Tendência de queda em mortes de ciclistas é conquista que não pode ser perdida no DF

Tendência de queda em mortes de ciclistas é conquista que não pode ser perdida no DF

mortes_quedaDesde 2005 o DF vem reduzindo as mortes de ciclistas no trânsito. Partimos do pressuposto que nenhuma morte no trânsito é aceitável, pois as causas dessas perdas, tais como alta velocidade do carros e embriaguez ao volante, são bem conhecidas e, por isso, podem ser mitigadas e prevenidas. A chamada “Visão Zero” embasa essa premissa, de não banalizarmos as vidas perdidas em função da violência do trânsito motorizado.

Em 2015, a necessária tendência de queda de mortes de ciclistas parece estar ameaçada. Até abril deste ano, já foram computadas 14 mortes de ciclistas (levantamento não oficial a partir de notícias veiculadas na mídia e na internet), enquanto que em 2014 foram registradas 22. Não podemos aceitar que as fatalidades continuem nesse ritmo. As já demandadas campanhas educativas, somadas à fiscalização, são urgentes para não perdermos de vez o rumo do trânsito no DF. A população que utiliza a bicicleta agora colhe nas ruas o desrespeito de motoristas, após o governo anterior ter transmitido a mensagem de que o lugar de ciclistas seria apenas na ciclovia.

Acreditando que bons dados são aliados de uma boa política pública, a Rodas da Paz sempre procurou basear seus posicionamentos em análises estatísticas e pesquisas, inclusive utilizando as informações produzidas pelos próprios departamentos de estatística do Governo do DF e também do Governo Federal. As sugestões que fizemos ao governo passado sempre alertaram sobre os impactos positivos e negativos que a política teria no futuro da cidade.

Listamos a seguir os Boletins Informativos do DETRAN produzidos nos últimos anos, seguidos de breves comentários para cada edição. No site do órgão há uma sessão específica de estatísticas e acidentes, onde o Boletim mais atual está sempre disponível. No entanto, não é possível acessar os Boletins de anos anteriores. Por isso, disponibilizamos estes documentos aqui para facilitar a consulta.

O empenho no acompanhamento estatístico das ocorrências no trânsito é muito importante para direcionar ações governamentais. Nesse sentido, é importante reconhecer a importância do DETRAN ter um Boletim específico dos registros de ocorrências envolvendo bicicletas no trânsito do DF. Ressaltamos que estas ocorrências não devem ser tratadas como “acidentes”, pois podem ser previstas e prevenidas com base no tripé estrutura, fiscalização e educação.

Boa leitura!

Boletim Informativo de 2014

O Boletim de 2014 registrou o menor número absoluto de mortes de ciclistas no DF desde que o dado é acompanhado. Ceilândia foi a cidade com mais vítimas: 4 ciclistas. É mostrado também a redução da concentração de ocorrências aos finais de semana, embora estes continuem sendo os dias com maior frequência de óbitos. O período noturno continua aparecendo como o mais arriscado, por isso recomendamos sempre o uso de iluminadores e refletivos para ciclistas, como medida preventiva, que aumenta sua visibilidade na rua. Houve registro de 2 pedestres que faleceram em ocorrências com ciclistas, sendo um dos casos o do Parque da Cidade.

Boletim Informativo de 2013

O Boletim de 2013 tenta relacionar a queda nas mortes aos investimentos recentes em ciclovia, mas ao mesmo tempo mostra que são as rodovias, e não as vias urbanas, que concentram mais da metade dos óbitos de ciclistas e não receberam investimento em infraestrutura cicloviária na proporção devida. E foram as tabelas desse Boletim que mostraram que apenas uma via, a EPTG, teve o mesmo número de vidas perdidas (8) que um bairro inteiro no mesmo período, no caso o Plano Piloto.

O Plano Piloto, bairro da Copa do Mundo, recebeu dezenas de quilômetros de ciclovia, enquanto a EPTG e a Estrutural (que teve ainda mais mortes que o Plano Piloto) continuam sem oferecer segurança no deslocamento dos moradores do Eixo Oeste da cidade em direção ao Plano, que concentra 47% dos postos de trabalho do DF, mas onde mora só 8% da população. Os dados sobre postos de trabalho e população nós encontramos no site da CODEPLAN.

Boletim Informativo de 2012

No ano de 2012 foi a cidade de Santa Maria que liderou as fatalidades com ciclistas, com 3 registros. No texto de apresentação do Boletim, técnicos apontam “a necessidade de políticas públicas orientadas para a construção de ciclovias e ciclofaixas nos locais de maior incidência, além da promoção de campanhas educativas voltadas à conscientização da população quanto à necessidade de proteção aos ciclistas no trânsito, à gravidade dos acidentes e à importância do uso sistemático de capacete como equipamento de proteção.

É curioso notar que não há informações sobre uso ou não de capacete entre as vítimas mortas que permita subsidiar essa conclusão em relação ao uso do equipamento, e que embora os dados indiquem a concentração de ocorrências no período noturno naquele ano (63%), não se faz menção no texto sobre o uso de luminosos ou refletivos. Como se sabe, em anos posteriores não houve campanhas educativas, como havia sido sistematicamente demandado, o que indica mais gravemente a subutilização dos dados. Além disso, apesar de ter sido expressamente recomendado no Boletim a construção de infraestrutura cicloviária nos locais com maior incidência para ciclistas no trânsito, a ação do GDF caminhou no sentido contrário, com a priorização da oferta de estrutura nas regiões com menores índices de fatalidade (conforme pode ser constatado na análise da Rodas da Paz).

Boletim Informativo de 2011

A cidade com maior número de vítimas fatais nesse ano foi Ceilândia, com 5 ciclistas mortos. Foi registrada a morte de um motociclista em função de ocorrência com bicicleta. Nesse boletim de 2011 já é possível perceber uma tendência de queda das mortes de ciclistas, que se mantém por anos consecutivos. O número mais elevado nessa série foi registrado em 2003, quando 69 vidas foram perdidas (mais de uma por semana em média), fato que mobilizou a criação da Rodas da Paz na época. A maior redução proporcional entre anos consecutivos foi registrada justamente no primeiro ano de atuação da ONG, de 2003 para 2004, período que teve queda de 31% nas fatalidades.

 


 #Nota explicativa do DETRAN#

“Os acidentes fatais são contabilizados a partir do cruzamento das informações provenientes das Delegacias de Polícia, do IML e da Secretaria de Saúde, o que faz crer que a totalidade dos óbitos é computada. Porém, sabe-se que existem acidentes com feridos que não são registrados, principalmente aqueles com o envolvimento da
bicicleta, nos quais não foi acionado o atendimento médico público. De acordo com as normas da ABNT e seguindo as orientações do DENATRAN, é considerado acidente fatal quando o óbito ocorre até 30 dias após a data do evento.”


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