Arquivo mensais:outubro 2013

Audiência Pública debate Mobilidade urbana nessa sexta 10h (1/11)

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Faz muito tempo que se tenta viabilizar uma audiência pública para tratar de questões da política de mobilidade urbana no DF.

Com muito esforço e paciência de vários atores, se conseguiu a data de sexta agora, dia 1º de novembro, às 10h na CLDF.

Na pauta estão: financiamento, tarifa zero, participação popular e PDTU.
Evento no facebook aqui!

A Rodas da Paz, junto com outros coletivos da cidade, propôs ao deputado distrital Joe Valle a realização desta audiência, para ser mais uma oportunidade de pautar a criação do Conselho de Mobilidade e Acessibilidade, cuja proposta, assinada por 33 entidades e coletivos, já foi entregue ao Secretário de Transportes e protocolada no Palácio do Buriti.

3 ações concretas para a audiência:
* Conselho de Mobilidade do DF – recomendação para o GDF.
* Seminário em 2014 para aprofundar os temas debatidos na audiência.
* Fiscalização – Comissão de Governança, Transparência e Controle Social.

Audiência Pública
sexta 1º de novembro 10h
Plenário da Câmara Legislativa
Brasília – DF

Shopping Águas Claras não quer receber ciclistas, até quando?

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Diversos clientes e funcionários do Shopping Águas Claras procuraram a Rodas da Paz para informar que o Shopping proibia o acesso às suas instalações por bicicleta. Além de não contar com um bicicletário para receber os ciclistas, a administração do Shopping orienta seus seguranças para impedir que as bicicletas sejam amarradas em outros lugares.

A Rodas da Paz entrou em contato com a Administração do Shopping e enviou ofício, notificando os relatos recebidos e sugerindo que a Administração revise esta decisão, já que a bicicleta tem sido uma das mais importantes soluções de mobilidade nas grandes cidades. Os Centros comerciais mais importantes de Brasília como o Conjunto Nacional e o Iguatemi, além de muitos outros, oferecem bicicletários gratuitos e seguros para seus clientes e funcionários, inclusive com possibilidade de recarga de bicicletas elétricas, o que se mostra como excelente opção de promoção institucional da empresa.

Enviamos o ofício no dia 16 de outubro, mas ainda não tivemos nenhuma resposta do shopping. Será que eles estão demorando pois estão fazendo orçamento de paraciclos já?

Além desse episódio envolvendo o Shopping Águas Claras, ficamos sabendo de outro episódio negativo envolvendo o SubWay do Lago Norte, veja aqui –> SubWay não tem interesse em atender os ciclistas

Se você conhece lugares que recebem bem o ciclista ou ainda não tem essa visão, compartilhe no Bike IT, onde é possível encontrar dicas de lojas com bicicletários ou até lojas que dão desconto para quem vai de bicicleta!

Doe Bicicleta 2014

doebicicleta

doe R$20, R$60, R$100, R$500 ou outro valor


A CAMPANHA (CONCLUÍDA! VEJA OS RESULTADOS NO FINAL DA PÁGINA)


Há mais de 10 anos, a Rodas da Paz promove ao final do ano a Campanha Doe Bicicleta, tendo arrecadado, consertado e doado nesse período cerca de 5.000 bicicletas em todo o Distrito Federal.

Parte das doações é voltada para atender alunos em escolas localizadas em áreas rurais e instituições sociais diversas; outra parte é encaminhada para os Correios, para atender às cartas ao Papai Noel enviadas por crianças;  algumas bicicletas têm suas peças reaproveitadas para criar bicicletas adaptadas a portadores de necessidades especiais; e outras são utilizadas em projetos de geração de renda e cursos de mecânica básica para jovens.

Temos diversos parceiros para ajudar nas coletas e recursos para cobrir os custos de conserto e peças das bicicletas pelo nosso mecânico. Porém, com o crescimento das doações nos últimos anos, surgiu a necessidade de construir um galpão para armazenar as bicicletas doadas ao longo do ano, protegendo-as do tempo e das chuvas até que sejam reparadas.

Com o galpão, a ser construído na Vila do Pedal em Vicente Pires (DF), espaço gentilmente cedido pelo mecânico Charles Póvoa, parceiro do projeto, poderemos abrigar bicicletas todo o ano e permitir que sejam consertadas de maneira constante.


COMO COLABORAR?


Você pode colaborar com a campanha de diversas maneiras:

1- Doando recursos para a construção do galpão onde serão armazenadas as bicicletas (as doações financeiras são feitas por meio do sistema PagSeguro. Veja as metas da campanha abaixo);

2- Doando uma ou mais bicicletas novas ou usadas (basta preencher o cadastro de doação para agendarmos a coleta (que será retomada a partir de janeiro de 2015). Agora estamos trabalhando no conserto e entrega das bicicletas já coletadas.

