Arquivo mensais:abril 2015

Bondes de bicicletas circulam por Brasília no mês de maio

A campanha “De Bike ao Trabalho”, que está em sua terceira edição no Brasil, acontece na sexta-feira do dia 8 de maio. A iniciativa, organizada pela rede nacional Bike Anjo, promove a bicicleta como um meio de transporte sustentável, saudável e eficiente para se chegar ao trabalho.

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A bike pode ser uma aliada para se escapar dos congestionamentos nos horários de mais movimento na cidade. Segundo estudo de 2013 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o trabalhador do Distrito Federal gastou 35 minutos de casa ao trabalho em 2009. Tempo que equivaleria a quase um dia inteiro após um mês, considerando o deslocamento de ida e volta nos dias úteis.

A data é propícia para os iniciantes que desejem adotar o hábito de pedalar para o trabalho, mas não sabem por onde começar. Eles podem se inscrever no site debikeaotrabalho.org e buscar outros ciclistas que façam seu trajeto. Esses grupos são chamados de bondes e o cadastro é aberto para todos os interessados, como ciclistas, grupos organizados, empresas e gestores. Na Capital, a rede local Bike Anjo DF é responsável por organizar e divulgar os locais e horários de saída dos bondes.

A nova Coordenadora Geral da Rodas da Paz, Renata Florentino, registrou um bonde no site da campanha. O grupo sai às 8h da entrada da SQN 208 e ruma em direção ao Setor Comercial e Bancário Norte. Desde 2012, Renata assumiu a bicicleta como meio de transporte para chegar ao trabalho. “O deslocamento é curto e sem congestionamento”, argumenta.

O “De Bike ao Trabalho” também é uma oportunidade de demandar mudanças para estimular o uso da bicicleta. Empresas e órgãos públicos podem contribuir com medidas simples: a instalação de bicicletários, a compra de armários e a oferta de chuveiros e vestiários para empregados e servidores.

Serviço:
Bonde da Rodas da Paz
www.rodasdapaz.org.br e [email protected]
Horário: 8h do dia 08 de maio de 2015
Local: Entrada da SQN 208
Responsável: Coordenadora Geral Renata Florentino [email protected]
Lista dos bondes do DF:
https://www.facebook.com/events/680710825373820/

Fontes:
De Bike ao Trabalho debikeaotrabalho.org
Bike Anjo Nacional bikeanjo.org
Bike Anjo DF fb.com/bikeanjodf
Anderson Paz [email protected]
Pesquisa do Ipea http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=17212
Manual De Bicicleta para o Trabalho http://www.ta.org.br/educativos/DOCS/De_bicicleta_para_o_trabalho.pdf

Tendência de queda em mortes de ciclistas é conquista que não pode ser perdida no DF

mortes_quedaDesde 2005 o DF vem reduzindo as mortes de ciclistas no trânsito. Partimos do pressuposto que nenhuma morte no trânsito é aceitável, pois as causas dessas perdas, tais como alta velocidade do carros e embriaguez ao volante, são bem conhecidas e, por isso, podem ser mitigadas e prevenidas. A chamada “Visão Zero” embasa essa premissa, de não banalizarmos as vidas perdidas em função da violência do trânsito motorizado.

Em 2015, a necessária tendência de queda de mortes de ciclistas parece estar ameaçada. Até abril deste ano, já foram computadas 14 mortes de ciclistas (levantamento não oficial a partir de notícias veiculadas na mídia e na internet), enquanto que em 2014 foram registradas 22. Não podemos aceitar que as fatalidades continuem nesse ritmo. As já demandadas campanhas educativas, somadas à fiscalização, são urgentes para não perdermos de vez o rumo do trânsito no DF. A população que utiliza a bicicleta agora colhe nas ruas o desrespeito de motoristas, após o governo anterior ter transmitido a mensagem de que o lugar de ciclistas seria apenas na ciclovia.

Acreditando que bons dados são aliados de uma boa política pública, a Rodas da Paz sempre procurou basear seus posicionamentos em análises estatísticas e pesquisas, inclusive utilizando as informações produzidas pelos próprios departamentos de estatística do Governo do DF e também do Governo Federal. As sugestões que fizemos ao governo passado sempre alertaram sobre os impactos positivos e negativos que a política teria no futuro da cidade.

