Arquivo mensais:junho 2015

A EPTG precisa mesmo de uma ciclovia?

ciclovia_eptg_motivos

Cada vez mais as bicicletas estão tomando as ruas das grandes cidades do mundo, se colocando como um dos elementos importantes na tendência de superação do caos urbano, seus congestionamentos, sua agressividade e externalidades ambientais. Mas ainda tem gente que subestima o potencial do uso da bicicleta e reclama dos investimentos em ciclovias, questionando se é mesmo necessário, sem perceber que investir em bicicleta é reduzir o gasto público em diversas outras áreas.

Sabemos que o investimento em infraestrutura cicloviária não pode ser feito de qualquer jeito, por isso investimos nosso tempo acompanhando as políticas e projetos do GDF, fazendo avaliações para que se assegure qualidade para a mobilidade sustentável. Lembra do relatório que fizemos avaliando a política cicloviária do GDF entre 2011 e 2014? Lá são apresentadas diversas observações importantes sobre como uma política pública deve ser estruturada, estabelecendo metas sérias e priorizando espacialmente o investimento cicloviário através de indicadores como o uso existente da bicicleta nas cidades e os índices de ocorrências de trânsito (influenciado pela velocidade e volume de tráfego motorizado da via).

Para que os investimentos tenham qualidade é fundamental ter um corpo técnico qualificado, gestores com visão de futuro e o envolvimento dos beneficiários da política em sua formulação. É assim que se evita desperdício de dinheiro público. É isso que estamos construindo em relação à EPTG, uma via que passou por investimento multimilionário onde havia previsão de ciclovia, mas que foi inaugurada em 2010 sem essa estrutura.

Para nosso espanto, há quem questione a necessidade de uma das ciclovia mais demandadas do DF. Explicamos neste dossiê as razões que tornam essa ciclovia uma das prioritárias do DF e resumimos aqui alguns motivos:

  • A EPTG sozinha teve tantas mortes de ciclistas quanto a região do Plano Piloto inteiro entre 2003 e 2013 (dados do DETRAN)
  • A lei distrital 3.639 de 2005 prevê a obrigatoriedade de projetos de ciclovias em rodovias
  • O projeto da Linha Verde tinha uma ciclovia, apresentada no escopo do PTU – Brasília Integrada, financiado pelo BID
  • As cidades conectadas pela EPTG concentram mais de 70% dos postos de trabalho do DF (dados da CODEPLAN)
  • A EPTG é utilizada tanto para deslocamentos longos como também para curtas distâncias

E para quem diz que uma imagem vale mais que do mil palavras, imagine então o peso dessas 470 imagens sobre a EPTG.

 

 

A paz no trânsito também está nas mãos das campanhas do GDF

O GDF lançou nessa semana campanha voltada para a relação da bicicleta no trânsito. Campanhas educativas sobre a bicicleta na cidade buscam a mudança de comportamento e visam a melhoria do ambiente para a mobilidade urbana pacífica e sustentável. No caso de comerciais para televisão, é importante considerar o diálogo travado pelo texto, a imagem e o som. A análise permanente do material contribui para a melhoria constante dos vídeos produzidos e da influência que possuem no cotidiano. Sob esta perspectiva, analisamos o comercial “A paz no trânsito está em nossas mãos”, divulgado no meio de junho de 2015, e apresentamos algumas sugestões para novas peças educativas.

Informações muito importantes são exibidas no vídeo, como o direito do ciclista de usar a via e também a necessidade de reduzir a velocidade e manter a distância de 1,5m para a ultrapassagem da bicicleta. Esse enfoque foi reivindicado por grupos de ciclistas como a Rodas da Paz, Bike Anjo e União de Ciclistas do Brasil em reunião com a SEMOB, empresa AV Comunicação e DETRAN, ocorrida em 11 de maio de 2015. A incorporação dessas sugestões é positiva para mostrar que lugar de bicicleta é também na rua. O conceito do vídeo é interessante, pois mostra que a transformação é viável e apresenta a ideia inicialmente com uma personagem feminina – que possui demandas próprias em meio à violência no trânsito. No transcorrer do vídeo, o círculo vermelho amarra a proposta, lembrando o selo da mão em sinal de basta, utilizado na época da campanha da faixa de pedestres. Contudo, ainda há alguns elementos relevantes para serem considerados em materiais futuros para avançarmos cada vez mais na qualidade da informação:

