Campanhas Educativas

(Contribuição para as discussões do GT Campanhas Educativas do Comitê gestor da política de mobilidade urbana por bicicleta do DF)

Como queremos apresentar o usuário de bicicleta em Brasília?

  • É fundamental mudar a imagem de que quem usa a bicicleta é um atleta, desvinculando o seu uso apenas como uma atividade de esporte ou lazer, mostrando que existem vários usos possíveis. – Queremos enfatizar o uso da bicicleta como meio de transporte, para atividades cotidianas básicas, como ir à padaria, levar as crianças na escola, transporte de cargas e, principalmente, ir ao trabalho. Nesse sentido, além de ser divertida, ela facilita pequenos deslocamentos.
  • Bicicleta é um veículo de propulsão humana.
Ciclista esportista:Ciclista Esportista Usuário de bicicleta comum:Usuário de bicicleta comum

Benefícios do uso da Bicicleta

São vários os benefícios resultantes do uso da bicicleta, tanto do ponto de vista individual quanto do ponto de vista social. Por isso, os países mais avançados em termos da política de mobilidade urbana sustentável no mundo têm incentivado enormemente seu uso, sendo um meio de transporte comum para grande parte da população. A bicicleta é:

  • Saudável.
  • Econômica.
  • Prática.
  • Mais rápida para curtas distâncias.
  • Não polui o meio ambiente.
  • O tempo de deslocamento é sempre o mesmo.
  • Não requer combustível e a manutenção é muito barata.
  • Pode ser utilizada de forma associada ao transporte público.
  • Promove maior integração, aumentando as interações sociais.
  • Traz benefícios para o comércio.
  • É silenciosa.
  • Pode ser estacionada próxima ao local de destino.

Uma das regras mais importantes para ser difundida aos motoristas:

  • Ao ultrapassar um ciclista o carro deve reduzir a velocidade e dar uma distância de no mínimo 1,5m. Caso haja fluxo de veículos da direção oposta, deve aguardar até que as condições permitam oferecer a distância correta (mais detalhes: http://vadebike.org/2004/09/dicas-para-o-ciclista-urbano/).

Qual a estrutura adequada?

Ciclovias são as estruturas mais conhecidas, porém uma política cicloviária não se limita a ciclovias, mas deve ser elaborada pensando a cidade como um todo e, principalmente, a relação de respeito e convivência pacífica no trânsito. Por isso, deve ser respeitado o tripé: estrutura, educação e fiscalização (semelhante ao programa paz no trânsito e à implementação das faixas de pedestre em Brasília).

Estrutura:

  • Cada caso tem uma solução mais ou menos adequada. Ciclovias são adequadas quando próximas de vias de alta velocidade e fluxo de carros; nas demais vias, é comum também o uso de ciclofaixas, pistas compartilhadas ou até calçadas compartilhadas.
  • Não adianta apenas estrutura viária. É necessário paraciclos próximos aos prédios, bicicletários nas estações e, em alguns casos, chuveiros e armários para funcionários.

Educação:

  • Mostrar que a bicicleta é um veículo e tem o direito de andar nas ruas.
  • Criar uma cultura de tolerância, convivência e respeito (educação serve para todos, motoristas, ciclistas e pedestres).
  • Difundir regras e legislação (anexo) de forma simplificada com campanhas nas escolas e na mídia.

Fiscalização:

  • Inicialmente, é preciso um esforço maior para fiscalizar intensamente os motoristas infratores, em diversas áreas da cidade, aplicando multas e medidas corretivas, até que a percepção da bicicleta no trânsito se torne um hábito.

Quais as orientações de segurança?

