem avançando.

Uma conquista visível do Distrito Federal é a ciclofaixa de lazer, que tem sido considerado outro cala-boca aos usuários de bicicleta. Em conversa com a comunidade em geral, perguntei sobre a ciclofaixa e a resposta foi quase que unânime: “uai, pensei que fosse faixa exclusiva para ônibus, nem sabia que era para bicicleta”. Apesar de as placas informarem que a ciclofaixa funciona aos domingos e feriados das nove às 16 horas, algumas pessoas reclamam que a má divulgação foge da proposta de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Essa ciclofaixa seria perfeita durante a semana em horário de ida e volta do trabalho/faculdade, de quem sofre nos quilômetros de congestionamento na região.

Mas ainda assim o espaço reservado para a ciclofaixa é seguro para o ciclista. A ciclofaixa do lazer, implantada no Eixo Monumental, oferecerá empréstimo de bicicletas e pontos de apoio para os usuários ao longo de todo o percurso. Além disso, o projeto será ampliado para a W3 Sul e a W3 Norte (Asas Sul e Norte) e deverá estar em pleno funcionamento até julho. A meta do Departamento de Trânsito (Detran) é ofertar todo o serviço de graça para a população.

Com início na Catedral Rainha da Paz, entre o Cruzeiro Novo e o SMU (Setor Militar Urbano), vai até o Congresso Nacional passando por todos os pontos turísticos do Eixo Monumental, sendo uma ótima opção de lazer pra quem visita a Capital Federal a exemplo do São Paulo e Rio de Janeiro. Destaca-se: “de Lazer”!

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Sobre todo o tema envolvido, segue nota da ONG Rodas da Paz por meio de Jonas Bertutti, presidente da ONG:

“Todo o processo teria melhores resultados caso o GDF ouvisse os usuários de bicicleta, as pessoas que já utilizam no dia a dia. Além disso, são necessários estudos para verificar com clareza as regiões onde há maior necessidade e que tipo de estrutura utilizar em cada lugar. Áreas e vias compartilhadas de baixo fluxo e velocidade (e sem histórico de acidentes graves) como L1 e W1 são soluções perfeitamente possíveis. O objetivo principal deve ser reduzir o número de acidentes e aumentar o número de usuários de bicicletas. Para isso, seria preciso fazer contagens de ciclistas e estudos do tipo origem-destino. Temos alertado o GDF nesse sentido há bastante tempo.

No caso das Travessias: o Detran afirma que não irá dar preferência aos ciclistas por questões de segurança. No entanto, não há estudos técnicos que apontem que essa seja a melhor solução. Ao contrário, a experiência de diversos países indica que a melhor saída é reduzir os limites de velocidade e priorizar o transporte não motorizado, fazendo campanhas e sinalização adequada para dar preferência aos ciclistas na maior parte das situações, conforme orienta o CTB. O trajeto do ciclista e do pedestre deveria ser mais direto, fluido e com menos paradas. Assim, a mudança cultural dará maior segurança para todos, num processo semelhante ao que foi a implementação da faixa de pedestre e que está se perdendo. Conflitos com pedestres seriam evitados com as campanhas educativas, sinalização e planejamento para renovação de calçadas.

As ciclovias estão quase prontas e as pessoas já estão utilizando. Fica claro que o planejamento poderia ser diferente. A sinalização e as campanhas educativas, que já deveriam estar ocorrendo para informar a população ficaram para o final… Sabemos que há uma restrição legal do contrato da obra, mas poderia ter sido feito diferente. No caso das campanhas, tem sido uma demanda feita há anos pela comunidade ciclística ao GDF e isso não necessita ciclovias prontas, já que os ciclistas também utilizam as ruas.

O material educativo distribuído se restringe a alguns panfletos na ciclofaixa de lazer voltados para ciclistas, quando deveria ser voltado para a sociedade como um todo, principalmente motoristas.”

Para falar mais sobre essa audiência e sobre o tema abordado, segue opinião de Renato Zerbinato, cicloativista:

“A questão aqui é outra bem pior, infelizmente é uma prática comum do GDF, não só na questão das ciclovias, mas em outras áreas também. O fato é que o GDF teve tempo de sobra para realizar diversas audiências públicas antes das obras começarem, antes mesmo delas serem licitadas. Ninguém é contra ciclovias ou outras estruturas que tragam real segurança para quem usa a bicicleta, desde que sejam feitas de acordo com a real demanda da cidade e observando o gasto desnecessário de dinheiro público. O que mais nos impressiona no processo de implantação do sistema cicloviário no Distrito Federal é a forma que o governo ignora a opinião pública.

