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Artigo no Correio: Sem pressa, todo mundo chega bem

Sem pressa, todo mundo chega bem

Bruno Leite, coordenador Geral da ONG Rodas da Paz

Desde 2005 as fatalidades envolvendo bicicletas vêm caindo no DF. Em 2016 foram registradas 19 vidas perdidas, o menor valor desde o início da década de 2000, quando os dados discriminando ocorrências envolvendo ciclistas começaram a ser disponibilizados. Ainda assim, nenhuma morte no trânsito é aceitável, principalmente porque as causas podem ser mitigadas e prevenidas. A chamada “Visão Zero”, programa de segurança viária de origem sueca, embasa essa premissa.

A realidade do trânsito no Brasil ainda é catastrófica. Neste Dia Global em Memória das Vítimas do Trânsito, é preciso alertar nossa população e gestores públicos sobre a necessidade de frear a violência das ruas. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde acidentes de trânsito são a segunda maior causa de mortes de jovens no país. Aproximadamente 40 mil vidas são perdidas por ano. A taxa de mortalidade no trânsito, em número de mortes para cada 100.000 habitantes, é a terceira maior da América e superior à média mundial. Várias são as causas, dentre elas uso de bebidas alcoólicas, imprudência e o excesso de velocidade.

Ao se buscar uma cidade mais humana, onde as pessoas possam desfrutar dos espaços públicos e se deslocarem ativamente, seja à pé ou de bicicleta, ou conjugando esses meios de transporte ativo com transporte coletivo, não podemos abrir mão de discutir as velocidades de nossas vias. Na América Latina, de acordo com dados da Organização PanAmerica de Saúde, pedestres, ciclistas e motociclistas representam 42% das mortes no trânsito. Por serem as partes mais frágeis do trânsito o impacto da redução da velocidade para salvar essas vidas é direto. De acordo com a literatura internacional, um atropelamento a 64 km/h faz com 85% das pessoas morram, 15% sofre lesões e 0% de chances de sobreviver ileso. A 48km/h há chance de morte de 45%, 50% de sobreviver com lesões e 5% sobreviver ileso. A 32 km/h apenas 5% de chance de morte, 65% de leões e 30% de sobreviver ileso. Ter vias urbanas com velocidades acima de 50km/h deveria ser a exceção, e não a regra.

Em 2011 a ONU lançou a campanha Década de Ação pela Segurança no Trânsito onde uma de suas principais recomendações é a redução da velocidade nas vias urbanas para 50 km/h.  Em Brasília são poucas as vias com velocidade menor que 60 km/h. E isso estamos falando de limites máximos onde há fiscalização, já que ainda não há a possibilidade de multar de acordo com a velocidade média dos veículos.

A adoção dessas medidas e a avaliação de seus impactos deve ser pensada em termos  de política pública e não de ganhos individuais. Ao contrário do que muitos pensam, a redução da velocidade não necessariamente causa aumento do tempo de deslocamento dentro de uma cidade. O que causa congestionamento é o excesso de carros, não os limites de velocidade, por isso que até vias de 80km/h como o Eixão e a EPTG congestionam nos horários de pico. Isso é uma realidade que, por mais obras de duplicação e viadutos que um governo possa fazer, sempre existirá. E é por causa desses estrangulamentos que a diminuição da velocidade contribui com o tempo de deslocamento.  Ao se reduzir a velocidade de uma via diminuímos automaticamente a distância de segurança entre os veículos. Com isso temos mais carros passando numa via de 50km/h do que numa via de 100km/h. Com velocidade alta teremos menos carros na via que mais rapidamente chegarão ao ponto de estrangulamento e não conseguirão passar, gerando com isso os nossos famosos engarrafamentos.

Várias cidades do mundo já reduziram seus limites de velocidade. Em Nova York desde 1995 o limite de velocidade na cidade já era de 48km/h. Em 2013 esse limite foi reduzido para 40km/h. Em Londres, a velocidade nas áreas mais centrais chegou a 32 km/h. Em cidades mais próximas a nós como a Cidade do México existem zonas de 20 km/h, pertos de hospitais, escolas e asilos, zonas de 30 e 40 km/h em vias secundárias e de trânsito mais calmo e de 50 km/h nas principais vias. Outros exemplos de cidades que também reduziram os limites são Paris, Barcelona, Roma e Santiago. Um ponto de reflexão sobre essas cidades é em todas elas a relação da população com os espaços públicos é mais dinâmica, há mais pessoas nas ruas a pé ou de bicicleta e utilizando transporte público.

Em um cálculo rápido, para se deslocar do extremo da Asa Norte até o extremo da Asa Sul, o tempo gasto a 60 km/He apenas 3 minutos maior do que a 80 km/h. No Lago Norte, a redução de 70 km/h para 60km/h significa diferença de apenas 1min e 20 segundos do Clube do Congresso até a Ponte do Bragueto. Em termos de política pública, será que esse minuto vale mais que um aumento de 15% na chance de alguém sobreviver a um atropelamento?

A discussão sobre adoção de novos limites de velocidade deve ser antecipada em relação a adoção de outras políticas públicas como melhora do transporte público, criação de estrutura cicloviária, reestruturação de espaços públicos e de comércio além do incentivo ao desenvolvimento de regiões administrativas periféricas ao centro da cidade. Toda essa discussão deve ser feita com o objetivo de se construir uma cidade para pessoas, uma cidade na qual a população seja empoderada e passe a se sentir dona, onde pedestres, ciclistas e motoristas possam conviver em paz. Para isso a redução da velocidade deve o primeiro passo para se criar um ambiente favorável à chegada das pessoas sem seus carros.

Por Raulzito, continuamos

 

Depois de quase 15 anos de trabalho voluntário diário e de importantes conquistas na mobilidade urbana do DF, a perda do querido amigo Raul Aragão para a violência no trânsito nos deixa consternados. Por mais que argumentemos que a velocidade atual das vias é perigosa para todos, vidas continuam sendo perdidas.

Raul era uma força mobilizadora dentro do nosso grupo. Colocava sua alegria em tudo, a levava para onde ia, junto com a sua bicicleta – que carregava no coração. Ele se sentia vivo pedalando e lutando pelo espaço para quem pedala nesta Brasília tão centrada no carro. Fará muita, muita falta.

A Rodas da Paz luta pelo convívio pacífico entre os diferentes modos de se locomover. Em agosto de 2017, nosso Passeio anual teve como tema “Sem pressa, todo mundo chega bem”, definido em parceria com o grupo Caça-Pedal, da Ceilândia. O tema foi inspirado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda até 50 km/h como limite de velocidade para vias urbanas.

