Audiência pública debate o futuro da mobilidade em Brasília e prioriza o levantamento de dados e o planejamento

Audiência pública debate o futuro da mobilidade em Brasília e prioriza o levantamento de dados e o planejamento

A visão do futuro da mobilidade na cidade e a preocupação com as próximas gerações foi tema predominante na audiência pública intitulada “Mobilidade e Sustentabilidade: desafios e propostas”, que ocorreu ontem (14/05) no Plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O conselheiro da Rodas da Paz, Pérsio Davison, enfatizou a relevância de se realizar pesquisas a respeito da mobilidade, em especial sobre as necessidades e desejos de origens e destinos dos usuários da bicicleta. Por sua vez, o diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos – ANPTrilhos, Rodrigo Vilaça, entregou aos gestores da mesa uma agenda de políticas públicas para o sistema metroferroviário com orientações até 2018.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sustentabilidade procura satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de fazerem o mesmo, relembrou o deputado distrital Chico Leite. As cidades sustentáveis, então, devem considerar a produção humana e também a condição de vida das pessoas. No Distrito Federal, no entanto, a mobilidade é um problema maior e mais visível, pois há uma preferência pelo veículo motorizado e individual, em detrimento do transporte coletivo. O deputado defendeu a importância de descentralizar as oportunidades de emprego para também diminuir os fluxos do tráfego. Afinal, visando a sustentabilidade, deve-se encorajar os meios de transporte menos poluentes.

O diretor-presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, calculou que, atualmente, o metrô tem a capacidade de deslocar 28 mil pessoas em 1 hora, enquanto o BRT Expresso DF não chega a 5% deste montante. O ônibus ainda tem a desvantagem da queima de combustível fóssil, responsável pelo aquecimento global, restringido as oportunidades das próximas gerações. Porém, de acordo com Vilaça, existem apenas 521 estações de metrô no Brasil, quantidade menor do que todos os pontos de ônibus no DF. Apesar do número reduzido, considerando a economia de tempo de deslocamento, combustível, emissão de poluentes e número de acidentes, o metrô gera a economia de aproximadamente 20 bilhões de reais.

O deputado Wasny de Roure fez uma intervenção no debate para apresentar a ideia de que, nas estações de metrô, sejam alugados espaços para serviços e instaladas bibliotecas. Argumentando que a autoestima e a identidade da população estão conectadas a sua historicidade e patrimônio, o deputado também sugeriu placas sobre marcos importantes ocorridos nos arredores da estação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecordando que o uso da bicicleta é sinônimo de convivência, Pérsio Davison apresentou dados do Relatório de Resultados da Avaliação do Serviço do Metrô DF 2014. O conselheiro da Rodas demandou estrutura para estimular a integração entre a bicicleta e o metrô, como sinalização e espaço para estacionar as bikes. Na época da construção da capital, Brasília tinha o potencial do futuro, explicou Pérsio Davison. Atualmente ela enfrenta os mesmo problemas de outras cidades. “Nós temos que nos rever enquanto política de mobilidade e assumir o desafio que a cidade já teve de ser desenvolvida para o futuro”, sustentou Davison.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO resgate da capacidade de planejamento do governo foi a tônica da apresentação do secretário de Mobilidade, Carlos Tomé. Ele convidou à reflexão sobre a cidade que queremos. Tomé identificou um círculo vicioso no DF: o transporte coletivo é deficiente, levando as pessoas a optarem pelo uso do automóvel, cuja a quantidade na rua dificulta o trânsito, tornado o transporte coletivo pior. O secretário sustentou a opção pelo transporte não motorizado e pelo coletivo favorecendo o uso de trilhos, mas também com a utilização de ônibus. Residualmente, haveria o automóvel somente para casos de necessidade.

Como encaminhamento, Chico Leite sugeriu que a SEMOB e o Metrô identifiquem e divulguem seus objetivos de curto, médio e longo prazo, bem como metas de serviço com indicadores pré-estabelecidos para avaliação. Ao final O deputado também entregou ao Carlos Tomé a lei nº 5220/2013 que prevê a fixação de quadro informativo nas paradas de ônibus com informações sobre as linhas deste transporte, os valores das passagens e os horários das viagens.

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