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Dia do Ciclista: Missa em homenagem a Pedro Davison

O dia do Ciclista, celebrado no dia 19 de agosto, é motivo de inspiração para várias lutas em defesa da mobilidade sustentável, do trânsito seguro e da cidadania. A história da data traz uma reflexão sobre a violência no trânsito. Nesse dia aconteceu o atropelamento criminoso de Pedro Davison, no Eixão Sul, em sua faixa central não permitida ao uso dos carros, por um motorista em alta velocidade, embriagado, sem habilitação e que fugiu sem prestar socorro.

A luta da família de Pedro em busca de justiça tornou a data conhecida no país inteiro, e o motorista foi condenado pelo crime, está atualmente cumprindo pena. Nessa sexta feira, a família convida a todos que se sentirem identificados com a história a participar da homenagem religiosa que será realizada pelos dez anos de sua perda.

Missa em homenagem a Pedro Davison, sexta-feira, dia 19 de agosto, às 19h, na Catedral Rainha da Paz, Eixo Monumental.

Promoção no instagram: concorra a 5 kits do Passeio!

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Poste uma foto com sua bicicleta no instagram usando as hashtags #diadociclista e #rodasdapaz e concorra a 5 kits do 14º Passeio Ciclístico Rodas da Paz! As fotos publicadas entre quarta e sexta feira estão participando da promoção!

O kit é composto de:
1 camiseta
1 squeeze
1 voucher para refeição no restaurante Greens
1 kit de adesivos sortidos da Rodas da Paz

Vai ter camiseta nesse passeio?

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Modelo da camiseta 2016: verde para participantes, laranja para batedores e lilás para organização

Calma! Vai ter sim a tradicional camiseta do Passeio Ciclístico da Rodas da Paz! Só que rolou uma mudança para 2016!

O que rolou ?

No Passeio da Rodas esse ano, a  diferença é que, além das camisetas gratuitas, distribuídas para as 100 primeiras pessoas inscritas, quem quiser pode adquirir a sua camiseta do Passeio por um valor simbólico de 10 reais (abaixo do custo de produção).

Quem deu este preço?

Chegamos nesta ideia de vender a camiseta e no preço sugerido a partir de uma pesquisa realizada com quem pedalou no ano passado com a gente.

Mais de 60% das pessoas avaliaram que vender a camiseta era uma boa opção, para evitar as longas filas sem a certeza de conseguir o esperado brinde no final. Além disso, o valor arrecadado ajuda a cobrir parte dos custos do passeio, que é quase todo feito de forma voluntária.

Mais de 100 camisetas foram vendidas apenas no primeiro dia de inscrição. Esta colaboração vai nos ajudar e muito a fazer o Passeio com cada vez mais qualidade.

Começamos a divulgar o Passeio 2016 na semana passada e as inscrições já passaram de 1.500 (ebaaa \o/). Quem quiser ter a camiseta agora já pode reservar a sua no link abaixo.

Como posso comprar a camiseta do 14º Passeio Rodas da Paz?

Vendas on-line encerradas. Atenção: as camisetas não serão enviadas pelo correio. Elas serão entregues na véspera do passeio (sábado 20/08).

Pela nossa experiência, acreditamos que elas podem esgotar antes do passeio, mas se sobrar algumas, a gente avisa e vende ao vivo no domingo, tá?

O Passeio agora vai ser sempre assim?

A gente tem um sonho: ver 5, 10 mil pessoas vestindo a camisa da Rodas da Paz no dia do nosso Passeio Anual. Nossa realidade, porém, é bem diferente. A cada ano cresce o número de participantes e isso é lindo. O que a gente queria mesmo era a cidade toda pedalando junto.

O problema é conseguir um apoio financeiro proporcional que assegure camiseta gratuita para todos os participantes. Este apoio financeiro não está crescendo junto com o tamanho do evento. Não sabemos se vai ser sempre assim. Estamos testando esta estratégia de ampliar o acesso à camiseta sem ampliar os já altos custos do Passeio.