Se uma colisão acontece com o carro a 80 km/h, é praticamente zero a possibilidade de sobrevivência das pessoas atingidas. A 64 km/h, 85% morrem e ninguém sai ileso. No entanto, apenas 5% morrem e 30% ficam ilesos se a velocidade for de 32 km/h.

Mesmo quando não há infração, a alta velocidade permitida nas vias pode transformar a todos em vítimas.

Nada suporta o impacto violento de um carro veloz ao atingir um ser humano. O debate urgente a ser feito não é a roupa especial, o sapato ideal ou o equipamento de segurança recomendado.

A melhor maneira de proteção é e será sempre o respeito à vida e à mobilidade plural. Para que isso aconteça, é fundamental que haja velocidade compatível entre os diferentes veículos, motorizados ou não.

Nossas ruas deveriam impedir velocidades altas. Quando a velocidade é mais baixa, tudo fica mais fácil: a travessia de pedestres; o compartilhamento da via entre motoristas e ciclistas; o uso de meios sustentáveis de deslocamento – como caminhar, pedalar e usar o transporte público; a fluidez nos trajetos; e uma convivência humanizada por todas as cidades.

Somente com menos pressa teremos a chance de uma mobilidade respeitosa à vida. Reduza a velocidade, compartilhe a via e dê a preferência. Proteja a sua vida e a dos outros.

A cidade deve ser das pessoas. Vamos continuar inspirados por esse ideal – que era o compromisso de vida do alegre Raulzito.

Vá em paz, Raul. “Suave na nave”.

 

Brasília, 22 de outubro de 2017.

 

Com muita saudade e carinho,

voluntárias e voluntários da Rodas da Paz.

 

 

Coletas do Doe Bicicleta

O projeto Doe Bicicleta fechou o primeiro semestre de 2016 tendo doado mais de 270 bicicletas para diversos projetos sociais. O patrocínio recebido pela Embaixada da Austrália foi fundamental para viabilizar doações para creches na Estrutural, para refugiados em parceria com a ACNUR e para comunidades quilombolas em Cavalcante (GO), entre várias outras que nos emocionaram e encheram de alegria.

Com esse ciclo do projeto encerrado vamos dar uma pausa nas coletas de bicicleta até captarmos novos recursos para as peças e mão de obra envolvidos nos consertos. Mas se você tem bicicleta para doar, ainda pode deixar no ponto de coleta mais próximo.

Caso você tenha mais de 5 bicicletas para doar, nos avise ([email protected]) que tentamos buscar mesmo nesse período de intervalo!

Para participar da campanha, veja as formas de ajudar:


COMO COLABORAR?


1- Doando recursos para a compra de peças e o conserto das bicicletas em 2017 (as doações financeiras são feitas por meio do sistema PagSeguro);

2- Doando bicicletas, tanto novas como usadas: deixe a bicicleta no grupo Escoteiro Moraes Antas no final da Asa Norte aos sábados a tarde (localização no mapa) ou na loja Taguaciclo em Taguatinga Sul (QSA 9 LOTE 1 LOJA, 1).

3- Conversando com o síndico do seu condomínio para que mobilize os moradores para doar as bicicletas abandonadas nos bicicletários, garagens e PCs de seu prédio (baixe aqui o cartaz da campanha e a carta ao síndico).


Desde 2015, a Rodas da Paz fechou parceria com o Grupo de Escoteiros Moraes Antas – GEMA, oferecendo um ponto de apoio para armazenar as bicicletas e receber doações espontâneas durante os sábados, entre 14h e 18h.  Para os interessados, o endereço do GEMA é SGAN 916 – Quartel do Corpo de Bombeiros (localização no mapa). A colaboração do grupo também está prevista para o conserto das bicicletas doadas com a realização de oficina básica de mecânica com os jovens escoteiros. É uma oportunidade para os escoteiros conquistarem especialidades, demonstrando habilidade com as bicicletas, e para a Campanha “Doe Bicicleta” ampliar seu alcance.

Em 2016, firmamos parceria foi com a loja Taguaciclo, que realiza eventos de incentivo ao uso da bicicleta regularmente em Taguatinga Sul.

PARCEIROS

 

Moraes Antas

 

bandeirantes

 taguaciclo  

transamerica 

 

 

E a ciclovia da EPTG vai sair!

EPTG CICLOVIA FINAL

Segundo o edital disponível no site  (Clique aqui) do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER/DF), o processo licitatório para a implantação da ciclovia na Estrada Parque Taguatinga (EPTG) ocorrerá no dia 2 de fevereiro.

Desde 2005, o DF conta com a lei distrital nº 3639/05 que prevê a construção de ciclovias em suas rodovias. No escopo do Programa de Transporte Urbano do DF – PTU/DF, componente do Brasília Integrada, iniciado em 2007, o projeto da Linha Verde considerava uma ciclovia na “nova EPTG”. A obra de expansão da rodovia foi executada, porém a ciclovia prevista foi suprimida.

A Rodas da Paz vem pressionando, há anos, os órgãos responsáveis do GDF pela implantação de infraestrutura cicloviária nas rodovias distritais. Em 2015, um novo projeto do DER-DF para a ciclovia da EPTG voltou a ser debatido, após o Ministério Público do Distrito Federal encaminhar a denúncia feita em agosto de 2014 pela Rodas da Paz (Clique aqui para ler a denúncia), na qual a ONG alegou que o Governo do DF “não tem obedecido ao que determina a lei, em clara inobservância do Código de Trânsito Brasileiro e da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas, Lei nº 3.885/2006”.

Naquele contexto, a ONG viu a importância de se realizar uma contagem de ciclistas nessa rodovia, para mostrar a demanda já existente por infraestrutura cicloviária na via e compará-la com as demandas futuras, após a construção de infraestrutura cicloviária. Mesmo sem segurança, com tráfego intenso em alta velocidade, mais de 200 ciclistas foram vistos num dia com chuva próximo à passarela do Guará, entre 6h da manhã e 8h da noite. (Clique para ver o Relatório da Contagem)

A obra, orçada em R$ 11 milhões, deve começar logo após o processo licitatório. Com prazo de execução de até 8 meses, é possível que os ciclistas do DF possam pedalar na ciclovia da  EPTG até o fim do ano. Vamos ficar de olho!

Atualização: a empresa selecionada na concorrência é a SIGMA. Confira mais detalhes aqui.

Balanço do 8º Desafio Intermodal 2016

Tendo como ponto de partida a QE 7 do Guará I e chegada no Museu Nacional, o Desafio Intermodal contou com a prática de 12 modalidades de transporte, que fizeram percurso de 14 km.

A saída aconteceu às 7:43 da manhã desta segunda feira. Foram 26 voluntários participando do Desafio, distribuídos em 12 modalidades.

