Arquivo mensais:maio 2014

A inserção de um sistema de bicicletas compartilhadas em Brasília

O Governo do Distrito Federal (GDF) realizou, por meio do edital de Chamamento Público nº 01/2014 (veja aqui o edital), seleção de empresa que implantará e operacionalizará, em caráter experimental, o primeiro sistema de bicicletas compartilhadas, a ser implantado na Região Administrativa de Brasília (RA-I).

Conforme descrito no edital, a iniciativa, que partiu do Fórum de Mobilidade por Bicicletas do Distrito Federal, “soma-se aos esforços do GDF de mudar a cultura exclusivamente automobilística da capital federal, introduzindo novos modos de deslocamento com vistas à fluidez do trânsito de veículos e valorizando a bicicleta como meio de transporte”.

Na terça-feira 22/04/2014, a Secretaria de Estado de Governo divulgou o resultado do chamamento público (veja aqui). A empresa SERTTEL LTDA. sagrou-se vencedora, devendo assinar o Termo de Cooperação com o GDF para levar a frente o projeto.

Segundo o edital, após a assinatura do Termo de Cooperação, a empresa terá 20 dias para iniciar a execução do projeto, com a implantação e colocação em funcionamento das primeiras 10 estações de bicicletas compartilhadas, totalizando 100 bicicletas disponíveis para compartilhamento. Após 75 dias, 30 estações com 300 bicicletas deverão ser implantadas. A cada 25 dias novas estações deverão entrar em operação. O edital prevê um total de 68 estações, com 864 bicicletas e 576 vagas livres. O período total do projeto de testes é de 24 meses.

O funcionamento será durante todos os dias da semana, nos horários de 6 às 23h59min para retirada das bicicletas e 24h para devolução. O sistema para devolução e retirada da bicicleta pelo usuário será por meio de aplicativo desenvolvido para smartphones e terá, segundo o Secretário de Transportes do GDF, uma taxa de R$ 10,00 ao ano para poder utilizar as bicicletas quantas vezes necessitar.

Apesar da Rodas da Paz não ter tido acesso a informações gerais ou específicas sobre o formato do edital, mesmo assim, em dezembro de 2013, enviou sugestões ao GDF (veja aqui). Com base na experiência de outras cidades e em estudos de entidades especializadas no assunto, o documento abordou características e pré-requisitos que um sistema de bicicletas compartilhadas adequado deveria adotar. As sugestões, em sua maior parte, foram atendidas pelo edital resultante.

A Rodas da Paz considera positiva a atitude do GDF em promover o uso da bicicleta como meio de transporte, através do sistema de bicicletas compartilhadas. No entanto, não se pode desconsiderar o fato que muitas questões referentes ao projeto cicloviário deste Governo ainda precisam da devida atenção antes de disponibilizar bicicletas para as pessoas, sobretudo para aquelas que não estão acostumadas com os problemas estruturais das rotas cicláveis do Distrito Federal e de convívio nas ruas, tão sabidos e alertados por aqueles que realmente pedalam pela cidade e presenciam tais situações.

Entendemos que o incentivo ao ciclista para utilizar a bicicleta como meio de transporte, por meio de quilômetros de ciclovias e bicicletas compartilhadas, sem a devida preparação da população para recebê-los de uma forma harmoniosa e segura, seria como implantar o sinal de vida nas faixas de pedestre sem ter feito, previamente, todo o trabalho de redução da velocidade e de implantação de radares nas vias do Distrito Federal. Isto é, o aumento de conflitos e acidentes que poderiam facilmente ser previstos e evitados pode acabar por desestimular quem, em algum momento, se encorajou a usar a bicicleta pela cidade.

O comportamento, cada dia mais intolerante, negligente e irresponsável de motoristas nos leva a reforçar, veementemente, o pedido por ações educativas e corretivas destes condutores, que abordem o comportamento adequado no trânsito, o respeito às leis e a conscientização do compartilhamento do espaço com outros veículos, como a bicicleta. A fiscalização e punição exemplar se tornam ainda mais necessárias nesse período inicial das campanhas.

