Arquivo mensais:novembro 2017

Agora é oficial: 19 de agosto é o Dia Nacional do Ciclista.

A partir de hoje é oficial: 19 de agosto é o  Dia Nacional do Ciclista. Publicação da sanção presidencial está na edição desta quarta-feira (23/11) do Diário Oficial da União (DOU). O Dia Nacional do Ciclista já vem sendo comemorado no país há muito tempo mesmo sem a oficialização. É uma data para celebrarmos a vida e a alegria de pedalar, mas que também nos faça refletir que ainda temos muito o que fazer para construir um trânsito mais humano e mais justo no nosso país, onde ciclistas possam exercer de fato seu direito de ir e vir com segurança e respeito.

A data é uma reivindicação histórica da Rodas da Paz que pretendia com o 19 de agosto homenagear, através da memória de Pedro Davison, biólogo brasiliense de 25 anos, que há 11 onze anos morreu atropelado por um motorista que dirigia embriagado e em alta velocidade, todos os ciclistas que perderam a vida no trânsito.

Bike valet no Porão do Rock 2017.

Pelo quinto ano consecutivo a ONG Porão do Rock fechou parceria com a ONG Rodas da Paz e está estimulando o público ir ao festival de bicicleta, dentro da campanha “Rock Dá Pedal/Vá de Bike ao Porão”. Quem for de “camelo”, independente do horário, terá desconto de 50% no ingresso e pagará apenas R$ 10 na bilheteria. Mais uma vez uma grande tenda será montada na entrada da arena do festival – supervisionada pela Rodas da Paz – para receber as bicicletas e equipamentos com toda a segurança e conforto durante todo o evento. A expectativa é reunir em torno de 100 bicicletas ao longo do festival. Participe!!!

O evento ocorre amanhã (24/11) no estacionamento do estádio Mané Garrinha. Veja mais informações aqui http://www.poraodorock.com.br/

Artigo no Correio: Sem pressa, todo mundo chega bem

Sem pressa, todo mundo chega bem

Bruno Leite, coordenador Geral da ONG Rodas da Paz

Desde 2005 as fatalidades envolvendo bicicletas vêm caindo no DF. Em 2016 foram registradas 19 vidas perdidas, o menor valor desde o início da década de 2000, quando os dados discriminando ocorrências envolvendo ciclistas começaram a ser disponibilizados. Ainda assim, nenhuma morte no trânsito é aceitável, principalmente porque as causas podem ser mitigadas e prevenidas. A chamada “Visão Zero”, programa de segurança viária de origem sueca, embasa essa premissa.

A realidade do trânsito no Brasil ainda é catastrófica. Neste Dia Global em Memória das Vítimas do Trânsito, é preciso alertar nossa população e gestores públicos sobre a necessidade de frear a violência das ruas. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde acidentes de trânsito são a segunda maior causa de mortes de jovens no país. Aproximadamente 40 mil vidas são perdidas por ano. A taxa de mortalidade no trânsito, em número de mortes para cada 100.000 habitantes, é a terceira maior da América e superior à média mundial. Várias são as causas, dentre elas uso de bebidas alcoólicas, imprudência e o excesso de velocidade.

Ao se buscar uma cidade mais humana, onde as pessoas possam desfrutar dos espaços públicos e se deslocarem ativamente, seja à pé ou de bicicleta, ou conjugando esses meios de transporte ativo com transporte coletivo, não podemos abrir mão de discutir as velocidades de nossas vias. Na América Latina, de acordo com dados da Organização PanAmerica de Saúde, pedestres, ciclistas e motociclistas representam 42% das mortes no trânsito. Por serem as partes mais frágeis do trânsito o impacto da redução da velocidade para salvar essas vidas é direto. De acordo com a literatura internacional, um atropelamento a 64 km/h faz com 85% das pessoas morram, 15% sofre lesões e 0% de chances de sobreviver ileso. A 48km/h há chance de morte de 45%, 50% de sobreviver com lesões e 5% sobreviver ileso. A 32 km/h apenas 5% de chance de morte, 65% de leões e 30% de sobreviver ileso. Ter vias urbanas com velocidades acima de 50km/h deveria ser a exceção, e não a regra.