Assim como nas edições anteriores do Desafio Intermodal, a bicicleta se destacou como meio de transporte mais eficiente. Já a moto contou com o melhor tempo médio (21:03) no deslocamento. Entretanto, devido à alta emissão de poluentes, a moto perdeu muitas posições, ficando em 7º no ranking geral.

Para um dos participantes, que era cadeirante, o desafio começou antes mesmo que ele chegasse ao ponto de partida. A falta de acessibilidade na cidade fez com que a mobilidade do cadeirante fosse prejudicada, fazendo com que ele se atrasasse para chegar ao local marcado e ficasse de fora do Desafio.

O participante que foi de carona, mesmo tendo que pegar dois veículos diferentes, conseguiu chegar antes de quem foi de metrô (41:43) e ônibus (56:40), tendo feito todo o percurso em 39:11.

O ônibus teve um melhora em relação aos outros anos, já que seu desempenho caía constantemente . A melhora de tempo foi de quatro minutos, se comparado ao ano passado em que percurso do ônibus levou 1h para ser feito. Nessa edição, o próprio Secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, seu assessor Denis Soares e o Diretor Geral do DFTrans, Leo Cruz, participaram do Desafio fazendo o percurso de ônibus, e afirmaram que o desempenho pode melhor com a implantação de mais faixas exclusivas.

Juntamente com a bicicleta, a corrida e a carona foram os meios que tiveram o menor custo econômico.

Moto, carro, Uber e taxi apresentaram pior desempenho ambiental, por utilizarem combustível fóssil. Mesmo tendo velocidade acima dos outros meios de transporte, o fato ambiental e o custo econômico desses meios de transporte sugerem que eles não devem ser adotados de maneira prioritária pela população.

Abaixo segue a tabela com modalidades, notas e tempo médio:

desafio_resultado+2016

Reportagens:

Reportagem Correio Braziliense

Reportagem DFTV aqui

Reportagem RECORD:

 

Fotos:
álbum Flickr da Ramisa Nefertiti

álbum Flickr Rodas da Paz

fotos de Jéssica Pereira:

ONG Rodas da Paz lança material com atividades interdisciplinares sobre mobilidade urbana para professores

Capa

Diferentes caminhos se cruzam rumo à escola e os alunos optam pelos meios de transporte disponíveis para acessar o direito à educação. A escola pode se tornar um espaço privilegiado para debater a mobilidade urbana e os jovens, os sujeitos estratégicos para se pensar formas sustentáveis de se deslocar pela cidade. Considerando o potencial de parceria com professores, a associação civil Rodas da Paz publicou a cartilha online e gratuita “Caminhos da cidade: Atividades interdisciplinares sobre mobilidade urbana“.

A primeira edição da obra conta com exemplos de exercícios para as disciplinas de Português, Literatura, Artes visuais, Inglês, História, Geografia, Física e Matemática. A proposta é estimular os estudantes a aplicarem o conteúdo curricular da nona série do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio à realidade ao seu redor. Em consonância com as provas do governo para avaliação do desempenho dos alunos, a publicação sugere atividades para problematizar o cotidiano da turma. Uma das situações, por exemplo, figura a escolha de uma jovem por moradia que esteja a 15 minutos da estação do metrô.

Os exercícios são variados e a forma de aplicação é flexível. O professor de uma disciplina específica pode optar por aplicar os exercícios somente para a sua aula. Outra possibilidade é a parceria de professores de diferentes disciplinas ou a utilização da cartilha em datas comemorativas, como a semana do Dia Mundial sem Carro (22 de setembro) ou do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho).

A Rodas da Paz convida as escolas e professores a embarcarem nesta iniciativa e a enviarem fotos e demais produções dos alunos na temática da mobilidade urbana para [email protected].

Uma chance para as magrelas – artigo Correio Braziliense

LEONARDO MEIRELES

[email protected]

publicado em 3 de agosto de 2015

A questão de o viaduto do Sudoeste não contemplar uma ciclovia tornou-se uma discussão ampla sobre a mobilidade no Distrito Federal. Afinal, não considerar a existência da faixa exclusiva em uma obra que será tão importante par ao trânsito da cidade – levando em conta a grandeza do Corredor Oeste – é ignorar a força que o meio de transporte tem hoje no globo. Não apenas do ponto de vista ambiental, mas econômico e humano, uma vez que se abre a oportunidade para o crescimento da indústria ciclística e afins e para a fuga de hospitais e doenças da ociosidade (desde que o exercício físico seja realizado com bom-senso e orientação). O resultado de dar mais espaço para carros nas ruas já é conhecido por todos nós.

Não sou contra a construção do Corredor Oeste e duvido muito que algum defensor das ciclovias seja. O problema é o pensamento tacanho de integrantes do poder público, cegos a ponto de não ver que a aparição de faixas exclusivas nos últimos anos diminuiu o número de mortes nas vias do DF. Em nove anos, despencou de 66 para 22 o número de óbitos envolvendo ciclistas. Com seus 420km, a malha cicloviária da capital já é a terceira maior do mundo, atrás apenas de Berlim e Nova York. Se não é tão importnte, por que despender tanto dinheiro?

Júlio César Peres, secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF, afirmou, em entrevista ao Correio, que passagens subterrâneas podem servir para os ciclistas atravessares do Sudoeste ao Parque da Cidade e vice-versa, como se bicicletas e pedestres pudessem dividir espaços sem sobrar para o mais fraco. Disse também que “a ciclovia não é feita para grandes distâncias”, sem ter o cuidado de pesquisar que existem pistas contínuas no Rio de Janeiro e em São Paulo que chegam a 42km.  E todas bem utilizadas.

Pois bem, a ONG Rodas da Paz organizou uma contagem de ciclistas em 8 de julho, no horário das 6 às 20h, no trecho da EPTG entre o Guará e o SIA. Passaram por ali 226 usuários, sendo que 77% utilizavam o meio como transporte e 23%, como treinamento. O estudo, coordenado pelo engenheiro Rafael Stucchi, apontou também pontos interessantes para a segurança do próprio ciclista, como o uso do capacete e as pedaladas realizadas na contramão.

Repito o número: 226 usuários em um trecho sem ciclovias. Como seria com elas? Melhor se bikes e carros pudessem conviver de forma saudável. Perfeito se existissem mais corredores exclusivos para ônibus (que carregam muita gente). Um sonho imaginar o metrô com mais vagões e atingindo pontos mais distntes no DF. Mas a mentalidade dos motoristas pode nunca mudar; as empresas de coletivos sofreram um grande pente-fino e continuaram oferecendo um serviço de péssima qualidade; e o metrô tende a ser extremamente caro. Por isso, que tal dar uma chance para as magrelas? Que tal ao menos pensar que elas existem e são utilizadas no mundo inteiro como uma das soluções para o trânsito?

