Arquivo do Autor: Rodas da Paz

Redução da velocidade máxima das vias urbanas no Distrito Federal é pauta de encontro no Senado

A Rodas da Paz e o pai do Raul Aragão, ciclista morto por Johann Hamonnai, 18 anos, que conduzia seu carro a 95km/h (relembre o caso aqui), Helder Gondim, se reuniram no dia 07/11/2017, com o líder da bancada do DF no Congresso Nacional, o Senador Helio José, e com o Senador Paulo Paim. Na ocasião foi solicitado ao Senador do DF o empenho dele e de toda a bancada para tratar junto ao GDF de questões ligadas à segurança no trânsito em nossas cidades. Dentre as pautas apresentadas a principal delas é a redução da velocidade de nossas vias. O representante da ONG entregou os ofícios (veja os documentos abaixo) já encaminhados ao GDF com as solicitações e o líder da bancada se comprometeu a atuar junto ao governo local para tratar do assunto.

Já o Senador Paulo Paim se comprometeu a realizar junto com a ONG uma audiência pública para debater o tema.

Ofícios

Oficio 18 DETRAN v2

Oficio 19 SEMOB v2

Por Raulzito, continuamos

 

Depois de quase 15 anos de trabalho voluntário diário e de importantes conquistas na mobilidade urbana do DF, a perda do querido amigo Raul Aragão para a violência no trânsito nos deixa consternados. Por mais que argumentemos que a velocidade atual das vias é perigosa para todos, vidas continuam sendo perdidas.

Raul era uma força mobilizadora dentro do nosso grupo. Colocava sua alegria em tudo, a levava para onde ia, junto com a sua bicicleta – que carregava no coração. Ele se sentia vivo pedalando e lutando pelo espaço para quem pedala nesta Brasília tão centrada no carro. Fará muita, muita falta.

A Rodas da Paz luta pelo convívio pacífico entre os diferentes modos de se locomover. Em agosto de 2017, nosso Passeio anual teve como tema “Sem pressa, todo mundo chega bem”, definido em parceria com o grupo Caça-Pedal, da Ceilândia. O tema foi inspirado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda até 50 km/h como limite de velocidade para vias urbanas.

Se uma colisão acontece com o carro a 80 km/h, é praticamente zero a possibilidade de sobrevivência das pessoas atingidas. A 64 km/h, 85% morrem e ninguém sai ileso. No entanto, apenas 5% morrem e 30% ficam ilesos se a velocidade for de 32 km/h.

Mesmo quando não há infração, a alta velocidade permitida nas vias pode transformar a todos em vítimas.

Nada suporta o impacto violento de um carro veloz ao atingir um ser humano. O debate urgente a ser feito não é a roupa especial, o sapato ideal ou o equipamento de segurança recomendado.

A melhor maneira de proteção é e será sempre o respeito à vida e à mobilidade plural. Para que isso aconteça, é fundamental que haja velocidade compatível entre os diferentes veículos, motorizados ou não.

Nossas ruas deveriam impedir velocidades altas. Quando a velocidade é mais baixa, tudo fica mais fácil: a travessia de pedestres; o compartilhamento da via entre motoristas e ciclistas; o uso de meios sustentáveis de deslocamento – como caminhar, pedalar e usar o transporte público; a fluidez nos trajetos; e uma convivência humanizada por todas as cidades.

Somente com menos pressa teremos a chance de uma mobilidade respeitosa à vida. Reduza a velocidade, compartilhe a via e dê a preferência. Proteja a sua vida e a dos outros.

A cidade deve ser das pessoas. Vamos continuar inspirados por esse ideal – que era o compromisso de vida do alegre Raulzito.

Vá em paz, Raul. “Suave na nave”.

 

Brasília, 22 de outubro de 2017.

 

Com muita saudade e carinho,

voluntárias e voluntários da Rodas da Paz.

 

 

Semana da mobilidade 18 a 25 de setembro de 2017. Não fique de fora dessa Semana! Envolva-se e ajude a transformar nossa cidade!

Chegou a semana da mobilidade de 2017! Confira aqui as atividades que estão programadas.
Dia 19, às 14h30. Audiência Pública na Câmara dos Deputados – “Transporte como Direito Social” e lançamento do projeto “MobCidades – Mobilidade, Orçamento e Direitos”. Evento no Facebook:  https://www.facebook.com/events/1453168021436969/?ti=icl  

Dia 19, às 19h. Seminário no Teatro Dulcina do Conic – “Diálogos Inspiradores sobre Direito à Cidade: Transporte como direito social”. Evento no Facebook: https://goo.gl/z9fzPe;

Dia 21, às 9h. Audiência Pública na Câmara Legislativa do Distrito Federal – “Mobilidade e Paz no Trânsito”.
Dia 21, às 19h. Exibição do Documentário “Bicicleta Brasil – Pedalar é um Direito” no Espaço Itaú de Cinema (CasaPark Shopping). Exibição do documentário sobre a campanha Bicicleta Brasil, quando cicloativistas pedalaram 1572 km entre Paraty e Brasília, em janeiro de 1998, em apoio ao novo código de trânsito brasileiro. Evento no Facebook: www.facebook.com/events/1716440075318341/ 

Dia 22. Metrô gratuito para aqueles que forem às estações de bike;
Dia 22 – Dia Mundial Sem Carro – Vá de Bike ao Trabalho!

Dia 22, 8h às 18h30. Vaga Viva no SCS, durante todo o dia 22. Responsável: Secretaria de Mobilidade do DF. Uma programação interativa para você! Vá lá conferir!

Dia 22, 18h30. Bicicletada. Saída da Vaga Viva no dia 22, stand da Embaixada da Holanda, concentração às 18:30h.

Dia 22. Lançamento online do vídeo realizado pela Associação Andar a Pé sobre as passagens subterrâneas do Plano Piloto. Participe da Vaga Viva e acesse a página https://www.facebook.com/andarapebsb/. Ajude a viralizar!

Dia 25, às 7h. Desafio Intermodal no dia 25, saindo às 7h da QE 7 do Guará. Organização: Rodas da Paz. O Desafio Intermodal avalia quais os meios de locomoção mais eficientes no meio urbano num dia comum. A proposta não é apenas medir a velocidade e quem chega primeiro, é avaliar o custo ambiental, econômico e social de cada meio de transporte. Em 20156 teve moto, carro, táxi, uber, carona, ônibus, bicleta fixa, metrô, pedestre e corrida. Evento no Facebook: https://goo.gl/FPVnwh 

Não fique de fora dessa Semana! Envolva-se e ajude a transformar nossa cidade!

Confira as apresentações feitas pela Rodas da Paz no Bicicultura 2017

Plenária final do Bicicultura 2017

A rodas da paz fez diversas apresentações no Bicicultura 2017, que aconteceu em Recife. De experiências envolvendo educação, advocacy, pesquisa e pedaladas, a troca e interação com outras iniciativas durante o evento foi muito rica.

A ex coordenadora Geral e atual diretora Administrativa, Renata Florentino, teve selecionada uma oficina sobre incidência em políticas públicas, chamada “No ouvido do prefeito”, onde mostrava casos bem e mal sucedidos de interlocução com o poder público no DF e a ferramenta de mapa de atores para priorizar ações e atores no processo de articulação.

Jonas Bertucci apresenta a Cartilha de Exercícios

O ex-presidente da ONG Rodas da Paz, e atual conselheiro Jonas Bertucci, participou do Bicicultura 2017 no Recife -PE, entre 7 e 10 de setembro. Jonas, contou da experiência da cartilha de exercícios multidisciplinares sobre mobilidade urbana que a Rodas da Paz lançou para ser trabalhada nas escolas de Ensino Médio. “ Em consonância com avaliações federais de desempenho, a cartilha elaborada pela Rodas da Paz oferece atividades para problematizar o cotidiano da turma, que estimulam a aplicação do conteúdo curricular. O Bicicultura foi um momento importante para difundir esse trabalho e discutir ações semelhantes no campo da educação que estão sendo realizadas em todo o país”, disse Jonas.

Raul Aragão apresenta as contagens de ciclistas

Raul Aragão, voluntário da Rodas da Paz, participou do encontro falando das contagens de ciclistas feitas no Distrito Federal, em parceria com o ITDP. “O Bicicultura é sempre um grande evento. Esse ano apresentei o projeto de contagens de ciclistas da Rodas da Paz, que está acontecendo em nove lugares do DF’, disse.