Em audiência com o MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) e posteriormente com o MPF (Ministério Público Federal), o GDF ficou de apresentar novo projeto de sinalização e também a construção e atualização de um relatório enumerando quantas e quais árvores seriam removidas para a construção destas ciclovias. Além disso, o DPJ – Departamento de Parques e Jardins da NOVACAP ficou obrigado a apresentar um relatório específico detalhando a quantidade e quais os possíveis problemas poderiam acontecer com as árvores que estão tendo suas raízes removidas quando a ciclovia passa perto demais delas, mas parece que não está acontecendo.

Ainda mais: as ciclovias aqui no Plano Piloto estão sendo construídas em concreto, o que duplica o preço da obra em relação às ciclovias feitas de asfalto nas demais regiões administrativas. Cito os exemplos abaixo:

-Eixo Monumental = Concreto = Extensão 17 km: Valor Total = R$ 5.076.500,07 (aprox. R$ 298.000 por quilômetro).

-Gama (cidade satélite do DF) = Asfalto = Extensão 13 km: Valor Total = R$ 2.222.906,56 (aprox. R$ 170.000 por quilômetro).

Na época, alegaram que o concreto era uma exigência do Iphan, para não ferir o tombamento, porém, o próprio Iphan nunca admitiu que fez tal exigência. Então, a pergunta aqui é: por que tanta diferença de preços? Por que não usar asfalto em todas as ciclovias, já que é mais barato e muito melhor?

Todo mundo acompanhou os erros e mais erros da ciclovia do sudoeste, obra mal feita, concreto de baixíssima qualidade, com rachaduras e defeitos graves, onde inclusive um ciclista se acidentou seriamente. Até hoje a ciclovia não foi restaurada, continua com os mesmos problemas e ainda com a sinalização toda errada, e o pior, as ciclovias que estão sendo construídas e que são temas desta audiência, seguem os mesmos erros, rachaduras, buracos, escuridão e falta de sinalização adequada, levando em conta que o projeto de sinalização é o mesmo para todos os 600 km projetados.

No dia 27 de abril o GDF realizou uma Audiência Pública para debater o projeto cicloviário do Plano Piloto, a convocação foi publicada por meio de Ordem de Serviço Nº 25, de 15 de março de 2013, no Diário Oficial do Distrito Federal. Até o fechamento dessa matéria não obtivemos informações sobre o encaminhamento da Audiência Pública.”

Fonte: Revista Bicicleta – 07/10-2013

Carta sobre Conselho de Mobilidade e Acessibilidade foi protocolada no Buriti

instaentregaGrupo de ciclistas protocolou hoje a entrega da Carta que pede criação de Conselho de Mobilidade e Acessibilidade no gabinete do Governador. A carta pedindo criação do Conselho de Mobilidade conforme a Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana contou com 33 assinaturas.

Entrega para Secretário de Transportes já havia sido feita
No dia 29 de agosto a carta foi entregue em mãos para o Secretário de Transportes do DF, José Vásquez. O Secretário Executivo da Rodas da Paz, Raphael Dorneles, sugeriu que o Secretário se tornasse o interlocutor dessa demanda no governo, confira o vídeo.

O Secretário afirmou que de fato falta uma instância democrática de diálogo atualmente no GDF para tratar do tema e apontou ainda que há de se pensar na dinâmica de funcionamento desses espaços. “O governo do DF carece de uma instância de discussão de mobilidade com a sociedade. Não existe dentro da estrutura burocrática um conselho onde realmente a sociedade possa se sentir representada.” Também foi dito pelo Secretário que o atual Conselho de Transportes não é democrático. Confira em vídeo.

Já a presidente do Metrô, Ivelise Longhi, fez uma fala sugerindo a incorporação de novas tecnologias para viabilizar a incorporação da sociedade no debate das políticas públicas e analisou que projetos que contem com a sociedade em sua formulação tendem a ter mais sucesso na sua execução. Vídeo aqui. rapha_carta_secretario

Porão do Rock e Rodas da Paz. O rock de Brasília vai de bike.