 

Conquista que não pode ser perdida – artigo Correio Braziliense

Correio Braziliense, 1º de junho de 2015

» Renata Florentino, Coordenadora geral da ONG Rodas da Paz
» Jonas Bertucci, Ex-presidente e atual conselheiro da ONG Rodas da Paz

Nenhuma morte no trânsito é aceitável, principalmente quando as causas podem ser prevenidas e controladas. O conceito de Visão Zero, originado na Suécia em 1997, se fundamenta nessa premissa. Desde 2005, as fatalidades envolvendo bicicletas vêm caindo no DF. Em 2014, foram registradas 22 mortes, o menor índice desde o início da década de 2000, quando os dados discriminando as ocorrências começaram a ser disponibilizados.

No início de 2015, a tendência parece ameaçada. Apenas nos primeiros quatro meses do ano, houve 14 mortes de ciclistas, mais da metade de todas as ocorrências registradas no ano anterior. A que se deve o aumento? É urgente superar mitos para avançar em ações efetivas e não perder o rumo do trânsito no DF.

É comum afirmar que o aumento das fatalidades com ciclistas seria consequência do crescimento do uso da bicicleta, estimulado pela disponibilização de ciclovias e faixas cicláveis. No entanto, embora não haja dados atualizados sobre a participação da bicicleta nos deslocamentos do DF (segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano — PDTU —, o número correspondia a 2,3% em 2009), o fato é que o maior uso está associado à maior segurança.

Quanto mais bicicletas nas ruas, mais ela é percebida com naturalidade no trânsito e melhor o comportamento dos motoristas ao compartilhar a via. É o que indicam as estatísticas das cidades onde a participação da bicicleta cresceu após a execução de políticas bem coordenadas. Além disso, caso as mortes fossem decorrentes do aumento do número de ciclistas, seria de esperar a preponderância de iniciantes entre as vítimas — o que não parece ser o caso. Em 2015, não identificamos nenhuma fatalidade com iniciantes.

Outra afirmação questionável é a de que a tendência de redução de mortes se deve às recentes ciclovias. Não há evidências para tal afirmação. Analisando o histórico da última década, verifica-se que mais de 55% das mortes ocorreram em rodovias, como a Estrada Parque Taguatinga (EPTG), que não receberam prioridade na implantação de ciclovias. O balanço publicado pela Rodas da Paz indica que mais de 40% das ciclovias estão na região central, onde ocorreram 4% das fatalidades. Caso os projetos tivessem sido orientados segundo critérios de segurança, o risco para quem opta pela bicicleta seria muito menor.

Por isso, a comparação com capitais como Amsterdã ou Nova York não deve ser feita em termos de quilometragem de ciclovias apenas. É preciso considerar a participação da bicicleta nos deslocamentos e avaliar o risco de cada via. Amsterdã, onde mais de 50% da população utilizam a bicicleta cotidianamente, registra cerca de seis mortes por ano. Nova York, com população sete vezes maior que a do DF, registrou 12 mortes em 2013 e dobrou a participação da bicicleta em apenas 4 anos, mesmo apresentando quilometragem menor de ciclovias.

A implantação de ciclovias sem o estabelecimento de princípios e prioridades de segurança, como se deu aqui, é erro grave que não deve ser repetido. A execução dos projetos do DF desconsiderou o equacionamento dos pontos de conflito (muitas vezes em desobediência às normas do Código de Trânsito), não houve adequado e permanente trabalho de divulgação e educação e, principalmente, de fiscalização e orientação.

Bons dados são aliados de boa política pública. O acompanhamento estatístico das ocorrências no trânsito e a realização de pesquisas periódicas sobre os tipos de deslocamentos da população são imprescindíveis para direcionar ações governamentais e traçar metas para futuro desejável sem mortes e com mais bicicletas nas ruas.

Nota: entre o envio deste artigo e sua publicação, aumentou para 16 o número de ciclistas mortos no trânsito do DF.

VISÃO DO CORREIO »Pedalar sem risco é direito do cidadão

Editorial do Correio Brasiliense
OPINIÃO
VISÃO DO CORREIO »Pedalar sem risco é direito do cidadão
Publicação: 28/07/2015
A imagem impressiona. No domingo ensolarado, milhares de ciclistas pedalam pela Esplanada dos Ministérios rumo à Ponte JK. Entre eles, gerações da mesma família. Avós, pais, filhos e netos participaram do 13º Passeio Ciclístico Rodas da Paz movidos por sentimento de cidadania. Querem a cidade com trânsito civilizado e democrático. A mobilidade urbana, vale lembrar, é uma das questões mais desafiadoras e urgentes impostas aos governantes.
Não se devem ao acaso as reivindicações dos manifestantes que ocuparam as ruas de norte a sul do país em junho de 2013. Entre as exigências de melhor educação, melhor saúde, melhor governo, melhor Congresso, sobressaía o direito de ir e vir com qualidade, segurança e diversidade. Nas passeatas de 2015, a reivindicação permanece. E, a depender do ritmo observado na capital da República, permanecerá sabe-se lá por quanto tempo.
Editada em 2005, a Lei Distrital n° 3.639 aguarda regulamentação. Ela prevê a construção de ciclovias nas rodovias que cortam o Distrito Federal, vitais para a ligação do Plano Piloto e o entorno. Mas, 10 anos depois, comprova-se a distância abissal entre as palavras e os atos. O papel aceita tudo. No momento do agir, de concretizar o disposto no texto, porém, conjuga-se o verbo procrastinar. Deixa-se para amanhã o que se pode fazer hoje. Se possível, para depois de amanhã. Com sorte, para o Dia de São Nunca.
A negligência tem preço. São vidas que se perdem. Produtividade que se reduz. Saúde que se vai no congestionamento de trânsito, nas longas filas, nos ônibus lotados, na falta de compromisso com a frequência e a qualidade. A violência do asfalto matou nos cinco primeiros meses de 2015 mais do que nos 12 de 2014. Só nas vias urbanas, excluídas as distritais e federais, o DF assassinou 10 ciclistas até maio. Em todo o ano passado, foram nove.
É inaceitável o atraso na implantação de sistema de transporte democrático no Distrito Federal. Nele devem conviver com harmonia as diferentes formas de mobilidade. Bicicletas, motos, carros, trens, metrôs, ônibus precisam se interligar e circular com segurança a fim de atender às diferentes necessidades da população. O mundo mostrou que não se trata de sonho. Ao contrário. Amsterdã, Viena, Londres, Nova York servem de prova de que grandes centros podem criar sistemas includentes, em que se abre a possibilidade de escolha para o cidadão.
Esse é o recado que os milhares de brasilienses que ocuparam as ruas no domingo deram ao governo. Embora nenhuma autoridade governamental estivesse presente à manifestação, impõe-se ouvir a mensagem. A Lei n° 3.639 tem de sair do papel. A demonstração pública da adesão da presidente da República ao ciclismo pode servir de inspiração e desafio. Se Dilma Rousseff decidir ir do Palácio da Alvorada ao Palácio do Planalto de bicicleta, como morador comum da capital, com certeza correrá sério risco de não chegar ao destino. Os 4 mil metros que separam os dois palácios podem significar a distância que separa a vida da morte.