3- Conversando com o síndico do seu condomínio para que mobilize os moradores para doar as bicicletas abandonadas nos bicicletários, garagens e PCs de seu prédio (baixe aqui o cartaz da campanha e a carta ao síndico).



METAS


1ª Meta: Levantar o telhado do galpão: R$ 3.000 (sendo 2 mil para as telhas e 1 mil para a mão de obra);

2ª Meta: Assentar o piso: R$ 2.000 (sendo 1 mil para o material e 1 mil para a mão de obra);

Todo o recurso além do que for arrecadado para produção do galpão será destinado para a compra de mais peças para conserto das bicicletas e para a produção do material educativo da ONG utilizado em eventos, palestras em escolas e outras ações sociais.

 


RECOMPENSAS


Os apoiadores do projeto receberão pequenas recompensas de agradecimento pela sua contribuição:

A partir de R$20,00 – Nome na lista de apoiadores do projeto no site da Rodas da Paz (após autorização do colaborador);

A partir de R$60,00 – Nome na lista de apoiadores do projeto no site da Rodas da Paz e inclusão como Sócio Colaborador na lista de Associados da Rodas da Paz (para isso é preciso preencher o Formulário de Filiação);

coleteA partir de R$100,00 – Todos acima e Colete Refletivo personalizado da Rodas da Paz;

R$500,00 ou mais – Todos acima + logomarca como apoiador no site e no boletim final da campanha (caso de empresa) OU direito de acompanhar o passeio 2015 da Rodas da Paz no carro de som, junto com a organização (caso pessoa física; limitado a 5 pessoas).



TOTAL DE APOIADORES: 

                          28 pessoas físicas e 2 organizações

VALOR ARRECADADO:

                          R$ 4.410,00 (147% da 1ª meta)

ATINGIMOS NOSSA META NO FINAL DE DEZEMBRO DE 2014 E INICIAREMOS EM JANEIRO DE 2015 O PROJETO DE CONSTRUÇÃO DO GALPÃO! ACOMPANHE!

OBRIGADO A TODOS QUE COLABORARAM! EM BREVE TODOS RECEBERÃO SUAS RECOMPENSAS.

A CAMPANHA CONTINUA COM O TRABALHO DE COLETA E CONSERTO DAS BICICLETAS AO LONGO DE TODO ANO. SE TIVER INTERESSE EM COLABORAR, É POSSÍVEL SE ASSOCIAR OU DOAR QUALQUER VALOR PARA AS AÇÕES SOCIAIS DA RODAS DA PAZ.

SAIBA COMO CONTINUAR APOIANDO AQUI


PARCEIROS

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vitabhaya bsbcourierCese Nova  nova logo - uma ação para criançadoebicicleta

Campanha Doe Bicicleta 2013. Participe.

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Sabe aquela bicicleta que nem você,
nem ninguém usam mais?
Pode levar alegria, saúde e mobilidade para alguém.
Faça a sua doação.
O lançamento da campanha acontece na manhã do próximo sábado,
no Dia da Criança, 12 de outubro, no Parque da Cidade (Parque Sarah Kubitschek),
Estacionamento 12, no parquinho Ana Lídia.

A campanha “Doe Bicicleta” começou com o grupo Coroas do Cerrado, do qual fazem parte fundadores da Rodas da Paz.
Há 10 anos, a Rodas da Paz é responsável por dar continuidade a essa mobilização. Já foram mais de 5.000 bicicletas consertadas e distribuídas.
Os Correios foram grandes parceiros da ação. A rádio Transamérica está com a gente.
Nesse ano, a coleta de bicicletas será feita em locais espalhados por várias cidades no DF. Contamos com o apoio de diversos Batalhões da Polícia Militar que servirão de ponto de coleta, e das Administrações Regionais, que ajudarão no transporte, entre outras organizações.
Confira no link abaixo os endereços dos pontos de coleta, para que você identifique aquele que fica mais próximo da sua casa.

Doe Bicicleta 2013 – Pontos de Coleta

Caso você não tenha uma bicicleta para doar, mas mesmo assim queria apoiar a campanha, pode fazer uma doação direta na conta da Rodas da Paz (Banco do Brasil Agência: 2944-0 Conta Corrente: 13.829-0). Enviando o comprovante para [email protected], informando no título “Doe Bicicleta”. O recurso ajudará a cobrir os gastos com o concerto das bicicletas.”
Se sua empresa quiser apoiar a campanha, entrando na lista de parceiros, escreva para [email protected] para saber como.