Em 2015, foram mais de dez mil participantes; e se todos tivessem camiseta grátis ao custo de 10 reais, seria necessário levantar mais de R$ 100 mil só para isso. Já pensou? Pra atual realidade da Rodas da Paz, isso é muito dinheiro.

Depois, envia sua avaliação pra gente conhecer a sua opinião.

Além do custo da camiseta, quais os outros gastos para organizar o Passeio?

Além das camisetas, o Passeio envolve gastos com:  contratação de ambulância, banheiros químicos, carro de som, atividades para crianças, produção de materiais gráficos, etc.

A maior parte dos serviços prestados são totalmente voluntários, e sem isso a gente não poderia nem sonhar em fazer o evento (organização, divulgação, registro fotográfico, batedores, carros de apoio, entre outros).

Viva a colaboração de voluntários, que acreditam que é possível e necessário promover o uso da bicicleta em Brasília!!!

Posso ir ao Passeio da Rodas sem camiseta?

SIM, o passeio continuará sempre gratuito e aberto a todos! O que  esperamos é que, com ou sem camiseta (você pode optar por não comprar), você participe e continue vestindo a camiseta “simbólica” da Rodas da Paz, participando das atividades que realizamos o ano todo. Só assim a ONG pedala pra frente e a nossa luta comum pela paz no trânsito pode avançar. Vejas as atividades que a Rodas da Paz fez ao longo de 2015.

Ato simbólico pela instituição do Dia Nacional do Ciclista é realizado na Câmara

Nessa quarta feira (10/8), entidades e parlamentares promoveram ato simbólico em defesa do Projeto de Lei que institui o Dia Nacional do Ciclista, no CEDES, Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados. O ato contou com a presença da União dos Ciclistas do Brasil, da Rede Bike Anjo, servidores do Ministério das Cidades, familiares de Pedro Davison, representantes da ONG Rodas da Paz e dos parlamentares Lúcio Vale (PR/PA) e Izalci Lucas (PSDB/DF). O Projeto de Lei foi protocolado sob número 5.988 e sua tramitação poderá ser acompanhada pelo site da Câmara em breve.

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Apesar de ainda não estar no calendário oficial, o Dia Nacional do Ciclista já é uma data celebrada em todo o país. A Rodas da Paz organizou clipping onde se vê a dimensão da adesão a data, por parte de figuras públicas, empresas, grupos de pedal, parlamentares e órgãos públicos. São mais de 200 páginas que foram entregues na Câmara em 30 de junho por Pérsio Davison, pai do ciclista homenageado na data, e Beth Veloso, fundadora da ONG Rodas da Paz e servidora da Câmara. O material foi entregue a Paulo Mota, Chefe de Secretaria do CEDES, e a Gabriel Gervásio Neto, consultor legislativo que fez o texto de justificativa do PL.

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Ainda na quarta feira 10/8, mais de 20 parlamentares se colocaram como signatários do Projeto de Lei, todos os deputados membros do CEDES como mais quatro representantes que aderiram à causa, grifados em ítalico. Foram eleitos de norte a sul do país e são de todas as matrizes partidárias, reforçando o caráter plural da questão da mobilidade por bicicleta, conforme se lista a seguir:

Lúcio Vale (PR-PA)
Augusto Carvalho (SD/DF)
Ariosto Holanda (PROS/CE)
Beto Rosado (PP/RN)
Capitão Augusto (PR/SP)
Capitão Sabino (PR/CE)
Carlos Melles (DEM/MG)
Cristiane Brasil (PTB/RJ)
Edmilson Rodrigues (PSOL-PA)
Evair de Melo (PV/ES)
Felix Mendonça Júnior (PDI/BA)
Galuber Braga (PSOL-RJ)
Izalci (PSDB-DF)
Jaime Martins (PSD/MG)
JHC (PSB/AL)
Luiz Lauro Filho (PSB-SP)
Osmar Terra (PMDB-RS)
Paulo Henrique Lustosa (PP/CE)
Paulo Teixeira (PT-SP)
Pedro Uczai (PT/SC)
Profª Dorinha Seabra Rezende (DEM/TO)
Remídio Monai (PR-RR)
Rômulo Gouveia (PSD/PB)
Ronaldo Benedet (PMDB-SC)
Ronaldo Nogueira (PTB/RS)
Rubens Otoni (PT-GO)
Valmir Prascidelli (PT-SP)
Vitor Lippi (PSDB-SP)