Você pode ir também.

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Legião, Capital Inicial, Plebe Rude, fase inicial dos Paralamas… Nenhuma palavra combina tão bem com Brasília quanto rock. O Porão do Rock é uma das principais manifestações dessa cultura rock de Brasília – que também é pop, MPB, eletrônica, indie…

Em 2013, o festival completou 15 anos. O nome Porão do Rock vem dos estúdios onde as bandas ensaiavam em uma das áreas comerciais da Asa Norte. Daí veio a revista, depois virou ONG e hoje, além de garantir no calendário da cena rock descobertas locais, nacionais e internacionais e valorizar o legado dos dinossauros, o Porão do Rock ainda realiza diversas ações sociais.

Na edição desse ano, uma das ações sociais foi a parceria com a Rodas da Paz, ONG que também completou um aniversário importante em 2013: 10 anos de atividade, promovendo a paz no trânsito e a convivência respeitosa entre as diferentes possibilidades de viver a cidade – carro, moto, skate, bicicleta, a pé.

A parceria Porão do Rock + Rodas da Paz promoveu uma ação inédita: incentivar os roqueiros do DF a irem de bike para os shows. Tarefa nada fácil para a cidade dos carros e de um dos piores sistemas de transporte público do país.

Cerca de 45 mil pessoas compareceram ao maior evento de rock independente do país e, pela primeira vez, um festival desse porte contou com serviço de bike vallet. Por meio dessa ação, o Porão do Rock abriu espaço para debater mobilidade urbana.

A tenda das bicicletas ficou localiza logo à direita da entrada principal no estacionamento do Mané Garricha, endereço oficial do festival Porão do Rock. A partir das 17h, 13 voluntários viraram a noite de olho nas magrelas. Além dos cadeados individuais, os ciclistas roqueiros contaram também com uma tranca coletiva.

Quem quisesse deixar a bicicleta com os voluntários da Rodas da Paz, bastava preencher um cadastro rápido. Cada bicicleta recebia uma tag com os contatos e a identificação individual. Daí era só curtir os shows e voltar depois, para pegar a bicicleta. Nos dois dias de festival, essa experiência levou todo mundo a uma só conclusão: rock dá pedal pra valer. No sábado, o paraciclo de 4m, exclusivamente produzido para a ação, ficou lotado. Já eram 4 horas da manhã quando o ultimo ciclista veio retirar a sua bike.

Mais de 30 ciclistas do chamado plano piloto – Asa Norte, Asa Sul, lagos – e de outras regiões do DF – Ceilância, Riacho Fundo … – foram de bicicleta para curtir de Matanza a Paralamas, de Soulfly a Proto Man. Entre uma atração internacional e outra nacional, lanche e bebidas na praça de alimentação e esportes radicais.

Além do bike valet, a Rodas da Paz também sorteou no Porão do Rock uma bicicleta, gentilmente oferecida pela Star Móveis. O prêmio do concurso cultural foi anunciado pela página poraodorock. Levou a bicicleta quem criou a frase mais criativa sobre como melhorar o trânsito de Brasília. Os outros cinco vencedores ganharam saltos de bungee jump.

No telão, durante os intervalos, um video deixava um recado rock’n’roll do Porão e da Rodas sobre mobilidade: “mais adrenalina, menos gasolina”.

A causa ganhou o apoio de músicos como Dinho Ouro Preto, João Barone e Bi Ribeiro, que cederam sua imagem em fotos e realizaram depoimentos incentivando o uso da bicicleta como meio de transporte e o respeito aos ciclistas. Em Brasilia, 639 ciclistas morreram desde o ano 2000.

Rock é atitude. Dar visibilidade às bicicletas e ao que elas representam diante desse cenário também.

Em Brasília, não é só o rock que precisa ir de bike: a cidade como um todo precisa repensar sua política de mobilidade urbana e estimular a cultura cicloviária – que vai além de ciclovias, embora possa e deva contar com ciclovias de qualidade.

A parceria Porão do Rock e Rodas da Paz mandou esse recado. Como um bom show de rock, tomara que tenha bis.

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Dia Mundial Sem Carros 2013 está chegando, o que vai rolar no DF?