Para dificultar a situação, a propaganda “educativa”, que começou a ser divulgada nos últimos meses, transmite uma mensagem distorcida do uso da bicicleta, não tendo passado por revisão de especialistas sobre a questão e nem mesmo pelo frágil Fórum de Mobilidade por Bicicleta. De forma atrapalhada, a propaganda do GDF dá a entender que os ciclistas devem usar somente as ciclovias para se deslocar e não dá o devido enfoque para orientar os motoristas sobre a preferência nas travessias. Ora, o direito de deslocamento do ciclista deve ser garantido independentemente de haver uma estrutura exclusiva. Ou seja, ao invés de tornar as ruas menos violentas, reduzir os limites de velocidade (como orientado pela OMS) e permitir a fluidez, conforto e prioridade aos meios não motorizados (como orienta a Política Nacional de Mobilidade Urbana), o GDF insiste em colocar quase que exclusivamente no ciclista a responsabilidade pela sua segurança, enquanto permanece conivente com a manutenção da velocidade elevada dos automóveis (principal causa das mortes no trânsito) e sua fluidez.

Além disso, a Rodas da Paz insiste que diversos aspectos associados ao modelo de ciclovias adotado no Distrito Federal devem ser revistos. Para citar um, de acordo com a legislação de trânsito, a preferência é do menor veículo e o motorista, ao se aproximar de cruzamentos, deve  sempre reduzir a velocidade de forma que possa deter seu veículo para dar passagem a pedestre ou quem tiver preferência. Para isso, em vias de baixa velocidade e conversões, a sinalização deve alertar fortemente o automóvel para redução da velocidade e parada, o que não está sendo feito. De forma contrária, a sinalização feita pelo GDF está invertida, com sinais de “PARE” voltados para os ciclistas, o que simboliza a negligência e a falta de interesse em respeitar a preferência dos não motorizados e o desconhecimento sobre segurança viária.

Essa situação nos leva a refletir sobre uma importante questão: não seria prudente, por parte dos governantes, combater, de fato, alguns problemas estruturais já suficientemente sabidos, e cujas soluções estão bem exemplificadas no mundo todo, para proporcionar conforto, bem-estar e segurança a quem decide optar por uma bicicleta para deslocar-se pela cidade? Alertamos o Governo e a população que o Sistema Cicloviário do GDF está muito longe de ser concluído, diferentemente do que dão a entender as recentes propagandas institucionais, o lançamento de aplicativos para smartphones e a disponibilização de bicicletas compartilhadas.

Se as necessidades reais de quem pedala e de quem pretende pedalar não forem discutidas e trabalhadas de forma mais ampla, o programa de bicicletas compartilhadas, assim como projetos pontuais e limitados como a faixa de ciclistas nos feriados, correm o sério risco de parecer ações meramente eleitoreiras, com o objetivo de causar uma boa impressão aos turistas, durante a copa do mundo, e à população, com pouco reflexo sobre a incorporação efetiva da bicicleta na vida cotidiana de Brasília.

 

Maurício Pinheiro é engenheiro e voluntário da Rodas da Paz

Campanha #ocupaeixão completa 1 ano com vitória parcial

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Dia 26 de maio fez 1 ano que o GDF abriu o Eixão do Lazer para os carros por exigência da FIFA, no jogo de teste do Estádio Mané Garrincha ente Flamengo e Santos realizado em maio de 2013. O resultado ou a avaliação desse teste nunca foi divulgado. Naquele data, a Rodas da Paz e outros coletivos do DF se mobilizaram para assegurar o Eixão do Lazer e inclusive motivar o GDF a implantar ruas de lazer em outras cidades do DF.

A Rodas da Paz acredita que a rua não é apenas um lugar de trânsito e passagem, mas também de parada, de convivência e de criação de vínculos sociais e de identidade. Por isso, as políticas de mobilidade devem ser coordenadas entre si e com outras políticas urbanas. As soluções devem ampliar as possibilidades de movimento humano na cidade, e não criar barreiras urbanas priorizando o espaço cedido aos automóveis.