Raul aragão no pódio em 1º lugar no fixocult

O voluntário ressaltou ainda à experiência que foi participar das provas no evento. “No último dia pude participar de uma prévia das fixolimpiadas que vão ocorrer em novembro no Recife, onde competi com outros “fixeiros” em provas de skid, trackstand, Sprint, anticorrida e peanut. Ganhei alguns prêmios”, contou Raul.

Gustavo Rodrigues apresentou o projeto Bicicleta Livre da UnB

A participação da ONG não parou por aí, quem também participou do evento foi o voluntário Gustavo Rodrigues, que falou sobre o ‘Bicicleta Livre’ da UnB, um projeto de extensão que incentiva os alunos a usar a bicicleta como meio de transporte.
O Bicicultura, maior encontro nacional de mobilidade por bicicleta e cicloativismo, organizado pela sociedade civil, busca ser o expoente máximo da bicicleta em todas as suas vertentes: cultural, social, política, artística, econômica e ambiental.

O Bicicultura 2017 precisa de você!

Você conhece o “Bicicultura”?

É maior encontro nacional de mobilidade por bicicleta e cicloativismo! Ele acontece entre 7 a 10 de setembro na cidade do Recife.

A sua contribuição fará toda a diferença! Com apenas R$ 10,00 já é possível participar do financiamento coletivo. Ajude a arrecadar o restante da verba para realizar este evento da maneira como foi programado, contemplando os projetos selecionados e todas as atividades culturais e esportivas. Conheça as formas de ajudar aqui: https://benfeitoria.com/bicicultura

Participe!
Saiba mais: https://bicicultura.org.br/
#Bicicultura

Confira as dez fotos mais curtidas do 15º Passeio Ciclístico com a hashtag #rodasdapaz

Veja aqui quem são os dez ganhadores do kit ciclista na loja Giro 66
A retirada dos kits deve ser feita na loja:

QND 30 Lote 42 Loja 01
Taguatinga Norte – CEP: 72120-300
Brasília – DF

1º Lugar 138 curtidas

https://www.instagram.com/p/BXOr141Dt9E/?tagged=rodasdapaz

2º Lugar 95 curtidas

3º Lugar 91 curtidas

4º Lugar 67 curtidas

Passeio ciclístico. #rodasdapaz

A post shared by Rodrigo Alexandre (@rodrigo.alexandre) on

5º Lugar 60 curtidas

https://www.instagram.com/p/BXLFcSElCvO/?tagged=rodasdapaz

6º Lugar 56 curtidas

7º Lugar 53 curtidas

8º Lugar 51 curtidas

#rodasdapaz

A post shared by Claudio Pinheiro Ferreira (@claudioyeshua) on

9º Lugar 50 curtidas

https://www.instagram.com/p/BXLEysIlT52/?tagged=rodasdapaz

10º Lugar 50 curtidas

#RodasdaPaz

A post shared by Matheus Duraes (@matheus_duraes1) on

Entidades se posicionam contra o PLC 26/2010

Atualização (20 de junho de 2017):

Em 05 de junho de 2017, as 34 entidades e especialistas assinados ao final deste protocolaram ofício (ver abaixo) aos Senadores participantes da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, à presidente da comissão e, em especial, ao Senador responsável pela relatoria, Valdir Raupp.

No dia 07 de junho, possivelmente em consequência desta manifestação coletiva, o projeto foi felizmente retirado de pauta a pedido do relator para reexame. Essa foi uma vitória parcial. O Senado tem duas legislaturas pra votar um projeto que venha da Câmara. Como o PLC 26/2010 chegou no Senado em 2010, caso não seja feita nenhuma movimentação até o final de 2018 seu prazo se esgota. Continuaremos atentos até que o PLC seja arquivado de forma definitiva.

==============================

Brasília, 05 de junho de 2017

V. Ex.ª Senador Valdir Raupp,
Relator do PLC 26/2010 na Comissão de Direitos Humanos do Senado

As organizações e especialistas abaixo assinados, vêm, por meio deste, manifestar a Vossa Excelência preocupação em relação à redação do PLC 26/2010, que pretende tornar obrigatório o “gesto do pedestre” antes de atravessar na faixa e que se encontra em análise na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Da forma como está proposto, e pelos motivos elencados a seguir, o referido Projeto representa uma ameaça à segurança de todos os brasileiros que andam a pé (deslocamento que corresponde a mais de 1/3 das viagens da população). Além de implicar na perda de direitos dos pedestres, um grupo já bastante vulnerável e destituído, a proposta contradiz diretrizes de segurança viária observadas por especialistas de todo o mundo (a lista de assinaturas pela alteração do PLC inclui os principais especialistas e gestores envolvidos no programa Paz no Trânsito, realizado em Brasília e apresentado como referência no mesmo).

Visando à adequação do PLC aos modernos conceitos de segurança e de cidadania no trânsito, e reconhecendo o esforço da autora e desta Comissão nessa direção, apresentamos, em anexo, uma proposta de substitutivo a ser apreciada.

Apontamentos técnicos sobre o PLC 26/2010

A norma pretende tornar obrigatório o gesto com o braço para que o pedestre tenha acesso ao direito de atravessar a rua na faixa. O projeto original previa que pedestres deveriam esperar um “acúmulo de pessoas” antes de realizar a travessia (sugestão que foi suprimida no Senado).

Por que tornar obrigatório o gesto com o braço representa um risco para a segurança do pedestre no trânsito:

1. A medida atenua crimes de trânsito: motoristas imprudentes terão respaldo legal para alegar que uma pessoa atropelada na faixa, lugar legítimo de travessia, não fez o “gesto do pedestre”. Além do judiciário, a opinião pública, embasada pela regra, poderá argumentar uma culpa concorrente, ou até mesmo exclusiva, do pedestre que for atropelado na faixa sem antes fazer o gesto, podendo este ainda ter que comprovar que teria feito o gesto. Isso levanta consequências sérias de atenuação da culpa do condutor nas esferas penais e cíveis, podendo resultar no aumento do desrespeito à faixa por parte dos condutores em geral;

2. A medida torna inexequível a travessia de pessoas com deficiência e de pessoas com os filhos nos braços ou carregando objetos: há uma diversidade de situações em que as pessoas estão impossibilitadas de fazer o sinal com as mãos, como por exemplo: pessoas com mobilidade reduzida, pais que carregam seus filhos no colo ou seguram suas mãos, pessoas carregando cargas ou compras nos braços. Com o projeto, pessoas nesta situação perderiam, na prática, o direito à travessia na faixa;

3. A medida negligencia soluções eficazes de segurança para pedestres, já utilizadas e recomendadas internacionalmente: em conformidade com a Convenção de Viena sobre Trânsito Viário de 1968 (Decreto nº 86.714, de 10 de dezembro de 1981), a orientação do poder público, por meio de campanhas educativas e fiscalização, é de que ao aproximar-se de qualquer cruzamento ou faixa de pedestres os motoristas devem manter atenção especial e velocidade moderada, observando a preferência a pedestres, ciclistas, crianças, idosos e pessoas com deficiência, e outros meios de transporte e garantindo sua segurança;

4. A medida contradiz as normas expressas nos artigos 29, 44 e 70 do Código de Trânsito Brasileiro, que regulamenta a travessia:

a. Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

b. Art. 44. Ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência.

c. Art. 70. Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código.

5. A medida torna redundante o dispositivo da faixa de travessia de pedestre, sinalização que deveria ser suficiente para garantir a travessia segura das pessoas, devidamente regulamentada pelo art. 85 do CTB:

Art 85: Os locais destinados pelo órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via à travessia de pedestres deverão ser sinalizados com faixas pintadas ou demarcadas no leito da via.

6. A medida representa perda de direitos: condicionar a preferência do pedestre na travessia da faixa ao sinal com o braço significa uma perda de um direito (Art. 44) e uma inversão de prioridades. Diferentemente, se faz necessário reforçar no processo de formação do condutor e, por meio de campanhas permanentes de educação, o respeito à legislação já existente voltada a essa questão.