Em 2011 a ONU lançou a campanha Década de Ação pela Segurança no Trânsito onde uma de suas principais recomendações é a redução da velocidade nas vias urbanas para 50 km/h.  Em Brasília são poucas as vias com velocidade menor que 60 km/h. E isso estamos falando de limites máximos onde há fiscalização, já que ainda não há a possibilidade de multar de acordo com a velocidade média dos veículos.

A adoção dessas medidas e a avaliação de seus impactos deve ser pensada em termos  de política pública e não de ganhos individuais. Ao contrário do que muitos pensam, a redução da velocidade não necessariamente causa aumento do tempo de deslocamento dentro de uma cidade. O que causa congestionamento é o excesso de carros, não os limites de velocidade, por isso que até vias de 80km/h como o Eixão e a EPTG congestionam nos horários de pico. Isso é uma realidade que, por mais obras de duplicação e viadutos que um governo possa fazer, sempre existirá. E é por causa desses estrangulamentos que a diminuição da velocidade contribui com o tempo de deslocamento.  Ao se reduzir a velocidade de uma via diminuímos automaticamente a distância de segurança entre os veículos. Com isso temos mais carros passando numa via de 50km/h do que numa via de 100km/h. Com velocidade alta teremos menos carros na via que mais rapidamente chegarão ao ponto de estrangulamento e não conseguirão passar, gerando com isso os nossos famosos engarrafamentos.

Várias cidades do mundo já reduziram seus limites de velocidade. Em Nova York desde 1995 o limite de velocidade na cidade já era de 48km/h. Em 2013 esse limite foi reduzido para 40km/h. Em Londres, a velocidade nas áreas mais centrais chegou a 32 km/h. Em cidades mais próximas a nós como a Cidade do México existem zonas de 20 km/h, pertos de hospitais, escolas e asilos, zonas de 30 e 40 km/h em vias secundárias e de trânsito mais calmo e de 50 km/h nas principais vias. Outros exemplos de cidades que também reduziram os limites são Paris, Barcelona, Roma e Santiago. Um ponto de reflexão sobre essas cidades é em todas elas a relação da população com os espaços públicos é mais dinâmica, há mais pessoas nas ruas a pé ou de bicicleta e utilizando transporte público.

Em um cálculo rápido, para se deslocar do extremo da Asa Norte até o extremo da Asa Sul, o tempo gasto a 60 km/He apenas 3 minutos maior do que a 80 km/h. No Lago Norte, a redução de 70 km/h para 60km/h significa diferença de apenas 1min e 20 segundos do Clube do Congresso até a Ponte do Bragueto. Em termos de política pública, será que esse minuto vale mais que um aumento de 15% na chance de alguém sobreviver a um atropelamento?

A discussão sobre adoção de novos limites de velocidade deve ser antecipada em relação a adoção de outras políticas públicas como melhora do transporte público, criação de estrutura cicloviária, reestruturação de espaços públicos e de comércio além do incentivo ao desenvolvimento de regiões administrativas periféricas ao centro da cidade. Toda essa discussão deve ser feita com o objetivo de se construir uma cidade para pessoas, uma cidade na qual a população seja empoderada e passe a se sentir dona, onde pedestres, ciclistas e motoristas possam conviver em paz. Para isso a redução da velocidade deve o primeiro passo para se criar um ambiente favorável à chegada das pessoas sem seus carros.

A Dory é um símbolo de paz

Na última sexta-feira à noite, um grupo de pessoas desceu do carro na avenida L2 Norte e tentou arrancar a bicicleta erguida pela família e pelos amigos em memória ao jovem Raul Aragão, vítima da violência no trânsito. A notícia sobre este ato violento repercutiu em todo o Brasil. 

A bicicleta instalada é a mesma que Raul utilizava quando foi fatalmente atingido pelo motorista Johann Homonnai que, mesmo freando, o atingiu a 95 km/h, segundo o laudo da perícia técnica realizada, muito acima da velocidade máxima permitida na via, que é de 60 km/h. Raul chamava a bicicleta de Dory.