Um dos símbolos de uma cidade com espaços públicos voltado para as pessoas são as ruas de lazer, onde temporariamente o tráfego automobilístico é interrompido e o asfalto passa a ser dos ciclistas, pedestres, skatistas, patinadores, animais de estimação, ambulantes. Brasília tem a maior rua de lazer do Brasil, o Eixão do Lazer com seus 16km, hábito de mais de 20 anos que se transformou na lei distrital 4757/12.

Assim que tivemos ciência da decisão do GDF de suspender temporariamente o Eixão do Lazer, divulgamos publicamente uma nota e nos reunimos com o DER-DF para tentar reverter a decisão, sem sucesso. Coletivamente com cidadãos e movimentos preocupados com uma cidade mais humana, uma mobilidade mais sustentável e espaços mais humanizados e includentes, convocamos o abaixo-assinado e a manifestação #ocupaeixão, propondo alternativas de transporte para assegurar o deslocamento da população em dias de jogo que evitassem congestionamento, como a gratuidade no metrô, por exemplo.

Em evento realizado pelo Instituto Ethos dia 19 de setembro de 2013, no Projeto Jogos Limpos, ouvimos do GDF que a FIFA é irredutível na exigência sobre a abertura do Eixão para os carros. Será mesmo? Ainda estamos aguardando qual será a decisão do GDF esse ano, para garantir que os torcedores cheguem ao estádio Mané Garrincha com boas opções de transporte público (ainda que o prometido VLT e estação do metrô da Asa Norte não tenham saído do papel) e que a população não tenha seu direito à cidade negado durante os jogos da Copa do Mundo 2014.

Essa campanha em defesa das ruas de lazer nos inspirou tanto que celebramos o Dia Mundial Sem Carro de 2013 no Eixão do Lazer ao som de muito rock’n’roll e ainda fizemos um vídeo sobre o Eixão premiado num concurso de vídeos entre países de toda América Latina, assista aqui.

ATUALIZAÇÃO: Nos jogos da Copa do Mundo realizados em 15 e 19 de junho, o Eixão do Lazer foi mantido na Asa Norte, e o Eixão Sul aberto para os carros. Entendemos que a decisão sobre manter os carros apenas na parte sul, e garantir o Eixão para as pessoas na parte norte, foi uma vitória de todos nós. Parcial, mas muito importante para garantir o tão ameaçado direito à cidade. A Copa acontece de 4 em 4 anos. A vida na cidade acontece todos os dias. 

Avaliação e sugestões sobre o novo aplicativo do GDF para Bicicleta: Ciclovida DF

Maio de 2014

Tela inicial do Ciclovida DF

Tela inicial do Ciclovida DF

O GDF anunciou recentemente o seu aplicativo oficial de incentivo a utilização das bicicletas como meio de transporte e qualidade de vida. Apesar de ainda não ter sido lançado oficialmente, o Ciclovida DF já está disponível para iOS na Apple App Store e para Android no Google Play Store.

A Rodas da Paz participou das primeiras reuniões onde a implementação do CIclovida DF foi proposta. Agora, após a primeira versão lançada, apresentamos as nossas primeiras impressões e sugestões para a melhoria do aplicativo.

Segundo a descrição do próprio aplicativo, o CiclovidaDF ajuda o usuário a aproveitar todo o potencial do seu estilo de vida sobre duas rodas no Distrito Federal, apresentando os mapas das ciclovias, dicas e recomendações de trilhas e trajetos além de permitir o compartilhamento de dicas, opiniões sobre percursos e o rastreio de pedaladas através do GPS.