Listamos a seguir os Boletins Informativos do DETRAN produzidos nos últimos anos, seguidos de breves comentários para cada edição. No site do órgão há uma sessão específica de estatísticas e acidentes, onde o Boletim mais atual está sempre disponível. No entanto, não é possível acessar os Boletins de anos anteriores. Por isso, disponibilizamos estes documentos aqui para facilitar a consulta.

O empenho no acompanhamento estatístico das ocorrências no trânsito é muito importante para direcionar ações governamentais. Nesse sentido, é importante reconhecer a importância do DETRAN ter um Boletim específico dos registros de ocorrências envolvendo bicicletas no trânsito do DF. Ressaltamos que estas ocorrências não devem ser tratadas como “acidentes”, pois podem ser previstas e prevenidas com base no tripé estrutura, fiscalização e educação.

Boa leitura!

Boletim Informativo de 2014

O Boletim de 2014 registrou o menor número absoluto de mortes de ciclistas no DF desde que o dado é acompanhado. Ceilândia foi a cidade com mais vítimas: 4 ciclistas. É mostrado também a redução da concentração de ocorrências aos finais de semana, embora estes continuem sendo os dias com maior frequência de óbitos. O período noturno continua aparecendo como o mais arriscado, por isso recomendamos sempre o uso de iluminadores e refletivos para ciclistas, como medida preventiva, que aumenta sua visibilidade na rua. Houve registro de 2 pedestres que faleceram em ocorrências com ciclistas, sendo um dos casos o do Parque da Cidade.

Boletim Informativo de 2013

O Boletim de 2013 tenta relacionar a queda nas mortes aos investimentos recentes em ciclovia, mas ao mesmo tempo mostra que são as rodovias, e não as vias urbanas, que concentram mais da metade dos óbitos de ciclistas e não receberam investimento em infraestrutura cicloviária na proporção devida. E foram as tabelas desse Boletim que mostraram que apenas uma via, a EPTG, teve o mesmo número de vidas perdidas (8) que um bairro inteiro no mesmo período, no caso o Plano Piloto.

O Plano Piloto, bairro da Copa do Mundo, recebeu dezenas de quilômetros de ciclovia, enquanto a EPTG e a Estrutural (que teve ainda mais mortes que o Plano Piloto) continuam sem oferecer segurança no deslocamento dos moradores do Eixo Oeste da cidade em direção ao Plano, que concentra 47% dos postos de trabalho do DF, mas onde mora só 8% da população. Os dados sobre postos de trabalho e população nós encontramos no site da CODEPLAN.

Boletim Informativo de 2012

No ano de 2012 foi a cidade de Santa Maria que liderou as fatalidades com ciclistas, com 3 registros. No texto de apresentação do Boletim, técnicos apontam “a necessidade de políticas públicas orientadas para a construção de ciclovias e ciclofaixas nos locais de maior incidência, além da promoção de campanhas educativas voltadas à conscientização da população quanto à necessidade de proteção aos ciclistas no trânsito, à gravidade dos acidentes e à importância do uso sistemático de capacete como equipamento de proteção.

É curioso notar que não há informações sobre uso ou não de capacete entre as vítimas mortas que permita subsidiar essa conclusão em relação ao uso do equipamento, e que embora os dados indiquem a concentração de ocorrências no período noturno naquele ano (63%), não se faz menção no texto sobre o uso de luminosos ou refletivos. Como se sabe, em anos posteriores não houve campanhas educativas, como havia sido sistematicamente demandado, o que indica mais gravemente a subutilização dos dados. Além disso, apesar de ter sido expressamente recomendado no Boletim a construção de infraestrutura cicloviária nos locais com maior incidência para ciclistas no trânsito, a ação do GDF caminhou no sentido contrário, com a priorização da oferta de estrutura nas regiões com menores índices de fatalidade (conforme pode ser constatado na análise da Rodas da Paz).

Boletim Informativo de 2011

A cidade com maior número de vítimas fatais nesse ano foi Ceilândia, com 5 ciclistas mortos. Foi registrada a morte de um motociclista em função de ocorrência com bicicleta. Nesse boletim de 2011 já é possível perceber uma tendência de queda das mortes de ciclistas, que se mantém por anos consecutivos. O número mais elevado nessa série foi registrado em 2003, quando 69 vidas foram perdidas (mais de uma por semana em média), fato que mobilizou a criação da Rodas da Paz na época. A maior redução proporcional entre anos consecutivos foi registrada justamente no primeiro ano de atuação da ONG, de 2003 para 2004, período que teve queda de 31% nas fatalidades.

