A EPTG precisa mesmo de uma ciclovia?

A EPTG precisa mesmo de uma ciclovia?

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Cada vez mais as bicicletas estão tomando as ruas das grandes cidades do mundo, se colocando como um dos elementos importantes na tendência de superação do caos urbano, seus congestionamentos, sua agressividade e externalidades ambientais. Mas ainda tem gente que subestima o potencial do uso da bicicleta e reclama dos investimentos em ciclovias, questionando se é mesmo necessário, sem perceber que investir em bicicleta é reduzir o gasto público em diversas outras áreas.

Sabemos que o investimento em infraestrutura cicloviária não pode ser feito de qualquer jeito, por isso investimos nosso tempo acompanhando as políticas e projetos do GDF, fazendo avaliações para que se assegure qualidade para a mobilidade sustentável. Lembra do relatório que fizemos avaliando a política cicloviária do GDF entre 2011 e 2014? Lá são apresentadas diversas observações importantes sobre como uma política pública deve ser estruturada, estabelecendo metas sérias e priorizando espacialmente o investimento cicloviário através de indicadores como o uso existente da bicicleta nas cidades e os índices de ocorrências de trânsito (influenciado pela velocidade e volume de tráfego motorizado da via).

Para que os investimentos tenham qualidade é fundamental ter um corpo técnico qualificado, gestores com visão de futuro e o envolvimento dos beneficiários da política em sua formulação. É assim que se evita desperdício de dinheiro público. É isso que estamos construindo em relação à EPTG, uma via que passou por investimento multimilionário onde havia previsão de ciclovia, mas que foi inaugurada em 2010 sem essa estrutura.

Para nosso espanto, há quem questione a necessidade de uma das ciclovia mais demandadas do DF. Explicamos neste dossiê as razões que tornam essa ciclovia uma das prioritárias do DF e resumimos aqui alguns motivos:

  • A EPTG sozinha teve tantas mortes de ciclistas quanto a região do Plano Piloto inteiro entre 2003 e 2013 (dados do DETRAN)
  • A lei distrital 3.639 de 2005 prevê a obrigatoriedade de projetos de ciclovias em rodovias
  • O projeto da Linha Verde tinha uma ciclovia, apresentada no escopo do PTU – Brasília Integrada, financiado pelo BID
  • As cidades conectadas pela EPTG concentram mais de 70% dos postos de trabalho do DF (dados da CODEPLAN)
  • A EPTG é utilizada tanto para deslocamentos longos como também para curtas distâncias

E para quem diz que uma imagem vale mais que do mil palavras, imagine então o peso dessas 470 imagens sobre a EPTG.

 

 

3 comments

infelizmente, qualquer tentativa de colocar mais pessoas nas bicicletas vai fracassar no hambito de que não adianta somente as pessoas pedalarem. Uma série de detalhes devem ser levados em consideração (criminalidade, educação, e ambiente propicio). Primeiro deve-se educar a todos, somente depois deve-se fazer a ciclovia, no máximo essa ciclovia vai virar mais uma “pista” de caminhada, usada pelos sem educação. Em pouco tempo o índice de criminalidade vai impor tanto medo que não valerá a pena andar de bicicleta (já não vale a pena). Por fim o preço praticado de itens de segurança e das próprias bicicletas impossibilitam de se usar um equipamento responsável de qualidade razoável.

Olá! Agradecemos o seu comentário. Concordamos que é preciso uma conjunto de ações articuladas de estrutura, fiscalização e educação para garantir a segurança nas ciclovias. As ações devem ser concomitantes, conforme o slogan da Holanda “Construa e eles virão” (saiba mais aqui: http://www.praquempedala.com.br/blog/como-surgirm-as-ciclovias-na-holanda/). Com mais gente pedalando nas ruas, mais a bicicleta ganha visibilidade e respeito, contribuindo para a educação necessária das pessoas na rua. A questão não é só a bicicleta, mas garantir a opção de mobilidade de todos, inclusive dos pedestres, que necessitam, sim, de calçadas. Além disso, temos que considerar que as pessoas já estão nas bicicletas. Os ciclistas já utilizam a EPTG para se deslocarem para o trabalho. Portanto, a ciclovia é emergencial para garantir a segurança desses cidadãos que optam pela bike por diversos motivos, inclusive devido à economia financeira.

Poxa! Quanto pessimismo….
Se tivermos que ficar esperando resolver todos os problemas e prever todas as dificuldades nunca começaremos a fazer nada!
É fato: As ruas e avenidas já estão supersaturadas de carros.
A maioria dos carros transporta uma única pessoa.
Precisamos urgentemente de mais transporte público.
Não acredito que educação resolveria isso, as pessoas são egoístas…

Precisamos dificultar a vida de quem anda de carro (menos faixas e estacionamentos disponíveis para carros individuais e mais faixas exclusivas para transporte público)

E olha que nem sou ciclista, sou apenas um cara que dá umas voltinhas de bike no guará (no máximo vinte e poucos km).

Mas assim que tiver a ciclovia na EPTG pretendo tentar ir de bike ao trabalho (pelo menos algumas vezes por semana)

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