E ainda, diversas entidades de todo o país manifestaram apoio à proposta, como se vê abaixo:

Grupo Cidade UF
Associação Bike Anjo Nacional BR
Clube de Cicloturismo do Brasil Nacional BR
Instituto MDT Nacional BR
ITDP Internacional BR
União de Ciclistas do Brasil Nacional BR
Associação Ciclística Pedala Manaus Manaus AM
Associação Alternativa Terrazul Fortaleza/Brasília CE
BiciCentro Comunitário Mercado Sul Vive Taguatinga DF
Movimente e Ocupe seu Bairro Brasília DF
Movimento Nossa Brasília Brasília DF
Tribo Lobo Guará Guará DF
Turma do Pedal de Vila Velha Vila Velha ES
BH em Ciclo Belo Horizonte MG
STAFF SALVE JORGE Belém PA
Ameciclo Recife PE
Ciclocidade São Paulo SP

A expectativa é que o PL cumpra sua tramitação na Câmara ainda este ano, para seguir ao Senado e terminar a atual legislatura já tendo sido aprovado em plenário. O tema do Passeio Anual da Rodas da Paz de 2016 é justamente a celebração dos 10 anos do Dia Nacional do Ciclista, pautando as conquistas da última década relacionadas a mobilidade sustentável e segurança no trânsito.

Cicloativistas presentes no ato

Cicloativistas presentes no ato

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Família de Pedro Davison: Beth e Pérsio (pais) e Luiza (filha)

Deputados Izalci (PSDB/DF) e Lucio Vale (PR/PA) assinando o PL

Deputados Izalci (PSDB/DF) e Lucio Vale (PR/PA) assinando o PL

Edmilson Rodrigues (PSOL/PA)

Edmilson Rodrigues (PSOL/PA)

Glauber Braga (PSOL/RJ)

Glauber Braga (PSOL/RJ)

14º Passeio anual da Rodas da Paz: todo dia é dia do ciclista!

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Vem aí o Passeio Rodas da Paz. As inscrições estão abertas a partir desta segunda-feira (8/8), são gratuitas e podem ser feitas pela página www.rodasdapaz.org.br.

O tema desse ano é todo dia é dia do ciclista! As 100  primeiras pessoas que se inscreverem ganharão a camiseta do evento, que poderá ser adquirida por R$10 reais.

A ONG Rodas da Paz realizará mais uma edição do seu tradicional passeio ciclístico no dia 21 de agosto de 2016. Além do percurso tradicional até à Ponte JK, haverá pela terceira vez o circuito menor na Esplanada, especialmente para as famílias que irão pedalar com crianças pequenas, o Passeio Rodinhas da Paz!

Todo ano, o evento reúne milhares de ciclistas. Trata-se de um momento importante de garantir visibilidade para a causa da mobilidade sustentável e da paz no trânsito e também para reforçar o compromisso do governo com melhorias nas condições de mobilidade da população.

O passeio se transforma numa verdadeira festa, que conta com a presença de ciclistas de todas as idades. Além disso, é gratuito, aberto para toda população do Distrito Federal e região metropolitana e independe da inscrição prévia, mas apenas os inscritos participam de sorteios e recebem informações da organização do passeio.

FAÇA SUA INSCRIÇÃO!

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SAIBA MAIS SOBRE O TEMA DO PASSEIO 2016
TODO DIA É DIA DO CICLISTA
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Este ano, Rodas da Paz pedala pela oficialização do Dia Nacional do Ciclista, comemorado em todo o país no dia 19 de agosto. É a data que movimenta as capitais do Brasil e centenas de cidades, todos os anos, há dez anos, mas que ainda precisa ingressar, formalmente, nas datas comemorativas do calendário do Brasil.