Ainda em sua página na Apple Store e Google Play, as principais funcionalidades do aplicativo são:

  • Mapa completo da malha cicloviária do DF.
  • Sugestões de roteiros urbanos e rurais com vários níveis de dificuldade para você ter sempre onde pedalar.
  • Dicas de segurança, manutenção e comportamento no trânsito.
  • Rastreio via GPS: mapeie seu percurso e veja informações sobre suas pedaladas.
  • Veja comentários de outros usuários sobre as rotas sugeridas.
  • Informe outros usuários sobre as condições das ciclovias e das localizações de serviços próximos e estacionamentos de bicicletas e veja os alertas deixados por outros ciclistas.

O maior ponto positivo do aplicativo é o seu apelo colaborativo. Com ele, é possível relatar pontos de interesse que ficam disponíveis para os outros ciclistas (bicicletários, restaurantes, pontos turísticos, etc). Alem disso, os usuários também podem sinalizar pontos mal iluminados, perigos, defeitos, interrupções e outros problemas.

Conforme divulgado, todas as indicações sinalizadas pelos usuários passam por moderação da equipe de administração do aplicativo. Entretanto, em nossos testes, todas as sinalizações enviadas apareceram imediatamente no mapa cicloviário para o conhecimento dos outros usuários. Ao rastrear uma pedalada, o usuário pode assim, ver todas as sinalizações em seu percurso para evitar problemas como buracos, interrupções, assim como localizar bicicletários para estacionar a sua bicicleta. Esse talvez seja a grande vantagem de uso do aplicativo.

Para quem utiliza a bicicleta para o lazer, o aplicativo indica algumas opções de circuitos urbanos categorizados por grau de dificuldade. Para quem gosta de realizar trilhas e pedalar por percursos rurais, o aplicativo indica vários trajetos com dicas e mapas fornecidos em parceria com os Rebas do Cerrado, sendo inclusive possível baixar os mapas dessas trilhas em formato GPX para facilitar a navegação posterior nesses circuitos através de outros aplicativos ou dispositivos de GPS.

O primeiro ponto a ser aprimorado é que o mapa cicloviário completo do DF apresenta trechos que simplesmente não existem. Por exemplo, há indicação de um longo trecho da EPTG onde claramente não existe nenhuma ciclovia (nem completa, nem construção).

Em outro caso, uma ciclovia aparece disponível no Setor Sudoeste onde também não existe nem sinal de ciclovia:

Outro ponto a ser observado é que somente é possível relatar problemas e pontos de interesse se você estiver no local exato do registro. Não é possível, por exemplo, tirar uma foto de um defeito na ciclovia e enviar a sugestão de reparo em outro momento. Nesse sentido, é fácil imaginar que um ciclista tenha receio de parar sua bicicleta em um local sem iluminação para relatar a falta de segurança do local. Uma sugestão para a equipe de desenvolvimento do aplicativo é permitir que os usuários possam marcar o ponto rapidamente para, posteriormente, enviar o relato do problema. Assim, por segurança, o usuário (ciclista ou não ciclista) pode chegar em casa e, com mais segurança, relatar os problemas e pontos de interesse.

Seria interessante, também, que a opção de registro “colaborativo” de problemas e pontos de interesse estivesse disponível no menu principal do aplicativo, já que consideramos independente da opção de rastreamento. Na versão atual, o usuário precisa entrar no modo de rastreamento para relatar problemas (e nem todo ciclista tem interesse em rastrear suas pedaladas, por ser uma atividade que consome carga preciosa das baterias dos smartphones).

Em nossos testes, sentimos falta também da possibilidade de exibir o mapa cicloviário durante o rastreamento da pedalada. O aplicativo permite que o ciclista escolha roteiros para pedalar e assim o percurso do roteiro é apresentado no mapa durante o rastreio. Entretanto, caso o ciclista esteja se locomovendo para seu trabalho e deseje saber os percursos das ciclovias, não é possível visualizar o mapa cicloviário durante o rastreamento. Sabemos que as ciclovias atualmente sofrem de problemas de continuidade, então seria muito interessante que os ciclistas pudessem consultar o aplicativo para verificar o caminho a ser seguido após uma travessia de uma larga avenida, por exemplo.

