Dirigir bêbado e a corrupção

Dirigir bêbado e a corrupção

A um dia do fim da festa pagã mais popular do país, o número de condutores flagrados sob efeito de álcool ao volante bateu o recorde de 48 casos diários, em média, no Distrito Federal. Somente o Detran fez 193 notificações em apenas quatro dias. Entre os infratores, houve quem fosse pego duas vezes no intervalo de uma hora e meia. Esse número será ainda maior quando a Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgarem os balanços do feriadão.

A alcoolemia ao volante está entre as principais causas de morte no trânsito brasileiro e no mundo. Aqui, a legislação proíbe a conduta há pelo menos 46 anos. Mas somente a partir de 2008, com o endurecimento da lei, o assunto chegou às mesas de boteco. Em 2012, nova alteração das regras impôs multa ainda mais pesada, RS 1,9 mil, e tornou desnecessário o teste de alcoolemia para comprovar a infração. Nada disso tem impedido que centenas peguem o volante após a ingestão de bebida alcoólica. Alguns tornam-se assassinos ao volante.

O curioso é que parte desses infratores é a mesma que, em redes sociais, brada contra a corrupção na Petrobras. Eles cobram penas mais severas para os assassinos. Defendem de forma ferrenha a redução da maioridade penal. E o que isso tem a ver com dirigir alcoolizado? Tudo. Quem corrompe infringe lei e quebra códigos de conduta social. O motorista alcoolizado é tão perigoso à vida quanto quem anda armado, em franco desrespeito à legislação. Ambos são nocivos à sociedade como à corrupção.

Mas quem dirige embriagado parece incapaz de olhar para si como realmente é: risco real à sociedade e assassino em potencial, uma vez que a ciência provou o quanto o álcool compromete a capacidade de condução de um veículo.

Como mudar isso? Há vários caminhos. Um bom começo é cada cidadão julgar a si próprio com o mesmo rigor com que condena a corrupção. Vai dirigir? Não beba. O Estado, por outro lado, deve cumprir o seu papel. Fiscalizar, educar, melhorar a formação dos motoristas e garantir a segurança nas pistas. Cabe ao Poder Judiciário parar de julgar os homicídios no trânsito como se fossem crimes menos graves na comparação com os assassinatos cometidos com armas de fogo ou brancas. E ao Congresso Nacional, legislar com responsabilidade para assegurar leis eficazes e justas.

Por Adriana Bernardes, publicado no Correio Braziliense em 18 de fevereiro de 2015.

1 comment

Enquanto a prefeitura cobra dos empresários paulistanos o cumprimento da legislação para funcionarem, as escolas públicas que as nossas crianças frequentam, os teatros, a maioria dos prédios públicos da cidade de São Paulo não possuem licença e muitos não possuem nem laudo de bombeiros para funcionar. Estamos entregue as baratas mesmo. É o velho faça o que eu digo e não faça o que eu faço. Falta de Vergonha!

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