Mais informações:
[email protected]
facebook.com/rodasdapaz
twitter.com/rodasdapazDF

Apoio:
Terra Tributa

Transamérica

coroas

Polícia Militar do DF

 

 

 

Federação das Bandeirantes do Brasil (Brasília)

GDF (Administração Regional de Brasília, Administração Regional do Parkway)

Instituto Sabin

 

 

 

simbolo da biciclo

Carta ao Fórum de Mobilidade por Bicicleta do DF

Brasília, 01 de outubro de 2013

Ao Fórum de Mobilidade por Bicicleta do DF

Caros colegas gestores e membros das entidades da sociedade civil,

 

A Rodas da Paz valoriza todo espaço de diálogo voltado a participação social para a elaboração, planejamento de princípios e execução de políticas públicas. O diálogo sempre aberto e franco com o governo tem sido parte importante de nosso trabalho ao longo desses dez anos.

A experiência teórica e prática dos voluntários da Rodas da Paz pode contribuir muito para a evolução positiva da política no sentido de integrar cada vez mais a bicicleta como parte da vida cotidiana da cidade. A política de mobilidade por bicicleta não deve, assim, ser vista apenas como uma política voltada para um grupo social particular, mas como um instrumento de transformação da cidade, ajudando a tornar o trânsito mais seguro e combatendo a violência nas ruas da cidade.

Consideramos um avanço que o GDF tenha voltado atrás em sua decisão de limitar a participação da sociedade neste Fórum, se propondo a formalizar a participação de organizações que atuam no campo da mobilidade urbana. Nas duas reuniões convocadas para estabelecer os critérios de participação alguns encaminhamentos foram propostos pelos próprios coordenadores do Fórum visando favorecer a participação efetiva das organizações da sociedade, quais sejam: as reuniões seriam convocadas com certa antecedência e fora do horário comercial; e as atas seriam encaminhadas com agilidade.

Infelizmente, ferindo este acordo, foram chamadas por email duas reuniões com menos de 24 horas de antecedência em horário de expediente, o que inviabilizou novamente a participação de entidades da sociedade civil, em particular da Rodas da Paz. Além disso, as atas de nenhuma das reuniões foram divulgadas até a data desta carta.

Soma-se a tudo isso o fato das reuniões terem sido realizadas no meio da semana da mobilidade, momento no qual diversas atividades educativas e culturais estavam em andamento em parceria com setores do GDF. Teria sido muito positivo que os gestores da política de mobilidade por bicicleta estivessem envolvidos nessas ações.

Considerando esses eventos, pedimos um esforço do GDF no sentido de favorecer o trabalho respeitoso e construtivo, mantendo as normas acordadas ou chamando o diálogo se for necessário acordar nova dinâmica. Apesar dos nossos questionamentos, nenhum esclarecimento foi prestado pelos Coordenadores do Comitê sobre o porquê a urgência e o não respeito à dinâmica acordada anteriormente.

Por isso, gostaríamos de reforçar a coordenação e a todos os demais conselheiros sobre a necessidade de ter e seguir regras como forma de garantir qualidade e possibilidade de contribuição.

Sugerimos abaixo, alguns pontos que podem contribuir para essa construção:

– O início das reuniões deve, sempre, ser de apreciação da ata da reunião anterior;

– Cada convocação de reunião deve ter pauta antecipadamente estabelecida. (Tanto a pauta como o prazo de convocação destinam-se a possibilitar a elaboração da participação dos conselheiros);

– Tudo deve estar registrado em ata;

– É relevante ter construção estratégica para o Fórum, evitando cair na pontualidade que significará na prática que quem convoca estabelece pauta;

– Ao final de cada reunião é relevante ter opinião e proposta de itens para a pauta da reunião seguinte;

– O item assuntos gerais normalmente é oportuno para estabelecer temas da pauta. Um novo assunto levantado – a não ser que simples comentário – deve ser traduzido em pauta na reunião seguinte, caso não possa ser tratado na mesma reunião em que foi proposto.

 

Agradecemos o apoio e a especial atenção dos senhores a este pleito e nos colocamos a disposição para que, com a participação de todos, seja garantido o pleno sucesso neste espaço potencial de cidadania e civismo.