7. A medida, na prática, diminui a responsabilidade do motorista em prezar pela segurança do pedestre: a responsabilidade é invertida, e o pedestre se torna responsável para que o motorista respeite as regras de trânsito acima mencionadas.

8. A medida segue orientação contrária à tendência internacional das políticas de segurança no trânsito: a Política Nacional de Mobilidade Urbana, instituída em 2012 através da Lei Federal da Mobilidade Urbana 12.587/12, determina​ no inciso II do Artigo 6º a priorização dos modos de deslocamento não-motorizados, notadamente o pedestre e o ciclista, incentivando a proteção da vida e a redução da violência no trânsito;

9. A medida onera o comportamento do pedestre e contradiz proposições de segurança viária observadas por especialistas de todo o mundo: estamos na segunda metade da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, promovida pela ONU, na qual o Brasil é um de seus principais alvos. Se aprovada, tal medida contribuiria para a perda de credibilidade do país em relação às ações de segurança no trânsito;

10. Análises de especialistas e de organizações reconhecidas em todo o país alertam para os riscos em se instituir a obrigatoriedade do gesto do pedestre, como:

ITDP (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento);
ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos, Comissão de Mobilidade a Pé e Acessibilidade); 
Associação Civil Rodas da Paz;
Cidadeapé – Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo;
Diário da Mobilidade;
Paulo Cesar Marques da Silva. Engenheiro, doutor em estudos de transportes pela University College London (Reino Unido), professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília.

11. A medida vai contra as diretrizes adotadas na campanha Paz no Trânsito em Brasília: a primeira e mais importante medida adotada em Brasília durante a campanha foi a redução dos limites de velocidade nas vias: Vias hoje de 60 km/h tinham velocidades médias de 80 a 90 km/h. Em seguida, foi feita uma campanha com apoio espontâneo da mídia (Correio e Rede Globo/Alexandre Garcia) alertando a população com 45 dias de antecedência que as travessias da faixa seriam fiscalizadas. No primeiro dia foi colocado um fiscal em cada faixa e após um mês de erros e acertos os carros começaram a parar na faixa. Com a faixa, agora segura, deu-se início a educação de Trânsito para os pedestres sobre a travessia em semáforos. O gesto da mãozinha com formato de “positivo” ou “legal” foi inserido posteriormente, como parte de uma campanha de legalização de ocupações. O falecido Cel Azevedo – Comandante do Batalhão de Trânsito e coordenador operacional da Campanha da Faixa era Totalmente contrário a essa medida, dado que a obrigatoriedade do gesto não guarda justificativa técnica;

12. Enquetes públicas indicam que a população em geral se opõe ao projeto: como pode ser observado em duas esquetes online, tanto no site do Senado, como no site independente http://www.votenaweb.com.br/projetos/plcs-26-2010

Em face das informações acima dispostas, esperamos contar com o apoio de Vossa Excelência para a alteração ou mesmo o arquivamento do referido Projeto de Lei.

Atenciosamente,

Entidades e especialistas listados

Andarapé
ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, Comissão de Mobilidade a Pé e Acessibilidade
Ape – Estudos em Mobilidade
BH em Ciclo
Biomob
Ciclocidade
Cidade dos Sonhos
Cidadeapé
Cidade Ativa
Coletivo BiciMogi
Conselheiros do CONTRANDIFE – Conselho de Trânsito do Distrito Federal
Corridaamiga
INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos
Instituto MDT – Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade
ITDP – Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento
Milalá
Mobilize Brasil
Movimento Nossa BH
Movimento Olhe pelo Recife
Observatório do Recife
Nossa Brasília
Nossa São Luís
Pé de Igualdade
Pedala Manaus
Rede Brasileira de Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis
Rede Nossa Mogi das Cruzes – SP
Rede Nossa São Paulo
Rodas da Paz
RUAVIVA – Instituto da Mobilidade Sustentável
SampaPé
UCB União dos Ciclistas do Brasil

Especialistas envolvidos no programa Paz no Trânsito

Nazareno Stanislau Affonso (Secretário de Transporte e Coordenador do Programa Paz no Transito)
Roberto A. de Aguiar (Secretário de Segurança e Coordenador do Programa Paz no Trânsito)
Fábio Resende (Dirigente pela Secretaria de Transporte pela Operação do Programa)
Victor Pavarino (Técnico da Secretaria de Transportes do GDF do Programa Paz no Trânsito, atualmente Assessor Internacional em Segurança Viária da OPAS/OMS)
David Duarte (Coordenador do Fórum pela Paz no Trânsito, Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília)

8 motivos para ser contra o Projeto que obriga pedestres a fazer sinal com a mão para atravessar na faixa

O PLC 26/2010, que pretende tornar obrigatório o gesto com o braço para que o pedestre tenha o direito de atravessar a rua na faixa, se encontra em análise na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Entenda por que essa medida representa um risco para a segurança do pedestre:

    1. Reduz a responsabilidade do motorista em prezar pela segurança do pedestre: a responsabilidade é invertida, e o pedestre se tornará responsável para que o motorista respeite as regras de trânsito.
    2. Dá respaldo legal para um motorista imprudente alegar que uma pessoa atropelada na faixa não fez o “gesto do pedestre”. Embasado pela regra, o judiciário poderá argumentar uma culpa concorrente, ou até mesmo exclusiva do pedestre atropelado na faixa, podendo este ainda ter que comprovar que teria feito o gesto.
    3. Resultará no aumento do desrespeito à faixa por parte dos motoristas e das mortes, já que a responsabilização do motorista será menor.
    4. Tornará ilegal a travessia de pessoas com deficiência e de pessoas com os filhos nos braços ou carregando objetos: pessoas com mobilidade reduzida impossibilitadas de fazer o sinal com as mãos, pais com filhos no colo ou segurando suas mãos, pessoas carregando cargas ou compras correrão maior risco e perderão o direito à travessia na faixa.
    5.  Contradiz as normas já existentes nos artigos 29, 44 e 70 do Código de Trânsito Brasileiro, que regulamenta a travessia:
      a. Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
      § 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.
      b. Art. 44. Ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento, o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial, transitando em velocidade moderada, de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência.
      c. Art. 70. Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código.
    6. Representa perda de direitos: condicionar a preferência do pedestre na travessia da faixa ao sinal com o braço significa uma perda de um direito e uma inversão de prioridades. Diferentemente, se faz necessário reforçar no processo de formação do condutor e, por meio de campanhas permanentes de educação, o respeito à legislação já existente.
    7. Vai contrária à tendência internacional das políticas de segurança no trânsito de priorização dos modos de deslocamento não-motorizados e de incentivo à proteção da vida;
    8. Onera o comportamento do pedestre e vai contra as diretrizes de segurança viária observadas por especialistas internacionalmente.

Além disso

  • Análises de diversas organizações reconhecidas em todo o país alertam para os riscos em se instituir a obrigatoriedade do gesto do pedestre, como ITDP (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento), a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos, Comissão de Mobilidade a Pé e Acessibilidade), o Portal Mobilize, a Rodas da Paz, entre muitas outras.
  • A medida vai contra as diretrizes adotadas na campanha Paz no Trânsito em Brasília, tendo sido veementemente criticada pelos especialistas envolvidos no pioneiro programa Paz no Trânsito

Ciclofaixa de Águas Claras: não deixe a falta de informação atropelar esta conquista

O debate sobre o convívio da bicicleta com carros, ônibus, motos e pedestres tem se tornado cada vez mais frequente, principalmente depois das últimas ocorrências que envolveram atropelamento de ciclistas em diferentes regiões do DF.

Além de ser uma prática saudável, as pessoas estão compreendendo que a bicicleta é uma forma alternativa ao carro para se deslocar pela cidade, às vezes por escolha e muitas vezes por necessidade, e que pode ser combinada com outros meios de transporte, como metrô e ônibus. Por isso, a bicicleta é um modo de transporte inclusivo e sustentável.

Esta é uma tendência global, e sem volta. Ainda bem. Mais bicicletas, menos carros. Menos carros, mais cidade para as pessoas. Menos CO², mais ar puro.

A cidade é de todas e todos. Na teoria, todo mundo sabe disso, mas colocar em prática a convivência pacífica com as diferenças exige solidariedade, atenção, respeito ao outro e à lei.

