Arquivo mensais:setembro 2016

Balanço do 8º Desafio Intermodal 2016

Tendo como ponto de partida a QE 7 do Guará I e chegada no Museu Nacional, o Desafio Intermodal contou com a prática de 12 modalidades de transporte, que fizeram percurso de 14 km.

A saída aconteceu às 7:43 da manhã desta segunda feira. Foram 26 voluntários participando do Desafio, distribuídos em 12 modalidades.

Assim como nas edições anteriores do Desafio Intermodal, a bicicleta se destacou como meio de transporte mais eficiente. Já a moto contou com o melhor tempo médio (21:03) no deslocamento. Entretanto, devido à alta emissão de poluentes, a moto perdeu muitas posições, ficando em 7º no ranking geral.

Para um dos participantes, que era cadeirante, o desafio começou antes mesmo que ele chegasse ao ponto de partida. A falta de acessibilidade na cidade fez com que a mobilidade do cadeirante fosse prejudicada, fazendo com que ele se atrasasse para chegar ao local marcado e ficasse de fora do Desafio.

O participante que foi de carona, mesmo tendo que pegar dois veículos diferentes, conseguiu chegar antes de quem foi de metrô (41:43) e ônibus (56:40), tendo feito todo o percurso em 39:11.

O ônibus teve um melhora em relação aos outros anos, já que seu desempenho caía constantemente . A melhora de tempo foi de quatro minutos, se comparado ao ano passado em que percurso do ônibus levou 1h para ser feito. Nessa edição, o próprio Secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, seu assessor Denis Soares e o Diretor Geral do DFTrans, Leo Cruz, participaram do Desafio fazendo o percurso de ônibus, e afirmaram que o desempenho pode melhor com a implantação de mais faixas exclusivas.

Juntamente com a bicicleta, a corrida e a carona foram os meios que tiveram o menor custo econômico.

Moto, carro, Uber e taxi apresentaram pior desempenho ambiental, por utilizarem combustível fóssil. Mesmo tendo velocidade acima dos outros meios de transporte, o fato ambiental e o custo econômico desses meios de transporte sugerem que eles não devem ser adotados de maneira prioritária pela população.

Abaixo segue a tabela com modalidades, notas e tempo médio:

desafio_resultado+2016

Reportagens:

Reportagem Correio Braziliense

Reportagem DFTV aqui

Reportagem RECORD:

 

Fotos:
álbum Flickr da Ramisa Nefertiti

álbum Flickr Rodas da Paz

fotos de Jéssica Pereira:

Mais um dia para se repensar o uso do carro

Renata Florentino, coordenadora geral da ONG Rodas da Paz
Mestre em Sociologia pela UnB

Brasília experimenta o final de seu período de seca com a incerteza sobre o abastecimento de água para sua população. No mesmo contexto de eventos climáticos, o inventário de gases de efeito estufa divulgado pelo próprio Governo de Brasília aponta que cerca de metade das emissões do DF tem origem nos meios de transporte. Somado a isso, são frequentes as notícias de aumento da frota e a banalização das áreas públicas sendo degradadas pelo uso improvisado como área de estacionamento irregular, dada a demanda insaciável por espaço que o automóvel possui. Assim chegamos ao Dia Mundial Sem Carro de 2016.

Há também notícias positivas no cenário. Desde 2005 o DF segue na tendência nacional de queda da violência no trânsito contra ciclistas. Em Águas Claras, onde se começou a implantar ciclofaixa na Avenida Araucárias, o número de ciclistas cresceu 40% em menos de um ano, conforme contagem de ciclistas feita no local. Isso mostra que a população quer mais alternativas de mobilidade sustentável, tem disposição e vontade, basta contar com um espaço urbano que ofereça segurança. Brasília tem que ter B de Bicicleta.

Temos fôlego e vocação para isso. Brasília é uma cidade plana que tem muito a ganhar se conseguirmos firmar a bicicleta como uma opção de mobilidade, que pode, inclusive, complementar as opções de transporte público entre as cidades do DF. Mas para isso, é preciso oferecer aos homens e às mulheres das nossas cidades a possibilidade de sair de casa de bicicleta e conseguir chegar até uma estação do BRT, ônibus ou metrô.

Mais bicicletas no trânsito ajudam a acalmar nossas ruas, para que sejam amigáveis a idosos, crianças, pessoas com deficiência, a toda a população, e não apenas aos automóveis.
Quanto mais habitada e viva, mais segura a cidade se torna. Podemos atrair mais gente para nossos espaços públicos, aumentando a qualidade de vida, se mudarmos para melhor o desenho urbano de nossas vias internas, com mais calçadas e cruzamentos adequados.

Ao mesmo tempo em que os benefícios de uma cidade viva e sustentável são conhecidos, há a persistência no erro em se anunciar obra faraônicas de incentivo ao uso do automóvel como solução para congestionamentos. Mais espaço para carros atraem mais carros para as ruas, como aconteceu na EPTG após a linha verde, que voltou a engarrafar muito antes do previsto. É preciso aprender com os erros e diversificar as opções de deslocamento para a população. Nesse sentido, é urgente a adaptação do projeto do Trevo de Triagem Norte, para que seja uma obra mais sustentável em termos ambientais e de mobilidade.