 

Respeitosamente,

 

Jonas Bertucci
Presidente

Bicicleta gera gentileza (ou A negligência do Estado e a violência no trânsito)

Jonas Bertucci
Presidente da ONG Rodas da Paz1
Setembro de 2013

A imprensa noticiou esse mês estudo divulgado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária destacando o Brasil como o maior país do mundo no número de vítimas fatais no trânsito:  31,3 vítimas fatais por mil habitantes. Os dados do DPVAT (seguro obrigatório) registram 60,7 mil mortes (indenizações pagas) em 2012, com crescimento de 4% sobre os dados registrados em 2011. Deve-se referir também às vítimas no trânsito com sequelas permanentes, ampliando o drama humano e da sociedade.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), duas medidas devem ser priorizadas para a redução da violência no trânsito: o controle do consumo de álcool associado à direção e a redução dos limites de velocidade. Em particular, a redução dos limites de velocidade pode auxiliar imediatamente neste cenário estando diretamente relacionada ao incentivo ao uso de meios mais sustentáveis de deslocamento, como a caminhada, a bicicleta e os transportes públicos. A OMS recomenda ainda velocidades de até 50 km/h em vias urbanas. No caso de vias de circulação de pedestres e bicicletas, mais vulneráveis, os limites devem ser ainda menores, reduzindo consideravelmente o risco de colisões e sequelas, em caso de acidentes.

A par desses números e frente às propostas apresentadas por organizações como a Rodas da Paz para enfrentá-los, o Estado insiste em ações pontuais e desconexas, sem planejamento para a oferta plural de infraestruturas de deslocamento integradas em escala metropolitana. Ao mesmo tempo em que propõem 600 km de ciclovias, o GDF anuncia a construção de um mega estacionamento subterrâneo no coração da capital, caminhando no sentido oposto a um projeto de desenvolvimento sustentável de cidade. A anomia do poder do Estado no cumprimento de suas obrigações o faz agente da violência.

Essa anomia é marcante no caso da fiscalização de comportamentos que ameaçam a segurança de todos, constrangendo em tempo real e mostrando exemplo; e de punição, nos nossos tribunais, dos crimes no trânsito – anuindo com a impunidade que incentiva a irresponsabilidade e a que maus cidadãos não se recatem de conduta criminosa quando no volante e de suas consequências.

Um exemplo marcante está na conduta do Detran-DF em relação aos projetos de ciclovias da capital. Ao invés de propor ações de fiscalização e educação, para permitir uma gradual mudança de comportamento, reduzindo limites de velocidade e priorizando os meios mais sustentáveis de deslocamento, o órgão alterou deliberadamente os traçados das ciclovias, priorizando a fluidez dos automóveis, aumentando a distância percorrida e o tempo de deslocamento do ciclista e desestimulando o uso da bicicleta como meio de transporte eficiente.

Nos cruzamentos em vias residenciais, onde os limites de velocidade já são baixos e onde existem diversos elementos que tornam o trânsito mais calmo (ou seja, espaços potenciais para estimular a cultura de paz e gentileza), foi pintado um sinal de PARE voltado aos ciclistas, desrespeitando a lei 12.587 que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana2, as normas técnicas sobre as travessias do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito (ver Volume IV, Sinalização Vertical, Página 49, sobre cruzamentos de ciclofaixas e ciclovias) e o próprio Código de Trânsito Brasileiro (CTB)3.

Um sinal de PARE para o ciclista, sem qualquer sinalização para os motoristas, transmite a mensagem à população de que a preferência é mesmo do carro, o que estimula a violência e o desrespeito ao mais frágil. A bicicleta sofre, assim, a ameaça de ser expulsa da rua, lugar de todos por excelência.

Não é isso que queremos para nossa cidade. É preciso haver um planejamento racional das rotas cicláveis, priorizando as regiões mais carentes, onde existem mais usuários de bicicleta e mais mortes. As metas não devem ser baseadas em quilometragem de ciclovias, mas na redução dos índices de acidente e aumento do uso da bicicleta. Isso só será possível se o cidadão que faz esta opção tiver acesso aos principais pontos da cidade, aos locais de trabalho, lazer e cultura, e se for feito o diálogo necessário com aqueles que utilizam a bicicleta no dia a dia – e com campanhas educativas em massa para a mudança de comportamento.

A bicicleta é um veículo econômico, ágil e prático. Ajuda a evitar engarrafamentos e reduzir os índices de poluição e de stress. Quem pedala é mais saudável e vive a cidade de maneira intensa, faz amigos, descobre novos lugares, desfruta seu caminho. A velocidade da bicicleta é a velocidade da vida, compatível com as dimensões do corpo humano, o que torna o trânsito mais seguro. Aí reside seu potencial como instrumento contra a violência no trânsito que resulta da priorização da fluidez automotora.