 


 #Nota explicativa do DETRAN#

“Os acidentes fatais são contabilizados a partir do cruzamento das informações provenientes das Delegacias de Polícia, do IML e da Secretaria de Saúde, o que faz crer que a totalidade dos óbitos é computada. Porém, sabe-se que existem acidentes com feridos que não são registrados, principalmente aqueles com o envolvimento da
bicicleta, nos quais não foi acionado o atendimento médico público. De acordo com as normas da ABNT e seguindo as orientações do DENATRAN, é considerado acidente fatal quando o óbito ocorre até 30 dias após a data do evento.”


Conheça a nova Coordenação da Rodas da Paz

 

rodas da paz 2015No último sábado, dia 25 de abril de 2015, ocorreu a Assembleia Geral Ordinária da Associação Rodas da Paz, que tratou da apresentação das atividades desenvolvidas nos dois anos de gestão da Diretoria 2013-2015, da apresentação resumida do balanço financeiro da respectiva gestão, da aprovação das contas (previamente enviados em detalhe ao conselho fiscal) e da eleição da nova Coordenação e sua proposta de Plano de Gestão. O Estatuto também foi atualizado no dia, durante a Assembleia Geral Extraordinária. Confira os membros da nova gestão da ONG Rodas da Paz:

Coordenadora Geral: Renata Florentino
Coordenador Administrativo: Gil Amaro da Silva
Coordenador de Finanças: Maurício Ferreira
Coordenadora de Comunicação: Ana Júlia Pinheiro

Conselho Fiscal:
Luciana Van Tol
Tom Barros
Viviane Brandão

Conselho Consultivo:
Cleo Manhas
David Duarte
David Patrick
Elizabeth Davison
Elizabeth Veloso
Everaldo Alves
Gustavo Souto Maior
Jonas Bertucci
Josi Paz
Letícia Bortolon
Maurício Gonçalves
Paulo César Marques
Victor Roberto Pavarino
Pérsio Marco Antônio Davison
Phillip James Lima
Raphael Dorneles
Wesley Moura
Yuri Prestes

Em breve vamos agendar a oficina de Planejamento, aberta aos associados da Rodas da Paz, para esmiuçar o Plano de Gestão da nova coordenação!

Associe-se: http://www.rodasdapaz.org.br/associe-se-a-rodas-da-paz-e-contribua-para-um-df/

Ciclistas demandam ações educativas, de pesquisa e de infraestrutura ao DER/DF

Agentes do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal – DER/DF se reuniram com grupos de ciclistas para debater as ações de campanha educativa incentivada pelo movimento Maio Amarelo. O objetivo do movimento é discutir a segurança viária com o Poder Público e a sociedade civil. Os ciclistas sugeriram diversas ações para evitar a violência no trânsito e promover a convivência pacífica entre os diferentes meios de transporte. Os agentes se comprometeram a encaminhar as demandas para o Diretor Geral do DER/DF, Henrique Luduvice, e retornar com respostas.
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Dentre as demandas, está a criação de grupos de trabalho que reúnam os diversos órgãos públicos relacionados com a mobilidade urbana, a sociedade civil e a universidade. Estes grupos devem ser paritários com igual peso de voto entre os três segmentos. Inicialmente, foram sugeridos os GTs de Educação – para trabalhar com as escolas e principalmente os instrutores do DETRAN – e o de Estudos de Infraestrutura para analisar, dentre outros, a redução da velocidade das rodovias e vias urbanas.
Os ciclistas requisitaram a construção de ciclovia para a Estrada Parque Taguatinga – EPTG e questionaram se existem projetos de ciclovias para a Estrada Parque Indústria e Abastecimento – EPIA ou outros projetos inseridos na implementação do BRT. Com o objetivo de produzir dados para embasar políticas públicas para a bicicleta, os grupos sugeriram o uso de um software gratuito de contagem de ciclistas para análise das imagens do sistema de câmeras de vigilância do DER, já instaladas nas rodovias. As câmeras poderiam ser usadas também para verificar situações de comportamento perigoso no trânsito, resultando no envio de cartas de advertências para esses motoristas.
Os coletivos presentes enfatizaram a importância de campanha educativa abordando como deve ser a ultrapassagem das bicicletas pelos carros: os motoristas devem reduzir a velocidade e manter a distância de 1,5m. Além disso, sugeriram o uso de suportes de comunicação que permitissem uma campanha educativa permanente na EPTG. A Rodas da Paz propôs ao DER/DF parceria para a produção de material sobre mobilidade urbana voltado para os professores utilizarem em sala de aula.
Os ciclistas lembraram ao DER/DF da obrigatoriedade de criação de bicicletários para os órgãos públicos e aconselharam o Departamento a assumir esta tarefa em seus prédios. O uso de bicicletas pelos agentes que atuam no Eixão do Lazer também seria uma iniciativa exemplar do órgão, bem como a orientação dos motoristas dos caminhões que circulam nesta via ao final de eventos, visando a moderação da velocidade.
Por fim, os grupos convidaram o DER/DF e se envolver e apoiar a campanha “De Bike ao Trabalho“, que ocorre no dia 8 de maio. Os agentes devem verificar a possibilidade de garantir a segurança dos trabalhadores que optarem pelo uso da bicicleta neste dia para se deslocarem pela EPTG até o local de trabalho.