O Código de Trânsito já é velho conhecido da população e a Política Nacional de Mobilidade Urbana já está em vigor há quatro anos. Precisam sair do papel. Só assim as pessoas e a vida terão a preferência.

Sabemos que avançar nesse cenário requer que governo e sociedade trabalhem juntos, mas exige também que o governo articule todos os seus órgãos, secretarias e administrações regionais na mesma direção: um futuro melhor para todas as cidades do DF.

TTN: solução ou cilada?

Desde o final de 2015 o GDF vem anunciando a retomada da obra do Trevo de Triagem Norte (TTN), que inclui a Ponte do Bragueto, como uma de suas grandes realizações no campo da mobilidade urbana. A obra vem sendo apresentada como uma medida que vai diminuir o congestionamento na saída norte de Brasília, supostamente beneficiando quase 200 mil pessoas. Será mesmo que oferecer mais espaço para carros resolve algum problema?

O empreendimento faz parte do programa Circula Brasília, lançado em maio de 2016 como “um programa executivo de Estado que dá prioridade a investimentos no transporte coletivo e no não motorizado”.

Veja aqui algumas dúvidas comuns sobre o projeto do TTN.

1 – A ampliação da via vai beneficiar a população diminuindo os congestionamentos?
Esse é um mito que precisa ser quebrado.Soluções de mobilidade focadas na construção de mais vias tem como resultado atrair mais pessoas para o uso do carro. O efeito de “melhorar o trânsito” acaba fazendo com que pessoas que evitavam usar o carro naquela via passem a usar o automóvel, fazendo com que em pouco tempo a obra perca seu efeito, num ciclo infinito de demanda insaciável por mais espaço viário. Este processo já está mais do que comprovado. Inclusive, vários especialistas criticaram o foco rodoviarista da obra em reunião de julho do Conselho Consultivo de Preservação e Planejamento Territorial e Metropolitano do Distrito Federal, em ocasião que o atual Secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, se comprometeu a revisar o projeto (veja a ata aqui)

Organograma - versão final-2

Com o aumento da capacidade viária, o fluxo de veículos aumenta também, saturando a via e trazendo o congestionamento de volta muito antes do que se imagina. Basicamente, a escolha é entre ficar congestionado em 3 faixas ou em 5. Esse processo aconteceu no mundo inteiro, havendo exemplos brasileiros bem conhecidos como a EPTG após a obra da linha verde e a ampliação da Marginal em São Paulo. Obras milionárias que incentivam ainda mais a utilização do automóvel contra a tendência mundial de diminuir seu uso não podem ser mais aceitas pela população. A prioridade de investimento do Estado visando a mobilidade urbana deve ser nos transportes coletivos e não motorizados.

2. Precisa de ciclovia e calçada ali? Ninguém vai passar ali!
Essa afirmação não é verdade. Acontece que quando circulamos de carro pela cidade muitas vezes não percebemos a presença dos outros usuários da via. A Rodas da Paz fez uma contagem de ciclistas na Ponte do Bragueto em 2015, para atualizar os dados do DER de 2010, e o crescimento no volume de viagens feitas de bicicleta no local aumentou cerca de 150%, mesmo sem nenhuma melhoria para incentivar o uso da bicicleta por lá. Ou seja, a demanda já existe e a tendência é de crescimento do uso da bicicleta na região, assim como em toda a cidade.Por isso,há a necessidade de se facilitar os trajetos e garantir segurança para ciclistas na travessia da ponte e na implantação do TTN como um todo. Nenhuma cidade no mundo conseguiu resolver seus problemas de deslocamento sem investir em infraestrutura para ciclistas e pedestres e em transporte público.

Da forma como o projeto foi concebido, para sair do final da Asa Norte até o início do Lago Norte, o percurso de carro ocorre sem interrupções e é 78% menor do que o trajeto para quem usa a bicicleta ou caminha. Além disso, ciclistas e pedestres enfrentarão 2 travessias em nível com a malha rodoviária e uma rampa para acessar uma interseção em desnível, sendo “dada prioridade ao tráfego de veículos automotores”, segundo o próprio relatório do DER.
Outra informação que comprova a necessidade de calçadas e de travessias seguras e eficientes é a de que diariamente mais de 1.000 pedestres cruzam o Eixão Norte na região do TTN, segundo o Estudo de Segurança de Pedestres do Eixo Rodoviário, realizado pelo DER/DF em 2007. Apesar disso, o projeto proposto previu apenas uma travessia, 750 metros distante da passagem subterrânea da 15 Norte.

3. Existem nascentes no local da obra?
As vias projetadas passarão adjacentes às nascentes e olhos d’água localizados ao longo da atual L4. Uma delas, a Nascente Ibiraci, em recuperação graças ao trabalho de dez anos de voluntários, teve cerca de metade da sua vegetação protetora suprimida pelos trabalhos iniciais da obra, mesmo após a garantia dada pelo Diretor do DER de que as nascentes seriam preservadas. Imagens do início da construção de Brasília indicam que a região é uma área de relevante biodiversidade, possuindo uma rica camada vegetal que se mantém por conta desses fluxos de água, desde aquela época.