O Código de Trânsito existe para proteger a vida, e o maior protege a vida do menor: o motorista – dos diferentes meios de transporte – protege a vida do ciclista, e todo mundo protege a vida do pedestre.

Não foi o que aconteceu recentemente em Águas Claras, onde, no dia 5/4/2017, uma ciclista foi atropelada na ciclofaixa. A ciclofaixa da Av. das Araucárias de Águas Claras, implantada em março de 2016 já se tornou um marco nas conquistas pela mobilidade urbana do DF.

A Rodas da Paz viu de perto a mobilização da comunidade, se engajou na causa e continua apoiando firmemente a iniciativa. Além da mobilização, a própria ciclofaixa é exemplar: tem sinalização vertical e horizontal que garante a preferência do ciclista nos cruzamentos, conforme assegura o Código de Trânsito no seu artigo 214. Os motoristas que não dão preferência à bicicleta estão cometendo uma infração gravíssima, e tornam o trânsito mais hostil e violento.

É preciso que a lei seja respeitada para que o vermelho no chão da ciclofaixa seja tinta, e não sinal da violência no trânsito.

O que aconteceu em Águas Claras não é motivo para culpar a ciclofaixa, muito menos a vítima.

Neste caso, o motorista fez a conversão à esquerda, a partir da faixa do meio, sem atenção e sem dar preferência à ciclista. A ciclofaixa e a ciclista não podem ser responsabilizadas pelo gesto imprudente do motorista. O que ele fez só justifica duas coisas: cobrar a responsabilidade pela sua atitude e educá-lo para o trânsito.

Nem a ciclista, nem a ciclofaixa têm responsabilidade pela imprudência do motorista.

Diante da violência no trânsito, precisamos fortalecer as conquistas na política pública pela mobilidade urbana, e não enfraquecê-las.

Se alguém utilizar indevidamente o cinto de segurança, isso não é justificativa para bani-lo como item obrigatório.

Quando uma pessoa é atropelada na faixa de pedestre, apagar a faixa não evita que a situação se repita em outro lugar.

Se pessoas estão sendo vítimas da violência no trânsito porque se deslocam de bicicleta, é preciso encontrar formas de garantir sua segurança, às vezes por meio de ciclovias e ciclofaixas, e não tirá-las das ruas.

Cada pequeno gesto conta para trazer mais segurança, como colocar as crianças na cadeirinha. De acordo com as estatísticas recentes, o uso da cadeirinha para crianças no banco de trás reduziu em 23% as mortes de crianças no trânsito no Brasil.

Na contagem de ciclistas feita pelas Rodas da Paz em setembro de 2016, um semestre após a implantação da primeira ciclofaixa de Águas Claras, constatou-se que o uso de bicicleta havia crescido 40% em relação à contagem anterior, de outubro de 2015, mostrando como dar incentivos à mobilidade ativa traz resultados positivos.

Rua do Lazer em Taguatinga?

Você gostaria de ver Taguatinga com uma Rua do Lazer, assim como no Eixão?

 

 

Um aluno da UnB está realizando uma pesquisa uma pesquisa para identificar a criação de uma Rua do Lazer na Av. Comercial Norte de Taguatinga aos domingos (algo parecido com o que acontece no Eixão).

 

É necessário que o maior número de pessoas responda um breve questionário sobre o assunto.


Em menos de 3 minutinhos você pode ajudar a transformar Taguatinga.

 

Clique aqui e responda a pesquisa: https://www.onlinepesquisa.com/s/9d70768

 

Compartilhe com amigos moradores de Tagua, mas se você é de fora, também pode responder, ok?

 

Qualquer dúvida envie um email para [email protected]

E a ciclovia da EPTG vai sair!

EPTG CICLOVIA FINAL

Segundo o edital disponível no site  (Clique aqui) do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER/DF), o processo licitatório para a implantação da ciclovia na Estrada Parque Taguatinga (EPTG) ocorrerá no dia 2 de fevereiro.

Desde 2005, o DF conta com a lei distrital nº 3639/05 que prevê a construção de ciclovias em suas rodovias. No escopo do Programa de Transporte Urbano do DF – PTU/DF, componente do Brasília Integrada, iniciado em 2007, o projeto da Linha Verde considerava uma ciclovia na “nova EPTG”. A obra de expansão da rodovia foi executada, porém a ciclovia prevista foi suprimida.

A Rodas da Paz vem pressionando, há anos, os órgãos responsáveis do GDF pela implantação de infraestrutura cicloviária nas rodovias distritais. Em 2015, um novo projeto do DER-DF para a ciclovia da EPTG voltou a ser debatido, após o Ministério Público do Distrito Federal encaminhar a denúncia feita em agosto de 2014 pela Rodas da Paz (Clique aqui para ler a denúncia), na qual a ONG alegou que o Governo do DF “não tem obedecido ao que determina a lei, em clara inobservância do Código de Trânsito Brasileiro e da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas, Lei nº 3.885/2006”.

Naquele contexto, a ONG viu a importância de se realizar uma contagem de ciclistas nessa rodovia, para mostrar a demanda já existente por infraestrutura cicloviária na via e compará-la com as demandas futuras, após a construção de infraestrutura cicloviária. Mesmo sem segurança, com tráfego intenso em alta velocidade, mais de 200 ciclistas foram vistos num dia com chuva próximo à passarela do Guará, entre 6h da manhã e 8h da noite. (Clique para ver o Relatório da Contagem)

A obra, orçada em R$ 11 milhões, deve começar logo após o processo licitatório. Com prazo de execução de até 8 meses, é possível que os ciclistas do DF possam pedalar na ciclovia da  EPTG até o fim do ano. Vamos ficar de olho!

Atualização: a empresa selecionada na concorrência é a SIGMA. Confira mais detalhes aqui.

Recordação de como foi o 2016 para a Rodas da Paz

A Rodas da Paz agradece o apoio que recebeu durante todo o ano de 2016. A colaboração de todos foi fundamental para a garantia dos resultados obtidos. E estamos aqui para avisar que em 2017 nossa luta irá continuar!

Em 2016 a Rodas da Paz deu continuidade ao trabalho de promoção à mobilidade sustentável. Com sucesso, conseguimos promover o debate com importantes nomes das políticas públicas sobre a bicicleta no Distrito Federal. Além disso, colocamos na prática projetos e atividades que trouxeram resultados significativos na questão da mobilidade ativa em várias cidades do DF.
Em Águas Claras realizamos mais uma contagem de ciclistas, mas dessa vez, a ciclofaixa já estava implantada na Avenida das Araucárias, o que mostrou um resultado surpreendente.
O passeio ciclístico anual contou com pelo menos 4 mil ciclistas, com o tema “Todo dia é Dia do Ciclista!”. Foram realizados dois percursos, o tradicional e o infantil, carinhosamente chamado de Rodinhas da Paz.
Foi re-encaminhado ao Congresso Nacional proposta elaborada pela Rodas da Paz para que o dia 19 de agosto seja reconhecido oficialmente o como Dia Nacional do Ciclista. Nesta data, em centenas de cidades são realizados eventos para a divulgação do uso da bicicleta e campanhas de respeito e proteção aos que pedalam. O projeto encontra-se em tramitação.
Outro sucesso do ano foi o projeto Doe Bicicleta que só no primeiro semestre do ano arrecadou 270 bicicletas. Já no final do ano, foi fechada uma parceria entre metrô do DF e Rodas da Paz para que fossem arrecadar mais bikes.