Projetos de mobilidade da SEGETH investem na integração entre metrô e bicicleta

A Secretaria de Estado de Gestão do Território e Habitação (SEGETH) apresentou projeto executivo preliminar para a mobilidade em diferentes regiões administrativas do DF. O ponto de partida da proposta é a conexão do metrô aos pólos geradores de viagem (instituições educativas, hospitais e centros culturais e comerciais, por exemplo). Águas Claras, cuja estrutura para o deslocamento ativo (a pé ou bicicleta) é inexistente ou deficitária, seria a primeira localidade a receber os benefícios. A exposição ocorreu na noite de quarta-feira (15/07) durante a 2ª Oficina Co-Laborativa, convocada pela Secretaria de Estado de Mobilidade (SEMOB) também para apresentar dados iniciais do mapeamento das ciclovias e rotas cicláveis do DF.

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Cecilia Martins, coordenadora de sustentabilidade da Subsecretaria de Políticas e Projetos de Mobilidade da SEMOB, afirmou que o levantamento colaborativo resultou em 335 km de estrutura propícia para o uso da bicicleta. A pesquisa, no entanto, continua pois o número oficial utilizado como referência é de 411 km de ciclovias, ciclofaixas e acostamentos cicláveis no DF. Ao total, 20 ciclistas contribuíram com o mapeamento e 5 enviaram informações de análise da estrutura para o formulário da SEMOB. Desses, 66,7% identificaram locais com intersecções perigosas e 60% passaram por travessias inseguras.

O mapeamento colaborativo está atrelado ao diagnóstico da malha cicloviária do DF, cuja previsão é de 4 meses de duração. Porém o processo — financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) — está atrasado pois ainda não ocorreu a licitação da empresa de pesquisa que receberá estas informações para tratamento e análise. A previsão é da licitação acontecer nas próximas semanas.

Anamaria de Aragão, diretora de mobilidade da SEGETH, apresentou a proposta de melhoria da estrutura de mobilidade na perspectiva de um olhar para o futuro. Os grandes transportes de massa atendem os pólos geradores de viagem? Esta questão, focada na ampliação do uso do metrô, orientou os projetos executivos seminais apresentados pela equipe da SEGETH. A bicicleta — que expande as distâncias alcançadas pelo cidadão — foi o modo de transporte escolhido para a complementação com o metrô, como já havia sido feito pela Rodas da Paz. Afinal, se é possível chegar ao destino de bicicleta entre 5 a 10 min, o usuário dificilmente optará pelo uso do carro. Há, então, o interesse em estabelecer um sistema de bicicleta compartilhada para integração com o metrô.

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Rua compartilhada, calçada compartilhada e zona 30 foram algumas opções utilizadas nos projetos. A SEGETH desenvolveu um método que serve de guia de decisão da melhor estrutura para cada local. O guia considera a velocidade média da via, o fluxo dos diferentes modais e o espaço e estrutura disponíveis no local. As diversas escolhas foram exibidas para as ruas das seguintes regiões administrativas: Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Águas Claras. O detalhamento do projeto pode ser acessado aqui.

Renata Florentino, coordenadora geral da Rodas da Paz, comentou que os projetos estão pensando a cidade e a bicicleta inserida no espaço urbano, o que é positivo. Esta ótica é preferível a outras propostas em que o debate ficava refém da construção apenas de ciclovias. Em vez disso, a SEGETH apresenta outras alternativas para o deslocamento de todos, inclusive dos ciclistas. Se, por um lado, os projetos são bons, por outro, é preciso verificar como será a execução, pontuou a coordenadora. Florentino também demandou uma vistoria técnica em Águas Claras — localidade que primeiro deve receber as novas estruturas — para verificar os caminhos que já são utilizados para se acessar o metrô. 

A diretora de mobilidade da SEGETH se comprometeu com a vistoria, provavelmente a ser realizada em um sábado quando os usuários têm disponibilidade e há o fluxo regular dos transportes. Aragão solicitou a participação dos ciclistas quando ocorrerem as audiências públicas para discutir os projetos, uma vez que a secretaria propõe a redução do espaço do carro e demanda uma mudança cultural sobre a mobilidade nas cidades.

Muretas no meio do Eixão?

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Bike Anjo ensinando pessoa a pedalar no Eixão do Lazer

Carta de leitor publicada no Correio Braziliense:

“O DER/DF pensa que o Eixo Rodoviário é rodovia distrital ou federal. Não é. É avenida que estrutura uma cidade que segue projeto urbano modernista tombado pela Unesco e pelo Iphan. É espaço de lazer e recreação da população das superquadras Norte e Sul. Também é local de grandes eventos e encontros culturais e gastronômicos. O DER vai acabar com isso. Caminhões e cegonheiras entram no Eixo porque falta sinalização. O que existe é ridículo.

A flexibilidade e fluidez viária deve ser mantida para emergências e engarrafamentos de trânsito, para que ambulâncias possam salvar vidas e para que policiais e bombeiros possam cumprir suas funções. As muretas propostas não vão impedir pedestres de atravessar a via, mas vão agravar e aumentar o número de mortes e lesões.

O Eixo Rodoviário é via urbana. Deve ser funcional e flexível. Não deve seguir o embretamento adotado pela engenharia de trânsito de Brasília nas estradas. Há soluções bem melhores — estética e funcionalmente — para o problema. E os escassos recursos disponíveis bem que poderiam ser aplicados na segurança viária e na qualidade de vida da capital federal”

Jorge Guilherme Francisconi

Comentário da Rodas da Paz sobre matéria do DFTV

A matéria do DF TV 1ª Edição desta terça-feira, 8 de julho, “Ciclistas não respeitam a lei de trânsito” abordou de maneira inadequada o tema da morte de ciclistas nas vias do DF, com empenho contrário ao habitual esforço da emissora pela conscientização e educação para a convivência pacífica no trânsito.

O enfoque da matéria isenta os motoristas pelas fatalidades causadas na condução de seus veículos, sem abordar os fatores do excesso de velocidade ou consumo de bebida alcoólica, que geralmente estão presentes nas ocorrências de trânsito.