Desde 1997 na França e desde 2003 no Brasil, várias cidades vem experimentando um dia sem carro. A proposta é provocar a discussão da dependência que temos do transporte individual motorizado e como as cidades podem se tornar mais receptivas a outras formas de transporte, mais eficientes, mais sustentáveis e mais seguras.
Aqui no Distrito Federal já tem atividades previstas para acontecer na semana do dia 15 a 22 de setembro, mas ainda pode ser feito muito mais! Se você ou sua entidade for fazer algo, nos avise que ajudaremos a divulgar! Envie sua ação para [email protected]

15/9 domingo – 9h-12h – Estrutural – Feira Comunitária da Estrutural
Ação Pimp my Bike: Quer dar uma geral na sua bike? É a hora! Vamos ter aulas de mecânica de bicicleta, distribuição de adesivos refletivos, plaquinhas de “Respeite um carro a menos” e até pintura de bicicletas com tinta refletiva, especialmente para bicicletas de trabalho. Organização: Movimento Nossa BrasíliaColetivo da Cidade e Rodas da Paz

18/9 quarta – 20h – Aliança Francesa – 708/907 SulCARTAZ_DOCUMENTARIOS_B_III
FILME: “Se descolar em 2040” (52 min) “Em duas gerações, as distâncias percorridas pelos franceses foram multiplicadas por 9. Quando todo vai mais rápido e mais longe, anunciamos uma penúria de petróleo, e então de gasolina. Tem que pensar de novo nossos deslocamentos e se adaptar a novos parâmetros: tele-trabalho, transportes elétricos ou ecológicos, viagens virtuais… Os especialistas nos anunciam as metamorfoses a chegarem e filmes de animação sugerem novos modos de se deslocar para o futuro.” Organização: Embaixada da França no Brasil

19/9 quinta – 20h – Aliança Francesa  – 708/907 Sul
FILME: “A verdadeira história do ônibus 402” (78 min) “O bairro das Pirâmides pertence a Evry-Ville-Nouvelle, uma dessas cidades fundadas na utopia urbanística pós-“Maio de 68”. Nesse “bairro difícil” passa o ônibus 402, um dos alvos dos jovens quando atravessa o território deles. Diante da recusa dos motoristas em continuar a passar nas Pirâmides, o serviço de transportes públicos implementou uma rede de prevenção que implica os moradores do bairro. No coração dessa historia, tem a distância entre a cidade e a periferia.” Organização: Embaixada da França no Brasil

19/9 quinta – 21h – Outro Calaf – SBS Quadra 2
Festa Se Pá: A mais nova festa semanal de Brasília vai oferecer 50% de desconto para quem for pedalando. Em de dos R$20 habituais, a entrada custará apenas R$10, dando direito a dançar muito ao som de Ragga, Trap, Hip Hop, Rap e Dancehall.
Organização: Headline Produção e Tatuagem

22/9 domingo – 10h-17h – Eixão do Lazer Norte – Viaduto da Galeria do Trabalhador
Festa #ocupaEixão: Festival de Música com Bandas de Brasília ao longo do dia. É proibido parar, só pode dançar! Faz mais de 20 anos a principal via de Brasília fecha para os carros e abre para as pessoas. Vamos celebrar este espaço com muita música, pois onde não há carro, há vida! Queremos que o Eixao do Lazer seja cada vez mais nosso e queremos mais areas assim em todo o DF. Traga sua canga e faça seu piquenique na maior rua de lazer do país. Organização: Rodas da Paz, Cult22 e Administração de Brasília

23/9 segunda – 7h30 – Desafio Intermodal – McDonald’s do Guará
O Desafio Intermodal avalia quais os meios de locomoção mais eficientes no meio urbano num dia comum. A proposta não é apenas medir a velocidade e quem chega primeiro, é avaliar o custo ambiental, econômico e social de cada meio de transporte. Em 2012 participaram moto, carro, táxi, patins e ônibus, bicicleta dobrável, bicicleta speed, metrô, bicicleta e metrô, pedestre e ônibus. Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/448155015294174/
Organização: Rodas da Paz

Secretaria de Governo afirma que formalizará a participação da sociedade em Fórum

A definição das entidades participantes deve ser na próxima quarta

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Com seis horas de antecedência, às 12h40, desta quarta-feira (21/8), a Secretaria de Governo do Distrito Federal convocou para uma reunião às 18h30, as instituições que fizeram parte do Comitê Gestor da Mobilidade por Bicicletas, instância que se encontra desativada desde abril deste ano. De acordo com os representantes do Governo, a reunião foi convocada para discutir a participação da sociedade civil no Fórum de Mobilidade por Bicicleta, considerada extraordinária segundo o decreto que instituiu essa estrutura.