Por ocasião do aniversário de 24 anos do Raul, no dia 14 de novembro, a bicicleta recebeu balões e flores por pessoas anônimas, moradores da região, família, amigos. Sem sucesso na tentativa de retirar a bicicleta, aquelas pessoas levaram alguns dos itens. Moradores testemunharam o injustificado ocorrido. Desconhecemos os interesses que levaram ao ato praticado e suas eventuais motivações.

As chamadas ghost bike ou bicicleta fantasma representam, sobretudo, um pedido de paz. Saiba mais sobre a sua tradição e importância aqui

A Rodas da Paz solicitou oficialmente às autoridades que sejam sensíveis a importância da manutenção da bicicleta, que agora é da comunidade. A região é residencial e com grande circulação de pessoas. Encontra-se próximo à Universidade de Brasília, além de academia, igreja, escolas, hospitais, pequenos comércios.

A bicicleta simboliza a vida do jovem Raul, para aqueles que suportam a sua ausência injusta. Esta bicicleta também é um lembrete – para todos, não só para o motorista que lhe retirou a vida – das consequências fatais do desrespeito às leis do trânsito e à vida. Várias vidas são colocadas em risco com a direção perigosa, pois quanto maior a velocidade, maior o risco de morte do lado mais frágil no trânsito.

Dory é um pedido de menos atos violentos em nossas cidades, no trânsito e fora dele. É um pedido para que menos bicicletas como esta sejam necessárias nas vias do DF. Menos velocidade e mais cidade para as pessoas.

“Não foi acidente”, afirma ONG Rodas da Paz ao programa DFTV.

No último dia 14 de novembro, Raul Aragão completaria 24 anos. Na entrevista concedida ao DFTV, a diretora da Rodas da Paz Renata Florentino afirmou o entendimento da ONG sobre o atropelamento que levou a vida do Raul: “Não foi acidente”.

DF TV – 1a edição, 2o bloco – 15/11/2017
Na data, a bicicleta (ghost bike) que marca este gesto de violência no trânsito na L2 Norte recebeu balões e flores da família, amigos e amigas dos diferentes grupos nos quais Raul atuava, entre eles a Rodas da Paz.
Johan Homannai, o motorista, estava a 95 km/h quando freiou, em uma via cuja velocidade máxima permitida é 60 hm/h, segundo a perícia (lembre aqui o que aconteceu) .
Veja o texto emocionante que o irmão mais velho de Raul compartilhou em sua homenagem.
A Rodas da Paz encaminhou ao Ministério Público representação pedindo o rigoroso acompanhando do atropelamento de Raul Aragão, ocorrido na L2 Norte dia 21 de outubro.. Um segundo documento está sendo preparado, solicitando ao MP a mudança de classificação de homicídio culposo para dolo eventual, onde o autor do ato assumiu o risco da morte de terceiros ao adotar conduta de risco (excesso de velocidade).
Conforme dados da Organização Mundial de Saúde, Se uma colisão acontece com o carro a 80 km/h, é praticamente zero a possibilidade de sobrevivência das pessoas atingidas. A 64 km/h, 85% morrem e ninguém sai ileso. No entanto, apenas 5% morrem e 30% ficam ilesos se a velocidade for de 32 km/h. Mesmo quando não há infração, a alta velocidade permitida nas vias pode transformar a todos em vítimas.
No Passeio Anual da Rodas da Paz 2017, realizado na cidade de Ceilândia, o tema foi “Sem pressa, todo mundo chega bem”. Embora Raul estivesse envolvido em diferentes projetos por uma cidade melhor, participou do Passeio e, como sempre, foi um dos voluntários mais ativos e participativos. Na foto, Raul e sua mãe, juntos, na realização do evento.