Pedalar nos conecta com o mundo ao redor e nos obriga a pensar constantemente sobre nossas potencialidades e limitações. Quanto mais bicicletas nas ruas, mais gentileza. Por isso, a sua integração não deve ser feita com medo, mas com ousadia, como um dos elementos que podem ajudar a resgatar a humanidade de nossas cidades.

_____________

1 A ONG Rodas da Paz foi instituída em 2003 com o objetivo de reagir à violência e ao crescente número de acidentes e mortes no trânsito do Distrito Federal. Desde então, promovemos ações para a conscientização em prol de um trânsito seguro para todos, com especial atenção para os usuários da bicicleta. Entre nossas ações estão palestras educativas, manifestos, passeios ciclísticos, recolhimento e distribuição de bicicletas doadas e iniciativas junto aos Poderes Legislativo e Executivo e suas políticas públicas, além da permanente vigília sobre o Estado para garantir a todos o direito da mobilidade com segurança, independentemente do meio de locomoção.

2 Art. 6º: II- Prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado.

3 O artigo 214 do CTB é bem claro em relação à questão. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado que se encontre na faixa a ele destinada ou que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo constitui infração gravíssima.

Ciclovia e ciclofaixa da discórdia!

A denúncia pública que todos nós já sabíamos…

Revista Bicicleta por Wesley Moura – Colaboração: Jonas Bertucci; Renato Zerbinato

Foto: Wesley Moura

Foto: Wesley Moura

Como dizia minha vozinha: “meu fío, não precisa ter três orelhas pra saber que isso vai dar errado!”. Traduzindo o que a já falecida dona Alzira dizia, não precisamos ser anormais ou diferentes dos demais para saber que uma coisa vai dar zebra.

ciclovia-revistabicicleta2No processo de implantação do sistema cicloviário do Distrito Federal, observamos diversos aspectos que a princípio ferem a nossa noção de lógica. Não é de hoje que as ciclovias têm sido alvo de discussões a fim de adequar o projeto cicloviário ao interesse político e ao da sociedade civil, não necessariamente nessa ordem. Essa “queda de braço” entre governo e sociedade civil tem gerado muitas críticas e muitos aplausos, partindo para denúncias no MP- Ministério Público, chegando a embargos das obras e manifestações na capital federal.

Ongs, organizações civis, grupos de ciclistas, sociedade geral e governo divergem em suas opiniões, que na maioria das vezes são desenvolvidas nas redes sociais ou nos tímidos 40 segundos veiculados pelas tevês locais geralmente no encerramento dos telejornais vez ou outra, sem oferecer base para argumentação.

A sociedade “comum” – claro, refiro-me àquela que pouco se importa se há ou não ciclovia, que quase reside no carro, gasta mais horas dirigindo do que dormindo à noite; literalmente depende do carro para ir até a padaria, que pensa muitas vezes que um ciclista na via é o mesmo que uma lata de refrigerante vazia rolando aleatoriamente -, na maioria das vezes nem fique sabendo das internas desse processo. Parte por desinteresse, parte por pensar que não há condições de ciclistas dividirem espaço com carros, e as razões e motivos são diversos.

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) aponta uma extensa lista de falhas nas obras de construção das ciclovias no Plano Piloto. Os “graves” problemas encontrados vão desde a falta de licenças para as obras às falhas nas pistas exclusivas já feitas. Técnicos do TCDF encontraram fissuras e rachaduras no concreto, danos às redes de água e de telefonia, além do prejuízo causado às arvores plantadas ainda na construção de Brasília.

Não é nenhuma surpresa que se apresente problemas dessa natureza, pois na pressa esses problemas são inevitáveis. Afinal de contas, 2014 está aí. Eleições e Copa do Mundo de futebol sempre é prioridade quando se fala de desenvolvimento em nosso país, Brasília não pode ficar fora dessa, pois é palco e alvo de denúncias e serviços mal feitos o tempo todo.

A auditoria apontou ainda danos às calçadas já existentes, uso da própria calçada de pedestres como pista exclusiva para os ciclistas, além da falta de previsão da instalação de iluminação pública ao longo da ciclovia. As falhas encontradas sustentam a apuração, ferem o tombamento histórico do Plano Piloto e grande parte do projeto foi feito sem a anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e da própria comunidade.

Diante de todas as irregularidades encontradas, a Corte de Contas pediu que a Secretaria de Obras desse explicações sobre o andamento das obras e a forma como tem sido implantadas. O Governo do Distrito Federal (GDF) promete realizar essas adequações assim que as obras forem avançando.