O objetivo do encontro é dissociado do conteúdo da carta ao GDF, a ser encaminhada ao governador na próxima semana, e que reivindica a formação de uma estrutura mais ampla, um Conselho de Mobilidade e de Acessibilidade, para além da mobilidade por bicicleta. As instituições que desejarem aderir ao texto devem encaminhar email para [email protected]. A carta está no site da Rodas da Paz.

O convite de última hora talvez tenha impossibilitado a participação das demais entidades, resultando apenas a presença da Rodas da Paz, que compareceu com seu Presidente e Vice-Presidente da ONG, Jonas Bertucci e Phillip Fiuza Lima. Por isso, sugerimos que fosse marcada nova data de forma a haver participação efetiva também de outras organizações e grupos relacionadas ao tema. A nova reunião foi definida para a próxima quarta-feira (28/8), às 18h30, nas dependências da Secretaria de Governo.

Estavam presentes ao encontro o secretário de Governo, Gustavo Ponce de Leon Soriano Lago, um representante da Casa Civil, José Ricardo Bianco Fonseca, seu assistente, Paulo Alexandre e representação da Juventude do PSB, André Dutra.

Os representantes do governo explicaram que o objetivo do fórum é a execução do plano de mobilidade por bicicleta, resultado do trabalho do Comitê de Mobilidade por Bicicleta, extinto em abril passado.

O vice-presidente da Rodas da Paz, Phillip Fiuza Lima, questionou o alcance do Fórum e insistiu na necessidade de que haja alinhamento e compromisso sobre as políticas de mobilidade para além da bicicleta. Um Conselho de Mobilidade é a ferramenta mais adequada de participação. Além disso, explicou que a participação da sociedade no Fórum deve ser formalizada. Esta formalização poderá ser feita, segundo o secretário, por meio de uma portaria da secretaria.

O presidente da Rodas, Jonas Bertucci, lembrou que, no Comitê de Mobilidade por Bicicleta, várias questões relevantes apresentadas pela Rodas da Paz e por outras entidades não foram consideradas. O trabalho do comitê não se baseava em consenso e a participação da sociedade era frágil. Por isso, deve haver maior flexibilidade para adequação de metas e prioridades do plano de mobilidade por bicicleta.

Tendo em vista a reunião a ser realizada na quarta-feira, a Rodas da Paz convida todas as entidades signatárias da carta e demais interessados a um encontro na sua sede, às 19.30hs de terça-feira, 27/08, para construir uma estratégia conjunta de participação no Fórum de Mobilidade por Bicicleta a partir do contexto mais amplo de reivindicação do Conselho de Mobilidade.

Por um Conselho de Mobilidade e Acessibilidade

No dia 19 de agosto, Dia do Ciclista, diversas entidades e movimentos vieram a público pedir ao Governo do Distrito Federal que crie o Conselho de Mobilidade e Acessibilidade. Esta data, criada em homenagem ao ciclista Pedro Davison, atropelado no Eixão em 2006, serve para inspirar ações que busquem cidades mais humanas, políticas de mobilidade mais sustentáveis e um trânsito para seguro para todos.

Centenas de ciclistas e pedestres vem morrendo todo os anos no Brasil, que conta com uma das maiores taxas de mortes por cem mil habitantes no trânsito do mundo. Para reverter este quadro, não bastam apenas técnicos de governo e muito menos o lobby automobilístico, é preciso envolver a sociedade: usuários do transporte coletivo, especialistas, movimentos sociais, trabalhadores do transporte público e motociclistas, para qualificar as ações governamentais nas políticas públicas de mobilidade.

A participação social deve ocorrer em todo o ciclo de políticas públicas, conforme a própria orientação da Política Nacional de Mobilidade Urbana, Lei 12.587. As entidades listadas abaixo esperam que o GDF trabalhe para viabilizar esta participação em canais institucionais, uma demanda da população nas manifestações recentes.

* 33 organizações e grupo aderiram a esta carta até as 12h de segunda-feira (26/08/2013).