Dia Global em Memória das Vítimas do Trânsito será celebrado no Lago Norte

Pedal na nova ciclofaixa 19/11 no Lago Norte

A ciclofaixa do Lago Norte vai ganhar outra qualidade de sinalização nesse domingo, e vamos pedalar por lá para celebrar! O evento será domingo às 9h, com encontro no canteiro central em frente ao shopping Deck Lago Norte. Os cruzamentos serão mais bem sinalizados e a ciclofaixa vai contar inclusive com o apoio de tachões para aumentar a segurança de quem usa a bicicleta. As vias do Lago Norte vão também voltar a ter o limite de 60km/h, para ajudar a diminuir o número de atropelamentos e colisões do bairro. Dia 19/11 é também o Dia Global em Memória das Vítimas do Trânsito, vamos celebrar essas conquistas no Lago Norte torcendo para outras cidades do DF se inspirarem nesse bom exemplo!

A ação é resultado de muitos encontros e diálogos com moradores do Lago norte, com o apoio do grupo Rebas do Cerrado, da Prefeitura Comunitária do Lago Norte, da Rodas da Paz, do Bike Anjo DF, do DER, do Shopping Deck Lago Norte, Conexão Cerrado e Administração Regional do Lago Norte.

Aniversário do irmão Raul – por Arthur Eduardo

Irmãos Arthur e Raul em 1997, Parajuru/Ceará

Dia 14 de novembro Raul Aragão, jovem atropelado em outubro, completaria 24 anos. Por ocasião de seu aniversário, seu irmão mais velho, Arthur Eduardo, escreveu o emocionante texto que compartilhamos a seguir:

Ontem teria sido aniversário do meu irmão Raul.
Nunca fui bom com datas de aniversário. Todo ano ligava pra ele no dia de hoje. Ele me sempre me lembrava, sem me censurar, que o dia certo era 14 de novembro. Ontem. Eu retrucava à guisa de desculpa esfarrapada, meio irônica meio envergonhada, que assim era até melhor pois assim eu tinha exclusividade e podia conversar longamente com ele. Do outro lado da linha ele gargalhava com franqueza.
Todo ano esse ritual, que minha má memória reforçava, se repetia. Hoje seria o dia que eu ouviria sua risada gostosa e cheia de vida.
Assim era meu irmão.
Ou pelo menos a parte dele que eu conhecia. Queria deixar minhas palavras, falar sobre Raul, já faz um tempo, um tempo longuíssimo. Mas eu queria esperar, queria entender quem era meu irmão, as partes que eu não conhecia. Remontá-lo peça por peça como quem resolve um enigma, desses que solucionam essas grandes questões da humanidade: O que é Justiça? Qual o segredo para a Felicidade? Qual o Sentido da Vida?
Nesses dias ouvi relatos, pessoas que conheceram Raul às vezes por um dia ou sequer por poucas horas. “Raul era um cara astral!”, “Raul era muito gente boa, fez uma playlist muito massa pra mim!”, Aquela vez, Raul fez isso… Aquela vez, Raul fez aquilo outro… Raul era altruísta: dava aula voluntárias de reforço para alunos com dificuldade e sem condições. Raul era engajado: participava de duas ONGs. Raul era inteligente: montou SOZINHO o site da CPI da Previdência. Raul era doce e gentil. Raul era alegre. Raul era prestativo. Raul era um guerreiro da alegria: ensinava sorrindo as crianças de todas as idades a pedalar, que é a forma mais bonita de se locomover. Raul as defendia. Raul era generoso. Raul era sábio: quando duas pessoas brigavam, ia conversar com as duas, atento, pacientemente escutando as razões dos dois lados, concordando com ambas, mas secretamente planejando e operando para reconciliá-las.
Raul era isso: um filantropo, um amigo da humanidade. RAUL OLHAVA AS PESSOAS!
Seu espírito era feito do diamante mais puro, belo e forte. Sua carne que era frágil (isso é de todos nós), não era de aço frio, suas entranhas não eram engrenagem de ferro bruto. Nas suas veias corria sangue. Seu coração não era uma máquina feroz e voraz.
Eu tinha planos de acompanhar Raul numa pedalada pela Europa (ele queria fazer seu mestrado em Amsterdã, capital mundial dos ciclistas). Ele nunca soube dos meus planos. Minha oportunidade de contá-los à Raul me foi arrancada. Assim como Raul foi arrancado de todos nós. Abruptamente.
Não quero ser egoísta na minha dor e perda, não fui apenas eu que fiquei órfão de Raul. A dor não é só minha, Raul tinha outros irmãos. No dia que foi colhido, Raul fez amizade com um desconhecido! Embora eu possa lamentar a dor de tudo o que poderia ter sido e não será jamais: as nossas conversas, o meu orgulho contínuo e crescente por ele, as aventuras que poderíamos ter tido, os sobrinhos maravilhosos que certamente ele teria me dado; não posso deixar de pensar nos outros (é o que Raul faria!). Ao perder meu irmão, o mundo perdeu sua alegria contagiante, sua generosidade, sua sabedoria, sua força, sua beleza, sua amizade. Minha solidariedade e sentimentos aos meu co-irmãos de sangue e espírito. E mesmo àqueles que o perderam sem saber.
Raul era… Raul foi…. Raul seria…. Está errado!
Quero seguir os passos do meu irmão! Faço aqui um convite a todos os meus co-irmãos: vamos seguir o exemplo de Raul: sua luta, sua causa, sua alegria, sua ternura, sua coragem, sua sede de justiça. Como Raul faria!
RAUL VIVE! RAUL PRESENTE!