Principais pontos positivos:

  • Colaboração entre usuários para indicação de problemas nas ciclovias e pontos de interesse.
  • Sugestão de rotas.

Pontos a se aprimorar e sugestões de melhoria:

  • Mapa cicloviário deve ser atualizado, pois apresenta trechos que não existem;
  • Envio de sinalização de problemas e pontos de interesse exige que o usuário esteja no local exato do registro. Sugere-se verificar a possibilidade de fazer marcações rápidas para, posteriormente, enviar o relato detalhado do problema;
  • Marcação não é rapidamente visível, dependendo de entrar no modo de rastreamento; Seria interessante que a opção de registro “colaborativo” de problemas e pontos de interesse fique disponível no menu principal do aplicativo;
  • Aumentar o espaço para digitação da descrição da sinalização;
  • Retirar obrigatoriedade de e-mail;
  • Quando cadastrado, pode-se ter uma opção para guardar o e-mail para ser usado posteriormente, tornando mais prática a sinalização.

Conclusão

A oferta do aplicativo Ciclovida DF é uma louvável iniciativa do GDF, principalmente pela presença das funcionalidades de colaboração. Embora os principais problemas já sejam conhecidos e tenham sido documentados, como a sinalização inadequada e a falta de iluminação em muitos trechos, é fundamental, agora, que quem utiliza a bicicleta na cidade ajude a sinalizar os problemas e exigir as melhorias necessárias na malha cicloviária da capital, bem como a indicar pontos de interesse para incentivar ainda mais o uso da bicicleta. Esperamos que as sugestões aqui sejam consideradas pela coordenação do Fórum de Mobilidade por Bicicleta e que a equipe de desenvolvimento do aplicativo possa implementar as melhorias na versão avaliada, em especial tornando mais clara a distinção entre a malha existente e projetada.

Atualização 1 – 27/05/2014

Notamos que foram feitas algumas atualizações no aplicativo e que algumas ciclovias passaram a constar agora como “em construção”, como é o caso da ciclovia inexistente da EPTG. No entanto, desconhecemos que alguma ciclovia esteja em construção na EPTG. Outro problema é que agora a ciclovia existente no Setor Sudoeste não é apresentada ao usuário.

Além disso, percebemos que todas as marcações enviadas pelos usuários, indicando os problemas existentes na ciclovias e pontos de interesse (ex: bicicletários) desapareceram do aplicativo.

Atualização 2 – 28/05/2014

O aplicativo foi oficiamente lançado hoje (28/05) em cerimônia que aconteceu junto com a inauguração das 10 estações iniciais de bicicletas compartilhadas do projeto Bike Brasília. Os problemas relatados anteriormente ainda persistem. Nenhuma marcação de problema ou ponto de interesse enviado colaborativamente pelos usuários pode ser visualizada no aplicativo.

Notícia do lançamento: http://www.casacivil.df.gov.br/noticias/todas-noticias/item/3659-gdf-lan%C3%A7a-aplicativo-ciclovida-df.html

Atualização 3 – 29/05/2014

A Casa Civil do GDF, por meio de Paulo Passos, nos informou que realmente as marcações de problemas e indicações de pontos de interesse foram retirados do aplicativo em virtude da cerimônia de lançamento e que tais marcações retornarão a partir de amanhã 30/05. Além disso, as sugestões de melhorias serão incorporadas em versões futuras do aplicativo.

Links para Download

Ciclovida DF na Apple App Store para iOS Ciclovida DF no Google Play Store para Android

Leia também a avaliação do Ciclovida DF realizada pelo site Mountain Bike Brasilia

Assembleia Anual da Rodas da Paz

A atual gestão da Rodas da Paz completou um ano em março e está na hora de mostrar pra sociedade o que estamos fazendo! Dia 22 de maio te esperamos em nossa sede, na 102/103 Sul, para conversarmos sobre:

(1) Apresentação das atividades desenvolvidas no primeiro ano de gestão da Atual Diretoria;
(2) Prestação de Contas do primeiro ano da Atual Gestão;
(3) Discussão do calendário de ações e atividades previstas para 2014 e acolhimento das propostas dos associados;
(4) Assuntos gerais.