O Dia Nacional do Ciclista alude ao crime de violência no trânsito ocorrido em Brasília, em 19 de agosto de 2006, que tirou a vida do jovem biólogo Pedro Davison. O atropelamento ocorreu numa via de 80km/h localizada em área urbana, o Eixão, por um motorista embriagado, acima da velocidade e que transitava numa via interditada para automóveis, a via central do Eixo Rodoviário. O caso de Pedro se tornou conhecido pelas grandes mobilizações feitas a época cobrando a punição do motorista responsável, Leonardo Costa. Num país em que 50 mil pessoas morrem pela violência no trânsito de forma banal e geralmente impune, a condenação de Leonardo Costa por homicídio com dolo eventual se tornou símbolo da luta por justiça e cidadania, para que as vidas tenham valor não importando como se desloquem no espaço urbano. É, portanto, uma data em defesa da cidadania. Comemorada no Brasil, de origem brasiliense.

Embora já seja celebrada e reconhecida em todo o país, a data não está oficializada. Acreditamos que esse reconhecimento pode criar novas oportunidades para promover a educação para a paz no trânsito, a promoção do uso da bicicleta, a cidadania e a mobilidade plural em nível nacional.

O projeto que definia o Dia do Ciclista tramitou na Câmara dos Deputados durante duas legislaturas. Ele havia sido aprovado em todas as comissões na legislatura passada, mas, por não ter sido incluído na pauta de votação do Plenário da Câmara, foi arquivado.

Em julho, Rodas da Paz encaminhou à Câmara dos Deputados um pedido de reconhecimento desta data no calendário nacional. O pedido foi encaminhado por meio do Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados, para que a data passe a ser reconhecida oficialmente, pois o mais importante já ocorreu: a data foi abraçada pela população brasileira, que leva a bicicleta cada vez mais a sério.

O Centro de Estudos e Debates Estratégicos é órgão integrante do sistema de consultoria e assessoramento institucional unificado da Câmara dos Deputados e diretamente jurisdicionado ao Presidente da Casa. O Cedes oferece embasamento técnico-científico necessário ao planejamento de políticas e ao processo decisório no âmbito da Câmara.

Junto ao pedido encaminhado ao Cedes, Rodas da Paz anexou um dossiê sobre o Dia do Ciclista, com as comemorações feitas em 2015, com mais de 200 páginas de notícias da grande mídia, blogs e publicações de entidades públicas e celebridades de todo o país em comemoração a data, acompanhado de uma lista de instituições que apoiam a proposta.

Venha pedalar com a gente! Todo dia é Dia do Ciclista!

Serviço: Passeio Anual Rodas da Paz 2016
Concentração: a partir das 8h do dia 21/08 (domingo)
Local: Em frente ao Museu Nacional
Trajeto tradicional: Museu Nacional, Esplanada, Ponte JK |17km
Trajeto Rodinhas da Paz: Duas voltas na Esplanada |2,5km
Inscrições: www.rodasdapaz.org.br até 18 de agosto
Fotos do Passeio de anos anteriores para divulgação: circuitos tradicional e rodinhas
Realização: Rodas da Paz
Patrocínio: Conjunto Nacional, Instituto Sabin e Grupo Ágil
Apoio: Administração Regional de Brasília, GDF, Cultura FM, Escola VitaBhaya Yôga, Greens,  Sindicato da Habitação no Distrito Federal, Transamérica, Gomão Bikes, Teatro Mapati e MedLife

PERCURSO TRADICIONAL

Percurso adulto

PERCURSO RODINHAS DA PAZ

Percurso infantil

Spot de 16s:

 

Spot de 26s:

PROGRAMAÇÃO DA IV FORMAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS RODAS DA PAZ

PROGRAMAÇÃO DA IV FORMAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS RODAS DA PAZ