Raul, um herói trágico – texto de seu pai

Viva a vida de quem faz dela algo de bom para si e para o mundo. Neste dia, quando completaria 24 anos, celebramos a sua vida.

Na foto, compartilhamos a alegria contagiante do Raul , ao lado da sua mãe, Sra. Renata, ajudando a realizar o Passeio Rodas da Paz 2017, na Ceilândia, cujo tema foi “Sem pressa, todo mundo chega bem”.

Compartilhamos também o texto escrito pelo pai do Raul, Sr. Helder, por ocasião da Bicicletada Nacional: Homenagem a Raul e ciclistas [email protected] no trânsito – em Brasília.

Hoje, em Recife, sua cidade natal, estão Celebrando a vida de Raul Aragão (clique no evento para saber mais).

Viva Raul. #RaulPresente #RaulVive

Deixamos assim um abraço apertado para toda a família e para as amigas e os amigos em vários cantos que, como a gente, gostariam de apenas desejar ‘feliz aniversário’ nesta data.

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“Os Heróis são trágicos. Herói vivo não sobrevive, mas heróis são imortais, é da essência deles morrer para nascer. Os verdadeiros feitos heróicos se cumprem post mortem, ao replicarem-se no comportamento de outrem, e promoverem mudanças baseadas no exemplo das façanhas extraordinárias. Façanhas não notadas como tal se seu autor não morresse.

Sempre me apavorou a ideia um filho e a afastava da mente colocando-a na categoria das coisas reservadas ou outros. Pensava sucumbir de tristeza se isso ocorresse. Mas eu não sabia ser pai de um herói, não sabia está reservada a meu filho a imortalidade dos heróis.

Claro não bastar a morte para termos um herói, embora muito calhorda morto seja içado a esta condição apenas por isso. Na cerimonia de despedida do corpo do Raul a monja Chris me disse ser meu filho um Bodisatva e lembrei de uma história:

‘Três homens estavam no deserto quando encontraram um alto muro. Subiram uns nas costas dos outros é o primeiro a chegar ao topo gritou eureka e pulou para o lado de dentro onde havia um oásis paradisíaco. O segundo homem, com algum esforço conseguiu também alçar-se, ajudou o terceiro a subir e saltou para oásis. Quando chegou ao topo, este homem admirou o paraíso, mas ao invés de pular para a salvação voltou ao deserto para guiar outros andarilhos perdidos ao oásis.’

A maioria de nós salta para a própria salvação, alguns ajudam amigos e parentes a também salvarem-se. Apenas o Bodisatva busca salvar todos os demais e só o herói é capaz de sacrificar-se para tal.

Não enterrei meu filho, não comprei um apartamento em um campo da esperança qualquer, não pagarei condomínio por uma tumba fria, Raul teve uma vida infinitamente ardente enquanto durou e imortal como a amor. Nós decidimos por cremar seu corpo para podermos espalhar seu espírito por onde ele pedalou. Parte destas cinzas serão depositadas perto da Dolly, agora gosh bike, na L2 Norte onde seu destino heroico o encontrou.