Todos podem participar e os associados tem direito a voto.  Você pode ser um associado da Rodas da Paz: os associados devem estar com o pagamento da anualidade em dia para ter seu poder de voto garantido na Assembleia. A contribuição é de R$ 60,00 (sessenta reais) e pode ser depositada no Banco do Brasil, ag. 2944-0 e c/c 13829-0 ou entregue no dia.

Pedimos aos novos associados que preencham a ficha de inscrição previamente no site: http://www.rodasdapaz.org.br/associe-se-a-rodas-da-paz-e-contribua-para-um-df/

O comprovante de depósito/transferência deve ser enviado ao e-mail [email protected]br ou entregue pessoalmente no dia da assembleia.

Contamos com a presença, participação e envolvimento de todos!

 
Serviço:
Assembleia Anual da Rodas da Paz
22 de maio (quinta-feira)
19h primeira chamada, 19:30 segunda chamada para quórum
EQS 102/103 Edifício Bandeirantes

Contribuições para a política de mobilidade sustentável no DF

A Câmara Legislativa do DF, através do deputado distrital Joe Valle (PDT-DF), promoveu o Seminário “Mobilidade Sustentável” entre março e abril de 2014. Esse Seminário foi um dos desdobramentos da audiência pública sobre Mobilidade Urbana no DF que aconteceu em 1º de novembro de 2013, após reivindicação da Rodas da Paz.

O Seminário contou com 3 painéis:

1) Mobilidade e Integração com política de uso e ocupação do solo, apresentada pelo Prof de Arquitetura e Ubbanismo da UnB, Benny Schvarsberg em 10/03.

2) Uso do espaço viário e microacessibilidade, apresentada em 11/03 pelo Prof. de Engenharia Civil da UnB, Paulo César Marques, fundador da Rodas da Paz.

–> A participante Manuela Otero gentilmente fez anotações sobre as duas primeiras palestras e as disponibilizou na rede, acesse aqui.

3) Financiamento das políticas de transporte, apresentado pelo técnico de pesquisa do IPEA, Carlos Henrique Carvalho no dia 02/04.

O gabinete do Joe Valle elaborou um texto base a partir da audiência de 2013, aberto a contribuições, acesse aqui.

A Rodas da Paz elaborou um documento bem amplo com diversas propostas a serem consideradas pelo gabinete, para serem incorporadas nas propostas legislativas em que o Jor atue como relator, especialmente se ele for o relator da revisão do Plano Diretor de Transporte Urbano do DF. Veja aqui as propostas feitas pela Rodas da Paz.

Estamos empenhados em fazer nossas propostas serem incorporadas pelo gabinete, para fazer crescer o grupo de cidadãos e entidades que trabalham para promover a mobilidade sustentável no DF através de políticas públicas efetivas e fazer com que essas propostas reveberem em decisões políticas.

De Bike ao Trabalho – Leve alguém de bike ao trabalho

Diretores da Rodas da Paz e voluntários de grupos de pedal de Brasília participam nesta sexta-feira, dia 09 de maio, da campanha “De Bike ao Trabalho” promovida pela rede Bike Anjo. Eles sairão de diversos pontos do Plano  Piloto, Guará, Gama, Sudoeste, Recanto das Emas, entre outras localidades, para acompanhar quem tiver interesse de ir ao trabalho de bicicleta e está apenas esperando por um incentivo. De Bike ao Trabalho é uma iniciativa dos  Bike Anjo inspirada no Bike To Work Day  que, anualmente, durante o mês de maio, realiza atividades para promover a bicicleta como uma opção viável de transporte para o trabalho em cidades do mundo inteiro. No Brasil, em 2014, será no dia 09 de maio. São mais de 60 parceiros do Bike Anjo por todo o Brasil que estão promovendo e propondo atividades como oficinas de aprender a pedalar e de mecânica, palestras com empresas, café da manhã e orientações para o ciclista urbano, dentre várias outras atividades. Quem quiser participar e se juntar aos bondes do DF, basta entrar em contato com o animador mais próximo. Quem quiser formar novos bondes, basta informar por aqui.   Puxadores dos Bondes De Bike ao Trabalho no DF