Parque da Cidade: intervenções imediatas

Nesta segunda-feira (20/04), gestores, ciclistas e treinadores se reuniram para discutir a segurança dos usuários de bicicleta em Brasília. O encontro foi estimulado pelo episódio ocorrido no Parque da Cidade na última quarta-feira (15/04), quando Juliana Lanaro Ribeiro foi atropelada por motorista durante treino. O motorista jogou o carro contra o grupo de ciclistas após gritar ofensas aos atletas. Representantes da Administração Regional de Brasília, da Subsecretaria do Parque da Cidade, da Secretaria de Estado de Mobilidade e do Departamento de Trânsito estiveram no encontro. Foram pensadas ações em curto e longo prazo para enfrentar a violência contra os ciclistas. Os gestores concordaram com a importância de campanhas educativas futuras para rádio e televisão, focando nas regras de conduta dos motoristas e ciclistas. Ao final da reunião, a tenente-coronel, Sheila Sampaio, que comanda o 1º Batalhão da Polícia Militar do DF e é ciclista, sistematizou os encaminhamentos em curto prazo. Haverá um carro da PM percorrendo o Parque na hora dos treinos (início da manhã e final da noite), serão produzidos fôlderes de orientação sobre as regras do trânsito (distribuídos por blitz educativas) e a instalação de sinalização vertical sensibilizando os motoristas para o cuidado com os atletas nas bicicletas. Também existe a previsão de sinalização horizontal, porém esta demanda um projeto e deve demorar um pouco mais.

Os representantes do Poder Público pretendem divulgar estas primeiras ações durante o evento “Motorista Respeite o Ciclista” na quinta-feira (23/04) às 7h no Estacionamento nº10 do Parque da Cidade

Conheça a nova secretária executiva da Rodas da Paz!

Após fazer um processo seletivo aberto para preencher a vaga de Secretário Exevutivo, a Rodas da Paz recebeu 58 currículos de pessoas interessadas em colaborar com a pauta da mobilidade sustentável!

Ficamos muito felizes em ter despertado o interesse de tantas pessoas!

Conheça abaixo o perfil de Juliana Mendes, que já foi contratada e que está trabalhando a todo vapor na ONG!
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Juliana é formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Brasília, tem mestrado em Ciências Sociais também pela UnB e se inscreveu no processo seletivo por acreditar que a Rodas da Paz “é uma associação que investe na mobilização social e, para isso, explora diversas ferramentas de comunicação”. Com experiência em diversos projetos sociais, a Juliana com certeza irá nos ajudar bastante a fazermos a mensagem da mobilidade por bicicleta chegar cada vez em mais pessoas!

Seja bem vinda!
Saiba mais sobre a Juliana e seu trabalho na curta entrevista que fizemos:

No seu primeiro mês, qual você acha que pode ser sua maior contribuição?

Juliana: Espero que a minha contribuição para a Rodas da Paz ocorra de forma mais gradual no decorrer do desenvolvimento das atividades e projetos. Neste primeiro mês, meu esforço é no sentido de colaborar com a organização dos processos e com o relacionamento com a equipe e parceiros. Nessas poucas semanas, ao conhecer as pessoas envolvidas com a associação e ao participar em alguns eventos, tenho aprendido sobre os debates que envolvem a mobilidade. Este contato também me permite vislumbrar na prática, principalmente dos ciclistas, como poderia ser um outro sistema de transporte, mais digno, justo e conectado com a vivência e interação nos espaços da cidade.