Sábado 6/8
8h30-9h – Concentração das caronas na estação 102 Sul e saída para o local da formação
9:30h-10h – Boas vindas e apresentação dos participantes
10:30h-12h – Apresentação sobre o cenário da mobilidade no DF e a atuação da Rodas da Paz
12h30-14h – Almoço
14h-15h – Prof David Duarte Lima (UnB): mobilidade ativa, saúde e vida moderna
15h-16h – Silvio Moraes, ciclista e morador de Águas Claras: desafios culturais e políticos na implantação das ciclofaixas de Águas claras
16h30-17h – Intervalo do cafézinho
17h-18h – Paulo Aguiar, Grupo Pedala Manaus (AM): Cenário para a promoção do uso da bicicleta em Manaus e a atuação do Pedala Manaus
19h – Jantar e definição dos grupo de voluntários entre as atividades práticas para domingo
20h – Ciclocine: diversos curta metragens sobre bicicleta e mobilidade

Domingo 7/8
8h-8h30 – café da manhã e saída para as atividades práticas
9h-12h – atividades práticas (vistoria na obra do Trevo de Triagem Norte e contagem de ciclistas no Eixo Monumental)
12h30 – retorno para local da formação
13h-14h – Almoço (vídeos rolando entre 13h e 13h30 para quem quiser assistir)
14h- Rodas da Paz: apresentação do planejamento 2016, acordo de trabalho, tarefas urgentes para organização do Passeio Anual e celebração dos 10 anos do Dia Nacional do Ciclista
17h – Encerramento

Moradores e entidades fazem abaixo assinado sobre obra na Saída Norte

Moradores do final da Asa Norte e entidades estão mobilizados em relação à qualidade ambiental da obra do Trevo de Triagem Norte. Além de diversas ações, os moradores estão com abaixo assinado online pedindo que o Governador Rodrigo Rollemberg repense a concepção da obra, que é caracterizada por viés rodoviarista e com impacto ambiental a nascentes localizadas na área. Apoie o movimento e assine aqui o abaixo assinado!

A comunidade já apresentou suas dúvidas em relação ao projeto num documento entregue à Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, do MPDFT, e montou um blog para compartilhar notícias sobre a mobilização.

Em novembro de 2015 a Rodas da Paz apresentou ao DER relatório onde mostrava que a obra do TTN não atendia à legislação de mobilidade vigente, como o Plano Diretor de Transporte Urbano do DF, de 2011, e a Política Nacional de Mobilidade Urbana, de 2012, pois o projeto havia sido elaborado antes da vigência dessas leis e não foi suficientemente adaptado posteriormente. Acesse aqui o relatório e veja a ação feita no Lago Paranoá para divulgá-lo.

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concepção do projeto do TTN é obsoleta, por priorizar o uso do automóvel

Em resumo, a concepção do Trevo de Triagem Norte parte da premissa que ampliando o espaço destinado a circulação de automóveis os congestionamentos serão reduzidos, o que já se sabe que não se confirma na realidade, pois essas obras acabam incentivando ainda mais a adoção do carro como meio de transporte e trazendo mais veículos para as vias, aumentando os congestionamentos rapidamente, como ocorreu na Marginal em São Paulo. Dado o curto período em que de fato essas obras “melhoram” o trânsito, o alto custo não se justifica, tendo em vista os baixos benefícios para a sociedade e as externalidades negativas que causa.

Entre os impactos ambientais da obra estão nascentes localizadas na área que podem ser afetadas, num contexto que os recursos hídricos são considerados especialmente importantes e merecedores de preservação no mundo e em Brasília, conhecida pelos períodos de estiagem e que receberá em breve o Fórum Mundial das Águas. Em termos de mudança climática, o inventário de emissões de gases de efeito estufa divulgado pelo próprio GDF em 2016 mostra que no DF 49% das emissões são originadas pelo setor de transporte, muito acima da média nacional, que é de 22%, o que deveria orientar o GDF a justamente desincentivar e não incentivar o uso do automóvel com obras milionárias.

Nós não somos dinamarqueses

por Denis Russo Burgierman – texto originalmente publicado na VEJA

Nós não somos dinamarqueses

Em 1962, Copenhague, a capital dinamarquesa, foi tomada por uma polêmica. Estava nos jornais:
“Nós não somos italianos”, dizia uma manchete.
“Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”, explicava outra.