Existem atitudes inadequadas por parte de ciclistas. Mas a matéria é pouco razoável quando coloca, sob a mesma lente, toda atitude “ilegal” de ciclistas perante o Código de Trânsito como ameaça à segurança no trânsito. Ora, como acertadamente coloca o professor Paulo César na sua fala, é preciso entender o anseio de cada condutor, no caso, o ciclista, quando se trata do seu deslocamento.

Nesse sentido, se um ciclista está utilizando um trecho no sentido oposto ao do fluxo, pode ser um claro indicativo de que o traçado da via não atende ao princípio lógico de quem se utiliza unicamente da sua própria energia e força para propulsão: a do menor gasto energético e menor distância. Infelizmente, a reportagem, ao invés de explorar essa questão, preferiu ridicularizar uma ciclista que seguia no contrafluxo da via.

Em relação ao direito de circulação de bicicletas nas ruas, faltou um esforço de checagem de informação. A reportagem é muito convincente ao transmitir a ideia de que ciclistas devem circular em ciclovias e que, fora delas, estão em desacordo com o CTB, o que não é verdade. O artigo 58 do CTB assegura o direito de circulação de bicicletas nas ruas, mesmo em locais onde existem ciclovias mas não é possível a utilização desta estrutura, como por exemplo por descontinuidade, falta de iluminação pública ou realização de treino esportivo.

Não seria necessário o ciclista que trafegava na via L4 dar explicações à reportagem porque estava ali e não na ciclovia. Simplesmente porque a lei o autoriza a estar ali. Assim, a matéria poderia esclarecer a população sobre esse direito do ciclista e destacar o dever dos demais condutores em zelar pela sua segurança.

O DF conta com cerca de 400 km de ciclovias (descontínuas), mas possui mais de 11mil km de vias pavimentadas (e contínuas), portanto é evidente a necessidade de se compartilhar o espaço viário entre ciclistas e os modais motorizados com segurança, para assegurar o deslocamento das pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte para acessar locais de trabalho, estudo ou lazer.

Uma cidade mais humana se faz com gestos de respeito pelo outro. Queremos acreditar que esta também é a visão deste canal de comunicação, motivo pelo qual solicitamos espaço para a Rodas da Paz prestar esclarecimentos ao público sobre a questão, ou que o DFTV ceda um repórter e equipe para se deslocar de bicicleta e abordar essas questões a partir de sua experiência no trânsito.

Passeio ciclístico pede ciclovias nas rodovias que integram o DF

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“A bicicleta integra as cidades”. O tema do 13º Passeio Anual Rodas da Paz ressalta a possibilidade de viver a cidade utilizando a bicicleta como meio de transporte. A frase aponta também a necessidade de integração das regiões administrativas do Distrito Federal por meio de ciclovias. O evento deve reunir 6 mil pessoas no dia 26 de julho. O Museu Nacional é o local de concentração, a partir das 8h da manhã.

A lei distrital 3.639 – que prevê a construção de ciclovias nas rodovias – completa dez anos no mês do passeio, julho. Porém, os ciclistas ainda não viram atendidas, por exemplo, suas demandas pelas ciclovias da EPTG e da Estrutural. As vias segregadas para os usuários de bicicleta nas rodovias poderiam significar o respeito e proteção à vida. A cada dia, 200 mil pessoas saem do entorno para vir ao DF. Afinal, a área central concentra grande parte dos empregos, fazendo com que milhares de trabalhadores se transportem diariamente por essas distâncias.

A Rodas da Paz acredita que o deslocamento pelas estradas parques poderia ser muito mais agradável, sob o céu de Brasília e por entre áreas verdes – em vez do congestionamento e poluição atuais. Os cidadãos, ao utilizarem a bicicleta, vivenciam o caminho: veem as árvores e animais do cerrado, cumprimentam as pessoas, param no comércio local, formam laços sociais e afetivos.

O objetivo do evento é promover o uso deste veículo, que é barato, de fácil acesso, não poluente e saudável. O passeio é aberto ao público de todas as idades, agregando ciclistas já habituados com a prática e também iniciantes. Há inclusive um circuito, na Esplanada, voltado para as crianças: o Passeio Rodinhas da Paz. Ciclistas fantasiados de palhaços vão acompanhar a garotada e garantir a segurança no trajeto.

Todos os participantes são convidados a se fantasiarem e decorarem as bicicletas para comemorar o direito à cidade. Também serão realizados sorteios de brindes, em especial para as pessoas que chegarem no horário. Haverá distribuição de material informativo e ações educativas para o trânsito, promovidas pela Diretoria da Educação de Trânsito do DETRAN e também pelo Corpo de Bombeiros.

Não esqueça de se preparar para o passeio. Faça a revisão da bicicleta, passe filtro solar e leve garrafa d’água. A CAESB vai providenciar água para os participantes encherem as garrafas antes da saída. Para chegar até o local do passeio, as bicicletas poderão ser transportadas nos dois últimos vagões do metrô, segundo autorização excepcional da Companhia do Metropolitano do DF para o evento. Orienta-se o uso do cartão flex para carregar o valor de mais de uma viagem e evitar filas nas estações.

No dia do passeio, publique suas fotografias pelo Facebook com a hashtag #RodasdaPaz. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site www.rodasdapaz.org.br. Compartilhe esta ideia! A bicicleta conecta pessoas, amores, trabalhos, prazeres e a cidade.

Serviço: Passeio Anual Rodas da Paz 2015
Concentração: a partir das 8h do dia 26/07 (domingo)
Local: Em frente ao Museu Nacional
Trajeto tradicional: Museu Nacional, Esplanada, Ponte JK |17km
Trajeto Rodinhas da Paz: Duas voltas na Esplanada |4km
Renata Florentino – 61 9333-7880 |Maurício Pinheiro – 8137-1135
Inscrições: www.rodasdapaz.org.br até 24 de julho
Fotos do Passeio de 2014 para divulgação: circuitos tradicional e rodinhas
Realização: Rodas da Paz
Patrocínio: Conjunto Nacional, Instituto Sabin e Grupo Ágil
Apoio: Administração Regional de Brasília, GDF, Balaio Café, Caiaque Sport, Comércio Verde, Cult 22, Cultura FM, Cycling, Escola VitaBhaya Yôga, Federação Metropolitana de Ciclismo, Girabike, Greens, Sindicato da Habitação no Distrito Federal e Transamérica

Programação da III Formação de Voluntários da Rodas da Paz

Equipe Rodas da Paz

Equipe Rodas da Paz

PROGRAMAÇÃO DA III FORMAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS RODAS DA PAZ
BAIXE AQUI A APOSTILA DISTRIBUÍDA NA FORMAÇÃO