a) Busca de equilíbrio da representação da diversidade de personagens. Por um lado a comunicação pública se sensibilizou na escolha de personagens negra e feminina em alguns momentos. Por outro lado, o comercial concedeu um enfoque desproporcional ao uso da bicicleta como atividade física de treino. Os atletas devem ser valorizados e possuem necessidades específicas no trânsito. Os treinos de speed nas ruas de Brasília já são patrimônio da cidade. Entretanto, mais de 96% dos usuários da bicicleta no DF tem como finalidade deslocamentos para trabalho ou estudo e esta opção se deve principalmente pela economia financeira (segundo dados de 2009 apresentados no PDTU de 2011). Estes ciclistas não pedalam em grupo. Além disso, mais da metade das mortes de ciclistas são causadas em rodovias, em regiões afastadas do centro da cidade. Esses são os mais vulneráveis nesta equação e necessitam maior visibilidade;

gsf3

b) A escolha dos itens de segurança apresentados. Quando a locução cita os equipamentos que aumentam a segurança, as setas apontam para o capacete e para o espelho retrovisor da bicicleta. Na verdade, o capacete não é um item de segurança obrigatório segundo o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) e o retrovisor, embora seja item obrigatório, não está entre os principais itens de proteção para o ciclista. A preocupação com a sinalização noturna (refletores ou luzes), que é obrigatória de acordo com o artigo 105 do CTB, deve ser enfatizada. De acordo com os dados do próprio DETRAN, parte expressiva das ocorrências de trânsito envolvendo ciclistas ocorrem no período noturno. Valeria ainda uma mensagem final como “O principal equipamento de segurança do ciclista é a atenção redobrada do motorista”, como diria a cicloativista, arquiteta e jornalista Renata Falzoni, passando a mensagem que no trânsito o maior deve zelar pela segurança do menor.

gdf1

c) A sinalização com as mãos do usuário de bicicleta, marcada de vermelho. Um dos pontos críticos em relação à segurança do ciclista são os cruzamentos e conversões. Outros exemplos acompanhados de manobra após o sinal do ciclista podem ser apresentados, como com um automóvel reduzindo a velocidade e deixando o ciclista seguir antes de fazer a conversão à direita. Ou seja, quanto mais explicito para o telespectador qual o comportamento esperado do motorista na interação entre carro e bicicleta para evitar incidentes melhor. Para isso, é possível agregar exemplos de situações realistas do dia a dia, como ciclistas em balões e em ruas com saída a direita;

d) A escolha dos locais e vias. Um dos ciclistas aparece pedalando no eixinho, uma via de alta velocidade no Plano Piloto, que é pouco utilizada, inclusive por ciclistas experientes. Há várias vias de baixa velocidade no DF que tem uso maior de bicicleta e que também podem ser mostradas, refletindo com mais fidelidade a realidade da cidade. Situações em balões, nas descidas de tesourinhas, por exemplo, teriam bom efeito em termos de mensagem de segurança;

e) É importante diferenciar travessia de ciclovia e faixa de pedestre. O vídeo exibe um cruzamento onde a ciclista atravessa desmontada na faixa como pedestre, porém, poderia também tratar também dos cruzamentos das ciclovias, uma situação de risco elevado e uma dúvida recorrente dos cidadãos. Afinal, além de não haver pintura adequada nos cruzamentos das ciclovias hoje, há placas de “Pare” direcionadas para o usuário da bicicleta – desrespeitando o artigo 214 do CTB – sem qualquer explicação, principalmente para leigos, sobre como agir em relação à sinalização horizontal e vertical inadequadas;

gdf2

f) Por fim, para falar na paz no trânsito, é interessante transmitir uma imagem mais de calma, tranquilidade e harmonia e menos de velocidade, adrenalina, risco e tensão, que pode desestimular o uso da bicicleta pelo cidadão comum. Pode-se enfatizar menos os limites físicos e dificuldades e se exaltar mais as vantagens do uso rotineiro da bicicleta;

Uma campanha desse tipo, realizada em médio prazo, tem a oportunidade de mostrar de modo mais enfático em peças futuras a utilização da bicicleta para o gozo de outros direitos: trabalho, educação, saúde, lazer e cultura. Isto é, exibir mães e pais carregando crianças em suas cadeirinhas, jovens utilizando este veículo para chegar à escola ou à universidade, e trabalhadores transportando objetos em bicicletas cargueiras, por exemplo.

Entre 2011 e 2013, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (DETRAN/DF) empenhou apenas 11,8% do orçamento autorizado para as campanhas educativas. As mensagens educativas veiculadas de forma massiva para orientar os motoristas de carros em relação ao seu comportamento diante de um ciclista precisam ser frequentes para que se naturalize a relação respeitosa entre motoristas e ciclistas.

Queremos uma comunicação efetiva, e para isso é fundamental superar estereótipos, aprofundar o conhecimento da realidade e buscar informações que ajudem a identificar quais mensagens educativas precisam ser apresentadas e repetidas com maior frequência, percebendo também o que realmente estamos falando para a população.

Veja aqui exemplos de outras campanhas brasileiras.