O motivo da polêmica:
Um jovem arquiteto chamado Jan Gehl, que tinha conseguido um emprego na prefeitura meses antes, estava colocando suas manguinhas de fora. Gehl, que tinha 26 anos e era recém casado com uma psicóloga, vivia ouvindo dela a seguinte pergunta: “por que vocês arquitetos não se preocupam com as pessoas?”. Gehl resolveu preocupar-se. E teve uma ideia.
Havia em Copenhague uma rua central, no meio da cidade, cheia de casas imponentes e de comércios importantes. Era uma rua que tinha sido o centro da vida na cidade desde que Copenhague surgiu, no século 11 – a rua viva, onde as pessoas se encontravam, onde conversavam, onde os negócios começavam, os casais se conheciam, as crianças brincavam, a vida pública acontecia. Nos anos 1950, os carros chegaram e aos poucos essa rua foi virando um lugar barulhento, fumacento e perigoso. As pessoas já não iam mais lá. Trechos inteiros tinham sido convertidos em lúgrubes estacionamentos.
Pois bem. Aquele jovem arquiteto tinha um plano: fechar a rua para carros.
Copenhague não aceitou facilmente a novidade. Os comerciantes se revoltaram, alegaram que os clientes não conseguiriam chegar. São dessa época as manchetes de jornal citadas no começo do texto. O que os jornais diziam fazia algum sentido: Copenhague não é no Mediterrâneo. Lá faz frio de congelar – o mês de dezembro inteiro oferece um total de 42 horas de luz solar. Ninguém quer andar de bicicleta, ninguém quer caminhar. Deixe meu carro em paz.
Mas o jovem arquiteto ganhou a disputa. Nascia o Strøget, o calçadão de pedestres no meio da cidade que hoje é a maior atração turística de Copenhague. As pessoas adoraram a rua para pedestres desde que ela foi fundada. Na verdade, o comércio da região acabou lucrando muitíssimo mais, porque a área ganhou vida e gente passou a caminhar por lá a todo momento. É até lotado demais hoje em dia.
O arquiteto Gehl caiu nas graças da cidade e continuou colaborando com a prefeitura. Suas ideias foram se aprimorando. Ele descobriu que o ideal não é segregar pedestres de ciclistas de motoristas: é melhor misturá-los. Alguns de seus projetos mais interessantes são ruas mistas, nas quais os motoristas sentem-se vigiados e dirigem com um cuidado monstro. Outra sacada: que essa história de construir ruas para diminuir o trânsito é balela. Quanto mais rua se constrói, mais trânsito aparece. Quanto mais ciclovia, mais gente abandona o carro.
Em grande medida graças às ideias de Gehl, Copenhague é a grande cidade europeia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo com o clima horrível de lá, e a população tem baixos índices de obesidade e doença cardíaca.
“Copenhaguizar” virou um verbo: significa tornar uma cidade mais agradável à maneira de Copenhague. Jan Gehl abriu um escritório de arquitetura cuja filosofia é “primeiro vem a vida, depois vêm os espaços, depois vêm os prédios”. Ele passou a ser contratado por várias cidades australianas interessadas em “copenhaguização”. Seus projetos revolucionaram Sidney, Perth e Melbourne, tornando seus centros mais divertidos, cheios de cafés, arte e vida, reduzindo carros, atraindo gente para fora de casa. De uns tempos para cá, Gehl, que hoje tem 74 anos, passou a ser procurado pela “big league” das cidades: Londres e Nova York o contrataram como consultor para transformar seus espaços urbanos. Ambas têm feito muito desde então.
Enquanto isso, aqui na minha cidade, se alguém fala em melhorar o espaço público, logo ouve:
“Nós não somos dinamarqueses. Usar espaços públicos é contrário à mentalidade brasileira.”
50 anos atrasado.
Outra frase que se ouve muito aqui:
“Brasileiro adora carro.”
Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!