Duas das nascentes serão atingidas diretamente pelo rebaixamento do lençol freático, como apontado pelo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Isso será causado pela escavação do terreno para passagem das vias por baixo do Eixo Norte, onde serão construídos três novos viadutos. De acordo com informações dos engenheiros do DER durante visita ao local, o lençol freático encontra-se a 3 metros de profundidade, enquanto as escavações chegarão a 5 metros, fazendo a água do lençol drenar para dentro da obra, em vez de aflorar nas nascentes. Também não há informações sobre como será resolvido o problema de escoamento da água.

4. Existem alternativas mais eficientes para esse problema?
A obra, como foi inicialmente proposta, não parece ser a mais econômica para os cofres públicos. O projeto está superdimensionado e fica claro que soluções mais práticas e com custo menor poderiam ser implementadas, como nessa proposta alternativa feita pelo movimento #RepensePontanorteTTN - Proposta Alternativa 2

 

 

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Assine Aqui o abaixo assinado: http://migre.me/v1rUC

 

Semana da mobilidade – aproveite sua cidade sem carros!

A semana da mobilidade de 2016 está recheada de atividades, ocupando as cidades do DF e valorizando as pessoas e os espaços públicos. Confira a agenda e nos encontre nas ruas nos próximos dias! Tem Cine Pedal, ocupação do Setor Comercial Sul, papo cabeça e muito mais! Se souber de mais atividades e quiser divulgar aqui, avise no [email protected] 😉

17/9 sábado – 9-17h – Pimp my bike
Cidade Estrutural – próximo ao postinho da PM
A Estrutural é conhecida como uma das cidades do DF que mais utiliza a bicicleta no dia a dia, e vamos valorizar esses ciclistas cotidianos com ações de reparos simples em suas bicicletas, distribuição de brindes e oficina de conhecimento das rotas mais feitas dentro da Cidade Estrutural!
Organização: Rodas da Paz, DETRAN e SEMOB

18/9 domingo – 9-14h – Abertura Semana Nacional do Trânsito 
TaguaParque
A abertura formal da Semana Nacional do Trânsito acontece em Taguatinga, com a participação de todos os órgãos que trabalham com segurança no trânsito no DF. Veja aqui todas as atividades que os órgãos do GDF irão promover: cronograma de ações.
Organização: Governo de Brasília

 21/9 quarta – 16-20h – Holanda de bike com Brasília
Universidade de Brasília – CEFTRU
A Embaixada da Holanda, país tão famoso pelo uso intenso da bicicleta, oferece um seminário para debater várias ideias ligadas a mobilidade sustentável.
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/579643658887080/
Organização: Embaixada da Holanda e Bicicleta Livre (UnB)

22/9 quinta 
6:50-7:20 – Bonde de bike para UnB
Estudantes da UnB organizam bbonde de bike, saindo da Rodoviária do Plano, em direção ao campus Darcy Ribeiro – UnB. A concentração começará por volta das 6.50 próximo a fila do 110, na plataforma inferior. Sairemos pontualmente às 7.20, chegando às 8h na entrada do ICC norte (Ceubinho).
Evento: https://www.facebook.com/events/1755798491358003/
Organização: Bicicleta Livre

7h-19h – Centro Vivo 
Setor Comercial Sul
Esse ano vai acontecer uma edição ampliada da Vaga Viva. É uma proposta de intervenção Urbana que provoca a reflexão sobre o uso do espaço urbano pelo carro, mostrando que serviços podem ser oferecidos para a população no espaço que geralmente é utilizado para estacionamento. Saiba como organizar uma vaga viva nesse guia.
Organização: SEMOB, DETRAN, DER

23/9 sexta – 18h – Bicicletada Dia Mundial Sem Carro
Museu Nacional
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/307001326338832/
Organização: Embaixada da Holanda

24 e 25/9 – 17-21:30 – CINE PEDAL
Festival Cine Brasil Pedal é aberto ao público e ocorre nos dias 24 e 25. Enquanto as sessões acontecem, público pedala para produzir energia. Além de Brasília, Goiânia, Salvador, Recife e Natal recebem o festival simultaneamente. Para participar, é preciso fazer credenciamento no local ou pelo site do evento. A organização vai disponibilizar dez bicicletas fixas e mais dez bases para que o público encaixe as próprias bicicletas.
Organização: DETRAN

26/9 segunda  7h – Desafio Intermodal
saída do McDonald’s do Guará, chegada no Museu Nacional
Desafio Intermodal avalia quais os meios de locomoção mais eficientes no meio urbano num dia comum. A proposta não é apenas medir a velocidade e quem chega primeiro, é avaliar o custo ambiental, econômico e social de cada meio de transporte. Em 2015 teve moto, carro, táxi, uber, carona,  ônibus, bicicleta dobrável, bicicleta speed, metrô, bicicleta e metrô, pedestre e corrida.
Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/872153202850610/
Organização: Rodas da Paz