  • Visibilidade, roupas claras, luzes noturnas, adesivos refletivos.
  • Pedale pela direita e na mesma direção do trânsito (a maioria dos acidentes acontece quando o ciclista está na contramão).
  • Não pedale muito na direita colado no meio fio, senão os carros vão tentar passar na mesma faixa em que você está, mesmo que não haja espaço. Isso também te ajuda a evitar o perigo de buracos e bueiros sem tampa.
  • Cuidado com as portas dos carros parados!
  • Respeite os pedestres, pare nas faixas e nos sinais. Um ciclista educado é melhor recebido nas ruas.
  • Evite as grandes avenidas
  • Procure sinalizar com as mãos, alertando os motoristas o que vai fazer, pedindo ou dando passagem e agradecendo.
  • Em esquinas onde muitos carros viram à direita, tome cuidado adicional.
  • Sempre se adiante ao que os carros podem fazer e permita que os carros antecipem o que você vai fazer.
  • Capacete é recomendável, especialmente para quem está começando, mas não é obrigatório. A estrutura, educação geral e a condução segura da bicicleta tem um potencial de protegê-lo muito maior que o uso do capacete. Muitos estudos demonstram que a obrigatoriedade do uso de capacete em alguns países tornou o trânsito mais perigoso para usuários de bicicleta, pois desincentiva o uso da bicicleta e reduz o número de ciclistas nas ruas. O ponto é que quanto mais ciclistas nas ruas, mais seguro é andar de bicicleta, mais visibilidade e mais respeito.
  • Luva não é imprescindível, mas pode ser uma boa, primeiro para distâncias mais longas, segundo para atenuar no caso de uma queda.
  • Veja, seja visto e comunique-se no trânsito!

Exemplo de um texto leve e agradável sobre o significado da bicicleta:

Pedalar é…

Pedalar é… reencontrar um amigo que você não via há tempo, passando pela calçada.

Pedalar é… poder passar por dentro de um Parque ou lugar que agente só vai nos finais de semana, a caminho do trabalho.

Pedalar é… sair do trabalho no horário que for preciso, sem se preocupar com trânsito ou rodízio.

Pedalar é… escolher o caminho mais agradável e arborizado ou simplesmente variar o caminho todos os dias.

Pedalar é… encontrar amigos no caminho e poder parar pra conversar.

Pedalar é… chegar ao destino mais alegre do que quando saiu e ter a cabeça ainda livre pra cuidar melhor da vida.

Pedalar é… Levar o mesmo tempo p/ chegar em casa, c/ ruas cheias ou vazias, trânsito lento, rápido, de dia ou à noite.

Pedalar é… estar com sede, ver uma barraca de água de coco e não ter dúvida se dá pra parar.

Pedalar é… ter mais noção de distâncias e perceber que quase ninguém sabe a quilometragem

de seus trajetos diários.

Pedalar é… ter o prazer de se locomover sem poluir o meio ambiente.

Pedalar é… fazer trim-trim pras crianças que te olham admiradas em cima da bicicleta.

Pedalar é… sentir uma emoção tamanha, inexplicável que somente quem experimenta consegue sentir!

Pedalar é… é manter a forma, enquanto vai à universidade ou trabalho.

Fonte: http://vadebike.org/2010/08/pedalar-e/ (Adaptado)

A Bicicleta e o Código de Trânsito Brasileiro (Lei Federal n° 9.503/97) 

(Compilação feita por Uirá Lourenço – organizado e distribuído por Sociedade das Bicicletas)

  • Artigo 21. Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:

II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas;

  • Artigo 29, § 2o. Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.
  • Artigo 38. § único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem.
  • Artigo 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.
  • Artigo 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:

Infração – gravíssima; Penalidade – multa e suspensão do direito de dirigir; Medida administrativa – retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.

  • Artigo 171. Usar o veículo para arremessar, sobre os pedestres ou veículos, água ou detritos:

Infração – média; Penalidade – multa.

  • Artigo 181. Estacionar o veículo:

VIII – no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:

Infração – grave; Penalidade – multa; Medida administrativa – remoção do veículo;

  • Artigo 192. Deixar de guardar distância de veículo e os demais, bem como em relação segurança lateral e frontal entre o seu ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo:

Infração – grave; Penalidade – multa.

  • Artigo 193. Transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas,ilhas,refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos:

Infração – gravíssima; Penalidade – multa (três vezes).

  • Artigo 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:

Infração – média; Penalidade – multa.

  • Artigo 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:

I – que se encontre na faixa a ele destinada;

II – que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;

III – portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes:

Infração – gravíssima; Penalidade – multa.

IV – quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;

V – que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:

Infração – grave; Penalidade – multa.

  • Artigo 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito:

XIII – ao ultrapassar ciclista:

Infração – grave; Penalidade – multa;

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