Sábado
8h30-9h – Concentração das caronas na estação 102 Sul e saída para o local da formação
9:30h-10h – Boas vindas e apresentação dos participantes
10h-12h – Apresentação sobre o cenário da mobilidade no DF e a atuação da Rodas da Paz
12h30-14h – Almoço
14h-15h30 – Celso Sakuraba, Ciclovida (CE): Cenário para a promoção do uso da bicicleta em Fortaleza e a criação da Ciclovida
15h30-17h30 – Paulo César Marques, UnB: A necessária mudança de paradigma nas políticas públicas de mobilidade
17h30-18h – Intervalo do cafézinho
18h-19h – Bike Anjo DF – Ciclistas iniciantes: barreiras e motivações para a adoção da bicicleta no dia a dia do DF
19h – Jantar e definição dos grupo de voluntários entre as atividades práticas para domingo
20h – Ciclocine: Bike vs Cars (inédito), veja o trailler

Domingo
8h-8h30 – café da manhã e saída para as atividades práticas
9h-12h – atividades práticas (vistoria na EPTG, vistoria nas bicicletas compartilhadas, mapeamento de rotas cicláveis)
12h30 – retorno para local da formação
13h-14h – Almoço (vídeos rolando entre 13h e 13h30 para quem quiser assistir)
14h-15h30 – Thiago Benicchio, ITDP: Relação sociedade-Estado na promoção do uso da Bicicleta, armadilhas, parcerias e desafios
15h30-17h – Rodas da Paz: apresentação do planejamento 2015, acordo de trabalho, fechamento
17h – Encerramento

BAIXE AQUI A APOSTILA DISTRIBUÍDA NA FORMAÇÃO

SEMOB chama ciclistas para mapear as ciclovias do DF

Na noite da última sexta-feira (15/05), a Secretaria de Estado de Mobilidade – SEMOB reuniu ciclistas para pedir apoio no mapeamento das ciclovias do Distrito Federal. Os primeiros meses da Secretaria foram dedicados ao levantamento de informações produzidas pelos governos anteriores — dados esses que se encontravam pulverizados. “A gente sentiu que já tinha um fôlego para começar esta conversa”, explicou Cecília Martins, Coordenadora de Sustentabilidade da Subsecretaria de Políticas e Projetos de Mobilidade da SEMOB. O compromisso é de que o encontro da semana passada seja o primeiro de muitos.

Cecília Martins

Apresentação de Cecília Martins, Coordenadora de Sustentabilidade da Subsecretaria de Políticas e Projetos de Mobilidade da SEMOB.

Um dos objetivos do órgão é introduzir a bicicleta de forma integrada aos meios de transporte do DF. Com esta finalidade, deve oferecer infraestrutura para este modal, sensibilizar a população para a mobilidade sustentável e para o uso consciente do carro, e aprimorar o sistema de bicicletas públicas. Contudo, para cumprir o objetivo, a SEMOB necessita de um mapa das ciclovias do DF. Atualmente, os números são desencontrados, argumentou o Subsecretário, José de Ribamar Rocha de Goés. Afinal, as fontes de informação são diversas, uma vez que a ação não era unificada entre os órgãos públicos envolvidos na política cicloviária.

Os projetos executivos das ciclovias implementadas serão analisados tecnicamente por empresa a ser licitada. A SEMOB, no entanto, pediu a colaboração dos ciclistas para obter o olhar da realidade de quem utiliza a bicicleta cotidianamente. Os ciclistas conhecem as deficiências do sistema. “A maioria das ciclovias dentro de Brasília ligam nada a lugar nenhum”, apontou Fernando Felipe, morador de Taguatinga.

O mapa georreferenciado das ciclovias executadas será elaborado com a sistematização das informações captadas pelos ciclistas através de aplicativos de celular que fazem o registro das rotas utilizando o GPS. A SEMOB se comprometeu a elaborar um tutorial para os voluntários e um formulário para padronização dos dados. Os ciclistas poderão registrar as rotas e tirar fotografias, identificando as interrupções e avarias nas ciclovias.

Renata Florentino

Renata Florentino, Coordenadora Geral da Rodas da Paz, dialoga com outros ciclistas.

A Coordenadora Geral da Rodas da Paz, Renata Florentino, apontou a importância de ultrapassar a ideia de um plano de manutenção da malha cicloviária. A sugestão é propor medidas de planejamento dos projetos, como previsão de iluminação e correção da sinalização das travessias, hoje inadequada. Para que esse mapeamento venha a ter maior utilidade para quem visa optar pelo uso da bicicleta, sugeriu-se que sejam incluídas rotas cicláveis seguras tradicionalmente feitas por quem pedala, assim como todas as vias do DF com limite de até 50km/h, não se limitando às ciclovias – já que estas não permitem acessar os principais pontos do DF.

O dia 23/05, em referência à Campanha Maio Amarelo, é a data oficial para o início da coleta de dados do mapeamento. Os ciclistas devem partir às 8h30 de diferentes partes do Distrito Federal. Dúvidas: [email protected]

fotos: Gil Amaro

fotos: Gil Amaro

Audiência pública debate o futuro da mobilidade em Brasília e prioriza o levantamento de dados e o planejamento

A visão do futuro da mobilidade na cidade e a preocupação com as próximas gerações foi tema predominante na audiência pública intitulada “Mobilidade e Sustentabilidade: desafios e propostas”, que ocorreu ontem (14/05) no Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O conselheiro da Rodas da Paz, Pérsio Davison, enfatizou a relevância de se realizar pesquisas a respeito da mobilidade, em especial sobre as necessidades e desejos de origens e destinos dos usuários da bicicleta. Por sua vez, o diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos – ANPTrilhos, Rodrigo Vilaça, entregou aos gestores da mesa uma agenda de políticas públicas para o sistema metroferroviário com orientações até 2018.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sustentabilidade procura satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de fazerem o mesmo, relembrou o deputado distrital Chico Leite. As cidades sustentáveis, então, devem considerar a produção humana e também a condição de vida das pessoas. No Distrito Federal, no entanto, a mobilidade é um problema maior e mais visível, pois há uma preferência pelo veículo motorizado e individual, em detrimento do transporte coletivo. O deputado defendeu a importância de descentralizar as oportunidades de emprego para também diminuir os fluxos do tráfego. Afinal, visando a sustentabilidade, deve-se encorajar os meios de transporte menos poluentes.

