Arquivo mensais:novembro 2016

Rodas da Paz e DER discutem EPTG e TTN

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No dia 17/11/16, o DER recebeu a Rodas da Paz para conversar sobre a ciclovia da EPTG e o Trevo de Triagem Norte (TTN). Do órgão distrital participaram o Diretor Geral, Henrique Ludovice, a Diretora de Estudos e Projetos, Ery Brandi, e o Superintendente de Trânsito, Cristiano Cavalcante. Da ONG estiveram presentes Tom Barros, Bruno Leite e Rafael Stucchi.
 
Sobre a ciclovia da EPTG, o projeto foi finalizado e está disponível para quem estiver interessado. O Diretor Geral do DER também concordou em compartilhar o Termo de Referência, assim que concluído, e não se manifestou contrário à participação da Rodas da Paz na análise do edital, ainda antes de sua publicação, para possíveis correções.
 
A próxima etapa será o lançamento da licitação que, no entanto, ainda não tem data prevista. O projeto foi orçado em quase 11 milhões de reais, dos quais 6 milhões já foram aprovados pelo Banco do Brasil. Segundo o Diretor Geral, os quase 5 milhões faltantes seriam angariados com os deputados do DF por meio de emendas parlamentares.
Colocamos o projeto nos links abaixo:
 O que você achou dele? Deixe aí embaixo seus comentários.
 
Já em relação ao TTN, os representantes da Rodas da Paz questionaram sobre a incorporação da proposta elaborada pela Secretaria de Mobilidade – SEMOB ao projeto do DER. De acordo com o relatório de análise elaborado pela Rodas da Paz, o projeto do TTN, como está sendo implantado, teve como concepção a ampliação da capacidade rodoviária, visando o fluxo livre dos veículos motorizados. A preocupação com os demais usuários da cidade, como usuários de transporte público, pedestres e ciclistas, foi claramente marginal e a infraestrutura a eles destinada, além de insuficiente, foi projetada de modo a reduzir ao máximo as interferências com a malha rodoviária.
A fim de mitigar os impactos negativos do projeto para ciclistas e pedestres, a proposta da SEMOB se baseia em deslocamentos mais eficientes para essas pessoas, em relação à concepção original do TTN. Em resposta, Henrique Ludovice comunicou que a empresa supervisora da obra, com base no que foi apresentado pela SEMOB, está elaborando uma contra-proposta, que, assim que finalizada, será apresentada para a sociedade. Entretanto, não foi indicada uma data prevista.
Por fim, o Diretor Geral do DER não informou se essas alterações de projeto da rede cicloviária caberão no aditivo contratual do complexo rodoviário. Em contrapartida, esclareceu que, caso necessário, nova licitação seria lançada.
 
Entenda mais sobre esses casos! Veja o que já publicamos sobre a EPTG aqui e o sobre o TTN aqui.

Justiça sendo feita: condenação de Ricardo Neis

 

Em 25 de fevereiro de 2011, o bancário Ricardo José Neis avançou com o carro sobre 150 ciclistas que participavam da Massa Crítica de Porto Alegre, atingindo 17 deles. Além dos participantes da pedalada, havia transeuntes, crianças e moradores do bairro Cidade Baixa, de onde o encontro sai mensalmente.

Nesta quarta-feira, 23 de novembro de 2016, cinco anos depois, Ricardo Neis foi declarado culpado por unanimidade por um júri popular. O réu foi condenado integralmente a cumprir sentença de 12 anos e 9 meses de reclusão, por 11 tentativas de homicídio triplamente qualificado e cinco lesões corporais, mas ainda pode recorrer em liberdade.

A justiça deu o primeiro passo para cumprir o que está previsto em lei, mas não podemos nos esquecer do trauma a que todos foram expostos neste dia. Não podemos esquecer que no momento em que o réu Ricardo Neis atropelou deliberadamente aquelas 17 vidas, consciente de que poderia ter posto fim ou alterado drasticamente alguma delas.

Segundo a lei, no que diz respeito à tipificação de crime, as questões “qualificadoras” das tentativas de homicídio são:

  • Motivo torpe (Neis teria se irritado por ter a passagem bloqueada pelo grupo, o que foi confirmado por dezenas de testemunhas),
  • Meio que dificulta a defesa das vítimas (o homem esperou ganhar distância do grupo para então acelerar e atingi-los pelas costas)
  • Perigo comum (risco de causar danos maiores).