 

 

 

Nome Ponto de Encontro e Roteiro Horário de saída Contato
Jonas Bertucci Posto de saúde da 208 Norte / Setor Bancário Norte 07.30hs 8171-4580
Felipe Teixeira Sudoeste (Estacionamento do Pão de Açúcar) / Museu Nacional 07.30hs 8107-3738
Raphael Dorneles Praça 21 de abril (707/708 Sul) / Setor Comercial Sul 08.30hs 8151-9352

 

Daniel Bóia Estacionamento do Pão de Açúcar do Guará I – SIA – Octogonal – Sudoeste – Gibão Parque – Pátio Brasil – Setor de Autarquias – Embaixada Americana – Congresso Nacional 07hs 9651-9531
Bruno Gomes  Recanto das Emas – Esplanada dos Ministérios 07.30hs 8437-2276
Cláudio Ferreira /

Pedala Gama

 Pista de Cooperação do Gama 06.30hs 9222-5151
Arkemi Guedes Santa Maria
Residencial Santos Dumont, Br 40 – Guará II
06.30hs 9241-3076 (claro) 8241-3154 (tim)
Antony Mello Gama

pista de cooper do Gama sentido balão do periquito DF:480 depois, sentido Recantos das Emas DF:251, até Samambaia ate a boca da mata DF 460 ate a Csd 1

06.30hs 93293613
Philippe Thibault e Sabrina Mendes Asa Norte

Santuário São Francisco 915 Norte

Roteiro: Asa norte / Antena de TV /  Shopping Pátio Brasil/ Asa Sul até a 410/ Shopping Gilberto Salomão / Lago Sul

 

07.30hs 8101 0299
Jader Tavares Núcleo Bandeirante – 104 Sul (podendo ir até a esplanada) 08hs 8290-2095
Pedro Teixeira GUARA 2, ED. VIA BOULEVARD, AE2 / LAGO SUL, QL 6/8 ( WWF) 07.30hs 9369-0011
José Roberto Soares Ceilândia (“P”SUL posto Texaco) – Setor comercial Sul 06hs 8487-4618

 

Para quem vai para o Senado ou para a Câmara, veja a bela mobilização dos funcionários para o 2º Bicicletaço: http://bit.ly/debikeaocongresso

Contato Rodas da Paz: Ana Júlia Pinheiro – 8117-7010/9959-7010   Serviço: O que: De Bike Ao Trabalho 2014 Data: 09 de maio de 2014 Realização: Bike Anjo Parcerias: mais de 60 parceiros por todo o Brasil Saiba mais: debikeaotrabalho.org Contato: [email protected] , [email protected] Telefone: (11) 99680-6781

Reflexões sobre Brasília – Presente e futuro

O Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – PPCUB contempla vários projetos que alteram o plano original da cidade no que diz respeito à destinação de espaço público na área da construção civil. Dentre eles um dos que causa maior indignação e polêmica é a construção de uma edificação de quatro andares subterrâneos no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, de 340 mil metros quadrados para abrigar um estacionamento que comportará 10 mil carros e  também,  um grande shopping center com agências bancárias, restaurantes, lanchonetes, lojas e outros prestadores de serviços , a um custo estimado de R$ 800 milhões.

Muitas críticas fundamentam-se na maneira e forma assoberbada, intempestiva, pouco analisada e discutida que justifica tal proposta. O próprio Detran-DF, órgão ordenador do trânsito na capital do país,  afirmou que “Estes projetos tendem a incentivar o uso de veículo motorizado individual, o que é contrário à Política Nacional de Mobilidade Urbana estabelecida”, ou seja, não garantindo melhoria no trânsito da cidade.