O diretor-presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, calculou que, atualmente, o metrô tem a capacidade de deslocar 28 mil pessoas em 1 hora, enquanto o BRT Expresso DF não chega a 5% deste montante. O ônibus ainda tem a desvantagem da queima de combustível fóssil, responsável pelo aquecimento global, restringido as oportunidades das próximas gerações. Porém, de acordo com Vilaça, existem apenas 521 estações de metrô no Brasil, quantidade menor do que todos os pontos de ônibus no DF. Apesar do número reduzido, considerando a economia de tempo de deslocamento, combustível, emissão de poluentes e número de acidentes, o metrô gera a economia de aproximadamente 20 bilhões de reais.

O deputado Wasny de Roure fez uma intervenção no debate para apresentar a ideia de que, nas estações de metrô, sejam alugados espaços para serviços e instaladas bibliotecas. Argumentando que a autoestima e a identidade da população estão conectadas a sua historicidade e patrimônio, o deputado também sugeriu placas sobre marcos importantes ocorridos nos arredores da estação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecordando que o uso da bicicleta é sinônimo de convivência, Pérsio Davison apresentou dados do Relatório de Resultados da Avaliação do Serviço do Metrô DF 2014. O conselheiro da Rodas demandou estrutura para estimular a integração entre a bicicleta e o metrô, como sinalização e espaço para estacionar as bikes. Na época da construção da capital, Brasília tinha o potencial do futuro, explicou Pérsio Davison. Atualmente ela enfrenta os mesmo problemas de outras cidades. “Nós temos que nos rever enquanto política de mobilidade e assumir o desafio que a cidade já teve de ser desenvolvida para o futuro”, sustentou Davison.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO resgate da capacidade de planejamento do governo foi a tônica da apresentação do secretário de Mobilidade, Carlos Tomé. Ele convidou à reflexão sobre a cidade que queremos. Tomé identificou um círculo vicioso no DF: o transporte coletivo é deficiente, levando as pessoas a optarem pelo uso do automóvel, cuja a quantidade na rua dificulta o trânsito, tornado o transporte coletivo pior. O secretário sustentou a opção pelo transporte não motorizado e pelo coletivo favorecendo o uso de trilhos, mas também com a utilização de ônibus. Residualmente, haveria o automóvel somente para casos de necessidade.

Como encaminhamento, Chico Leite sugeriu que a SEMOB e o Metrô identifiquem e divulguem seus objetivos de curto, médio e longo prazo, bem como metas de serviço com indicadores pré-estabelecidos para avaliação. Ao final O deputado também entregou ao Carlos Tomé a lei nº 5220/2013 que prevê a fixação de quadro informativo nas paradas de ônibus com informações sobre as linhas deste transporte, os valores das passagens e os horários das viagens.

Conheça a nova Coordenação da Rodas da Paz

 

rodas da paz 2015No último sábado, dia 25 de abril de 2015, ocorreu a Assembleia Geral Ordinária da Associação Rodas da Paz, que tratou da apresentação das atividades desenvolvidas nos dois anos de gestão da Diretoria 2013-2015, da apresentação resumida do balanço financeiro da respectiva gestão, da aprovação das contas (previamente enviados em detalhe ao conselho fiscal) e da eleição da nova Coordenação e sua proposta de Plano de Gestão. O Estatuto também foi atualizado no dia, durante a Assembleia Geral Extraordinária. Confira os membros da nova gestão da ONG Rodas da Paz:

Coordenadora Geral: Renata Florentino
Coordenador Administrativo: Gil Amaro da Silva
Coordenador de Finanças: Maurício Ferreira
Coordenadora de Comunicação: Ana Júlia Pinheiro

Conselho Fiscal:
Luciana Van Tol
Tom Barros
Viviane Brandão

Conselho Consultivo:
Cleo Manhas
David Duarte
David Patrick
Elizabeth Davison
Elizabeth Veloso
Everaldo Alves
Gustavo Souto Maior
Jonas Bertucci
Josi Paz
Letícia Bortolon
Maurício Gonçalves
Paulo César Marques
Victor Roberto Pavarino
Pérsio Marco Antônio Davison
Phillip James Lima
Raphael Dorneles
Wesley Moura
Yuri Prestes

Em breve vamos agendar a oficina de Planejamento, aberta aos associados da Rodas da Paz, para esmiuçar o Plano de Gestão da nova coordenação!

Associe-se: http://www.rodasdapaz.org.br/associe-se-a-rodas-da-paz-e-contribua-para-um-df/

Dirigir bêbado e a corrupção

A um dia do fim da festa pagã mais popular do país, o número de condutores flagrados sob efeito de álcool ao volante bateu o recorde de 48 casos diários, em média, no Distrito Federal. Somente o Detran fez 193 notificações em apenas quatro dias. Entre os infratores, houve quem fosse pego duas vezes no intervalo de uma hora e meia. Esse número será ainda maior quando a Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgarem os balanços do feriadão.

A alcoolemia ao volante está entre as principais causas de morte no trânsito brasileiro e no mundo. Aqui, a legislação proíbe a conduta há pelo menos 46 anos. Mas somente a partir de 2008, com o endurecimento da lei, o assunto chegou às mesas de boteco. Em 2012, nova alteração das regras impôs multa ainda mais pesada, RS 1,9 mil, e tornou desnecessário o teste de alcoolemia para comprovar a infração. Nada disso tem impedido que centenas peguem o volante após a ingestão de bebida alcoólica. Alguns tornam-se assassinos ao volante.

O curioso é que parte desses infratores é a mesma que, em redes sociais, brada contra a corrupção na Petrobras. Eles cobram penas mais severas para os assassinos. Defendem de forma ferrenha a redução da maioridade penal. E o que isso tem a ver com dirigir alcoolizado? Tudo. Quem corrompe infringe lei e quebra códigos de conduta social. O motorista alcoolizado é tão perigoso à vida quanto quem anda armado, em franco desrespeito à legislação. Ambos são nocivos à sociedade como à corrupção.

Mas quem dirige embriagado parece incapaz de olhar para si como realmente é: risco real à sociedade e assassino em potencial, uma vez que a ciência provou o quanto o álcool compromete a capacidade de condução de um veículo.

Como mudar isso? Há vários caminhos. Um bom começo é cada cidadão julgar a si próprio com o mesmo rigor com que condena a corrupção. Vai dirigir? Não beba. O Estado, por outro lado, deve cumprir o seu papel. Fiscalizar, educar, melhorar a formação dos motoristas e garantir a segurança nas pistas. Cabe ao Poder Judiciário parar de julgar os homicídios no trânsito como se fossem crimes menos graves na comparação com os assassinatos cometidos com armas de fogo ou brancas. E ao Congresso Nacional, legislar com responsabilidade para assegurar leis eficazes e justas.

Por Adriana Bernardes, publicado no Correio Braziliense em 18 de fevereiro de 2015.