POR UM CONSELHO DE MOBILIDADE E ACESSIBILIDADE CARTA ABERTA AO SR. AGNELO QUEIROZ, ILUSTRE GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL

Brasília, 19 de agosto de 2013

Assunto: Criação do Conselho de Mobilidade e Acessibilidade do DF

Excelentíssimo Senhor Governador do Distrito Federal,

Em janeiro de 2012 a presidenta Dilma Roussef sancionou a Lei 12.587, que institui as diretrizes da Política Nacional da Mobilidade Urbana, e em junho de 2013 milhares de cidadãos foram às ruas em todo país, inclusive Brasília, mobilizados especialmente pela pauta da mobilidade urbana. Estamos diante da realização da Conferência Distrital das Cidades, espaço conquistado justamente para promover a inclusão da sociedade nos debates públicos. Nesse contexto, pede-se a sensibilização do poder público para aumentar e qualificar a participação popular em seu ciclo de gestão de políticas, por meio de um Conselho Distrital de Mobilidade e Acessibilidade.

Em setembro de 2011 a Rodas da Paz ocupou assento no então instituído Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicleta, iniciativa pioneira no DF. A ONG Rodas da Paz participou ativamente desse Comitê como uma das entidades de representação da Sociedade Civil, atuando de forma aberta para o diálogo com toda a comunidade.

O Comitê Gestor da Política de Mobilidade por Bicicleta, ainda que enquanto espaço consultivo e não deliberativo, deteve um potencial enorme de articulação das políticas públicas de ciclomobilidade. Porém, apresentou inúmeras fragilidades, não respondendo as demandas e expectativas da comunidade. Entre essas fragilidades, podemos citar:

• Morosidade para colocar em prática as campanhas educativas e de fiscalização;
• Problemas de planejamento e de execução das obras, o que ameaça a segurança dos ciclistas e pedestres;
• Escolha de soluções que não permitem o conforto, a prioridade e a fluidez ao ciclista e ao pedestre;
• Falta de transparência nas suas ações, sem a realização de audiências públicas;
• Demora para a liberação de projetos no portal da transparência e das atas das reuniões, além de inconsistência de informações;
• Dificuldades de articulação entre as diferentes secretarias do GDF.
Tais circunstâncias resultaram inclusive na manifestação através de uma série de questionamentos por parte do TCDFT e, mesmo, o embargo das obras pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal.

Em abril de 2013, durante uma audiência pública sobre as ciclovias da Região Administrativa RA1 (cancelada, devido ao não comparecimento de representantes do GDF que fariam a apresentação do projeto), foi anunciado que o Comitê seria extinto.

Após três meses sem definição de como seria a coordenação da política de mobilidade por bicicleta, e com as obras em andamento, em julho de 2013, foi lançado o Decreto Nº 34.530/2013, que institui um Fórum da Política de Mobilidade por Bicicletas no Distrito Federal. Segundo o referido Decreto esse fórum será constituído exclusivamente por representantes e suplentes de órgãos governamentais – a sociedade civil não faz parte do Fórum, podendo ser apenas convocada apenas extraordinariamente.

Apesar de inúmeras tentativas de dialogar sobre a participação da sociedade civil nos objetivos e deliberações da política cicloviária, não obtivemos respostas sobre as razões que levaram a exclusão da sociedade civil deste espaço de planejamento da política.

Verifica-se, portanto, que há graves problemas de coordenação das ações do GDF, para além do campo da mobilidade por bicicleta. O anúncio de projetos como o do estacionamento subterrâneo na Esplanada e, mais recentemente, a abertura do Eixão do Lazer para carros em dias de jogos no Mané Garricha, estão na contramão de um projeto de cidade sustentável.

Por tudo isso, torna-se urgente e imperativa a criação de uma instância de coordenação e articulação da política de mobilidade urbana, orientando, supervisionando e coordenando ações das diferentes secretarias – e em conjunto com a sociedade civil, segundo orientação da própria Política Nacional de Mobilidade Urbana, conforme seu artigo 15, e ainda de acordo com o Estatuto das Cidades, que por mais de uma década vem amparando a participação popular nas políticas públicas urbanas.