Contagem de ciclistas em Águas Claras

Um ano após a primeira contagem, e seis meses após a implantação da ciclofaixa em Águas Claras, na Avenida das Araucárias, a Rodas da Paz realizou uma nova contagem no cruzamento entre a avenida Araucárias e a Rua das Pitangueiras, que tem acesso direto à estação Arniqueiras do Metrô-DF, e os resultados são surpreendentes!

unnamed (1) unnamed

  • O volume total de ciclistas ao longo do dia apresentou um aumento de 41%;
  • Aumentou consideravelmente o uso da bicicleta durantes a noite, com pico em 2016 no horário entre 19h e 20h;
  • Aumentou a participação no uso bicicleta entre jovens ciclistas, no grupo de 12 a 18 anos de 10% para 15%;
  • Caiu o uso da calçada de 30% para 5%;

Leia mais


unnamed (3) unnamed (2)

Todo dia é dia do ciclista!
Passeio Ciclístico Rodas da Paz

Neste ano de 2016, em 21 de agosto, tivemos o tradicional passeio ciclístico da Rodas da Paz, realizado anualmente. O tema escolhido para o ano foi “Todo dia é dia do ciclista!”. A edição contou com o percurso tradicional que vai até a ponte JK, e pelo terceiro ano consecutivo foi feito o percurso menor, que se concentrou na Esplanada dos Ministérios, o Rodinhas da Paz, destinado ao atendimento das crianças.
O evento reuniu em média 4 mil ciclistas que, ao pedalarem juntos, garantiram a visibilidade para a causa da mobilidade ativa no trânsito de nossas cidades e para reforçar o compromisso do Governo com melhorias nas condições de mobilidade da população. Este passeio teve também foco na busca pela oficialização do Dia Nacional do Ciclista.

Leia mais

Antecedendo o passeio também foi realizada uma homenagem a Pedro Davison, com uma missa que foi celebrada na Catedral de Brasília, no 19 de agosto, reconhecido como o Dia do Ciclista.

Leia mais

unnamed (4)


 

Desafio Intermodal

O 8º Desafio Intermodal aconteceu no dia 26 de setembro. Contando com 26 voluntários divididos em 12 modalidades de transporte foram percorridos no total 14km. Assim como nas edições anteriores, a bicicleta se destacou como meio de transporte mais eficiente. O melhor tempo, apesar de ter sido feito por uma moto, ainda sim saiu em desvantagem com relação à bicicleta por conta da emissão de poluentes.

unnamed (5)


unnamed

 


Um pouco mais sobre a formação de voluntários

Neste ano foi feita a 4ª formação de voluntários da Rodas da Paz. Nos dias 6 e 7 de agosto, entusiastas conversaram mais sobre mobilidade urbana, políticas de incentivo à bicicleta, além de entender melhor sobre a realidade do DF.

unnamed (1)


Como foi a Semana da Mobilidade nesse ano?

Nesse ano a Semana da Mobilidade foi cheia de novas atividades que ocuparam várias cidades do Distrito Federal, buscando a valorização das pessoas e dos espaços públicos.
Na Cidade Estrutural rolou o Pimp my bike. Por ser uma das cidades onde as pessoas mais utilizam a bicicleta como meio de transporte, a Rodas da Paz foi lá para realizar pequenos reparos nas bicicletas da população.
A Rodas também marcou presença no Centro de Convenções Ulysses Guimarães junto no Enacor, com um stand sobre mobilidade ativa junto a Bike Anjo DF.

unnamed (2)


Repense Ponta Norte e mais sobre a EPTG

No dia 10 de setembro foi feita uma reunião para discutir sobre as obras do TTN na Ponte do Bragueto e saída norte com a turma do Repense Ponta Norte.
Já no dia 17 de novembro, foi feita uma reunião entre a Rodas da Paz e o DER para que fosse conversada a questão da ciclivia na EPTG, além de relembrarem a questão do TTN.

unnamed (6) unnamed (3)


Doe Bicicleta em 2016

Retomando as atividades o Doe Bicicleta voltou a todo vapor. No primeiro semestre do ano foram arrecadadas 270 bicicletas, que foram distribuídas para diversos projetos sociais, incluindo uma comunidade de refugiados que foram acolhidos no Brasil. A entrega aconteceu no Parque da Cidade, como parte das atividades do Dia Mundial de Boas Ações.
O projeto também contou com a doação de uma nova carretinha, feita pela embaixada da Austrália, para coletarmos as bicicletas.
Por fim, foi realizada uma parceria entre a Rodas da Paz e o Metrô do DF para que fosse realizada a coleta de bicicletas. O projeto “Doe Mobilidade”, foi realizado nos dias 14 e 15 de outubro na Estação Central do Metrô.

unnamed (8)unnamed (7)

unnamed (12) unnamed (11)


Menção honrosa III Prêmio – A promoção da mobilidade por bicicleta no Brasil

A Rodas da Paz recebeu Menção Honrosa relacionada à Ação Educativa e Conscientização com o projeto Caminhos da Cidade. A premiação recebeu tantos concorrentes bons, que ao invés de serem dadas apenas duas menções honrosas a projetos de todo Brasil, foram oferecidas três, sendo a Rodas da Paz uma das premiadas com o título.

 

 

unnamed (13)


E 2017?

Fizemos muito em 2016, não podemos e nem vamos desanimar, a luta pela promoção da mobilidade ativa, sustentável e promoção de políticas educativas para ciclistas e motoristas, bem como a melhora de infraestrutura para que ciclistas tenham mais segurança, vão continuar como principal prioridade em 2017.
Sabemos que nenhuma mudança é instantânea, são conquistas diárias e os resultados virão em processo de construção.
A Rodas da Paz faz o seu melhor na luta para que, a cada dia, o Distrito Federal se torne mais preparado para ter o uso da bicicleta como elemento importante de sua mobilidade, valorizando a que todos os modais, para além do uso do automóvel particular, possam ser contemplados na prioridade dos investimentos públicos.  A promoção de um cotidiano harmonioso entre as diferentes opções, e sua integração e qualidade, são fundamentais para que nossas cidades sejam eficientes em sua mobilidade, propiciando qualidade, respeito à vida, e o uso das cidades por seus habitantes.

Que venha 2017, com mais realizações, lutas e conquistas!

 

 


unnamed (4)

 

Rodas da Paz e DER discutem EPTG e TTN

20161117_183507
 
No dia 17/11/16, o DER recebeu a Rodas da Paz para conversar sobre a ciclovia da EPTG e o Trevo de Triagem Norte (TTN). Do órgão distrital participaram o Diretor Geral, Henrique Ludovice, a Diretora de Estudos e Projetos, Ery Brandi, e o Superintendente de Trânsito, Cristiano Cavalcante. Da ONG estiveram presentes Tom Barros, Bruno Leite e Rafael Stucchi.
 
Sobre a ciclovia da EPTG, o projeto foi finalizado e está disponível para quem estiver interessado. O Diretor Geral do DER também concordou em compartilhar o Termo de Referência, assim que concluído, e não se manifestou contrário à participação da Rodas da Paz na análise do edital, ainda antes de sua publicação, para possíveis correções.
 
A próxima etapa será o lançamento da licitação que, no entanto, ainda não tem data prevista. O projeto foi orçado em quase 11 milhões de reais, dos quais 6 milhões já foram aprovados pelo Banco do Brasil. Segundo o Diretor Geral, os quase 5 milhões faltantes seriam angariados com os deputados do DF por meio de emendas parlamentares.
Colocamos o projeto nos links abaixo:
 O que você achou dele? Deixe aí embaixo seus comentários.
 
Já em relação ao TTN, os representantes da Rodas da Paz questionaram sobre a incorporação da proposta elaborada pela Secretaria de Mobilidade – SEMOB ao projeto do DER. De acordo com o relatório de análise elaborado pela Rodas da Paz, o projeto do TTN, como está sendo implantado, teve como concepção a ampliação da capacidade rodoviária, visando o fluxo livre dos veículos motorizados. A preocupação com os demais usuários da cidade, como usuários de transporte público, pedestres e ciclistas, foi claramente marginal e a infraestrutura a eles destinada, além de insuficiente, foi projetada de modo a reduzir ao máximo as interferências com a malha rodoviária.
A fim de mitigar os impactos negativos do projeto para ciclistas e pedestres, a proposta da SEMOB se baseia em deslocamentos mais eficientes para essas pessoas, em relação à concepção original do TTN. Em resposta, Henrique Ludovice comunicou que a empresa supervisora da obra, com base no que foi apresentado pela SEMOB, está elaborando uma contra-proposta, que, assim que finalizada, será apresentada para a sociedade. Entretanto, não foi indicada uma data prevista.
Por fim, o Diretor Geral do DER não informou se essas alterações de projeto da rede cicloviária caberão no aditivo contratual do complexo rodoviário. Em contrapartida, esclareceu que, caso necessário, nova licitação seria lançada.
 
Entenda mais sobre esses casos! Veja o que já publicamos sobre a EPTG aqui e o sobre o TTN aqui.