Uma conquista visível do Distrito Federal é a ciclofaixa de lazer, que tem sido considerado outro cala-boca aos usuários de bicicleta. Em conversa com a comunidade em geral, perguntei sobre a ciclofaixa e a resposta foi quase que unânime: “uai, pensei que fosse faixa exclusiva para ônibus, nem sabia que era para bicicleta”. Apesar de as placas informarem que a ciclofaixa funciona aos domingos e feriados das nove às 16 horas, algumas pessoas reclamam que a má divulgação foge da proposta de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Essa ciclofaixa seria perfeita durante a semana em horário de ida e volta do trabalho/faculdade, de quem sofre nos quilômetros de congestionamento na região.

Mas ainda assim o espaço reservado para a ciclofaixa é seguro para o ciclista. A ciclofaixa do lazer, implantada no Eixo Monumental, oferecerá empréstimo de bicicletas e pontos de apoio para os usuários ao longo de todo o percurso. Além disso, o projeto será ampliado para a W3 Sul e a W3 Norte (Asas Sul e Norte) e deverá estar em pleno funcionamento até julho. A meta do Departamento de Trânsito (Detran) é ofertar todo o serviço de graça para a população.

Com início na Catedral Rainha da Paz, entre o Cruzeiro Novo e o SMU (Setor Militar Urbano), vai até o Congresso Nacional passando por todos os pontos turísticos do Eixo Monumental, sendo uma ótima opção de lazer pra quem visita a Capital Federal a exemplo do São Paulo e Rio de Janeiro. Destaca-se: “de Lazer”!

ciclovia-revistabicicleta3

Sobre todo o tema envolvido, segue nota da ONG Rodas da Paz por meio de Jonas Bertutti, presidente da ONG:

“Todo o processo teria melhores resultados caso o GDF ouvisse os usuários de bicicleta, as pessoas que já utilizam no dia a dia. Além disso, são necessários estudos para verificar com clareza as regiões onde há maior necessidade e que tipo de estrutura utilizar em cada lugar. Áreas e vias compartilhadas de baixo fluxo e velocidade (e sem histórico de acidentes graves) como L1 e W1 são soluções perfeitamente possíveis. O objetivo principal deve ser reduzir o número de acidentes e aumentar o número de usuários de bicicletas. Para isso, seria preciso fazer contagens de ciclistas e estudos do tipo origem-destino. Temos alertado o GDF nesse sentido há bastante tempo.

No caso das Travessias: o Detran afirma que não irá dar preferência aos ciclistas por questões de segurança. No entanto, não há estudos técnicos que apontem que essa seja a melhor solução. Ao contrário, a experiência de diversos países indica que a melhor saída é reduzir os limites de velocidade e priorizar o transporte não motorizado, fazendo campanhas e sinalização adequada para dar preferência aos ciclistas na maior parte das situações, conforme orienta o CTB. O trajeto do ciclista e do pedestre deveria ser mais direto, fluido e com menos paradas. Assim, a mudança cultural dará maior segurança para todos, num processo semelhante ao que foi a implementação da faixa de pedestre e que está se perdendo. Conflitos com pedestres seriam evitados com as campanhas educativas, sinalização e planejamento para renovação de calçadas.

As ciclovias estão quase prontas e as pessoas já estão utilizando. Fica claro que o planejamento poderia ser diferente. A sinalização e as campanhas educativas, que já deveriam estar ocorrendo para informar a população ficaram para o final… Sabemos que há uma restrição legal do contrato da obra, mas poderia ter sido feito diferente. No caso das campanhas, tem sido uma demanda feita há anos pela comunidade ciclística ao GDF e isso não necessita ciclovias prontas, já que os ciclistas também utilizam as ruas.

O material educativo distribuído se restringe a alguns panfletos na ciclofaixa de lazer voltados para ciclistas, quando deveria ser voltado para a sociedade como um todo, principalmente motoristas.”

Para falar mais sobre essa audiência e sobre o tema abordado, segue opinião de Renato Zerbinato, cicloativista:

“A questão aqui é outra bem pior, infelizmente é uma prática comum do GDF, não só na questão das ciclovias, mas em outras áreas também. O fato é que o GDF teve tempo de sobra para realizar diversas audiências públicas antes das obras começarem, antes mesmo delas serem licitadas. Ninguém é contra ciclovias ou outras estruturas que tragam real segurança para quem usa a bicicleta, desde que sejam feitas de acordo com a real demanda da cidade e observando o gasto desnecessário de dinheiro público. O que mais nos impressiona no processo de implantação do sistema cicloviário no Distrito Federal é a forma que o governo ignora a opinião pública.