Qual o maior desafio para aumentar o alcance das ações da Rodas da Paz?

Juliana: A Rodas da Paz é uma organização reconhecida em Brasília e que continuamente desenvolve ações educativas e de comunicação em favor da mobilidade urbana e de um trânsito mais sustentável e menos violento. Porém, apesar do protagonismo da associação para a mobilização social e a elaboração de políticas públicas, um grande desafio é a mudança cultural na compreensão do conceito de uma cidade mais humana e acessível a todas e todos. Afinal, o transporte é essencial, principalmente em grandes cidades, para o gozo de outros direitos – como trabalho, educação, saúde, cultura e lazer. Então, para aumentar o alcance de suas ações, acredito que a Rodas da Paz deva estabelecer permanentemente o diálogo com os diferentes atores desta equação: gestores, empresas, grupos organizados da sociedade e cidadãos. Como na maioria das instituições, penso que o mais difícil seja descobrir a linguagem e as ferramentas apropriadas para se comunicar com aqueles que desconhecem o assunto ou nunca se questionaram sobre os posicionamentos mantidos.

Porque as bicicletas foram excluídas do plano de mobilidade do III EMDS?

Acontece em Brasília, de 7 a 8 de abril, o III Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, organizado pela Frente Nacional dos Prefeitos. O curioso é que ao mesmo tempo que as prefeituras vem investindo bastante em estrutura cicloviária, a bicicleta ficou de fora do plano de mobilidade desse evento, e os ciclistas tiveram que se virar para deixar suas bicicletas estacionadas.

A Rodas da Paz enviou o comunicado abaixo para a organização e obteve a explicação reproduzida ao final desta nota. Os responsáveis pelo evento se comprometeram a fornecer um bicicletário com a capacidade para 30 bicicletas. Este ficará em local coberto e seguro dentro do Centro de Convenções e os seguranças serão orientados a acolher os ciclistas.

Prezados organizadores do IIIEMDS,

A ONG Rodas da Paz, organização apartidária e sem fins lucrativos, foi instituída em 2003 com o objetivo de reagir à violência e ao crescente número de acidentes e de mortes no trânsito do Distrito Federal. Desde então, promove ações educativas para a conscientização em prol de um trânsito seguro para todos, com especial atenção para os usuários da bicicleta.

O uso de bicicletas como meio de transporte é uma tendência observada no mundo e tem se desenvolvido enormemente também no Brasil. Além de ser uma alternativa barata e rápida de locomoção, as bicicletas são sustentáveis: não poluem, são econômicas e ajudam a evitar congestionamentos. A bicicleta é, sem sombra de dúvidas, um dos instrumentos capaz de promover uma mobilidade mais sustentável em nossas cidades.

Dentro desse contexto, é alarmante o fato de que participantes do III EMDS que optaram pelo deslocamento sustentável por meio da bicicleta tenham sido barrados na entrada do III EMDS. Simplesmente não há local para o estacionamento seguro de bicicletas e os seguranças não estão treinados para oferecer alternativa aos participantes que utilizam a bicicleta. Mais do que isso, nos preocupa que o plano de mobilidade do evento tenha negligenciado completamente o uso da bicicleta como modal de transporte,apesar de todas as suas conhecidas vantagens em questão de sustentabilidade.

Essa falha gravíssima, se não corrigida, coloca em xeque a legitimidade de um evento que pretende discutir e promover práticas sustentáveis nos municípios do Brasil.

Nesse sentido, sugerimos que a organização reveja urgentemente essa política de forma que nos próximos dias haja uma solução, mesmo que provisória, para esta situação. Pode-se facilmente:

– Reservar um local para estacionamento de bicicletas na entrada do evento e com visibilidade ampla;
– Orientar seguranças, acolhendo os participantes que fizeram a opção pelo deslocamento sustentável até o local do evento;
– E divulgar amplamente a possibilidade de se ir ao III EMDS por meio da bicicleta.
 
Sugerimos ainda rever, junto aos idealizadores do plano, a inclusão ampla das formas de mobilidade sustentável não motorizadas nos planos dos próximos eventos.

Certo da compreensão da equipe do III EDMS, agradeço a atenção dispensada.
Cordialmente,

Jonas Bertucci

Presidente
Rodas da Paz

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Em resposta à nota da Rodas da Paz, os organizadores do III EMDS justificaram que a instalação de uma estrutura física na frente do Centro de Convenções se inviabilizou por complicações logísticas e de custo, além de outras dificuldades. A explicação se encontra a seguir:

Prezado Jonas, boa tarde!