 

Programação da III Formação de Voluntários da Rodas da Paz

Equipe Rodas da Paz

Equipe Rodas da Paz

PROGRAMAÇÃO DA III FORMAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS RODAS DA PAZ
BAIXE AQUI A APOSTILA DISTRIBUÍDA NA FORMAÇÃO

Sábado
8h30-9h – Concentração das caronas na estação 102 Sul e saída para o local da formação
9:30h-10h – Boas vindas e apresentação dos participantes
10h-12h – Apresentação sobre o cenário da mobilidade no DF e a atuação da Rodas da Paz
12h30-14h – Almoço
14h-15h30 – Celso Sakuraba, Ciclovida (CE): Cenário para a promoção do uso da bicicleta em Fortaleza e a criação da Ciclovida
15h30-17h30 – Paulo César Marques, UnB: A necessária mudança de paradigma nas políticas públicas de mobilidade
17h30-18h – Intervalo do cafézinho
18h-19h – Bike Anjo DF – Ciclistas iniciantes: barreiras e motivações para a adoção da bicicleta no dia a dia do DF
19h – Jantar e definição dos grupo de voluntários entre as atividades práticas para domingo
20h – Ciclocine: Bike vs Cars (inédito), veja o trailler

Domingo
8h-8h30 – café da manhã e saída para as atividades práticas
9h-12h – atividades práticas (vistoria na EPTG, vistoria nas bicicletas compartilhadas, mapeamento de rotas cicláveis)
12h30 – retorno para local da formação
13h-14h – Almoço (vídeos rolando entre 13h e 13h30 para quem quiser assistir)
14h-15h30 – Thiago Benicchio, ITDP: Relação sociedade-Estado na promoção do uso da Bicicleta, armadilhas, parcerias e desafios
15h30-17h – Rodas da Paz: apresentação do planejamento 2015, acordo de trabalho, fechamento
17h – Encerramento

BAIXE AQUI A APOSTILA DISTRIBUÍDA NA FORMAÇÃO

Mapeamento colaborativo das ciclovias e ciclorrotas do DF: saiba como contribuir em 3 passos

Se você usa a bicicleta como meio de transporte no DF, participe do mapeamento colaborativo das ciclovias e ciclorrotas, realizado pela Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal.

Para contribuir, basta seguir esses 3 passos:

1) Escolha o aplicativo que achar melhor para registrar seu percurso. O importante é que seja possível exportar os arquivos no formato KML ou GPX. Sugerimos o aplicativo “Minhas Trilhas”, um dos mais simples. Se preciso, acesse este tutorial;

2) Registre sua rota, fazendo anotações de problemas ou de dicas para outras pessoas que possam utilizar esse percurso futuramente;

mapeamentocolaborativo3) Identifique o arquivo segundo o modelo “seunome_cidademapeada_tipoderota_01_data.kml” e encaminhe para o email: [email protected]com até o dia 15 de junho, junto com suas considerações sobre o percurso.

Após tratar as informações, a secretaria disponibilizará mapas a serem compartilhados com a população. É fundamental que quem utiliza a bicicleta seja ouvido neste trabalho de planejamento, readequação dos projetos de conexão e interligação das rotas cicláveis do DF.

Para mais informações, acesse a apresentação da SEMOB.

EPTG: por onde deve passar a ciclovia? Vistoria dia 14/6

eptg_flyer

Domingo dia 14 de junho haverá vistoria na EPTG com técnicos do DER e ciclistas para encontrar soluções para o trajeto da esperada ciclovia. Em alguns trechos há dificuldade em encontrar espaço para a ciclovia nas marginais nos dois lados e em outros trechos o canteiro central não tem condições de receber uma ciclovia com 2 m de largura.

A vistoria terá início às 9h no dia 14/6 (domingo). O ponto de encontro será o estacionamento em frente ao Península Residencial, na Praça das Garças, Lote 10 – Águas Claras

EPTG_pontoencontro

Técnicos do DER vem elaborando o projeto da ciclovia da EPTG após o Ministério Público do Distrito Federal encaminhar a denúncia feita Rodas da Paz na ocasião do Dia do Ciclista de 2014, em 19 de agosto. Essa vistoria é uma oportunidade histórica de se envolver os ciclistas que utilizam a EPTG para seu deslocamento diário na construção da ciclovia.

Veja os pontos críticos do projeto por onde iremos passar na vistoria do dia 14/6:

PONTOS CRITICOS

O caso desta rodovia é alarmante, uma vez que seus 12 km de extensão geraram o mesmo número de mortes de ciclistas que o bairro inteiro de Brasília entre 2003 e 2013, segundo informações do DETRAN. Saiba dessas e outras informações que mostram a necessidade da ciclovia na EPTG na ficha histórica feita pela Rodas da Paz sobre a questão da ciclovia da EPTG.

Compilação de fotos de ciclistas na EPTG, elaborado por Uirá Lourenço, do portal Mobilize aqui.