Em audiência com o MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) e posteriormente com o MPF (Ministério Público Federal), o GDF ficou de apresentar novo projeto de sinalização e também a construção e atualização de um relatório enumerando quantas e quais árvores seriam removidas para a construção destas ciclovias. Além disso, o DPJ – Departamento de Parques e Jardins da NOVACAP ficou obrigado a apresentar um relatório específico detalhando a quantidade e quais os possíveis problemas poderiam acontecer com as árvores que estão tendo suas raízes removidas quando a ciclovia passa perto demais delas, mas parece que não está acontecendo.

Ainda mais: as ciclovias aqui no Plano Piloto estão sendo construídas em concreto, o que duplica o preço da obra em relação às ciclovias feitas de asfalto nas demais regiões administrativas. Cito os exemplos abaixo:

-Eixo Monumental = Concreto = Extensão 17 km: Valor Total = R$ 5.076.500,07 (aprox. R$ 298.000 por quilômetro).

-Gama (cidade satélite do DF) = Asfalto = Extensão 13 km: Valor Total = R$ 2.222.906,56 (aprox. R$ 170.000 por quilômetro).

Na época, alegaram que o concreto era uma exigência do Iphan, para não ferir o tombamento, porém, o próprio Iphan nunca admitiu que fez tal exigência. Então, a pergunta aqui é: por que tanta diferença de preços? Por que não usar asfalto em todas as ciclovias, já que é mais barato e muito melhor?

Todo mundo acompanhou os erros e mais erros da ciclovia do sudoeste, obra mal feita, concreto de baixíssima qualidade, com rachaduras e defeitos graves, onde inclusive um ciclista se acidentou seriamente. Até hoje a ciclovia não foi restaurada, continua com os mesmos problemas e ainda com a sinalização toda errada, e o pior, as ciclovias que estão sendo construídas e que são temas desta audiência, seguem os mesmos erros, rachaduras, buracos, escuridão e falta de sinalização adequada, levando em conta que o projeto de sinalização é o mesmo para todos os 600 km projetados.

No dia 27 de abril o GDF realizou uma Audiência Pública para debater o projeto cicloviário do Plano Piloto, a convocação foi publicada por meio de Ordem de Serviço Nº 25, de 15 de março de 2013, no Diário Oficial do Distrito Federal. Até o fechamento dessa matéria não obtivemos informações sobre o encaminhamento da Audiência Pública.”

Fonte: Revista Bicicleta – 07/10-2013

Travessia de ciclistas: como estão e o que fazer?

por Pedro Gontijo Menezes

Com a construção de ciclovias no Distrito Federal e quantidade de ciclistas aumentando a olhos vistos, os cidadãos de Brasília começaram a perceber que, para incentivar o uso da bicicleta no trânsito da cidade, não basta pensar apenas em estrutura. Ao adotar um meio de transporte pouco utilizado até agora, refletimos como compartilhar o limitado espaço urbano. Insistir somente na criação de mais um espaço segregado – a ciclovia – não resolve automaticamente o problema. A eventual sensação de tirar alguém do espaço, seja o pedestre ou o ciclista fora do caminho do carro, é falsa: em algum momento, os caminhos se cruzam.

É precisamente nas travessias que a harmonização do trânsito é colocada à prova. E os cruzamentos sinalizados das novas ciclovias, quase prontos (faltando, pelo que parece, apenas a sinalização vertical, isto é, as placas), estão confundindo as pessoas ao invés de harmonizar o fluxo.

O princípio da preferência do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) entre veículos diferentes e entre eles e os pedestres é conhecido: os maiores devem zelar pela segurança dos menores, e todos pelos pedestres (CTB, art. 29, §2º). Mas os pontos de conflito das travessias, a lei e a sinalização confusa complicam a regra aparentemente simples.
O Código não fala diretamente de travessia de ciclistas, mas determina que não dar preferência de passagem a pedestre e veículo não motorizado é infração gravíssima:
Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:
I – que se encontre na faixa a ele destinada;
II – que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
(…)
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa.

Parece razoável entender que a “faixa a ele destinada” inclui ciclofaixas, faixa de pedestres e a faixa de cruzamento de ciclovia e ciclofaixa. Também parece razoável não acelerar o carro para cima de pedestres e ciclistas que atravessam a rua no momento em que o sinal abre para os veículos. Além da lei, é questão de bom senso. O art. 214 também determina a preferência a pedestres e ciclistas que já iniciaram a travessia, tanto na pista onde se encontra o carro quanto na pista transversal para onde o carro se dirige, mesmo se não houver qualquer sinalização de travessia:

Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:
IV – quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;
V – que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:
Infração – grave;
Penalidade – multa.

A preferência para pedestres e ciclistas que estejam atravessando a via aonde o carro se dirige também está no artigo 38, parágrafo único:
Art. 38, Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção [para outra via ou lotes lindeiros], o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem.