Conforme conversa telefônica, seguem tópicos importantes em resposta à Nota da ONG Rodas da Paz a respeito do plano de Mobilidade do evento.

1- Em parceria com a NTU – Associação Nacional das empresas de transportes Urbanos, foi elaborado um Plano de Mobilidade para o III EMDS (em anexo). À partir da página 20, item 4.2, estão as ações para bicicletas pretendidas para o evento. Mas, infelizmente, por questões de logística, custo e dificuldade de qualquer ação ou estrutura física na frente do Centro de Convenções, não foi possível executá-las, portanto preferimos não divulgar nenhuma ação que tivéssemos dificuldade em executar.

2- Para isso, sabendo da dificuldade encontrada hoje 07/04 pelos ciclistas, serão tomadas as seguintes ações:

– o III EMDS disponibilizará um bicicletário dentro do centro de convenções, coberto, seguro e com espaço para 30 bicicletas;

– todos os seguranças estarão pautados a orientar os usuários de bicicletas a entrarem no evento com sua bike e estacionarem no ponto específico;

– divulgar no site oficial do evento assim como em todas as redes sociais que o III EMDS disponibilizará estacionamento seguro para bikes e com toda receptividade que um evento desse porte deve tratar as bikes, com a ajuda da Maia Terra, reconhecida e ativa defensora das bikes em Brasília.

[…] Desde já agradeço imensamente toda sua atenção e pedimos desculpas por qualquer transtorno aos ciclistas.

Atenciosamente,

Marcelo Laitano – Assessor FNP

Dirigir bêbado e a corrupção

A um dia do fim da festa pagã mais popular do país, o número de condutores flagrados sob efeito de álcool ao volante bateu o recorde de 48 casos diários, em média, no Distrito Federal. Somente o Detran fez 193 notificações em apenas quatro dias. Entre os infratores, houve quem fosse pego duas vezes no intervalo de uma hora e meia. Esse número será ainda maior quando a Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgarem os balanços do feriadão.

A alcoolemia ao volante está entre as principais causas de morte no trânsito brasileiro e no mundo. Aqui, a legislação proíbe a conduta há pelo menos 46 anos. Mas somente a partir de 2008, com o endurecimento da lei, o assunto chegou às mesas de boteco. Em 2012, nova alteração das regras impôs multa ainda mais pesada, RS 1,9 mil, e tornou desnecessário o teste de alcoolemia para comprovar a infração. Nada disso tem impedido que centenas peguem o volante após a ingestão de bebida alcoólica. Alguns tornam-se assassinos ao volante.

O curioso é que parte desses infratores é a mesma que, em redes sociais, brada contra a corrupção na Petrobras. Eles cobram penas mais severas para os assassinos. Defendem de forma ferrenha a redução da maioridade penal. E o que isso tem a ver com dirigir alcoolizado? Tudo. Quem corrompe infringe lei e quebra códigos de conduta social. O motorista alcoolizado é tão perigoso à vida quanto quem anda armado, em franco desrespeito à legislação. Ambos são nocivos à sociedade como à corrupção.

Mas quem dirige embriagado parece incapaz de olhar para si como realmente é: risco real à sociedade e assassino em potencial, uma vez que a ciência provou o quanto o álcool compromete a capacidade de condução de um veículo.

Como mudar isso? Há vários caminhos. Um bom começo é cada cidadão julgar a si próprio com o mesmo rigor com que condena a corrupção. Vai dirigir? Não beba. O Estado, por outro lado, deve cumprir o seu papel. Fiscalizar, educar, melhorar a formação dos motoristas e garantir a segurança nas pistas. Cabe ao Poder Judiciário parar de julgar os homicídios no trânsito como se fossem crimes menos graves na comparação com os assassinatos cometidos com armas de fogo ou brancas. E ao Congresso Nacional, legislar com responsabilidade para assegurar leis eficazes e justas.

Por Adriana Bernardes, publicado no Correio Braziliense em 18 de fevereiro de 2015.

Ciclista é atropelado e morto na L4 Norte por motorista embriagado

Fabricio Torres, de 35 anos, foi atropelado e morto por Rafael de Melo Balaniuk, motorista embriagado, às 06h50 na sexta-feira passada (03/04). O atropelamento ocorreu na via L4 norte perto do Iate Clube em Brasília, quando Torres pedalava da Vila Planalto para o trabalho no Lago Norte, e Fabrício faleceu sábado. De acordo com  o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER/DF), houve a tentativa de Rafael de Melo, de 25 anos, de fugir do local — ele teria parado um quilômetro após o atropelamento devido a um pneu furado. O teste de bafômetro de Rafael teria indicado 0,79 miligrama de álcool por litro de ar.

A vítima foi socorrida e levada em estado gravíssimo para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Torres fraturou as pernas e faleceu no dia seguinte. O motorista, após ser encaminhado para a 5ª Delegacia de Polícia (DP), foi dispensado no sábado (04/04).Foto DER divulgação

Segundo pesquisa do Ministério da Saúde realizada em 71 hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimentos de urgência e emergência em 2011, 22,3% dos condutores envolvidos em ocorrências de trânsito, como atropelamentos e colisões, aparentavam embriaguez ou atestavam o consumo de álcool. A bebida alcoólica esteve associada a 21% dos chamados “acidentes” no trânsito, que em realidade não deveriam, em sua maior parte, ser chamados de acidentes.

No entanto, no Brasil, há legislação que aborda este comportamento de risco. O artigo 306 do Código Brasileiro de Trânsito (CTB) prevê que a condução de automóveis sob a influência de álcool e outras substâncias psicoativas acarrete penas de detenção (3 a 6 anos), além de multa e suspensão da habilitação.

A Lei Seca (11.705) garantiu alterações na norma com “a finalidade de estabelecer alcoolemia 0 (zero) e de impor penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool”. O parâmetro de 0.05 miligrama de álcool por litro de ar é utilizado para garantir a margem de segurança do aparelho de medição, como informa a Confederação Nacional do Transporte (CNT). O órgão apresenta uma tabela explicativa da diferenciação entre infração e crime decorrentes da quantidade de álcool ingerida. No caso da medição de 0,34 miligrama ou mais de álcool por litro de ar, o motorista, autor de crime, enfrenta detenção, multa e a suspensão, durante 12 meses, do privilégio de dirigir.

crimes e infrações de trânsito - CNT

Considerando a vulnerabilidade de ciclistas e pedestres face a condutores que insistem em ingerir álcool e dirigir, se torna necessário pressionar para que o motorista do atropelamento de sexta-feira seja responsabilizado por seus atos. É essencial que sua habilitação seja cassada para evitar que recorra neste comportamento violento, que resultou em uma tragédia. A segurança e o respeito aos ciclistas também devem ser garantidos pelo governo com campanhas educativas e sinalização das vias, quando necessário.

A Rodas da Paz se solidariza com a família de Fabricio Torres, que perdeu um ente querido para violência no trânsito.

Fonte: informações dos portais G1, Correio Braziliense, e R7.

Ruas de Lazer

eixão rodas da paz

O Eixão do Lazer se tornou um dos símbolos da qualidade de vida em Brasília, e um contraponto simbólico à desordenada ocupação do espaço público por carros na cidade.

Essa rua de lazer, de 16km de extensão, é uma das mais famosas do país, que conta com quase 20 ruas de lazer conhecidas nacionalmente, de acordo com levantamento da União dos Ciclistas do Brasil.

16 quilômetros de uma rodovia urbana interditada para carros e aberta para as pessoas já fazem a diferença numa cidade, e os mais de 120 quilômetros de rua de lazer que Bogotá promove mostram como é possível humanizar uma cidade oferecendo um espaço de lazer gratuito e democrático para seus pedestres, ciclistas, skatistas e quem mais quiser.

Em espanhol as ruas de lazer são chamadas de ciclovías recreativas, e em inglês open street. Pesquisando essas duas expressões na internet é possível descobrir várias iniciativas mundo afora desse tipo de intervenção urbana.

Veja como implementar uma na sua cidade com o manual que a Rede Latino America de Ciclovías Recreativas fez (em espanhol): acesse aqui.

E aqui os critérios para avaliar uma rua de lazer (em português): acesse aqui.

A Rodas da Paz já se posicionou em defesa do Eixão do Lazer sempre que essa iniciativa se viu ameaçada, tanto em 2008 como em 2013, e apoiamos a extensão dessa ação para outras cidades do DF. Já fizemos essa sugestão na Câmara Legislativa do Distrito Federal e diretamente ao GDF.