Livro reúne série de pesquisas sobre o perfil do ciclista brasileiro

O capítulo sobre o perfil do ciclista brasiliense foi escrito por pesquisadores da Rodas da Paz

No último dia 22 a Transporte Ativo lançou a publicação Mobilidade por Bicicletas no Brasil.O livro apresenta análises sobre dados da Pesquisa Perfil do Ciclista Brasileiro 2015, com capítulos escritos por pesquisadores de nove das dez cidades envolvidas na pesquisa. O prefácio da publicação ficou a cargo do jornalista André Trigueiro, que também esteve presente no evento.

IMG_0041

O lançamento foi realizado no Rio de Janeiro e contou com a presença de Fabio Iglesias, professor de Psicologia na UnB e voluntário da Rodas da Paz, que esteve no Rio de Janeiro para realizar uma apresentação no evento. Segundo o professor, nas apresentações de cada estado foram selecionadas informações para serem repassadas aos participantes.

Fabio conta que a apresentação destacava os resultados específicos feitos na pesquisa de 2015, além de serem propostas buscas para novas perspectivas de pesquisa para os próximos anos, afim de se conhecer mudanças no perfil do ciclista brasileiro ao longo dos anos.

Além disso, o professor conta que o principal problema levantado por todos os estados era relativo à estrutura cicloviária das cidades. “Mesmo sem fazer parte da pesquisa nacional nós levamos a questão de trechos como a EPTG e a Ponte do Bragueto, em Brasília. São vias muito rápidas, perigosas, mas o número de ciclistas que circulam nelas diariamente é considerável, colocanso em risco a vida de quem usa a bicicleta como meio de transporte”, conta.

mobilidade livro

Representando a Rodas

IMG_0017

O livro Mobilidade por Bicicleta no Brasil conta com um capítulo escrito pela coordenadora geral da Rodas da Paz, Renata Florentino e por Jonas Bertucci. O capítulo traz uma análise da situação dos ciclistas do Distrito Federal. Além disso os autores trazem dados que focam principalmente no perfil, motivações, demandas e comportamento dos ciclistas, além da avaliação que é feita por pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte.

Também aproveitando o espaço, as análises trazem um perfil do ciclista brasiliense que desconstrói alguns pressupostos. A publicação detalha os motivos para se ampliar a malha cicloviária no Distrito Federal, tendo em vista que os resultados apresentados trazem o lado positivo da cidade em suportar mudanças que melhorariam a mobilidade de quem utiliza a bicicleta como meio de transporte.

A publicação está disponível para download, clique aqui e confira o livro completo.

IMG_0226

Jéssica Luz, com supervisão de Renata Florentino

 

Zoneamento Econômico e Ecológico do DF será debatido entre os dias 25 e 31 de outubro

Consultas públicas discutirão texto que regulamenta e estabelece critérios para os zoneamentos

 A coordenação técnica e política do Zoneamento Econômico e Ecológico do Distrito Federal (ZEE-DF) irá promover três consultas públicas durante o mês de outubro, para discutir o anteprojeto de lei que trata do ZEE-DF. Os encontros serão em Sobradinho, Samambaia e Plano Piloto, sempre a noite. O objetivo dos encontros é esclarecer a população e arrecadar subsídios para o aprimoramento do texto, que futuramente será encaminhado à Câmara Legislativa.

O ZEE faz parte de um conjunto de quatro leis – Lei de Uso e Ocupação do Solo, Planos de Desenvolvimentos Locais e Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – que amparam o PDOT. É a boa elaboração e seguimento dessas leis que podem garantir a qualidade de vida urbana da população, regrando a interferência de interesses econômicos nas condições de vida dos moradores do DF.

O texto disponível traz um conjunto de planos e mapeamento de vocações de grandes zonas territoriais.  Segundo a proposta, o ZEE define duas grandes zonas com critérios distintos para a gestão territorial: (i) o desenvolvimento econômico e (ii) a preservação e redução de riscos ambientais. Essas zonas são repartidas em 13 subzonas, de acordo com a necessidade de preservação dos recursos hídricos ou a prioridade para o desenvolvimento econômico.pol

O ZEE, quando entrar em vigor, irá oferecer critérios e meios para que governo, empresários, agricultores, ambientalistas, investidores e sociedade civil observem os riscos ecológicos, os potenciais produtivos e econômicos e as condições sociais na ocupação do território pela população.

Segundo a Lei Orgânica do Distrito Federal, o ZEE já deveria ter sido aprovado em 1995. Na ausência da elaboração e aprovação do ZEE, o Ministério Público do DF o colocou como um dos compromissos assumidos pelo governo local no Termo de Ajustamento de Conduta 02/2007, que tratava da regularização dos condomínios e da ocupação urbana do Distrito Federal.

A principal discussão no debate atual do ZEE irá girar em torno da promoção do desenvolvimento social com redução de desigualdades sem que isso afete o meio ambiente, ou seja, crescimento econômico sustentável voltado para a população do Distrito Federal.

Fique de olho nas datas e locais das Consultas Públicas Presenciais e participe!

Data: 25/10/2016 (terça-feira)
Horário: das 19h às 22h
Cidade: Sobradinho
Local: Auditório do colégio La Salle
Endereço: Quadra 14, Área Especial, Lotes 24 a 27

Data: 26/10/2016 (quarta-feira)
Horário: das 19h às 22h
Cidade: Samambaia
Local: Auditório do Sest/Senat
Endereço: Quadra 420, Conjunto 08, Lote 01 – Subcentro/Leste – Complexo de Furnas

Data: 31/10/2016 (segunda-feira)
Horário: das 19h às 22h
Cidade: Plano Piloto
Local: Auditório do CREA-DF
Endereço: SGAS, Quadra 901, Conjunto D

A coordenação política do ZEE-DF é integrada pela Casa Civil, secretarias de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag); Meio Ambiente (Sema); Gestão Territorial e Habitação (Segeth); Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri); de Economia e Desenvolvimento Sustentável (SEDS); de Mobilidade (Semob); e de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI).

Para saber mais sobre o texto que irá auxiliar o debate, clique aqui. Para consultar presencialmente os documentos técnicos  compareça a sede da Sema-DF no endereço SEPN 511, Bloco C, Ed. Bittar.

Mais informações:
E-mail: [email protected]
Telefone: (61) 3214 – 5611
logo_zee

Águas Claras quer pedalar! Tem 40% mais pessoas pedalando com a ciclofaixa

Flyer - contagem Águas Claras Araucárias 2

A fim de contribuir com o debate em curso junto à comunidade de Águas Claras sobre a implantação da malha cicloviária proposta, a ONG Rodas da Paz realizou em outubro de 2015 as primeiras contagens de ciclistas nesta região. Estas contagens têm o objetivo de servir como um indicador sobre o uso da bicicleta permitindo conhecer o perfil do ciclistas antes do início da implantação do projeto e também permitindo mensurar o impacto de uma nova infraestrutura ciclável após sua implementação.

Em setembro de 2016, cerca de um ano após a primeira contagem e seis meses após a implantação da ciclofaixa na Avenida das Araucárias, realizamos uma nova contagem, no cruzamento entre a avenida Araucárias e a Rua das Pitangueiras, que tem acesso direto à estação Arniqueiras do Metrô-DF e os resultados são surpreendentes!

  • O volume total de ciclistas ao longo do dia apresentou um aumento de 41%;
  • Aumentou consideravelmente o uso da bicicleta durantes a noite, com pico em 2016 no horário entre 19h e 20h;
  • Aumentou a participação no uso bicicleta entre jovens ciclistas, no grupo de 12 a 18 anos de 10% para 15%;
  • Caiu o uso da calçada de 30% para 5%;

Os indicadores mostram que a estrutura cicloviária influenciou o comportamento das pessoas que utilizam as vias em Águas Claras de forma significativa e reforçam a necessidade de continuidade da implantação do projeto Mobilidade Ativa para todo o DF.

Uma importante variação observada foi o aumento de ciclistas utilizando a contramão da via, o que pode ser explicado, provavelmente, pela falta de infraestrutura cicloviária no sentido contrário ao da Av. Araucárias.

O próximo passo para a continuidade do projeto é a aprovação da sinalização da ciclofaixa da Av. Castanheiras pelo DETRAN/DF. Esta é uma ação fundamental para se oferecer à região uma malha cicloviária que atenda às necessidades de deslocamento da população.