No dia 25/03/2014 o PPCUB começou a ser votado pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano, que é constituído  por 26 membros, sendo 13 representantes do governo e 13 representantes  da sociedade civil. Dentre esses, representantes do Instituto de Arquitetura de Brasília, da Rodas da Paz e professores e urbanistas da Universidade  de Brasília. Finalizada a votação, o mesmo foi aprovado, tendo sido interrompido pelo Ministério Público o prosseguimento do processo com questionamentos  sobre a composição do Conselho.

A construção desse estacionamento subterrâneo só vem  consolidar a opção que os governantes da capital do país vêm fazendo, ao longo dos seus anos, pelo transporte individual, principalmente pelos automóveis e motocicletas, sem levar em conta todos os resultados profundamente negativos  que geram: poluição ambiental e sonora; aquecimento global; incapacidade absoluta que a cidade tem de absorver e abrigar a quantidade exagerada de veículos que dia a dia são colocados em trânsito, promovendo longos congestionamentos;  aumento no tempo médio de deslocamento entre o ponto de partida e o destino das pessoas; aumento de mortes, acidentes e pessoas com sequelas; aumento do nível de stress e , por consequência, comprometimento da  qualidade de vida; não atendimento do interesse coletivo  o que torna a opção elitista e discriminatória.

Cabe ressaltar que a prevalência do transporte individual coloca o Brasil, e especialmente Brasília, na contramão dos países desenvolvidos que vêm priorizando o transporte coletivo  de qualidade e nos dando exemplos significativamente positivos sobre a mobilidade urbana.

O que causa mais estranheza é que Brasília, sendo uma  cidade que foi pensada para preservar espaços vazios; que possui uma configuração geográfica limpa, longilínea com predominância de linhas retas, vias alternativas que seguem harmoniosas sem se deparar com obstáculos naturais ou construídos pelo  homem; que possui  horizonte aberto e iluminado; que é livre, moderna  avançada e inovadora não tenha, até hoje, sido objeto de políticas públicas efetivas que priorizem os pedestes, as bicicletas e o transporte público de qualidade e com conforto, como: ônibus  com piso rebaixado, adaptados para atender a pessoas com dificuldades de locomoção, que sejam movidos  com combustível alternativo à base de gás, energia elétrica ou biodiesel, micro-ônibus, veículo leve sobre trilhos – VLT, metrô, trem, dentre outros.

Evidentemente,  há que se trabalhar a cabeça de todos os brasileiros e investir adequadamente na educação e mudança de valores de nossa população, nos convencendo que o  coletivo deve estar acima dos nossos interesses pessoais.   Só assim todos seriam  igualmente  beneficiados.

É importante demonstrar que o investimento nas melhorias das condições de circulação de pedestres, bicicletas e do transporte público eliminaria muitos dos males provocados pelos transportes individuais e evitaria que a sociedade, por exemplo, “gastasse” R$ 800 milhões na construção de um estacionamento para abrigar mais carros. Independentemente dos recursos serem públicos ou privados, este gasto em nada contribuirá para melhorar as condições de vida de quem vive e se desloca por Brasília.

Por outro lado, a adoção de uma série de medidas alternativas e complementares podem ser discutidas na  Esplanada dos Ministérios  tais como:

– A adoção de turnos alternados de trabalho e reflexão sobre o trabalho por meta/objetivo/tarefa/etc. que pode ser feito à distância;

– Existência de ônibus que atenda a cada um dos ministérios e outros órgãos e que faça percursos e conexões  previamente planejados, visando a  atender a clientela em foco;

– Rodízio de carros considerando o número da placa ;

– Incentivo a formas de transporte compartilhado.

Esperamos que as questões aqui  levantadas sejam objeto de reflexão e análise por parte das pessoas interessadas nesta temática.

Rosa Maria Borges Manzan é Socióloga e voluntária da Rodas da Paz