Dia 27 de outubro de 2017 haverá um bicicletada, saindo do Museu Nacional, com concentração a partir das 14 horas e destino a 406 Norte onde Dolly, vestida de noiva ficará para lembrar a todos, ciclistas, motociclistas, motoristas e pedestres. HERÓIS NÃO DEIXAM VIÚVAS.

Peço a todos amigos, simpatizantes e mesmo aos curiosos, se não puderem participar da bicicletada, postem-se ao longo do trajeto para aplaudir os ciclistas e se possível encontrem-se comigo na 406N. Helder”

Mantenha sua anuidade em dia aqui!

O trabalho voluntário que realizamos depende do apoio de pessoas como você.

Com a inspiração de vocês, realizamos nossas atividades em 2016 

Trabalhamos por um DF que respeite as diferenças e conviva em paz, com mais saúde, mobilidade urbana sustentável e sem vítimas da violência no trânsito.

Venha com a gente! O sistema de pagamento é online, simples, rápido e seguro.

A anuidade de R$60 permite que as nossas atividades aconteçam, são apenas 5 reais para cada mês do ano. Você paga pouquinho e ajuda muitão.

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Bem vindo à Rodas da Paz!

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Redução da velocidade máxima das vias urbanas no Distrito Federal é pauta de encontro no Senado

A Rodas da Paz e o pai do Raul Aragão, ciclista morto por Johann Hamonnai, 18 anos, que conduzia seu carro a 95km/h (relembre o caso aqui), Helder Gondim, se reuniram no dia 07/11/2017, com o líder da bancada do DF no Congresso Nacional, o Senador Helio José, e com o Senador Paulo Paim. Na ocasião foi solicitado ao Senador do DF o empenho dele e de toda a bancada para tratar junto ao GDF de questões ligadas à segurança no trânsito em nossas cidades. Dentre as pautas apresentadas a principal delas é a redução da velocidade de nossas vias. O representante da ONG entregou os ofícios (veja os documentos abaixo) já encaminhados ao GDF com as solicitações e o líder da bancada se comprometeu a atuar junto ao governo local para tratar do assunto.

Já o Senador Paulo Paim se comprometeu a realizar junto com a ONG uma audiência pública para debater o tema.

Ofícios

Oficio 18 DETRAN v2

Oficio 19 SEMOB v2

Redução dos limites de velocidade: o que você precisa saber sobre isso

1. Por que reduzir os limites de velocidade? 

A redução dos limites de velocidade das vias urbanas é uma medida que vem sendo cada vez mais adotada em todo o mundo como forma de reduzir as mortes no trânsito e humanizar as vias. A medida ajuda a melhorar a fluidez do trânsito e torna a cidade mais acessível a todos.
Velocidade mais baixa significa mais incentivo aos meios sustentáveis de deslocamento, como caminhar, pedalar ou utilizar o transporte público, possibilitando segurança, conforto e fluidez nos trajetos.

Ruas com velocidades menores favorecem o compartilhamento da via entre motoristas e ciclistas, facilitam a travessia de pedestres e permitem que crianças brinquem nas ruas como costumavam fazer até tempos atrás. Com menos pressa, a gente convive mais, cria mais empatia, e percebe mais o que ocorre ao nosso redor.
A cultura da velocidade motorizada faz parte de um modelo de urbanização onde as ruas são apenas parte do caminho, e nunca ponto de parada e convivência. Essa ideia faz sentido para estradas, mas não cabe para as vias urbanas, onde o conceito de ruas completas é muito mais adequado do que o de via expressa.

2. Essa ideia  tem base em algum estudo?

A redução dos limites de velocidade nas vias urbanas é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), fundamentada nos estudos mais atuais sobre trânsito e na experiência concreta de cidades como São Paulo, Curitiba e Fortaleza.