Acesse o relatório completo aqui.

E veja as fotos da contagem de Águas Claras de 2016 aqui.

WhatsApp Image 2016-10-05 at 9.33.51 AM

Balanço do 8º Desafio Intermodal 2016

Tendo como ponto de partida a QE 7 do Guará I e chegada no Museu Nacional, o Desafio Intermodal contou com a prática de 12 modalidades de transporte, que fizeram percurso de 14 km.

A saída aconteceu às 7:43 da manhã desta segunda feira. Foram 26 voluntários participando do Desafio, distribuídos em 12 modalidades.

Assim como nas edições anteriores do Desafio Intermodal, a bicicleta se destacou como meio de transporte mais eficiente. Já a moto contou com o melhor tempo médio (21:03) no deslocamento. Entretanto, devido à alta emissão de poluentes, a moto perdeu muitas posições, ficando em 7º no ranking geral.

Para um dos participantes, que era cadeirante, o desafio começou antes mesmo que ele chegasse ao ponto de partida. A falta de acessibilidade na cidade fez com que a mobilidade do cadeirante fosse prejudicada, fazendo com que ele se atrasasse para chegar ao local marcado e ficasse de fora do Desafio.

O participante que foi de carona, mesmo tendo que pegar dois veículos diferentes, conseguiu chegar antes de quem foi de metrô (41:43) e ônibus (56:40), tendo feito todo o percurso em 39:11.

O ônibus teve um melhora em relação aos outros anos, já que seu desempenho caía constantemente . A melhora de tempo foi de quatro minutos, se comparado ao ano passado em que percurso do ônibus levou 1h para ser feito. Nessa edição, o próprio Secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, seu assessor Denis Soares e o Diretor Geral do DFTrans, Leo Cruz, participaram do Desafio fazendo o percurso de ônibus, e afirmaram que o desempenho pode melhor com a implantação de mais faixas exclusivas.

Juntamente com a bicicleta, a corrida e a carona foram os meios que tiveram o menor custo econômico.

Moto, carro, Uber e taxi apresentaram pior desempenho ambiental, por utilizarem combustível fóssil. Mesmo tendo velocidade acima dos outros meios de transporte, o fato ambiental e o custo econômico desses meios de transporte sugerem que eles não devem ser adotados de maneira prioritária pela população.

Abaixo segue a tabela com modalidades, notas e tempo médio:

desafio_resultado+2016

Reportagens:

Reportagem Correio Braziliense

Reportagem DFTV aqui

Reportagem RECORD:

 

Fotos:
álbum Flickr da Ramisa Nefertiti

álbum Flickr Rodas da Paz

fotos de Jéssica Pereira:

Rodas da Paz faz 13 anos e ganha gif biográfico

A Rodas da Paz foi fundada em 17 de fevereiro de 2003 para lutar com a violência no trânsito, em especial contra ciclistas. Desde então, a associação não parou de trabalhar em defesa da mobilidade sustentável e da segurança viária, se firmando como uma das mais importantes ONGs do DF e estando sempre presente nas articulações nacionais através da União de Ciclistas do Brasil.

Em 2016, para marcar seus 13 anos, a Rodas da Paz ganhou um GIF biográfico
que resume a história da ONG =)

Rodas 13 anos

Divulgamos esse material em primeira mão em nosso canal no telegram,
se ainda não está nele, entre aqui.

Considerações sobre a construção do viaduto da EPIG e ciclomobilidade

Anúncios de obras viárias recentes como o viaduto da EPIG mostram que o poder público de Brasília ainda insiste no modelo rodoviarista para pautar seus investimentos em mobilidade, ignorando que esses investimentos são caros do ponto de vista econômico e ambiental e são também ineficientes pois aumentam e induzem o deslocamento individual motorizado. Em vez de reduzir congestionamentos, trazem mais motoristas para ele, quando deveriam oferecer alternativas sustentáveis de deslocamento.

Mesmo após denúncia feita no Correio Braziliense e cobrança feita pela Rodas da Paz diretamente com o governador o projeto não foi aberto para adaptações. Graças a questionamento do Tribunal de Contas da União o projeto passou a ser revisto pela Secretaria de Obras do GDF.

Trecho do acórdão do TCU afirma explicitamente que “Por fim, foi constatada ausência de ciclovias e detalhamento do projeto de calçadas, em desobediência à diretriz da política Nacional de Mobilidade Urbana constante no inciso II do art. 6º, da Lei 12.587/2012, a qual exige que haja ‘prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado’.

O TCU afirma ainda que “Finalmente, em relação à proposta de aproveitamento da malha cicloviária já implantada no Octogonal e no Setor Sudoeste para atendimento ao requerido no Inciso II do art. 6º, da Lei 12.587/2012, pode ser observado que essa proposta não atende à necessidade de ciclovias no corredor BRT-DF-Oeste como um todo, ainda que seja possível seu atendimento em trechos específicos, desde que sejam feitas adaptações. 40. Como exemplos de trechos importantes sem o atendimento por ciclovias, podem ser citados os intervalos entre o Guará e o Setor de Abastecimento e Industria (SIA) e entre o SIA e o Sudoeste. Apesar disso, dentre os objetivos das obras está explícita a necessidade de fomento ao uso de transporte não motorizado (peça 12, p.4).”

Após o questionamento do TCU, a Rodas da Paz foi convidada para dois encontros na Secretaria de Obras do GDF para debater o projeto, em reuniões ocorridas em 11 e 21 de janeiro.

A partir das discussões realizadas nas duas reuniões na Secretaria de Obras e da análise do presente projeto, ao longo dos últimos dias, a Rodas da Paz considerou importante fazer uma reflexão mais profunda sobre o impacto desta obra na mobilidade urbana do DF e do contexto no qual ela se insere. Solicitamos que esta carta fosse anexada a ata, como contribuição da Rodas da Paz para o debate.

Leia aqui:

Brasília, janeiro de 2016

Prezados membros da SINESP, SEMOB e demais órgãos presentes nas reuniões a respeito do projeto de Viaduto da EPIG,

Brasília é uma cidade moderna, conhecida por suas vias largas e elevamos limites de velocidade no meio urbano. Nos seus 55 anos de existência, o automóvel sempre foi reverenciado e esse foi o sentido dado à política de mobilidade, que, como se sabe bem, historicamente relegou o deslocamento de pedestres e o transporte público a um segundo plano – a bicicleta, por sua vez, nunca foi considerada de maneira séria como um meio de transporte na cidade – realidade que começa a mudar timidamente nos últimos anos.

É fácil identificar pela cidade exemplos de grandes obras que priorizam equivocadamente o uso do automóvel e que se transformam em barreiras intransponíveis para pedestres e ciclistas (sem falar nas pessoas com dificuldades de locomoção). Mais do que isso, sabemos que o ponto de partida de nossos governantes e urbanistas sempre foi a fluidez automotiva acima de tudo. Esses são equívocos que se repetem em projetos atuais como o TTN e também no projeto dos viadutos da EPIG, que, a princípio não previam estrutura cicloviária, nem priorizavam os pedestres.

Diante desse histórico, a possibilidade de ter um diálogo mais próximo de entidades da sociedade como a Rodas da Paz com gestores na revisão de projetos é um fato de grande importância, que reconhecemos e valorizamos. Isso nos dá esperanças de pensarmos uma Brasília diferente, com gestores capazes de desenvolver projetos que façam jus à sua imagem de cidade moderna e mudem esse paradigma rodoviarista, que tantos prejuízos traz a cidade.

Por isso, afirmamos aqui que a inserção de uma ciclovia no projeto da EPIG, sem uma reflexão maior sobre sua concepção, ainda é insuficiente. Mesmo que seja uma iniciativa positiva, nos preocupa o fato de que o projeto em si segue padrões urbanísticos ultrapassados, mantendo o princípio da fluidez do automóvel como principal fator a ser almejado.

Vamos parar para pensar um pouco sobre os viadutos. O mundo inteiro hoje destrói elevados urbanos e viadutos devido aos prejuízos que causam à qualidade de vida na cidade. Viadutos rasgam a terra e criam travessias intransponíveis para o pedestre e portadores de necessidades especiais, e exige que estes e os ciclistas tenham que dar voltas enormes para contorná-los. Um bom exemplo em uma escala menor são os chamados “caminhos de rato” observados ao longo de todo o Eixinho, quando os pedestres alcançam as tesourinhas. A experiência e o bom senso mostram que as pessoas não irão até a Comercial para atravessar a rua na longínqua faixa de pedestres.