Parece bem claro: o motorista que vai entrar com o carro em qualquer pista lateral, rua transversal, entrada de quadra, garagem ou lugar parecido deve dar preferência a pedestres, ciclistas, skates, carroças, etc. que estejam atravessando aquela rua ou entrada.

Se o ciclista ainda não começou a atravessar, ou se o cruzamento está numa pista principal e não em uma interseção, seria natural pensar que a faixa da ciclovia dá preferência ao ciclista assim como a faixa de pedestres dá preferência ao pedestre. Porém, nesses cruzamentos, o DETRAN-DF pintou um sinal de PARE… para o ciclista! E ainda dá a orientação para que o ciclista faça sinal de mão para atravessar, tal qual o pedestre na faixa, como se o braço do ciclista fosse mais visível do que uma bicicleta inteira. Essa estrutura e essa orientação levam a uma situação na qual o ciclista não tem a prioridade que o CTB determina. Ele depende de parar, sinalizar, aguardar um motorista respeitoso (o que infelizmente pode demorar) e retomar o passo para ter segurança no trânsito. A responsabilidade pela travessia segura recai menos sobre quem opera uma máquina pesada no meio da rua, e mais sobre quem é mais frágil.

De fato, o sinal de PARE na faixa da bicicleta está no manual de sinalização do Conselho Nacional de Trânsito mas apenas em caso de cruzamentos onde tem semáforo. Quando o cruzamento não tem semáforo, o CONTRAN permite a opção (mas não obriga) de pintar uma faixa de retenção para o carro e não para as bicicletas. O cidadão comum, que não é especialista em engenharia de tráfego mas é o principal beneficiário dela, fica sem orientação clara: afinal, quem tem preferência de passagem: a bicicleta, segundo o CTB? Ou o automóvel, como a sinalização parece indicar?

Em cidades onde bicicleta é um meio de transporte acolhido nas vias urbanas, a preferência nos cruzamentos é sempre do ciclista. A preferência da bicicleta é indiscutível tanto na sinalização como na legislação: faz sentido que o meio de transporte mais frágil e menos custoso para a cidade tenha prioridade no trânsito. É razoável deixar que o veículo motorizado faça o “esforço” de parar e acelerar mais, enquanto o veículo não-motorizado e o pedestre sigam com mais constância e, consequentemente, maior conforto.

É difícil mudar as normas imediatamente, mas é simples fazer a nossa parte para mudar a cultura. É bom que o ciclista mostre que tem a preferência, sempre com respeito e segurança, e muitos motoristas entendem e protegem o ciclista e o pedestre. O mesmo deve ser feito com o pedestre que caminha pela ciclovia, seja ela compartilhada ou não. A cultura em que devemos investir não é a do enfrentamento, mas do compartilhamento.

Rodas da Paz participa da 5ª Conferência Distrital das Cidades e elege delegado para a Conferência Nacional

rodas_da_paz-5a-conferencia-distrital-cidadesTexto: Antonio Barros

A Rodas da Paz participou nesse último final de semana (28 e 29 de setembro de 2013) da 5ª Conferência Distrital das Cidades. Na conferência, centenas de pessoas discutiram e votaram no Centro de Convenções Ulysses Guimarães propostas que serão encaminhadas ao Governo Federal e ao GDF para a formulação de políticas públicas para as cidades. Foram debatidas e escolhidas 45 propostas, 30 para o Distrito Federal e 15 para o País – estas últimas a serem analisadas na Conferência Nacional das Cidades.

A população do Distrito Federal pôde discutir os problemas e soluções para as suas cidades nas áreas de habitação, saneamento, desenvolvimento urbano, mobilidade e trânsito. Dentre as propostas aprovadas por meio do trabalho do voluntário Antonio, do diretor Raphael e do presidente Jonas, da Rodas da Paz, estão a priorização da mobilidade para idosos e pessoas com deficiência, a interligação entre as ciclovias do DF, a melhoria dos transportes públicos, com tarifas acessíveis ou “zero” e serviços de qualidade e não poluentes, e a integração entre os diferentes modais de transporte sem a ampliação de vias. Além disso, por meio da escolha democráticas dos representantes de diversas ONGs, o voluntário Antonio Barros foi eleito um dos dois delegados distritais do segmento, que irão para a Conferência Nacional das Cidades, representando a Rodas da Paz e mais 8 organizações não governamentais.

A Conferência Distrital das Cidades ocorreu como consolidação dos resultados de conferências locais nas 31 Regiões Administrativas do Distrito Federal e é etapa preparatória da 5º Conferência Nacional, a ser realizada em novembro de 2013, em Brasília.