Embora os crimes de trânsito sejam recorrentes no Brasil, as condenações não o são, havendo um grave histórico de absolvição de motoristas que assumem risco de matar e de banalização desses delitos. Esta condenação, diferentemente, é um passo importante para o fim da impunidade em tantos outros casos similares.

É importante lembrar ainda que, mesmo com o cumprimento da pena, a condenação em si não garante à sociedade que o réu vai retornar melhor e incorporar um comportamento mais digno e humano, afinal, ir para a cadeia no Brasil é uma experiência degradante.

Para uma mudança maior, é necessário um esforço de justiça restaurativa orientado aos condenados, que poderiam, por exemplo, participar de programas de atendimento a vítimas de trânsito em hospitais. O contato com vítimas do trânsito que tiveram suas vidas duramente modificadas em situações semelhantes poderia ser uma forma de mostrar ao condenado as consequências de seu ato, aproximando-o das vítimas, permitindo a este reconhecer e assumir sua responsabilidade e oferecendo uma possibilidade efetiva de reabilitação.

Durante o julgamento a promotoria exibiu o conhecido curta metragem do Pateta no trânsito. Há que se cuidar do ambiente social que faz com que motoristas se sintam tão acima de outros no trânsito, sejam ciclistas, pedestres, usuários do transporte coletivo. A cidade é de todos. A ONG Rodas da Paz acredita nisso. E é para fortalecer, solidarizar-se e ajudar a mudar esta realidade que atuamos no dia a dia com a promoção da mobilidade sustentável, plural e pacífica, como direito de todo cidadão. Vamos em frente.

Livro reúne série de pesquisas sobre o perfil do ciclista brasileiro

O capítulo sobre o perfil do ciclista brasiliense foi escrito por pesquisadores da Rodas da Paz

No último dia 22 a Transporte Ativo lançou a publicação Mobilidade por Bicicletas no Brasil.O livro apresenta análises sobre dados da Pesquisa Perfil do Ciclista Brasileiro 2015, com capítulos escritos por pesquisadores de nove das dez cidades envolvidas na pesquisa. O prefácio da publicação ficou a cargo do jornalista André Trigueiro, que também esteve presente no evento.

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O lançamento foi realizado no Rio de Janeiro e contou com a presença de Fabio Iglesias, professor de Psicologia na UnB e voluntário da Rodas da Paz, que esteve no Rio de Janeiro para realizar uma apresentação no evento. Segundo o professor, nas apresentações de cada estado foram selecionadas informações para serem repassadas aos participantes.

Fabio conta que a apresentação destacava os resultados específicos feitos na pesquisa de 2015, além de serem propostas buscas para novas perspectivas de pesquisa para os próximos anos, afim de se conhecer mudanças no perfil do ciclista brasileiro ao longo dos anos.

Além disso, o professor conta que o principal problema levantado por todos os estados era relativo à estrutura cicloviária das cidades. “Mesmo sem fazer parte da pesquisa nacional nós levamos a questão de trechos como a EPTG e a Ponte do Bragueto, em Brasília. São vias muito rápidas, perigosas, mas o número de ciclistas que circulam nelas diariamente é considerável, colocanso em risco a vida de quem usa a bicicleta como meio de transporte”, conta.

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Representando a Rodas

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O livro Mobilidade por Bicicleta no Brasil conta com um capítulo escrito pela coordenadora geral da Rodas da Paz, Renata Florentino e por Jonas Bertucci. O capítulo traz uma análise da situação dos ciclistas do Distrito Federal. Além disso os autores trazem dados que focam principalmente no perfil, motivações, demandas e comportamento dos ciclistas, além da avaliação que é feita por pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte.

Também aproveitando o espaço, as análises trazem um perfil do ciclista brasiliense que desconstrói alguns pressupostos. A publicação detalha os motivos para se ampliar a malha cicloviária no Distrito Federal, tendo em vista que os resultados apresentados trazem o lado positivo da cidade em suportar mudanças que melhorariam a mobilidade de quem utiliza a bicicleta como meio de transporte.

A publicação está disponível para download, clique aqui e confira o livro completo.

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Jéssica Luz, com supervisão de Renata Florentino