Essa é a mesma dificuldade que vemos no projeto, nos pontos em que a ciclovia chega os viadutos, sendo sempre necessário dar uma volta grande para seguir um caminho que poderia ser contínuo caso pensado de modo a priorizar o deslocamento ativo. Será que planejamento, baseado na implementação de mais viadutos, é adequado como estratégia para os próximos 10 anos?

O que falar da passagem subterrânea de pedestres? A experiência também nos mostra que as passagens de Brasília são lugares de acúmulo de sujeira, assalto, são de difícil acesso para cadeirantes, e que se encontram completamente depredadas. Mesmo sabendo que as passagens previstas no projeto têm largura maior, algumas questões se colocam. Se a prioridade está sendo dada ao automóvel, as passagens continuarão vazias e consequentemente inseguras, além de que continuarão não sendo visíveis por quem circula em nível pela cidade (carros, viaturas, etc.). Ou seja, muitos pedestres continuarão optando pelo risco da travessia em nível das pistas automotivas, principalmente à noite.

Diferente dessa perspectiva, a Rodas da Paz, dentro de uma visão da mobilidade sustentável, acredita que o pedestre, o ciclista e o usuário do transporte público, devem ser encarados igualmente como facilitadores do trânsito de carros. Quando facilitamos esses outros meios de transporte, estamos ajudando a desafogar o trânsito insustentável de carros ocupados geralmente por apenas um passageiro. Porque passagens de pedestres e sinais não são opção? Porque não reduzir os limites de velocidade de modo que um ciclofaixa compartilhada adjacente à via seja viável? Porque não pensar na qualidade do ar, no incentivo ao uso de energias mais limpas, na melhoria dos espaços públicos? Será que um trajeto no qual o deslocamento de bicicleta ainda é 300m, 600m, 1km, superior ao do carro é realmente convidativo?

Por ainda ter muito espaço livre e não ter um solo subterrâneo ocupado com linhas de metrô, nossos gestores (e boa parte da população de Brasília) acabam caindo armadilha de que tudo cabe, que dá pra duplicar, dá pra cavar, sem perceber que nossa cidade vai se afundando em um buraco sem volta. Precisamos, diferentemente, ter um planejamento de longo prazo voltado para o desestímulo ao uso do automóvel. As ciclovias, as calçadas, e o melhoramento do transporte público urbano devem ser pensados antes da expansão de viadutos, elevados urbanos e duplicação de vias, ou estaremos sempre tendo que adaptar esses outros meios de deslocamento, limpos, sustentáveis, humanos, no pequeno espaço que sobrar para eles, mantendo o carro como principal opção.

Essa obra pode melhorar o trânsito de automotores no curto prazo, mas isso acaba incentivando ainda mais o uso do carro e desestimulando outros modais. A longo prazo o trânsito irá aumentar e mais e mais obras serão necessárias num círculo sem fim. Investir em pluralidade de modais de qualidade é o que se mostra sempre mais vantajoso para as grandes cidades. Imagine um dicadão poder escolher qual meio de transporte melhor se adequa ao seu trajeto na cidade sem ter que se restringir a um único. Para trajetos curtos, o caminhar, para médios a bicicleta, para longos, o trem ou o metrô, para locais específicos, o ônibus, para viagens e emergências, o carro. E as pessoas que não podem ou não querem
escolher o carro? O que fazemos com elas?

Os projetistas precisam se colocar no lugar do outro, testar o que projetam, planejar pensando no futuro. O olhar exclusivo para o carro não pode ser naturalizado. Antes de fazer o projeto definitivo, é recomendado que os projetistas tentem sozinhos, com uma bicicleta ou uma cadeira de rodas, o desafio de fazer esses percursos. Podemos fazer também uma vistoria em loco, coletivamente.

Ou passamos a construir hoje a cultura das pessoas e não a cultura do carro, ou nossos netos e bisnetos não verão uma cidade melhor.
Nossa luta é por uma cidade mais humana.

Atenciosamente,
JONAS BERTUCCI, JULIA SOLLERO E RENATA FLORENTINO
ASSOCIAÇÃO CIVIL
RODAS DA PAZ

A contenda da distribuição do espaço viário

ciclo_obséquio A ciclofaixa de Águas Claras já foi até anunciada pelo governador na televisão, mas o início da sua pintura ainda não tem data divulgada. Entramos em contato com o DETRAN, com a Administração Regional de Águas Claras e com a NOVACAP para saber do cronograma de pintura.

Recebemos resposta do Administrador Regional, Manoel Valdeci, dizendo não saber responder, e também da NOVACAP.

O presidente da NOVACAP, Hermes de Paula, nos respondeu com sinceridade e talvez ingenuidade que “Quanto à sinalização das pistas e faixas, a NOVACAP só poderá realizá-la quando houver o deslinde da contenda existente entre os usuários de automóveis e de bicicletas, que deve estar sendo coordenado pela Administração Regional e a SEGETH.”

Veja a resposta que a Rodas da Paz fez para a Novacap/GDF:

Ao senhor Hermes de Paula
Diretor Presidente da NOVACAP

Imagine se, depois da sanção da Lei Seca, as corporações policiais e de fiscalização de trânsito afirmassem que estão aguardando o “deslinde da contenda” existente entre os usuários de automóveis e as vítimas de trânsito para a aquisição de etilômetros e seu emprego em blitz.

Além de atender ao cumprimento da Lei Federal nº 12.587/2012, o projeto Mobilidade Ativa atende também ao que é previsto em cinco diferentes leis distritais: Lei Orgânica do Distrito Federal (artigo 335), Plano Diretor de Ordenamento Territorial (artigos Art. 17, IV, Art. 18, II e Art 20 Lei Complementar 803/2009), Plano Diretor de Transporte Urbano (Art. 24, III Lei nº4.566/2011), Política Cicloviária do Distrito Federal (artigos 2º e 3º Lei nº 3.885/2006), Sistema Cicloviário do DF (artigo 12 Lei nº 4.397/2009).

O projeto foi apresentado à comunidade de Águas Claras em duas ocasiões de consulta pública, ambas no Colégio La Salle, valorizando democraticamente as contribuições dadas pelos cidadãos e sendo bem aceito pelos presentes nas duas ocasiões.

Dado que o projeto não se encontra sub judice e não há base formal que questione a execução do projeto Mobilidade Ativa, parece descabido que uma política pública não seja cumprida, havendo a devida autorização legal dos órgãos pertinentes e orçamento disponível. Tal omissão na execução abre margem para qualquer política pública ser engavetada em função de boatos sem fundamentação técnica, ou de comentários nas mídias sociais de cidadãos indispostos a cumprir com a lei.

Ao poder público cabe o papel de ser exemplar e indutor no cumprimento das leis e das políticas públicas, não contribuindo jamais para que uma lei “não pegue”, o que seria um completo desvirtuamento da sua função pública.

Dado o exposto, questiona-se a pertinência de apontar “o deslinde da contenda existente entre os usuários de automóveis e de bicicletas” para a sinalização das ciclofaixas de Águas Claras. Esse entendimento mostra uma compreensão equivocada do projeto, como se tratasse de uma disputa corporativista entre “ciclistas” e “motoristas”, quando na verdade trata-se de um intervenção urbanística que beneficia toda a população.

A faixa de pedestres também não pode ser entendida como “contenda” entre pedestres e motoristas, pois trata-se de medida de segurança viária, tal qual a ciclofaixa o é, e reflete as soluções contemporâneas de humanização do tráfego.

É necessário que os órgãos do GDF atentem para os marcos legais vigentes na cidade e no país e passem a planejar Brasília não apenas para “usuários de automóveis”, e sim para toda a população.

Att.

Renata Florentino
Coordenadora Geral
ONG Rodas da Paz

PS: Acreditamos que o DETRAN terá alguma resposta mais qualificada sobre a pintura, já que o órgão está envolvido com o projeto desde sua concepção e desde o ano passado já aprovou o projeto em relação à sua segurança.