Em um atropelamento a 64km/h, 85% dos pedestres atingidos morrem e nenhum sai ileso. A 32km/h, 5% morrem e 30% sobrevivem ilesos. O gráfico e o vídeo a seguir mostram como uma velocidade menor é a diferença entre sobreviver e morrer em um atropelamento.

Ademais, menor velocidade significa maior tempo de reação por parte do motorista e de todos os usuários – o que é decisivo para se evitar uma colisão, além de uma menor distância de parada do veículo após a freada.

3. Mas reduzir os limites de velocidade não vai criar congestionamento?

Pelo contrário, quanto maior é a velocidade dos carros maior é a distância necessária entre eles, o que significa que a 80km/h cabem menos carros na pista do que se eles estivessem a 50km/h, como se pode ver pelo gráfico abaixo. Portanto, em velocidades menores, a capacidade da via aumenta, fazendo com que um número maior de veículos circule no mesmo período de tempo, permitindo melhor distribuição do fluxo e evitando a formação de gargalos e afunilamentos em pontos de estreitamento de pistas, por exemplo.

O que de fato cria os congestionamentos é o excesso de veículos e as interrupções na fluidez muitas vezes causados pelas colisões que a alta velocidade traz. Diferentemente, a redução da velocidade máxima faz muitas vezes com que a velocidade média da via aumente, como ocorreu em São Paulo, nas vias Marginais.

4. Só reduzir a velocidade resolve?

Reduzir os limites de velocidade é importante mas deve ser acompanhado de outras medidas. Um comportamento comum de motoristas é dirigir acima da velocidade e apenas frear quando há fiscalização por pardal ou blitz de agentes de trânsito. Para se garantir um limite de velocidade compatível com a vida urbana é preciso mudar o desenho viário de nossas cidades, incluindo elementos de moderação de tráfego nas vias (balões, lombofaixa, canteiros, etc).  A redução dos limites de velocidade é uma medida que deve ser acompanhada também de ações educativas, para as pessoas entenderem que não se trata de “indústria da multa” ou medida arrecadatória, e sim medida de segurança para toda a população. Não existe indústria da multa, existe uma cultura de conivência com a alta velocidade nas vias, muito estimulada pela indústria automobilística através da publicidade.

5. Algum outro país reduziu velocidade máxima da via que impactou positivamente no número de mortes no trânsito?

Sim. A redução da velocidade máxima da via em diversos países como África do Sul, Estados Unidos, França e Nova Zelândia, entre outros, resultou em uma redução das colisões de 8% a 40% nos anos recentes. Nos EUA, por exemplo, entre 1987 e 1988, 40 de seus estados elevaram o limite de velocidade nas rodovias interestaduais de 88 km/h para 104 km/h. No mesmo período, houve um aumento de 20 a 25% no número de mortes nessas vias, segundo o documento de referência da Organização Mundial de Saúde (OMS) “Gestão da Velocidade“.

O Brasil é um dos países com a maior taxa de óbitos no trânsito no mundo e a redução dos limites de velocidade é uma das ações mais importantes para combater esse grave problema.

 

Rodas da Paz protocola representação para MPDFT acompanhar atropelamento de Raul Aragão

A Rodas da Paz protocolou nesta segunda feira 06 de novembro representação ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios pedindo o rigoroso acompanhando do atropelamento de Raul Aragão, ocorrido na L2 Norte dia 21 de outubro.

A Representação menciona que “A atuação do MPDFT, junto à autoridade policial, faz-se necessária e urgente, ao se considerar que, quanto ao autor do fato que resultou na morte do ciclista, apesar de abordado em flagrante, não se tem informação de que tenha sido conduzido à delegacia nem que tenha prestado seu depoimento ou liberado mediante pagamento de fiança. Carece ainda o devido relato sobre possível embriaguez ao volante ou o uso de outras substâncias, ou ainda sobre a existência de acompanhantes dentro veículo. Uma vez decorridos já 15 dias do delito, não se tem conhecimento de que o condutor do veículo autor do fato,  tenha prestado depoimento.”

A família de Raul Aragão, por meio de seus pais e irmãos, participaram do ato de entrega no MPDFT.