A Rodas da Paz e as entidades abaixo assinadas propõem, por meio desta, a criação de um Conselho de Mobilidade e Acessibilidade, que envolva um conjunto de secretarias e órgãos públicos do GDF relacionados ao tema e uma diversidade representativa de organizações da sociedade civil, para que haja participação social efetiva nos espaços de decisão da política pública.

1. Associação Civil Alternativa Terrazul
2. Associação Park Way Residencial
3. Blog Brasília por Chico Sant’Anna
4. Clube de Ciclismo Coroas do Cerrado
5. Conselho Comunitário da Asa Sul
6. Comitê Popular da Copa DF
7. Escola de Bicicleta
8. Federação Metropolitana de Ciclismo
9. Greenpeace Brasil
10. Grupo Ciclismo de Longa Distância
11. Grupo de Giao
12. Grupo Pedala Gama
13. Grupo Pedala Mais
14. Grupo Rebas do Cerrado
15. Inesc – Instituto de Estudos Socioeconômicos
16. Inverde – Instituto de Pesquisas em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana
17. Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito
18. IPEA – Associação de Funcionários
19. Juventude do PSB-DF
20. Juventude do PT-DF
21. Movimento Nossa Brasília
22. MDT – Movimento de Defesa da Qualidade de Transporte para Todos
23. Movimento Vila Telebrasília Nova Geração
24. O Círculo do Pedal
25. Observatório das Metrópoles
26. Professor Paulo César Marques (UnB)
27. Programa Ciclovida
28. PSOL – DF
29. Rede Sustentabilidade – DF
30. Rodas da Paz
31. Sindicato dos Metroviários do DF
32. UCB – União dos Ciclistas do Brasil
33. Urbanistas por Brasília

Um duro nó para desatar

Como os problemas do transporte público e a falta de apoio ao deslocamento não motorizado afetam os moradores do DF

A advogada Maria Cláudia Cabral, funcionária do Palácio do Planalto: jornada ao trabalho de bicicleta e salto alto

A advogada Maria Cláudia Cabral, funcionária do Palácio do Planalto: jornada ao trabalho de bicicleta e salto alto

Antes um termo técnico, a mobilidade urbana entrou na pauta política, virou assunto de conversa, ocupou páginas de jornais e mereceu inúmeros cartazes nas recentes manifestações que se alastraram pelo país. A escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 transformou o tema em palavra de ordem. Transporte público, infraestrutura no trânsito e acessibilidade passaram a ser o maior desafio – e suposto legado – de cidades-sede como Brasília. A um ano do grande evento, pouca coisa avançou. Hoje, a qualidade exibida no setor virou uma das bandeiras de protesto.

O estudante Hariston Felipe Pereira participou de duas manifestações em Brasília reclamando da precariedade do transporte público no Distrito Federal. Morador de Brazlândia, ele perde duas horas e quarenta minutos dentro do ônibus para chegar ao Plano Piloto, onde trabalha como auxiliar-técnico. “Saio de casa às 5 horas para ter folga no tempo, pois o meu patrão não aceita mais a desculpa de que o ônibus quebrou quando justifico um atraso”, conta. De 0 a 10, Pereira dá a nota mais baixa para o setor no DF.

José Walter Vazquez Filho, secretário de Transporte do Distrito Federal, nunca encomendou uma pesquisa de aprovação dos usuários das redes de ônibus e metrô da capital e diz que nem precisa. “Já sei qual seria a resposta”, admite. Brasília é possivelmente a única metrópole do país em que as rádios fazem um ranking do número de ônibus enguiçados no horário de pico. Em uma única manhã, o jornalismo da CBN já contabilizou quinze ônibus quebrados nas ruas. “A cada dia, há pelo menos quatro”, diz Rafael Alves, repórter de trânsito. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a quantidade diária no DF é ainda maior: em média, quarenta veículos param por problemas mecânicos. Nas contas do secretário, 60% da frota de ônibus circula com a validade vencida. Pela lei, após sete anos de uso, o coletivo tem de ser substituído.

Vazquez Filho acredita que a contratação de outras empresas para operar no sistema e a renovação da frota de ônibus serão um grande avanço. O GDF sonha em pôr para rodar 2 600 coletivos novos até dezembro. Mas a licitação enfrenta uma batalha jurídica que emperra o processo. Na semana passada, depois de muito esforço, o governo lançou às ruas cinquenta ônibus zero quilômetro para atender Taguatinga, Estrutural, Ceilândia e Brazlândia.

