Respeito à vida antes de tudo: repúdio à violência sofrida por ciclistas após o velório de Raul Aragão

A Rodas da Paz repudia veementemente as ações adotadas pelo motorista Tiago Marcel Canabarro que tentou por diversas vezes atingir com seu automóvel um grupo de ciclista em Brasília na tarde do dia 23/10/2017, conforme amplamente noticiado pela mídia. Buscamos construir um trânsito mais humano para nossa cidade, com respeito a todos que ocupam as vias e com respeito à mobilidade plural. A utilização da bicicleta como meio de transporte em Brasília cresce a cada dia e o compartilhamento do espaço público com carros, ônibus e motos não pode transformar nossas vias em um palco de guerra. Antes de tudo precisamos respeitar a vida. O caso foi registrado pela polícia e um processo está em andamento. Segue abaixo carta dos ciclistas expondo ocorrido.

Essa segunda (23/10/2017) foi um dia tenso e emotivo. Pela manhã, houve o velório do nosso amigo Raul Aragão, vítima de atropelamento no fim de semana, e, logo depois, fomos em grupo até o balão do aeroporto junto com o carro funerário. Voltamos juntos até a 214 Sul. De lá, o grupo maior se dividiu em bondes para lugares diferentes. O grupo em que eu estava contava com seis ciclistas.

Seguíamos em direção ao Sudoeste, trafegando na W4 Sul e ocupando uma das duas faixas de rolamento – como é o recomendado, principalmente quando se está pedalando em grupo. Agimos conforme postula o artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), segundo o qual, na falta de local exclusivo em condições de uso, a circulação de bicicletas deve se dar na ”pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”. 
Na altura da 713 Sul, um veículo com placa JGE-2538 emparelhou do nosso lado, e o motorista começou a nos ofender, falando coisas como “O que vocês estão fazendo na rua, seus viados? Vão pra calçada”, “Vocês são uns pau de rato, não são ciclistas de verdade” e “Depois que é atropelado não sabe por quê”. 
Depois das ofensas, acelerou o carro, fechando e tirando fina do grupo. Logo à frente, ficou parado no engarrafamento do balão da 713/712. 
Alcançamos o veículo, e iniciou-se uma discussão. Nós o questionamos e afirmamos nosso direito de estarmos na rua, enquanto ele seguia com ofensas e xingamentos. Quando o motorista foi fazer o balão, em vez de seguir seu caminho reto – já que, segundo ele,  estava levando sua filha ao colégio -, fez um giro de 360° e acelerou o carro no sentido da contramão em rota de colisão a um de nós, que sacou a tranca da bicicleta e arremessou no parabrisa do carro para se defender. 
Essa foi a primeira tentativa de atropelamento.
Então o motorista fez o balão novamente, seguiu em direção ao Parque da Cidade, retornou e acelerou VIOLENTAMENTE sobre o canteiro central, quase atropelando um dos ciclistas, além de um vigia de carro que estava no local.
Essa foi a segunda tentativa de atropelamento.
O argumento do motorista que tentou o homicídio jogando seu carro sobre nós é absolutamente falso! Ele afirma estar fugindo do engarrafamento e protegendo a filha.
Se ele queria mesmo proteger sua filha, que supostamente estava no carro, levantamos os questionamentos:
1° Por que ele iniciou a confusão desferindo xingamentos contra nós? 
2° Por que ele não foi embora quando chegou ao balão, em vez de retornar e avançar com o carro – uma armadura de metal – contra nós?  
3° Por que ele foi em direção ao Parque da Cidade e retornou em nossa direção, pela SEGUNDA vez e (supostamente) com a filha no carro, tentando nos atropelar em cima do canteiro?
4º É justo tirar a vida de alguém por causa de um parabrisa quebrado?
5° Mesmo que não pudéssemos circular na via, o que é SIM PERMITIDO, ele quebrou a própria lógica subindo no canteiro, área proibida a veículos automotores. Qual é a coerência entre a sua fala e a sua ação?
A essas perguntas, esse senhor sobre rodas terá de responder em juízo. Várias pessoas testemunharam a sequência dos fatos.
Após a segunda tentativa de assassinato por atropelamento, o motorista se EVADIU do local nos ameaçando de morte, cantando pneu e subindo na calçada. 
Para nossa surpresa, poucos minutos depois, quando estávamos indo embora, muito abalados, no semáforo da 700/900 Sul, nós o vimos novamente. Ele parou o carro na contramão e desceu com uma faca em punho. Proferiu xingamentos irracionais, ameaças e mais ameaças, carteirada – disse que nós estávamos “fodidos”, pois ele era advogado… 
Depois, a viatura da polícia chegou ao local e fomos para a 1° DP. Mesmo na delegacia, ainda descontrolado, ele nos ameaçou, falando que, se visse algum de nós na rua em outro momento, passaria por cima e que aquilo “não ia acabar ali”.
O nome do condutor que tentou por duas vezes nos atropelar e nos ameaçou com uma faca é Tiago Marcel Canabarro, assessor parlamentar do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). Ele se diz ciclista por já ter andado e competido de bike e, ironicamente, possuía adesivos de respeito ao ciclista no fundo do mesmo carro, com o qual quase passou por cima de integrantes do nosso grupo.
Temos fotos e vídeos de vários momentos que registram esse absurdo.”

Uma ideia sobre “Respeito à vida antes de tudo: repúdio à violência sofrida por ciclistas após o velório de Raul Aragão

  1. wille

    Sou ciclista e recomendo a leitura do livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, este livro é útil em diversas situações da vida e pode ser muito útil no trânsito também. Discussões no trânsito apenas põem nossa integridade física em risco. Um motorista falou algo indevido? Sorria, peça desculpas (não importa se você está certo) e siga pedalando. Não vamos conquistar ninguém pro nosso lado entrando em discussões no meio da rua. Um sorriso é muito mais eficiente!

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *