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Sistema de compartilhamento de bicicletas 2: encontro aberto para discutir as sugestões para as novas estações e resposta do GDF

No dia 14 de junho de 2014, Rodas da Paz convidou a comunidade para um café da manhã para conversar sobre como melhorar o sistema de compartilhamento de bicicletas em Brasília e onde instalar as próximas  estações.

café

Já havíamos feito algumas contribuições para o GDF, que foram encaminhadas por meio deste ofício

Enviamos as novas sugestões que surgiram no encontro participativo para melhoria do sistema, assim como a relação sugerida dos pontos de instalação das estações de bicicletas compartilhadas que poderiam completar as próximas estações instaladas na RA-1 nesta fase. Veja o documento completo  aqui. Estas sugestões são complementares às anteriormente enviadas, ampliando a área de cobertura do sistema.

Recomendações do encontro:

1) Sinalização e educação no trânsito: nas áreas onde há estações é importante haver um esforço ainda maior do poder público de sinalização nas vias e nas ciclovias, alertando aos motoristas de que há, naquela área, maior trânsito de bicicletas;

2) É preciso ter políticas de moderação de tráfego, reduzindo limites de velocidade e fazendo análises para instalação de equipamentos de controle de velocidade (como faixas elevadas, lombadas ou radares, por exemplo) e garantindo segurança e preferência – a não existência de ciclovias não impede a existência de estações em um determinado local;

3) As próprias bicicletas podem trazer consigo mensagens educativas visíveis aos motoristas (“proteja o ciclista”, “dê a preferência”, “mantenha a distância de 1,5m”, por exemplo);

4) Foi relatado que, muitas vezes, uma pessoa pode demorar para encontrar uma estação. Apesar da localização no mapa do aplicativo, o local preciso não é visualizado facilmente. Assim, seria interessante criar placas de orientação nos locais ao redor das estações indicando a direção delas (além de ajudar o usuário comum, isso pode despertar a curiosidade e atrair novos usuários);

5) Verificar a possibilidade de se criar um cartão especial ou um bilhete único (integrado ao transporte público);

Sugestões dos 10 novos pontos:

bikes compartilhadas 2

Foi sugerido também a possibilidade de instalação posterior de estações em locais onde há curiosidades históricas e culturais da cidade. Podem ser criados Totens com informações, curiosidades e referências históricas nas próprias estações (em locais fora do eixo tradicional, como a quadra 308 Sul (quadra inicial), a 405 Norte (conhecida como babilônia), a 505 Sul (próximo à Praça do Índio e à Igreja Dom Bosco). Seria interessante pesquisar locais com curiosidades como essa dentro e fora do plano piloto.

Importante: Cientes da carência da educação no trânsito e respeito ao ciclista, reforçamos, enfaticamente, que as novas estações de bicicletas compartilhadas devam vir acompanhadas de ações educativas e de redução da velocidade no trânsito, por parte do Poder Público.

Após verificarmos que as novas estações estavam sendo instaladas e questionarmos novamente o GDF, recebemos uma resposta oficial do GDF (veja a reposta detalhada da comissão técnica e o ofício do fórum de mobilidade por bicicleta do GDF).

As sugestões foram recebidas como contribuições técnicas e em parte acolhidas. No entanto, grande parte das sugestões das estações não podem ser seguidas nessa fase de testes, segundo a comissão técnica, devido ao escopo definido de atuação e à densidade de estações por km² proposta na área inicial projetada.

Os documentos revelam também duas novidades:

1) já está prevista integração do sistema de bicicletas ao transporte público por meio de um cartão especial, o que requer o “encerramento da transição do sistema de transporte público do DF”, e;

2) é anunciado que “Além da ampliação do Sistema de Bicicletas Compartilhadas de Brasília, já está prevista a implantação do mesmo sistema nas cidades de Ceilândia e Samambaia”;

No entanto, não é mencionado prazo para tais ações.

Conclusão: antes de solicitar as sugestões da Rodas da Paz, o GDF poderia ter explicitado a limitação da área do projeto piloto, evitando sugestão de estações em áreas onde já se sabia que não seria possível a instalação. O maior diálogo e disponibilização fácil dos documentos facilitaria as contribuições e participação da sociedade. As sugestões enviadas pela Rodas da Paz permanecem para a próxima etapa, pós testes. Vamos continuar acompanhando o andamento do projeto e colaborando para a melhoria das condições de mobilidade por bicicleta no DF.

Rodas da Paz participa de Audiência Pública na Câmara dos Deputados

Em 29 de abril de 2014 a Rodas da Paz participou de uma Audiência Pública na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados sobre “O Uso das Bicicletas no Brasil e as Políticas Governamentais de Incentivo à Utilização deste Modal de Transporte”, convocada pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE). rodas audiencia senadorodas senado

 

O presidente da Rodas da Paz, Jonas Bertucci, um dos componentes da mesa, fez uma apresentação pela humanização do planejamento urbano, destacando os múltiplos benefícios da efetiva integração da bicicleta no sistema de transportes – disponibilizada aqui. 

 

Participaram também da audiência, Marcos Vinícius Tapajós, Chefe da Divisão de Impostos sobre Produtos Industrializados do Ministério da Fazenda; Daniel Stivelberg, Representante da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike); um representante da Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Bicicletas (Abradibi) e um representante da Secretaria de Mobilidade, do Ministério das Cidades.

Chamada para segunda turma de voluntários da Rodas da Paz

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Você acha que dá pra fazer do DF um lugar mais seguro para andar a pé, de bike ou skate? Nós também. Ajude a Rodas da Paz a tornar os espaços públicos de nossa cidade mais vivos e participe de nossa oficina de formação para voluntários. Dias 26 e 27 de julho vamos aprender sobre mobilidade sustentável, bicicleta e a sua relação com a cidade, estatísticas sobre acidentes de trânsito, os eixos de atuação da Rodas da Paz e muito mais!

As inscrições vão até 18 de julho. Vagas limitadas. Acesse aqui o formulário.

Em 2013 fizemos nossa primeira oficina de formação de voluntários. Ganhamos pessoas incríveis, com as mais diversas habilidades, que nos ajudaram a fazer de 2013 um ano de reestruturação para a Rodas da Paz. Ficamos tão felizes com o resultado desse primeiro chamado de voluntários que resolvemos repetir essa oficina anualmente!

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Homenagem ao ciclista Francisco Vidal

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Sábado dia 28 de junho de 2014 foi instalada ghost bike na EPTG em homenagem ao ciclista Francisco Vidal, atropelado por motorista que trafegava em zigue-zague na EPTG às 7:40 do domingo dia 22 de junho.

O presidente da ONG Rodas da Paz, Jonas de Oliveira Bertucci, escreveu e leu este texto no momento de instalação da ghost bike:

Ao Francisco Vidal, esposa, filhos, amigos e familiares.

Prezado Francisco,

Não nos conhecemos pessoalmente, porém tínhamos uma paixão em comum, o único vínculo que me faz estar aqui hoje e me permite tomar a liberdade de dizer algumas palavras em sua homenagem: a bicicleta.

Nenhum de nós gostaria de estar aqui agora, mais uma vez pendurando uma bicicleta branca, por mais uma morte que poderia ter sido evitada.

A primeira sensação ao ver seu corpo sendo enterrado, como me relatou uma de nós, foi de frustração por nossa incompetência. Como pudemos permitir que mais uma vida fosse perdida? Será que nossa luta tem sido em vão? O que estamos fazendo de errado?

Nós falhamos de novo. Sabíamos o que deveria ser feito, mas não fizemos. Tínhamos todos os números, dados e estudos diante dos olhos e decidimos mais uma vez ignorar o bom senso e a razão, permitindo o avanço de um projeto que todos sabem ser insustentável.

Essa via, a EPTG, é um dos maiores exemplos do nosso fracasso. Como pudemos, nós cidadãos de Brasília, permitir tamanha falta de bom senso?

Não é preciso uma reflexão muito complexa para chegar a essa conclusão. O Código de Trânsito e as inúmeras leis que foram escritas para garantir a segurança no trânsito e incentivar a construção de uma cidade para pessoas são tratados magníficos, mas que, infelizmente, permanecem no papel.

A lei que deveria obrigar o planejamento de ciclovias nos projetos rodoviários, bem como nas estradas em fase de construção, tem sido totalmente ignorada.

Mesmo as novas ciclovias padecem de erros graves. Buracos, bloqueios, descontinuidades, falta de iluminação e de sinalização. As travessias das pontes e as ligações entre as cidades mais carentes do DF são negligenciadas.

Campanhas educativas? Só depois da conclusão das obras, intermináveis. O sinal de PARE em Brasília é voltado para o ciclista, sem absolutamente nenhuma indicação para que os motoristas lhe ofereçam a preferência. Afinal, o mais seguro talvez seja não sair de casa.

As rodovias de mais alta velocidade e maior número de mortes, não apenas a EPTG, mas vias como a EPIG, EPIA, EPGU, EPNB, Estrutural, entre tantas outras, não são prioridade.

É claro que as leis são fundamentais, mas ainda são insuficientes para mudar a nossa realidade.

Diante de mais uma tragédia, é difícil se reestabelecer. Certamente haverão muitas e novas promessas. Será que com o passar do tempo mais uma vez as promessas serão esquecidas e permanecerão no papel? Será que em 6 meses ou 1 ano, as mesmas desculpas como
“O ótimo é inimigo do bom”.
“Melhor fazer mal feito do que não fazer.”
Ou algo sobre “a lentidão da máquina estatal”
serão novamente apresentadas para justificar a nossa incompetência e omissão?

Será que a importância da participação popular no planejamento e na formulação de projetos que afetam a vida de todos nós será mais uma vez desprezada?

Meu caro Francisco, nada justifica a sua partida desse mundo e, por isso, pouco podemos fazer para consolar os seus próximos a não ser não desistir. Qualquer morte é inaceitável enquanto soubermos o que ainda falta fazer e não fizermos.

Espero que seu nome não seja esquecido, que cada um (seja ele ciclista, motorista ou pedestre; político, gestor público ou cidadão comum), que cada um tenha consciência da responsabilidade que tem em mudar essa realidade.

E que possamos encontrar novos caminhos para não repetirmos os erros do presente.

Em nome de todos da Rodas da Paz

 

LUOS não deve ser votada antes de estar amadurecida na sociedade

Manobra parlamentar na Câmara Legislativa do Distrito Federal pretendia aprovar Lei de Uso e Ocupação do Solo em meio à Copa do Mundo, aproveitando a pouca atenção que a votação teria durante os jogos. Graças ao empenho de diversos grupos, “Nós que amamos Brasília”, “Urbanistas em defesa de Brasília”, associações de moradores e o Instituto de Arquitetos do Brasil, o projeto de votação da LUOS (Lei de Uso e Ocupação do Solo foi adiado).

Veja a nota que o IAB publicou e a visão dos Urbanistas em Defesa de Brasília aqui.

 

Ciclovia de papel, vidas de verdade

Publicado no Caderno Opinião do Correio Braziliense de 26/6/2014

UIRÁ LOURENÇO
Servidor público, ciclista por opção, conselheiro da Rodas da Paz

É lamentável que ocorra mais uma morte de ciclista no Distrito Federal, justamente na Estrada Parque Taguatinga (EPTG). Na chamada Linha Verde, as únicas cores realmente marcantes são cinza e vermelho. Pode-se considerá-la um exemplo bem acabado do modelo rodoviarista caro, atrasado e poluente de incentivo ao transporte individual motorizado, em detrimento dos modos coletivos e saudáveis.

A obra de mega-ampliação viária custou mais de R$ 300 milhões e previa corredor exclusivo de ônibus e ciclovia. Fiz o trajeto de bicicleta diariamente, por mais de um ano, de Águas Claras à área central de Brasília e acompanhei as etapas da ampliação. Passados alguns meses da conclusão da obra, a EPTG já estava novamente saturada, confirmando o círculo vicioso de incentivo ao automóvel, o que resulta em congestionamentos e perda significativa de qualidade de vida.

O prometido corredor de ônibus jamais funcionou de verdade. Além da falta de ônibus apropriados, com porta do lado esquerdo, os carros transitam impunemente pelo espaço que deveria ser exclusivo dos usuários de transporte coletivo. Na prática, quem opta pelo ônibus sofre com congestionamentos nas pistas marginais. Aos pedestres, as condições são hostis, sem calçadas. No período chuvoso, sobra lama nas laterais da pista, num cenário de desconforto e humilhação em que muitos acabam andando na pista, em meio aos carros.

No trajeto de bicicleta, é necessário estar sempre atento. Desde a saída de Águas Claras até o Eixo Monumental, há incontáveis pontos de conflito com os motorizados. E compartilhar com muitos carros a via em que o limite teórico é de 80km/h (na prática, muitos motoristas passam voando baixo a mais de 100km/h) não é tarefa para iniciante. Não à toa, enquanto avançavam as obras de ampliação, menos ciclistas eram observados no caminho.

A nítida impressão é de que os usuários de bicicleta foram afugentados em razão da ampliação do espaço aos carros. E o governo “esqueceu-se” de construir a ciclovia projetada. Aos que ainda optam pela mobilidade saudável, resta compartilhar o espaço com uma frota motorizada ainda maior e mais imprudente. Não bastasse a invasão do corredor de ônibus, muitos motoristas invadem o acostamento na tentativa de escapar do congestionamento, aumentando o risco aos ciclistas.

Vários grupos organizados, especialistas em mobilidade urbana e indivíduos exigem a construção da ciclovia na EPTG. Há inclusive frases pintadas nas passarelas que questionam a injustificada ausência da ciclovia. Mais interrogações se espalham em outros locais do DF em que o risco aos ciclistas é elevado, em razão da total falta de infraestrutura e de sinalização.

Passados alguns anos do governo que se intitula “referência nacional e internacional em ciclovias” e se compara a Copenhague e Amsterdã, a ciclovia da EPTG continua no papel, esquecida em alguma gaveta da burocracia governamental. Omissão governamental e imprudência motorizada resultam em insegurança aos que caminham e pedalam.

As inúmeras leis distritais que buscam incentivar a mobilidade saudável e garantir segurança aos que optam pela bicicleta são incapazes de mudar a realidade local. Mesmo as novas ciclovias padecem de erros graves, com bloqueios, descontinuidades, falta de iluminação e de sinalização. Outros pontos cruciais são as travessias das pontes, como a do Bragueto, e as ligações das cidades do DF ao Plano Piloto, por onde passam diariamente pessoas que usam a bicicleta por necessidade.

Linhas verdes de verdade primam pela segurança dos mais frágeis no trânsito — pedestres e ciclistas — e priorizam os modos coletivos de transporte. Amsterdã, Copenhague e outras capitais exemplares constroem um ambiente humano e saudável, que inclui redução do limite de velocidade dos motorizados, espaços seguros e contínuos aos que caminham e pedalam e restrição à circulação e ao estacionamento de automóvel, especialmente na área central.

Sobre uma bicicleta estão homens e mulheres que optam por um modo de transporte saudável e necessário ante o crescente caos motorizado. Pessoas de carne e osso que merecem respeito e incentivos reais. É motivo de indignação que Brasília se intitule capital das ciclovias e ainda ostente problemas graves e primários no sistema cicloviário. A pergunta final que fica: quantas mortes ainda serão necessárias para que se reveja o modelo rodoviarista vigente e se invista num modelo humano, seguro e saudável de mobilidade?

Ghost Bike de Francisco Vidal será instalada 28/6 na EPTG – sábado 8h

Amigos e familiares do agente penitenciário Francisco Vidal estão organizando a passeata e pedalada a favor da ciclovia na EPTG neste sábado dia 28 de junho com concentração às 8h, na EPTG na altura da residência oficial do governadorl, com trajeto seguindo em direção ao Flórida Mall.

A Rodas da Paz se solidariza à dor irreparável das pessoas que perderam seu ente querido para a imprudência do motorista e para a negligência do Estado. Desde 2005 o DF conta com a lei distrital 3639/2005 que prevê a construção de ciclovias nas rodovias. Desde 2007 a “nova EPTG”, no projeto Linha Verde, prevê a construção de ciclovia no espaço hoje ocupado por pista viária. De acordo com o DETRAN, de 2003 a 2013 faleceram 8 ciclistas na EPTG, mesmo número de ciclistas mortos na Região Administrativa do Plano Piloto. Hoje o Plano Piloto conta com mais de 130 km de ciclovias enquanto a EPTG continua sem estrutura cicloviária que proteja os ciclistas que por ela passam diariamente para chegar ao centro da cidade.

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Reforçamos o convite da família para homenagear Francisco Vidal. Mais do que nunca, estamos num momento de somar esforços em defesa da ciclovia da EPTG e outras rodovias do DF. A estrutura cicloviária deve estar a serviço da população que mais necessita dessa proteção, independente de interesses eleitorais. Se há lei, pressão popular e dados oficiais indicando o caminho a ser seguido, cabe aos governos fazer o encaminhamento correto das políticas públicas.

Homenagem a Francisco Vidal

Data: 28 de junho – sábado – 8h

Local de concentração: EPTG – Residência oficial do governador

Instalação de Ghost Bike e homenagem
Evento: https://www.facebook.com/events/626363927459589/permalink/626603177435664/

 

Sistema de compartilhamento de bicicletas: onde devem ser instaladas as próximas estações?

Começou a funcionar na quarta feira dia 28/5 o sistema de compartilhamento de bicicletas em Brasília.  As dez primeiras estações foram instaladas ao longo do Eixo Monumental, com diversos pontos turísticos contemplados.

Recebemos pedido da Coordenação do Fórum de Mobilidade por Bicicleta (liderado pela Casa Civil) para sugerir as localidades para as próximas 30 estações a serem instaladas, completando um total de 40 estações nesta primeira fase. De acordo com o Edital, essas estações devem ser localizadas na RA I – Brasília. É sugerido que tenham no máximo 400 metros de distância uma da outra e que a localização seja orientada por estudo de demanda da Secretaria de Estado de Transportes do Distrito Federal, a partir da relação de 68 pontos que consta nas páginas 14 e 15 do documento. Há a ressalva de que os locais previamente delimitados no edital podem sofrer alterações e/ou ajustes de acordo com o interesse e a conveniência da Administração Pública.

Registramos nosso apoio à implantação do projeto e pretendemos continuar colaborando com sugestões para sua consolidação e melhoria com o avanço do cronograma. Dada a urgência da elaboração da resposta, com vistas a atender ao prazo oferecido pelo Fórum (de apenas 3 dias), enviamos sugestões elaboradas pela diretoria e conselho da Rodas da Paz para 10 estações. Para as próximas contribuições, reforçamos a importância da participação de mais usuários do sistema e de outros coletivos, que nesse caso ficou comprometida.

Entre as recomendações gerais da Rodas da Paz enviadas ao Fórum, sugerimos que sejam seguidos critérios que atendam aos locais de maior fluxo de pessoas, com maior potencial de uso, e interligado aos transportes públicos, como: estações de metrô, estabelecimentos de ensino e setores comerciais, bancários e autárquicos, além de possibilitar a realização de pequenos percursos com a proximidade entre as estações.

Além da abertura de novos editais para implantação do sistema de bicicletas compartilhadas em outras Regiões Administrativas, é preciso cuidar para que os sistemas sejam compatíveis e integrados, mesmo que administrados por empresas diferentes, para possibilitar a retirada/devolução de bicicletas de uma administradora em estações de outra.

Confira aqui a lista sugerida* pela Rodas da Paz para instalação das próximas 10 estações e a justificativa para esta escolha.

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*Trata-se de uma proposta que ainda passará por avaliação do GDF, não havendo garantia de que seja plenamente aceita.

Veja os estudos que o GDF encomendou para subsidiar o sistema: http://www.st.df.gov.br/programas-projetos/estudos-de-transporte-para-exploracao-do-sistema-de-bicicletas-de-aluguel-df.html

Sinalização para pedestres e ciclistas é excludente, diz Renata Falzoni

A arquiteta e ciclista critica gestores das cidades que, em desacordo com a lei, priorizam o carro e não criam rotas que garantam a livre circulação de pessoas e bikes

Não há nenhuma cidade brasileira que tenha uma estrutura de sinalização para pedestres e ciclistas que possa ser qualificada como adequada ou boa. Esta a avaliação da arquiteta, fotógrafa, jornalista e cicloativista Renata Falzoni, que não poupa críticas aos gestores públicos de todo o país, que, segundo ela, “sem exceção, priorizam o carro, sua fluidez nas vias, e não criam rotas com garantia à livre circulação daqueles que vão a pé ou de bicicleta”. 

Quem caminha ou pedala tem o direito de seguir pelo trajeto mais curto, e em linha reta e plana sempre que possível, afirma categoricamente a especialista. Mas, na organização do ambiente urbano, o carro está sempre em primeiro plano, acrescenta. 

“Não se vê a preocupação da autoridade pública de fazer com que um pedestre, um cadeirante, sinta-se seguro para ir de um ponto ‘a’ a um ponto ‘b’, sem que seu caminho seja interrompido, fragmentado, para a passagem do trânsito. Não resta dúvida que esta conduta é proposital, e reflete a forma como o gestor atua sobre o espaço público”, denuncia a ativista. 

Proposital inclusive porque não cumpre a lei, completa Falzoni, citando a Política Nacional de Mobilidade Urbana, de 2013, e as diretrizes do Ministério das Cidades, onde está definido que a preferência é total do pedestre sobre o veículo motorizado.  

Para ela, a sinalização deve ser vista como um instrumento de mudança do atual modelo excludente das cidades: “A sinalização inclusiva, a que garante o direito nato do pedestre de atravessar a rua, é a primeira ferramenta a ser adotada, ao lado da educação e da penalização do motorista que desrespeita a lei”. 

No Brasil, ela lembra que mesmo uma cidade como o Rio de Janeiro, onde há mais de 300 km de estrutura cicloviária, não está garantida a prioridade à bicicleta: a rota é interrompida a cada trecho, para a passagem dos carros. 

Assim que surge uma situação onde se deve decidir sobre quem passa primeiro, é o pedestre e o ciclista que são levados a esperar ou se desviar. É o que se vê em todas as pontes, acessos, conversões à direita, constata Falzoni. 

Farol que mal abre, fecha

Uma das interrupções bastante perceptível é o tempo calculado para o farol de pedestre. Também aqui a programação leva em conta só a fluidez do trânsito: “Se não, o que dizer de um sinal que demora três minutos ou mais para ficar verde e, mal o sujeito põe o pé na via, abre para os carros?”, questiona.

Outro caso emblemático está em Brasília, diz Falzoni. A cidade feita para o carro, como costuma-se ouvir dizer, adotou o sistema de rotatórias para aumentar a fluidez do trânsito. Só que essa medida criou novas dificuldades aos pedestres e ciclistas que, para contornar a estrutura, precisam passar por quatro semáforos.  

Esse tipo de coisa não se vê na Europa, conta Falzoni, que já pedalou por diversos locais como norte da Itália, Áustria, Dinamarca, Noruega etc. Segundo ela, lá se pratica a inclusão pura, é a regra. Além da sinalização, os europeus adotaram medidas como a redução da velocidade dos veículos, que nunca ultrapassam 50 km/h,  várias zonas de ‘traffic calming’ (conjunto de sistemas que levam o motorista a trafegar com maior atenção) e multas e prisão para quem não obedecer. 

Aqui, foram aprovadas leis que protegem e priorizam o cidadão não motorizado, como já dito. O problema, diz a cicloativista, é que na prática estas não são cumpridas: “Tem que querer interromper o modelo excludente, que dá livre fluxo ao ir e vir dos automóveis. Sinalizar para o pedestre é fácil e custa pouco; além do que, desde 2013 dispomos de um plano de mobilidade que facilita esta tomada de decisão. Falta querer fazer”, conclui.

Fonte: Mobilize

Mais de 22 mil pessoas orientadas durante o Maio Amarelo

Brasília, 02 de junho de 2014 – No mês de maio, o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER/DF) participou do movimento internacional “MAIO AMARELO”, com a realização de atividades diárias com pedestres, condutores e ciclistas. No total, mais de 22 mil pessoas foram abordadas pelos agentes de trânsito do DER/DF.

Cerca de 50 mil panfletos e três mil brindes, como camisetas, bonés, dominós, quebra-cabeças e etilômetros descartáveis foram distribuídos. Além de campanhas educativas, em maio o DER/DF intensificou a fiscalização com blitzen, que registraram mais de quatro mil autuações, das quais 210 por motivo de alcoolemia (excesso de álcool no sangue). Durante as abordagens, 80 veículos foram removidos ao depósito.

Para complementar o “MAIO AMARELO”, servidores do DER/DF doaram sangue ao Hemocentro de Brasília, organizaram uma corrida pela segurança viária e apoiaram o passeio ciclístico “Bora de Bike” e diversos encontros motociclísticos.

Em consonância com o sucesso do “Outubro Rosa” e do “Novembro Azul”, que abordam, respectivamente, o câncer de mama e de próstata, o “MAIO AMARELO” foi um chamado para a atenção pela vida e um estímulo às atividades voltadas para a conscientização dos usuários do trânsito.

Fonte: DER

“Maio Amarelo” reduz mortes no trânsito em quase 60%

Maio foi um mês intenso para os agentes do Departamento de Estradas de Rodagem do DF. Ao longo de mais de trinta dias, eles se fizeram ainda mais presentes nas vias do nosso Distrito Federal, levando educação aos motoristas e tentando despertar nos condutores a necessidade de uma mudança de comportamento no trânsito.

Os resultados da primeira edição do “Maio Amarelo” aqui no DF foram animadores. Mais de 22 mil pessoas foram impactadas durante as abordagens – entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Além das operações tradicionais, pelo menos 11 blitzen foram realizadas em algumas das nossas principais vias. Quem era parado recebia orientações sobre o trânsito seguro. Mais de 10 mil kits (com panfletos, camisas, jogos e até bafômetros descartáveis) foram distribuídos.

Ao todo, quatro mil multas foram emitidas no período. Pelo menos 200 delas, contra motoristas que insistiram em dirigir depois de beber. Graças ao trabalho dos agentes, o número de mortes provocadas por acidentes de trânsito também caiu significativamente. Segundo dados ainda não oficiais, no mês passado, pelo menos 19(*) perderam a vida nas vias do DF. Uma redução de quase 60% em relação a maio de 2013.

Sangue no asfalto

Apesar de todo o trabalho feito pelos agentes do DER, alguns motoristas ainda não aprenderam a lição. E foi justamente depois de beber e dirigir que um condutor acabou tirando a vida de mãe e filha, na DF 079. O acidente aconteceu na madrugada do Dia das Mães.

Alessandra Tibau Trino, de 33 anos, e a filha Júlia Trino de Oliveira, de um ano e meio, voltavam para casa, em Águas Claras, quando o veículo delas foi atingido pelo carro de Rafael Sedite, de 33 anos. Alessandra morreu na hora. Júlia chegou a ser socorrida, mas também não resistiu. Segundo a polícia, o motorista que provocou o acidente estaria dirigindo sob efeito de álcool e com a carteira suspensa desde 2010, pelo mesmo motivo.

Ele chegou a ser preso, mas, pagou fiança no valor de R$ 30 mil e vai responder em liberdade…. Já, mãe e filha…

Maio o ano todo

Quantas Júlias e Alessandras terão que morrer para que nós, motoristas, compreendamos que essa mistura maldita não dá certo? Quantas famílias serão destruídas pela irresponsabilidade dos outros? A fiscalização está nas ruas, mas ela nunca será suficiente, diante do exército de assassinos em potencial, que abastecem seus tanques com o sangue de inocentes. Essa consciência deve nascer de você, caro leitor! Seja, você também, o principal agente de um trânsito seguro!

E que o ano todo seja “Maio”!!!!!

(*) Mortes registradas no local do acidente. Ainda sem levar em conta, vítimas socorridas e que morreram nos hospitais, em virtude dos ferimentos.

Fonte: R7