Na cerimônia de entrega, o governador Agnelo Queiroz (PT) disse que a construção do corredor Expresso-DF Sul, sistema de ligação entre Santa Maria e o Plano Piloto, também vai contribuir para a melhora do setor. “À medida que oferecermos ônibus de qualidade, muita gente que usa transporte particular irá optar pelo público”, acredita.

No projeto de Brasília, Lúcio Costa previu que ela teria uma população de cerca de 500 000 pessoas. Já são 2,5 milhões. Outro milhão vem todos os dias para o Plano Piloto. Nesse ponto, as retas da cidade dão um nó. A simetria das linhas geométricas, símbolo da arquitetura modernista da cidade, não é nada amigável para quem quer se deslocar a pé ou de bicicleta – os dois modos de locomoção não motorizados fundamentais para fechar a conta de um sistema de transporte eficiente e sustentável.

Brasília foi planejada para carros individuais, não para bípedes. As calçadas e ciclovias, muitas em péssimo estado de conservação, somem. Falta sinalização. E as faixas de travessia são insuficientes, mesmo constituindo, com razão, um motivo de orgulho para a cidade – a primeira a levar a sério a preferência do pedestre, conseguindo reduzir pela metade o número de atropelamentos, após campanhas realizadas em 1996 e 1997. Cruzar sozinho um dos túneis que passam por debaixo do Eixão durante a noite é tarefa para destemidos. Também inexiste uma cultura de respeito aos ciclistas.
A advogada Maria Cláudia Canto Cabral, assessora no Palácio do Planalto, preparou-se durante seis anos para abandonar o carro e adotar a bicicleta como meio de transporte. “Eu me via diante de um dilema semelhante ao do slogan do biscoito Tostines. As pessoas dizem que não usam a bicicleta porque não tem estrutura. O governo não investe porque não existem muitos ciclistas. É preciso quebrar esse ciclo”, diz. Moradora da Asa Norte, ela leva os mesmos vinte minutos de bicicleta que costumava levar de carro. E não precisa nem mesmo abrir mão do salto alto. “As pessoas têm de agradecer e respeitar os ciclistas. Cada bicicleta na rua é um carro a menos que circula. Estamos caminhando a passos largos para o caos”, afirma.

Em longas distâncias, o ideal é que a bicicleta seja associada ao transporte coletivo. O assessor parlamentar Afonso Morais pedala de casa até a estação do metrô, em Águas Claras, e depois da Rodoviária do Plano Piloto até o Congresso, onde trabalha. Quando chove, Morais dobra a bicicleta e a coloca no porta-malas do táxi. O problema é conseguir um.

Os brasilienses contam com uma frota de 3 400 táxis. É a mesma desde 1979, quando a metrópole tinha metade dos atuais habitantes. A presidente do sindicato dos taxistas, Maria do Bomfim, diz que o problema é do engarrafamento. “Você deixa o passageiro e não volta. Vem daí a sensação de que não tem táxi”, diz. Em horário de pico, os automóveis chegam a enfrentar 10 quilômetros de congestionamento.

Artur Morais, professor de engenharia civil da Universidade de Brasília e especialista em transporte, lembra que a mobilidade foi negligenciada por décadas. “Se continuarmos dessa forma, as cidades vão parar”, acredita ele, para quem o que falta em Brasília é investimento em transporte não motorizado. Morais critica o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade do Distrito Federal, de 2010. “Não adianta pintar ciclovias e continuar incentivando o uso do automóvel com duplicação de pistas, redução de IPI, construção de estacionamentos e oferta de IPVA zero para carros novos”, afirma.

Um projeto de mobilidade da UnB apresentou uma carta aberta listando algumas propostas. Dentre elas, um planejamento intermodal integrado, isto é, a associação de diferentes meios de transporte com integração de tarifa. O documento recomenda sistema sobre trilhos para eixos principais, além de uma rede de ciclovias e de bicicletários disponibilizados em lugares estratégicos, como edifícios públicos e estações terminais. Também prega reformas para as calçadas, que devem ganhar acessibilidade universal, e o uso de veículos sustentáveis no transporte coletivo, como ônibus elétricos. O nó da mobilidade é difícil de desatar, mas ainda há luzes no fim desse longo e engarrafado túnel.

Fonte: Veja Brasília